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STIS 2018

7. Outubro: Dez anos de experiência com Robótica Educacional

7.1. registro outubro

Registro da Conferência em chat escrito, de 10 de outubro de 2018:

 

Dez anos de experiência com Robótica Educacional: um relato do ensino fundamental ao superior

(Prof. Fernando da Costa Barbosa)

 

 

  

 

moderador: Equipe STIS

 

 
<danilorcesar> Boa noite, Pessoal!
<osvaldo> boa noite professor
<FernandoBarbosa> Boa noite!
<danilorcesar> Vamos aguardar mais alguns minutos, pois algumas pessoas me disseram que estão chegando em casa
<Ton> Boa noite!
<Ygor> Salve galera
<Erivelton> Boa noite!
<Guest62630> BOA NOITE PROFESSOR
<danilorcesar> Fernando: Vamos dar um limite de no máximo 10 ou 15min?
<Guest62630> MATHEUS
<FernandoBarbosa> Danilo, mais 10 minutos, 19h45
<Andre_UFU_REINAR> boa noite galera
<Guest62630> BOA NOITE PROFESSOR SOU MATHEUS, LOCALIZADO NO ESTADO DO TOCANTINS CIDADE DE ARAGUATINS
<danilorcesar> Ok, Fernando!
<Ygor_UFU_ReinaR> quem vai na Larc 2019?
<danilorcesar> Boa noite, pessoal!
 Vou passar algumas recomendações!
<Guest62630> BOA PROFESSOR
<danilorcesar> Boa noite a todos! Sejam bem-vindos! Gostaria de agradecer ao grupo Texto Livre por esta oportunidade de compartilharmos informações que irão gerar uma diversidade de conhecimentos!
 Também gostaria de agradecer ao professor/educador Fernando por ter aceitado o convite para participar desta conferência! Agradeço em nome do grupo Texto Livre!
 Para quem participa pela primeira vez, teremos 60 minutos de apresentação e 30 minutos para perguntas, sugestões e discussão geral das ideias expostas ou o palestrante poderá dividir em seções a sua apresentação e liberar para cada seção um momento de perguntas, sugestões e discussão geral das ideias expostas.
 Os códigos para os slides (quando houver) serão indicados no início de cada apresentação; Basta inserir o código à direita, depois de escolher o tipo de atendimento: “apresentação de slides”; Vocês podem regular o tamanho do chat e slides ajustando a coluna vertical entre as partes. A apresentação de hoje teremos o código “roboticafernando” (sem as aspas) para os slides!
<danilorcesar> A apresentação acontece apenas por escrito, no chat, ou seja, não há vídeo nem áudio. Durante esse tempo, a sala poderá estar moderada! Aguardem a fala do Fernando para quando for solicitado que sejam feitas as perguntas!
 Desejamos um ótimo seminário a todos!
 O Educador Fernando da Costa Barbosa possui: Doutorado em Educação (2016) na linha Educação em Ciências e Matemática, Mestrado em Educação (2011) na linha Saberes e Práticas, Especialização em Ensino de Ciências(2010) e graduação em Matemática pela Universidade Federal de Uberlândia (2007).
 Tem experiência na área de Matemática, com ênfase em EDUCAÇÃO MATEMÁTICA, atuando principalmente com robótica educacional.
 Fernando, pode iniciar!
<FernandoBarbosa> Boa noite a todos! Obrigado Danilo pelo convite e apresentação! Sejam todos bem vindos e espero que seja proveitosa nossa conversa! Vi que temos a presença de representante do Tocantins, Goiás e Minas Gerais.
<FernandoBarbosa> Eu iriei fazer apresentação e em seguida podemos conversar.
 Quero começar dizendo que achei interessante ser esta data, pelo fato de ser neste mês que completo 10 anos que comecei a me aventurar pela Robótica Educacional. E é justamente essa história que quero compartilhar, as marcas da minha experiência, pensando na perspectiva de Jorge Larrosa.
 Larrosa diz que as experiências geram marcas, quero mostrar um pouco destas marcas tanto para mim, como para quem participou de nossos projetos de robótica.
 No primeiro slide, tem o logo NUPEME, tem um significado muito importante, pois tudo começou justamente no grupo NUPEME (Núcleo de Pesquisa em Mídias na Educação), fundado em 2004. A ideia inicial veio de um professor e líder do grupo no ano de 2008.
 Na época, recém-formado em licenciatura em Matemática, estava como professor substituto em uma escola de educação básica vinculada a UFU, em virtude de uma ação de extensão que era desenvolvida na escola, precisava de um tema para orientar crianças em suas iniciações científicos, nessa dúvida em como orientar e em que, acabei sendo levado a robótica.
 Não foi a primeira vez que esse assunto surgiu em minha vida, mas com ênfase direta em robótica, foi a primeira vez. Explico, em 2004, o primeiro texto que acabei lendo em uma Iniciação Científica, foi justamente de uma das grandes referências em Robótica Educacional, Seymour Papert.
 Enfim, continuando a história, em 2008, orientando 10 crianças, sendo alunos tanto do 9º ano e 6º ano, que fizemos um estudo de robótica, mas faltava algo, e não foi eu, a dar o toque final nessa história, foi os alunos que trouxeram a ideia, de fazermos um robô. Esse robô era autônomo, chamado Beetlebot. A ideia veio do youtube, posteriormente encontramos manual da USP explicando a construção/reprodução
 Foi isso, que fizemos, replicamos uma ideia pronta, vamos imitar, depois quem sabe criar. Como podem ver no slide 3 e 4, temos uma foto de uma criança soldando e colando as peças de um robô capaz de desviar de obstáculos, a um custo muito baixo, usando a maioria de componentes encontrados em brinquedos velhos.
 Foi o primeiro passo, digamos concreto de manusear um robô. Lembro-me muito bem e acompanhar as crianças empolgadas em expor seu robô funcionando, mostrar aos seus pais, o que elas foram capazes de fazer e ao público que passava pelas salas ver os projetos.
<FernandoBarbosa> Não vou entrar em detalhes e falar ano por ano, mas períodos que foram marcantes. Em 2009, decidimos então fazer uma investida maior no que se refere ao trabalho com robótica, conseguimos um espaço e interesse dos gestores e uma professora de matemática de desenvolver uma atividade de robótica.
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<FernandoBarbosa> Iniciamos no final do segundo semestre de 2009 e continuamos até final de 2010 na mesma, escola. Trabalhamos com alunos do 9 ano do ensino fundamental, achamos ser os melhores alunos a se abordar conceitos matemáticos e tecnologia, ou seja, a sua talvez maturidade e capacidade de entender abstrações.
 Nesta escola, no laboratório de informática (ver slide 5) desenvolvemos atividades de cunho investigativo, uma das mais emblemáticas foi a rampa, como podem visualizar no slide 6. Além de fazer carrinhos para descer uma rampa, a partir de blocos de montagem, também exploramos a ideia do Beetlebot, novamente reproduzir a ideia.
<FernandoBarbosa> Mesmo fazendo isso, sentíamos a necessidade de trabalhar a matemática, aqui quero usar uma fala da Zilli (2004) (Slide 7), que diz mais ou menos assim, que o robô é uma ferramenta que permite demonstrar na prática muitos conceitos científicos. Apesar disso, com formação matemática, havia uma preocupação nossa em inicialmente trabalhar a matemática, pensando na tecnologia como um meio a se atingir esse objetivo maior
 Nesse processo, buscamos explorar com os participantes as questões geométricas do Beetleboot, foi o que muitos já devem te ouvido na escola, encontrem no seu cotidiano a matemática. Sei que fui grosseiro, mas estamos procurando emergir mais rápido a matemática, no papel de professor, era necessária que essa matemática aparecesse, o trabalhar só a tecnologia não bastava.
<FernandoBarbosa> A rampa é um exemplo disso, mas um fracasso parcial, pois os conhecimentos eram também de física, aerodinâmica, design, conhecimentos que naquela época eu e ninguém do meu grupo tinham domínio total e acho que até hoje não aprendemos tudo.
 Tenho que admitir, foi preciso uns bons anos para a história desta rampa voltar e aprendermos. Foi um professor de física que nós ensinou muito sobre.
<FernandoBarbosa> Esse é um fator interessante, com a robótica, não existe um chão, nem um céu, tudo é desconhecido do meu ponto de vista, não existe a segurança de saber e prever tudo, o imprevisível acontece e mais, é a melhor situação de aprendizagem tanto para o aluno como para o professor, ambos aprendem em comunhão.
 Essa ideia é de Paulo Freire, ninguém aprende sozinho.
 As primeiras vezes, há uma insegurança, não saber o que fazer, mas nesse processo de aprendizagem é que o pensamento sofre mudança. Existe uma necessidade real, um problema que não pode ser ignorado, sem sua solução o projeto não completa. São problemas simples, mas para pessoas iniciantes, todas as alternativas de desvio não resolve a não ser, resolver o problema, entender, estudar e estabelecer a solução.
<FernandoBarbosa> Posso fazer uma analogia a uma gincana, queremos ganhar, mas para isso, temos que abrir um portão especifico, não há outro caminho, existe uma motivação, um desejo de aprender, logo haverá aprendizagem, o novo se unirá ao velho conhecimento formando um novo (Aprendizagem Significativa ), da próxima vez que um mesmo problema ou correlato aparecer, será mais um exercício ao que já foi aprendido.
 No slide 7, temos a construção do Beetlebot e como eram as aulas no laboratório de informática, que por sinal era muito bem organizado.
 Guest84823 saiu (Ping timeout: 256 seconds)
<danilorcesar> Vamos aguardar um pouco! Parece que o link do Fernando caiu
<danilorcesar> Mas já está voltando
<Fernando_> voltei
<danilorcesar> No slide 7, temos a construção do Beetlebot e como eram as aulas no laboratório de informática, que por sinal era muito bem organizado.
 Vc parou aqui!
<Fernando_> obrigado
 no slide seguinte, tem uma definição da Zilli que mencionei anteriormente. O que mais queriamos era fazer o que ela falou, demonstrar na prática conceitos, no nosso caso, de Matemática.
<Fernando_> Os alunos não ficaram apenas em reproduzir um robô, buscamos unir os conhecimentos com outras metodologias envolvendo tecnologias para o ensino, ou seja, blog e webquest (Slide 9) se juntaram para estimular projetos, ou seja, sair da reprodução para um caminho de criação, imaginação, ou seja, desenvolver um robô com uma aplicação
 Usamos da metodologia de WebQuest para estimular a criação e para publicar, usamos um blog. Blog era mais fácil de fazer do que uma página web.
 No slide 10, vocês tem o que conseguimos produzir nesta ideia, uma evolução do beetlebot.
 Só completando, a webquest recebeu o nome O Aprendiz de Robótica, pois naquele momento o programa de tv em evidência era O Aprendiz.
 Vamos aos projetos que eles construiram.
 A primeira tentativa de fazer emergir a Matemática, pareceu muito simplistas aos nossos olhos de professores e pesquisadores, precisávamos de mais, pensamos então em estimular projetos, talvez nesse caminho veríamos melhor a Matemática. Cada grupo procurou, após ter feito a versão 1 do beetlebot, fazer uma versão melhorada, com aplicação.
 Pensar em um produto novo, esse momento foi considerado um período tenso, pois os encontros não rendiam, as crianças tiram estagnadas, faltavam ideias. Até aquele momento havia uma corrente instrucional do professor para o aluno, ou seja, sempre chegava a eles o que fazer e como fazer.
<Fernando_> A ruptura com esse paradigma deixou os alunos em momento de reflexão: o que fazer? Qual meu projeto? O que meu robô vai servir? Na minha dissertação de 2011, tem melhor descrito isso, usarei das minhas próprias palavras ‘’reproduzir é fácil, produzir é difícil, mas não impossível” (Barbosa,2011, p.121).
 As crianças sentiram dificuldade de formular ideias novas, mas aos poucos, conversando, deixando perguntas para que respondessem, eles acabaram encontrando seus projetos.
 Toda a inspiração dos projetos veio de casa, a maioria eram robôs destinados a tarefas domesticas. Nasceu, ideias tanto para limpeza, como segurança, espionagem, mas nem todo projeto foi possível ser finalizado, faltava material e conhecimento técnico. Alguns itens eram caros, não encontrávamos a não ser comprando.
 Slide 11. O caminho do ensino fundamental foi construído em cima do robô, em projetos de montagem com exploração matemática, o projeto da criança, a implementação do projeto, nesse caminho, uma necessidade, criar conexão com a matemática.
 Se forem para o slide 12, verão quais foram as limitações do trabalho com robótica educacional no ensino fundamental.
 A física era em virtude, nem todos poderiam ser atendidos, foi uma ação no contra turno das atividades de aula regular
 A maioria dos trabalhos de robótica começam ou se desenvolvem desta forma, hoje vemos mais integrado, até mesmo como uma disciplina extra na grade dos alunos, principalmente em instituições privadas, que reconheceram as potencialidades da robótica e investiram.
 No que se refere a financeiro, em alguns momentos, faltou capital para implementar e tornar todos os sonhos de projetos reais.
 . Humanas, é que a continuação do projeto em outros anos naquele mesmo espaço ficou debilitada, faltou pessoas para continuar. Além disso, alguns conhecimentos específicos ficaram a desejar, sem esquecer o tempo ser muito pouco para o trabalho com robótica, foi um encontro semanal.
 Apesar te todo esse balanço, fizemos o que podíamos e com o que tínhamos. As marcas foram várias, algumas que me recordo estão no slide 13, resumo dizendo, naquela época foi frustrante pensar em inclusão e ver que excluímos, não podíamos atender a todos, não construir as ideias fieis dos alunos, faltava material, hoje com impressora 3D, todos aqueles projetos sairiam da imaginação.
<Fernando_> No slide 13, só algumas pontuações, algumas marcas.
 Pessoais enquanto pesquisador, mas também como resultado da pesquisa, do trabalho com robótica.
 O melhor resultado deste trabalho de 1 ano e meio, está no slide 14
 A imagem descrevo como, a autonomia alcançada, eles começam a criar seus próprios projetos, sem nenhum estimulo dos professores, no barulho das atividades no laboratório, as duas foram para o quadro e começaram a desenhar o projeto delas, essa fotos meio embaçada, foi simplesmente a melhor foto que tirei desde 2008, quando capturei a montagem do primeiro Beetlebot.
<Fernando_> Trabalhamos no ensino fundamental com Robótica Livre (RL), eu nem preciso definir, mas gosto muito da fala das crianças, vejam no slide 15 o que uma criança falou sobre a robótica livre.
<Fernando_> Transcrito como foi falado, não viam limites.
<Fernando_> No final de 2009 estava chegando novos materiais, kits de robótica da Lego, então eles puderam sentir uma experiência com o kit, projeto de catapulta, explorar conceitos e equação do segundo grau. Usamos do artefato, para trabalhar um conceito.
<Fernando_> Voltando na fala da criança, na RL era amplo a criação, enquanto que no kit proprietário ele via limites, mas no slide 16 eles apontam o fato da programação, uma novidade. Até então, o trabalho com livre ainda para nós, não envolvia programação em alguma linguagem.
 Todo esse trabalho não parou ou ficou na escola, foi também parar na mídia quando as crianças decidiram participar de uma feira de ciências, levando a construção de um robô catador de lixo, lembram do slide 14, o projeto das meninas, ele sofreu mudanças pelo grupo, culminando no robô do slide 2, caminhão com automatização. Hoje já temos isso!
 Em 2011, a professora que acompanhava o projeto, recebia para desenvolver essas ações, teve que retornar a sala de aula, pois os subsídios governamentais foram cortados, sem mais nem menos. A justificativa não foi apresentada, mas a vida e os projetos continuam.
<Fernando_> No slide 17 o projeto do caminhão de lixo, ideia começada no quadro branco
<Fernando_> No slide 18, as catapultas, foi apresentação dos projetos para TV. Na imagem tem apenas as catapultas, mas levaram todos os robôs e do slide anterior.
 Foram elogiados, mas não premiados.
 Em 2012 decidimos mudar de escola e material, foi uma decisão coletiva, até aquele momento, todos nossos projetos estavam acontecendo no ensino fundamental, tínhamos curiosidade de trabalhar no ensino médio.
 Vamos para slide 20.
 Em conjunto com PIBID de Matemática fomos para uma escola estadual, o primeiro passo foi revitalizar o laboratório que antes era destinado a cursos manutenção de maquinas e cursos de softwares. Eram antigos projetos do governo que foram desabilitados. Nesse processo revitalizamos os laboratórios, recuperamos algumas máquinas.
  Eram dois laboratórios, que ficaram para uso do PIBID e trabalho com robótica. No slide 21 e 22 podem ver como eram e como ficaram. Havia um sinal que estimulava a continuar na robótica livre, olha as maletas de ferramentas.
<Fernando_> Apesar deste “sinal amarelo” e nítido, em projetos de pesquisa, tínhamos feito uma compra de material e não tínhamos explorado ele por um período longo, assim, começou um trabalho com kit proprietário. Queríamos ver o que podíamos fazer, conhecer uma outra perspectiva de trabalho, até mesmo para um dia criticar.
 Assim, de 2012 até 2015 praticamente desenvolvemos um trabalho com jovens no usando kits proprietários da Lego, começou com ideia de desenvolver projetos com alunos do ensino médio e explorar a matemática.
 No slide 20 e 21, o antes e o depois.
 Vou explicar como foi o movimento de trabalho nesta escola.
 A primeira aula foi marcante, primeiro que as expectativas dos jovens eram de uma aula tradicional, cada um com seu caderno, quando se viram no processo de aprender mexendo, tocando, testando, sem medo de estragar, foi dada a permissão para explorar.
 A primeira experiência de montagem e programação é motivacional, eles se vendo como construtores e responsáveis por fazer de sua “criatura” ganhar vida, movimento, ações que eles estabeleceram. Sem selos ou travas, não havia limites, por mais que a aula estava planejada com uma proposta, primeira montagem e movimento, os alunos queriam mais. E nesse mais, acabaram testando e explorando todos os sensores em uma aula.
 No slide 24, temos algumas fotos e um estrutura de construção de uma rede de trabalho de robótica, ou seja, o trabalho com robótica educacional nesta escola foi uma ação de aproximação da Universidade até a Escola, usando do PIBID e apoiada pelo NUPEME.
 Na escola construímos atividades de robótica, que eram repensadas a cada aula, a primeira foi exemplo disso, em uma aula, foi realizado atividades de pelo menos 4 aulas, tanto que as seguintes foi necessário criar novos desafios, levar novas montagens. O trabalho com material da Lego, tem a facilidade de montagem, é mais rápido, mas precisa de uma combinação das peças, conhecimento delas para se chegar a um protótipo
 As primeiras montagens são realmente a partir de modelos prontos. Como não tínhamos as revistas, buscávamos em sites montagens livres para servir de modelo, onde vinham os passos de montagem. Nesse processo, a cada novo desafio, estimulávamos os alunos a encontrar soluções, por exemplo, se uma peça não constasse na caixa, crie uma nova solução, remodele a montagem.
 Montar e reproduzir não da para ser para sempre, haveria desafios que a construção de uma nova estrutura seria necessária, ou seja, não haveria um modelo pronto, mas todos os aprendidos, montados, poderiam colaborar na montagem de um novo modelo.
 Essa necessidade foi exigida, quando foi formada uma equipe de competição de torneio de robótica chamada Robotstorms. Até então, na escola estávamos trabalhando com grupos ou pequenas equipes, destas esquipes surgiu os integrantes que iriam formar a RobotStorms.
 Em 2012, dez jovens participaram do First Lego League (FLL), torneio internacional. Ficamos em 24º lugar, em aproximadamente 40 equipes. De alunos a competidores, com um mês de trabalho, desenvolveram um projeto de pesquisa, um robô e foram competir.
 Detalhe, o robô desmontou no porta malas do carro na noite anterior e foi feito um novo na madrugada.
<Fernando_> O robô da foto o slide 24 é a versão da madrugada
 Saber lidar emocionalmente, racionalmente, ser técnico, esse foi o momento. O torneio gerou um ambiente de muita tensão e cansaço. Mas eles superaram seus limites, não tínhamos alunos do ensino médio passivos e aguardando instruções, mas autônomos, com iniciativa, que buscavam resolver os problemas de acordo com suas capacidades.
 O professor nesses momentos é um mediador, orientador no processo de aprendizagem. Quando se sentem confusos, o professor agia de modo orientar a identificar o melhor caminho. Um jeito era questionar, usar de perguntas.
 Após esse torneio FLL, alguns imprevistos da escola mudaram o rumo do projeto, por um lado foi bom, por outro a escola perdeu a continuação
 Alguns alunos desta equipe Robotstorms foram aprender mais, mas dentro da universidade, com professor da universidade e graduandos, chegando a outro nível de competição, OBR, com uso de linguagem de programação em C++. Se forem passando pelo slide 25 até o 27 verão essa representação.
 Os jovens foram passando de alunos para competidores e voltaram a ser alunos em 2013. Aprendendo estudando e mais, ensinando, pois começaram a orientar outras equipes, serem técnicos.
<Fernando_> No slide 28, podem ver a mudança da estrutura, a Robotstorms orienta três equipes de três escolas diferentes. O conhecimento construído dentro da universidade se reflete na premiação do melhor robô feito na competição, sobre orientação dos jovens membros da equipe Robotstorms Jr.
 Slide 27, perdão.
 O modelo de torneio que acabaríamos participando permitiu emergir melhor os conhecimentos matemáticos e científicos, pois os torneios usam de temáticas e dentro destas, os participantes precisam identificar problemas e criar soluções, isso faz parte do projeto de pesquisa
 Além disso, construir um robô para resolver desafios em uma arena de competição e não menos importante, formar as pessoas para trabalharem de forma coletiva, em busca do conhecimento, de sem esquecer a diversão.
 . A medida que se avança, pesquisa, busca entender um fenômeno, construir uma solução, os conhecimentos científicos e matemáticos são despertados, são exigidos, foi nesse momento que vimos a matemática emergir sem forçar, mas das necessidades deles.
 Vimos a criação da Robotstorms Jr (equipe de robótica de uma ONG da periferia da cidade), mais que criação, a transformação das crianças envolvidas, de tímidas a falas firmes e convictas de quem cresce e conquista.
 Cresce na etapa local, cujo tema era agricultura sustentável, revitalizaram uma horta abandonada na ONG e foram participar do torneio nacional no Rio de Janeiro, viajando sem os pais pela primeira vez.
 Esse trabalho com ensino médio, criou conexão com ensino fundamental, vimos um novo caminho de trabalhar matemática e robótica, acompanhamos a transformação dos envolvidos, o seu ingresso em cursos de engenharia na UFU em 2015
 O mais importante é que o trabalho com RE, transforma o participante, o professor e todos que estão diretamente conectados. Para fechar esse ciclo, só quero que observem a foto com cinco jovens no slide 26 e olhem a foto do slide 3 ou 4.
 O jovem do centro é o mesmo da foto do slide 3.
 Esses jovens tem história, o Ygor, falou algo que jamais me esqueci. Ele é o quinto jovem na foto do slide 25
 "Eu só voltei para robótica por causa dos desafios"
 Esses meninos de alunos, a professores, hoje universitários, engenharia mecânica e de computação.
 Esse caminho não foi sozinho, foi criando diferentes conexões, com escolas, pessoas, universidade, ONG, entusiastas, pais. O que ficou foi essa rede, e a medida que esses meninos e meninas ingressam na universidade, o que um dia eu estava a frente, eles assumem e fazem melhor.
 O que era aprendido era compartilhado a outros novos alunos, tanto que a conquista de melhor robô veio com os ensinamentos daqueles meninos do ensino médio. Foi uma equipe do ensino fundamental que ganhou o prémio, ou melhor, foram todos nós.
 Observem os slides 31 ao 33, não são minhas as palavras, mas vejam nelas o que foi a experiência com robótica
 Nesse processo de interação dos sujeitos com eles e com os outros, temos o caminho da construção de suas identidades, pois lhes é exigido, nos diferentes papéis vivenciados, posicionamentos diferentes a cada papel, a cada acontecimento.
 Esses posicionamentos marcam o sujeitos, são experiências sendo construídas.
 E, quanto mais marcas, mais o jovem/estudante/sujeito da pesquisa se conhece, viaja, vive diferentes acontecimentos, exerce diferentes papéis, mais rica se torna sua identidade e, consequentemente, mais rico de saberes fica a rede por ele navegou
 Para fechar no slide 33, recordo Larrosa, a experiência é algo que vibra, toca, transforma. Acho essa sua definição uma poesia.
 Agora fechando de 2016 a dias atuais, nos slides 34 ao 38, eu fui trabalhar na Universidade Federal de Goiás – Regional Catalão, atualmente em transformação em UFCat. Nesta instituição e cidade, teve um grande investimento em kits de robótica, tendo laboratórios cheios de kits de robótica da Lego.
 Quando cheguei a instituição, comecei a colaborar com o PIBID de Matemática coordenado pela profª Crhistiane da Fonseca, que desenvolvia projeto com robótica na escola do município, além de projetos de extensão que levavam os alunos a universidade para trabalhar com robótica e atualmente trabalho a dois anos com estágio supervisionado I.
 O estágio supervisionado I, em sua proposta de ementa é desenvolver projetos e aplica com alunos da educação básica. Como professor da disciplina do curso de licentura em Matemática, buscamos desenvolver projetos de investigação que trabalhem robótica e que faça relação com conhecimentos da matemática. Neste contexto, a professora Crhistiane desenvolve sua pesquisa de doutorado com os licenciandos, sendo minhas aulas o a
<Fernando_> A poucas semanas, comecei um novo projeto, tenho caminhado para orientações de TCC com robótica, jogos digitais (usando Scratch) e projeto com uso de Arduino.
 As experiências só me fazem um pouco mais sabido, mas sinto que tenho muito que aprender, se cheguei aqui, foi graças a rede que me conectei, ao Danilo Cesar, quem me deu as primeiras referências bibliográficas no mestrado, sua orientação e ajuda foi fundamental.
 Nunca imaginaria conhecer o Danilo, só lia seu trabalho, hoje já tive a oportunidade de aprender com ele pessoalmente, ver desenvolvendo seus projetos.
<Fernando_> A robótica muda o sujeito, não fica só dentro da escola, me baseio em Juarez Dayrell, Papert, Paulo Freire e no Danilo.
 Eu só sei hoje, que ainda tem muita coisa a se aprender e descobrir, mas cada dia me encanto com os olhos brilhando das crianças e dos universitários conhecendo a robótica.
 Muito obrigado a atenção de todos, que permaneceram aqui, aos meus alunos que puderam entrar e a você Danilo!
<danilorcesar> Eu que agradeço, Fernando!
 Está aberto para as perguntas?
<Fernando_> sim
<danilorcesar> Fernando, eu também aprendi muito com você, Deive, Arlindo, Alex...
<osvaldo> obrigado fernando..quando os conheci, vc e danilo na UFT, vcs plantaram uma semente da Robótica em mim...muito obrigado
<danilorcesar> Fernando, dentro dessa nova perspectiva de sala de aula - os fablabs -, como vc enxerga a Robótica nesses laboratórios?
<Fernando_> Fico feliz Osvaldo! A rede está construída, é bom ter mais gente para produzir. Um ajuda o outro e vamos crescendo.
<Guest21118> CARA VOCÊS EXPIRAM AS PESSOAS TEM MUITO TALENTO A SER DESCOBERTO,RECENTEMENTE PASSEI A ME ENVOLVER MAIS  EM ROBÓTICA, SISTEMAS LIVRES,GRAÇAS AOS PROFESSORES OSALDO E DANILO,E AGORA AO SENHOR PROFESSOR FERNANDO.
<Fernando_> Danilo, a pouco que estava observando o trabalho com fablabs, como estavam sendo produzidos. Pensando nos projetos que comecei na robótica, os fablabs era a solução que não tinhamos naquela época (2008)
<Guest21118> *OSVALDO
<Fernando_> os fablabs é um caminho para autoria
 os kits que trabalho hj estão caminhando pra fim da vida útil.
<Ygor> É professor, meu orientador, meu amigo, aprendi e ainda aprendo com você mano. Nunca imaginei que meu professor de matemática do quinto ano seria um dos meus maiores exemplos para seguir a faculdade. Obrigado por tudo mano, sem a robótica hoje acho que não estaria em uma universidade desenvolvendo os projetos.
<Guest21118> PROFESSOR FERNANDO O  SLIDE 28, GOSTARIA DE SABER A RESPEITO DA IMAGEM
<Fernando_> Slide 28
<Guest21118> SIM
<Fernando_> a primeira a esquerda é o ambiente de programação da lego
 é em blocos, para crianças até adultos, usa de icones, de fácil associação e que o aluno programa os robôs em uma sequência lógica
 As duas imagens abaixo são linhas de programação, uma sequência
<danilorcesar> @Fernando_ , Atualmente eu vejo o pessoal utilizando os kits Legos com a plataforma arduino. Tem feito algum trabalho com os alunos nessa perspectiva? Atualmente estou escrevendo sobre esse fato, que podemos chamar de Robótica Híbrida
<Fernando_> O robô do centro é o premiado, não precisava desmontar ou acoplar nada nele para resolver os desafios
 A direita, o robô do primeiro torneio de 2012, ou seja, tivemos uma evolução
 Danilo, não tenho feito esse tipo de trabalho
<Guest21118> scratch atualmente o mais utilizado
<Fernando_> e Scratch é gratuito
 o software da Lego não
<Ygor> Fernando, como você já havia dito que os kits vem aproximando do fim, como encontrar uma nova utilidades para eles?
<Fernando_> Estou usando Scratch em um projeto de extensão, fazer jogos com crianças
<Guest21118> Ele permite essa interação em blocos, também ajuda muito
<Ygor> Tem um projeto aqui na faculdade que chama ZeroUm eles ensinam scratch nas escolas com o arduino
<Fernando_> Ygor, é uma boa pergunta, mas acho que o Danilo trouxe uma luz, jogar fora nao podemos
<Ton> Fernando, eu notei muita relação no seu inicio com a robótica, com o meu, quando tive o primeiro contato com a robótica, foi em suas aulas de Estagio I. E hoje tentando implantar no colégio que trabalho, estou com dificuldades, em parte dos professores de matemática, que lutam contra isso, e em parte dos alunos, que estimulados por esses professores, sofrem com o desanimo, como você conhece, a parte financeira, não tive problemas a
 A direção, tem me atendido bem, conseguindo o transporte dos meninos até a faculdade, para que estudem a RE Lego, e comprando o que preciso, agora que iniciei no próprio colégio com a RE livre.
<Ton> Como estimular mais os alunos e tirar esse preconceito por parte dos meus colegas de trabalhe. Que preferem viver no passado.
<Fernando_> Ton, respondendo com base na experiência. Continue seu trabalho de plantar a semente, os próprios meninos vão motivando seus colegas
 não deixe de chamar
 quando os meninos visualizam o que seus colegas fazem ou fizeram, aparece o interesse, querem se envolver
 o trabalho no ensino médio em 2012, as primeiras turmas foram poucos alunos
 quando a notícia se espalhou teve lista de espera
<Guest21118> Sempre tem um grupo na sala de aula que se interessa mais do que os outros, use eles para influenciar o retante, aulas dinâmicas, na qual eles repassem o que o senhor esta transmitindo   a interação de robótica na matemática
<danilorcesar> Tenho visto vários kits da Lego sendo utilizados com a arduino. Penso que o futuro esteja aí: união do kit de robótica proprietário, do kit livre e da impressão 3D.
<Ygor> Ton, sempre proponha um desafio em cada aula isso deixam os alunos motivado, competições internas, coisas que podem serem usadas no dia a dia. Aluno cansa de ver tanta matéria e não conseguir visualizar a utilidade dela no seu dia a dia
 @danilo arduino infelizmente é inferior ao processador da lego, acredito que o kit superior seria encima de rasp ou beaglebone
<danilorcesar> Alguém tem mais alguma pergunta a ser feita ou considerações?
<Ygor> estamos tentando desenvolver um "shield" que consegue comunicar com a rasp e os motores, sensores da lego. Isso já existe lá de fora, porem aqui no brasil não tem
<Fernando_> Isso ai, vamos trabalhar juntos, assim a rede cresce e todos nela
<danilorcesar> @Ygor, para resolver esse problema... há muito tempo atrás... a comunidade de Software Livre, desenvolver um Sistema Operacional para o RCX. Depois vc dê uma verificada na internet. O Sistema Operacional do RCX é limitado!
 Ou o próprio NXT
 Também temos que pensar na realidade das escolas públicas e até mesmo da particulares
 Para algo de "start" nas escolas de uma forma geral o arduino atende as espectativas (iniciais)
<Ygor> verdade, arduino ou pic são materiais bem mais acessíveis do que uma rasp ou algo superior
<danilorcesar> Obrigado Professor/Educador Fernando da Costa Barbosa!
<Fernando_> Eu que agradeço e convite
<danilorcesar> @Fernando_ deixe seu email para quem quiser enviar mensagens com mais perguntas
<Fernando_> precisando estou a disposição
 fcbarbosa@ufg.br
<Fernando_> Podem mandar que responderei. Obrigado e boa noite a todos!
<Ton> Boa noite!
<Guest21118>  Conferência  boa pode aprender mais,obrigado aos mestres
<Ygor> boa noite a todos
<cassiano> boa noite
<danilorcesar> Boa noite, pessoal! Até a próxima conferência no mês que vem! Abs!
<Fernando_> Abs

 

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