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STIS 2018

Site: Texto Livre Eventos
Curso: STIS 2020 - Seminários Teóricos Interdisciplinares do SEMIOTEC
Livro: STIS 2018
Impresso por: Usuário visitante
Data: sexta, 18 set 2020, 20:34

1. Seminários Teóricos Interdisciplinares do SEMIOTEC 2018

Dados e registros das conferências e mesas do STIS 2018.

Para acessar cada uma, utilize o menu à sua direita.

Laboratório Semiotec - Texto Livre.org

2. Abril: RECURSOS EDUCACIONAIS ABERTOS

 Conferência dupla STIS

Abril-2018

Dia 11 de abril às 19:30 horas, na Sala de Conferências do STIS

 

RECURSOS EDUCACIONAIS ABERTOS: O QUE SÃO E ALGUMAS POSSIBILIDADES

(Daniel Pinheiro (UFBA)) 

 

UM REPOSITÓRIO DE RECURSOS EDUCACIONAIS ABERTOS PARA MULTILETRAMENTOS

(Daniervelin Renata Marques Pereira (UFMG)) 

(Joyce Vieira Fettermann (UENF)) 

Resumo: Desde 2014 o projeto Recursos Educacionais Abertos para Leitura e Produção de Textos nas Licenciaturas (REALPTL) tem feito um percurso de pesquisa e desenvolvimento de Recursos Educacionais Abertos (REA) no âmbito do ensino superior. Nesse caminho, surgiu um repositório de REA que traz alguns desafios na sua prática, como: os limites de um ambiente Wordpress para repositório, a cultura de pouca circulação de materiais de professores do ensino superior, a dependência de criação de REA pelos membros do projeto e a avaliação dos REA produzidos. Esses desafios serão discutidos nesta apresentação, com o objetivo de apontar possíveis soluções, não só para o projeto, mas para a metodologia REA, de forma geral.

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Licença Creative Commons

2.1. registro abril

Registro da Conferência em chat escrito, de 11 de abril de 2018:

 

RECURSOS EDUCACIONAIS ABERTOS: O QUE SÃO E ALGUMAS POSSIBILIDADES

(Daniel Pinheiro (UFBA))

 

 

UM REPOSITÓRIO DE RECURSOS EDUCACIONAIS ABERTOS PARA MULTILETRAMENTOS

((Daniervelin Renata Marques Pereira (UFMG))

(Joyce Vieira Fettermann (UENF))

 

 

moderador: Equipe STIS

 

 

[19:30] <JoyceFettermann> Boa noite a todos! Vamos dar início, então, à programação de abril do STIS!
[19:30] <SNicoli> Boa Noite!
[19:32] <acris> Boa noite!
[19:32] <Camila23_> Boa noite!
[19:32] <Mara_> Boa Noite!
[19:33] <JoyceFettermann> Doutorando em Educação pela Universidade Federal da Bahia onde pesquisa sobre as políticas públicas ligadas à produção de Livros Didáticos Digitais.
[19:33] <JoyceFettermann> Daniel da Silva Pinheiro
[19:33] <JoyceFettermann> Pedagogo pela mesma Universidade (2011), é integrante do Grupo de Pesquisa Educação Comunicação e Tecnologias (GEC/FACED/UFBA),
[19:34] <JoyceFettermann> professor da Educação Básica na cidade de Mata de São João (BA) e coordenador pedagógico em projetos relacionados à educação e tecnologias digitais na Rede Adventista de Educação (Salvador-BA).
[19:34] <JoyceFettermann> Seja bem-vindo, professor Daniel!
[19:34] <DanielPinheiro> Obrigado, Joyce!
[19:34] <DanielPinheiro> É um privilégio poder conversar com vocês está noite...
[19:35] <DanielPinheiro> Podemos iniciar?
[19:36] <JoyceFettermann> Sim!
[19:36] <DanielPinheiro> Ok.
[19:36] <DanielPinheiro> Mais uma vez, bem vind@s ao nosso seminário e a esta palestra!
[19:36] <DanielPinheiro> Nós estamos aqui hoje para conversar sobre os Recursos Educacionais Abertos.
[19:37] <DanielPinheiro> E a nossa intenção é refletir um pouco a respeito do que são estes recursos e vislumbrarmos algumas possibilidades de utilização.
[19:38] <DanielPinheiro> Os slides, colocados aqui, poderão ser úteis para vocês acompanharem as nossas provocações, porém, não irei segui-los objetivamente, ok?!
[19:38] <DanielPinheiro> Primeiramente, eu gostaria de evidenciar que os REA não estão sendo pensados para dar conta de todos os problemas da educação, na verdade, eles colaboram com parte dos esforços de superação destes problemas.
[19:39] <acris> o código é danielpinheiro2018
[19:39] <DanielPinheiro> Ao invés disto, são evidências de um novo momento, um novo paradigma dentro do contexto educacional - o paradigma do conhecimento aberto, da educação aberta, que considera que os estudantes e todas as pessoas interessadas em aprender devem ter acesso contínuo irrestrito a conteúdos que favoreçam o seu desenvolvimento cognitivo, o seu aprendizado.
[19:39] <DanielPinheiro> É claro que isto demanda a criação conjunta de toda uma rede de possibilidades...
[19:40] <DanielPinheiro> e alternativas pedagógicas que ofereçam a esses estudantes, a esses aprendizes, diferentes meios de acesso aos conhecimentos.
[19:40] <DanielPinheiro> Para compreender melhor esse processo nós iremos buscar algumas referências em documentos oficiais organizados pelas comunidades que atuam com o objetivo de fomentar a criação e disseminação dos Recursos Educacionais Abertos (REA) ao redor do mundo.
[19:41] <DanielPinheiro> Este movimento global, envolve diversas entidades, instituições educacionais, governos e também indivíduos, pessoas físicas, além de grupos organizados da sociedade civil.
[19:41] <DanielPinheiro> O movimento pelos REA agrega todos aqueles(as) que compreendem a educação a partir de um ponto de vista aberto, livre - tal como no movimento pelo software Livre e a partir da lógica dos Hackers.
[19:42] <DanielPinheiro> Observem, por exemplo, a "Declaração da Cidade do Cabo", como está indicada no slide 5...
[19:43] <DanielPinheiro> Há uma referência que indica a necessidade de envolver diferentes atores...
[19:43] <DanielPinheiro> Em 2012 o encontro da Organização das Nações unidas (UNESCO) redefiniu os recursos educacionais abertos como materiais diversos que englobam todo tipo de recurso que pretenda viabilizar ou apoiar o acesso ao conhecimento desde que licenciados de maneira livre.
[19:44] <DanielPinheiro> de maneira aberta, por meio de licenças criativas capazes de oferecer múltiplas possibilidades de uso.
[19:44] <DanielPinheiro> Particularmente, a partir da pesquisa de mestrado que realizei em 2014, gosto de definir os REA como objetos de aprendizagem ou bens discretos (conforme sugere o pesquisador Yohai Benkler)
[19:44] <DanielPinheiro> cuja atividade final, ou seu objetivo prioritário seja a aplicação em experiências educativas nas quais estes itens descritos podem ser articulados de maneira independente ou interligados entre si considerando a sua característica granular.
[19:45] <DanielPinheiro> Além disto podemos incluir na categoria dos REA outros bens culturais diversos que recebem licenças criativas flexíveis, ou seja, aquelas licenças criativas que liberam para os usuários múltiplas possibilidades de aplicação destes produtos ou destes bens culturais permitindo práticas recombinantes ou a remixagem.
[19:45] <acris> (a palestra é escrita, e o código para os slides é danielpinheiro2018)
[19:46] <DanielPinheiro> Bom, conforme indicado nos slides, há um percurso histórico traçado pelo movimento REA globalmente.
[19:46] <DanielPinheiro> Não irei ater-me em detalha-lo, mas convém sinalizar que esta é uma trajetória importante...
[19:47] <DanielPinheiro> Deste percurso, ressalto que o movimento pelos REA teve início em 1999 a partir da decisão do Massachusetts Institute of Technology de disponibilizar os conteúdos de seus cursos de maneira aberta.
[19:47] <DanielPinheiro> A década seguinte evidencia a intenção de outras diversas entidades em seguir o exemplo do MIT abrindo parte de seus cursos, parte de seu acervo, para que a sociedade pudesse usufruir dos bens academicamente produzidos.
[19:48] <DanielPinheiro> Isto revela que, desde os primórdios o movimento REA tem estado muito ligado ao âmbito universitário.
[19:49] <DanielPinheiro> A partir do final da década seguinte, o movimento amplia-se para outras frentes, outras ações institucionais passam a ser consideradas e entende-se cada vez mais que a lógica dos REA deveria operar para além do universo das instituições públicas ou privadas, ele poderia se constituir como uma política de estado sendo então parte das ações do movimento pelos REA buscar por legislações que oferecessem segurança e s
[19:49] <DanielPinheiro> No caso do Brasil, são criadas legislações no nível federal estadual e municipal. O case mais bem colocado, neste aspecto, mostrou-se o do município de São Paulo que conseguiu interpor e executar uma lei para resguardar ou incentivar a produção de Recursos Educacionais Abertos.
[19:50] <DanielPinheiro> É neste contexto global em que a definição da Unesco a respeito dos REA se insere.
[19:51] <DanielPinheiro> (Vide slide 6)...
[19:51] <DanielPinheiro> No entanto, podemos destacar ainda que o papel relevante de entidades como Willam and Flora Hewlett Foundation que investiu largos recursos na mobilização de pessoal e desenvolvimento de REA nos Estados Unidos. No caso brasileiro algumas instituições privadas também assumiram posto similar.
[19:51] <DanielPinheiro> O que nos leva a perguntar estas instituições fizeram isto de maneira desprendida, desinteressada ou pretendiam efetivamente disseminar sua marca aliando-a a um selo de qualidade?
[19:52] <DanielPinheiro> A questão da qualidade, “se há como garantir-se a qualidade na produção de REA” é um elemento recorrente nos escritos teóricos da área.
[19:53] <DanielPinheiro> Particularmente, entendo que a qualidade de um Recurso Educacional é sim posta à prova quando de sua criação, precisa-se criar estratégias para validá-lo ou torna-lo minimamente qualificado na área em que versa.
[19:53] <DanielPinheiro> No entanto, o crivo principal é evidencia-se quando de sua utilização nos contextos de aprendizagem - seja para confirmar a efetiva a qualidade atestada pelo produtor daquele REA ou mesmo para contrapor esta dita qualidade, sinalizando suas insuficiências e contribuindo com este recurso, com a sua reformulação por meio de práticas recombinantes como a remixagem.
[19:53] <DanielPinheiro> Isto não seria possível caso o recurso ou seu conteúdo estivesse sob regime de direitos autorais restritivos que meramente permitem o consumo de tais recursos.
[19:54] <DanielPinheiro> Indico a partir daqui, alguns desafios para que os REA sejam percebidos como possibilidade efetiva nos contextos educacionais.
[19:55] <DanielPinheiro> Faço isto, pois nossa defesa não pode ser a de utilizar Recursos Educacionais resguardados por licenças abertas para fazer o mesmo tipo de educação que vem sendo desenvolvido sem muito êxito em alguns espaços de aprendizagem tradicionalistas.
[19:55] <DanielPinheiro> Entendemos que práticas que visem implementar ou fomentar os REA precisam considerar a educação formal, aquela que é desenvolvida no âmbito da escola regular, como prioritária.
[19:55] <DanielPinheiro> Sendo indispensável zelar pela manutenção de sua função social que é ampliar as experiências formativas dos sujeitos que ali estão inseridos sujeitos para que estes possam usar de maneira autônoma suas capacidades cognitivas e sensoriais.
[19:56] <DanielPinheiro> Esta escola, neste contexto, precisará repensar elementos como o “erro” e “disciplina” bem como as relações entre “Redes digitais” e “ambientes de ensino aprendizagem”.
[19:56] <DanielPinheiro> Considerando a realidade material das escolas brasileiras, entendemos que este realmente é um desafio mas não podemos cruzar os braços, afinal, a “geração alt+Tab” permanecerá nos provocando, buscando sentido na sua experiência escolar.
[19:56] <DanielPinheiro> Esta é uma característica peculiar d@s jovens que o pesquisador Michael Seres chama de “Polegarzinhas”.
[19:56] <DanielPinheiro> Essas meninas e meninos, que além de viver em conectados a seus dispositivos móveis tem acesso à rede Internet de maneira ubíqua sendo parte delas e tecendo-as.
[19:56] <DanielPinheiro> Assim, a escola na contemporaneidade precisa assumir um “perfil aprendente” baseado na educação aberta e multirreferenciada, na qual liberdades estejam garantidas e onde haja valorização do compartilhamento de saberes, daquilo que temos chamado de em nosso grupo de pesquisa (GEC/UFBA) “novas educações”.
[19:57] <DanielPinheiro> Ela ainda precisará fomentar processos emergentes, ou seja, mobilizações que partam dos próprios estudantes, num regime de relações horizontalizadas, próprias da “ética dos hackers” e da “academia da rede” (Pekka Himanen).
[19:57] <DanielPinheiro> Nesse ambiente, é possível aprender, trocar informações e saberes entre pares e construir conhecimento.
[19:58] <DanielPinheiro> Por fim, elenco três possibilidades pensadas na perspectiva de potência que estão relacionadas aos Recursos Educacionais Abertos. Faço isto, na esperança de que, mais do que potencialidades - elementos ainda no estágio de potência, estas características/possibilidades se tornem efetividades nos contextos escolares contemporâneos.
[19:58] <DanielPinheiro> 1) Trabalhar com REA permite a ampliação ou efetivação de processos colaborativos bem como a partilha de conhecimento já que as experiências de aprendizagem de professores e alunos se expandem com uso de redes digitais.
[19:58] <DanielPinheiro> Isto permite a criação de um “círculo virtuoso de produção de conhecimentos e culturas”, conforme sugere o professor Nelson Pretto.
[19:58] <DanielPinheiro> Nesse contexto, a escola, os alunos, os professores, utilizam-se de conteúdos/recursos disponíveis na rede para construir desenvolver suas próprias produções e devolvem a esta rede novas versões autorais, inéditas ou mesmo remixadas a partir de suas próprias vivências.
[19:59] <DanielPinheiro> Tal movimento só é pleno de sentido, se a escola estiver inserida e construindo um “ecossistema pedagógico”, como também define o professor Pretto, em que várias frentes de produção de saberes estão sendo mobilizadas.
[19:59] <DanielPinheiro> 2) Outra característica dos REA está ligada à possibilidade de fomentar práticas de autoria e remixagem.
[20:00] <DanielPinheiro> 2) Outra característica dos REA está ligada à possibilidade de fomentar práticas de autoria e remixagem.
[20:00] <DanielPinheiro> Ops...
[20:00] <DanielPinheiro> Seguindo: Nossos alunos hoje, mais do que nunca, querem se expressar, dizer o que pensam e não simplesmente ouvir conteúdos repetidos à exaustão.
[20:00] <DanielPinheiro> Criar local e colaborativamente recursos que viabilizem o aprendizado de conteúdos do currículo ou da vida social, permite que, ao longo do processo não somente os próprios conteúdos que se quer ensinar sejam entendidos pelos estudantes, mas também ofertasse a possibilidade de expressão de conhecimentos próprios dos alunos, trazidos de suas vivências extra escolares que, muitas vezes, envolvem competências que não es
[20:01] <DanielPinheiro> oferta-se*
[20:01] <DanielPinheiro> Esta realidade, exige certo deslocamento do grupo docente frente ao conjunto dos estudantes o que, apesar de aparentar certo desconforto, pode ser muito profícuo para a experiência formativa de ambos.
[20:02] <DanielPinheiro> Aqui, reforço que é indispensável compreender esta lógica de operação baseando-se na realidade dos licenciamentos livres para que não caiamos no engodo de alimentar plataformas proprietárias que lucram a partir do trabalho de professores alunos e comunidades escolares inteiras.
[20:02] <DanielPinheiro> Experiências de repositórios abertos tem sido desenvolvidas no Brasil (Slide 21) a fim de agregar conteúdos produzidos com finalidade educacional.
[20:03] <JoyceFettermann> Daniel, mais 5 minutos, ok?
[20:03] <DanielPinheiro> Estou concluindo... ;)
[20:03] <DanielPinheiro> 3) A terceira característica/possibilidade dos Recursos Educacionais Abertos:
[20:03] <JoyceFettermann> OK :)
[20:03] <DanielPinheiro> Processos de produção de REA podem desencadear o fortalecimento ou criação de “redes sociais”, redes de pessoas, comunidades de aprendizado, além de “redes sociais com perfil digital” para a troca de conhecimento entre pares.
[20:04] <DanielPinheiro> As tecnologias digitais demandadas na produção de recursos educacionais com característica aberta permitem a troca de saberes entre os próprios estudantes além de tornarem as redes de colegas professores um espaço eficiente de partilha e aprendizagem.
[20:05] <DanielPinheiro> A partir da articulação eficiente destas três características, creio ser possível disseminarmos uma cultura de autoria e produção por pares dentro dos contextos educacionais.
[20:06] <DanielPinheiro> Este processo, com uso intenso dos dispositivos tecnológicos, das redes, sendo operado a partir da lógica dos hacker e com base nas proposições da educação aberta, certamente irão contribuir para fazermos frentes à alguns dos desafios contemporâneos aqui mencionados.
[20:07] <DanielPinheiro> Espero ter provocado vocês para leituras mais aprofundadas sobre os REA e, mais que isso, para estarem mobilizados e juntarem-se a este movimento global.
[20:07] <DanielPinheiro> #Avante
[20:07] <DanielPinheiro> mobilizadad@s*
[20:08] <acris> Obrigada, DanielPinheiro! Excelente!
[20:08] <DanielPinheiro> Eu que agradeço, aguardo a contribuição de tod@s ao final ...
[20:08] <acris> Vamos prosseguir. O STIS é um evento que busca trazer à discussão pesquisas de ponta acerca de temas interdisciplinares que compõem o universo de pesquisa do Grupo Texto Livre, cuja sede é o laboratório Semiotec, na Faculdade de Letras da UFMG. A prof.a Daniervelin Pereira e a prof.a Joyce Fetterman fazem parte do grupo, a primeira como vice-diretora geral e Editora chefe da revista Texto Livre e a segunda como Coordenadora do STIS, responsVamos
[20:08] <acris> prosseguir. O STIS é um evento que busca trazer à discussão pesquisas de ponta acerca de temas interdisciplinares que compõem o universo de pesquisa do Grupo Texto Livre, cuja sede é o laboratório Semiotec, na Faculdade de Letras da UFMG. A prof.a Daniervelin Pereira e a prof.a Joyce Fetterman fazem parte do grupo, a primeira como vice-diretora geral e Editora chefe da revista Texto Livre e a segunda como Coordenadora do STIS, responsável pelo bloco
[20:08] <acris> do primeiro semestre, dedicado aos REA.ável pelo bloco do primeiro semestre, dedicado aos REA.
[20:08] <acris> com certeza.
[20:08] <acris> passemos a palavra à daniervelin e à JoyceFettermann
[20:08] <daniervelin> Boa noite a todos!
[20:08] <daniervelin> Agradeço o convite da Joyce e da Ana para falar um pouco aqui hoje sobre o projeto no qual estou envolvida atualmente.
[20:09] <JoyceFettermann> Boa noite, de novo! :)
[20:09] <daniervelin> A própria Joyce participa desta apresentação, pois faz parte do projeto.
[20:09] <daniervelin> Confesso que me sinto bem à vontade nesse espaço do Texto Livre. Espero que vocês também! :-)
[20:09] <daniervelin> Como o Daniel já apresentou muito bem o conceito de REA e questões envolvidas, vou partir logo para um relato de uma experiência que vem sendo desenvolvida desde 2014.
[20:09] <daniervelin> Acompanhem aqui e no final vou passar um teste para vocês avaliarem seu perfil de professor, dentro dessa discussão sobre práticas abertas.
[20:09] <daniervelin> Não vou usar slides, para concentrar a atenção neste espaço, mas vou citar links para exemplificar a fala, ok?
[20:10] <daniervelin> A experiência que mencionei é o projeto “Projeto Recursos Educacionais Abertos para Leitura e Produção de Textos nas Licenciaturas (REALPTL)”, financiado pelo CNPq.
[20:10] <daniervelin> Foi desenvolvido até o ano passado na UFTM e, agora, está cadastrado na UFMG.
[20:10] <daniervelin> O público-alvo do projeto são licenciandos, embora muitos dos REA criados poderem ser utilizados na educação básica (inclusive virem de práticas nesse contexto).
[20:10] <daniervelin> Esse público foi escolhido por identificarmos poucos projetos de REA no ensino superior, onde proliferam, ainda, recursos fechados, pirataria de material e muitas práticas fechadas de educação.
[20:10] <daniervelin> A intenção é que a contribuição na formação de professores afete positivamente a prática dos futuros professores.
[20:11] <daniervelin> Embora a universidade queira e precise trazer inovação para as práticas a partir de pesquisas, o que observa-se, no que diz respeito à Educação Aberta e REA (EA/REA), são iniciativas ainda muito tímidas.
[20:11] <daniervelin> Nossa contribuição desejada é trazer para as discussões acadêmicas uma reflexão sobre não só a questão do formato e da licença dos recursos, que é essencial para o conceito, mas a relação conteúdo-forma dos REA.
[20:11] <daniervelin> Será que qualquer conteúdo, independente da ideologia, é adequado à filosofia do movimento EA/REA?
[20:11] <daniervelin> É uma das questões que surgiram em nossa pesquisa.
[20:11] <daniervelin> O projeto teve suas ações divididas em duas partes: pesquisa de alguns recursos educacionais (abertos ou não) para depreendermos discursivamente como eles se construíam quanto às categorias eleitas.
[20:12] <daniervelin> São estas as categorias: a temática, a articulação interna, a interface gráfica, a interatividade, a criatividade e as concepções linguísticas e pedagógicas.
[20:12] <daniervelin> Encontramos nessa pesquisa alguns problemas de articulação interna do recurso e de interatividade, que tentamos evitar na fase de elaboração de REA.
[20:12] <daniervelin> Também encontramos bons exemplos, que instigam a perspetiva crítica pelo desafio de resolução de problemas, por exemplo.
[20:12] <daniervelin> mesmo que sem grandes avanços em termos de tecnologias
[20:13] <daniervelin> Essa fase nos ajudou na seguinte, que começou com a instalação da plataforma Wordpress no servidor adquirido com recurso do projeto e passou para a criação de REA e divulgação do espaço, que continua em atualização.
[20:13] <daniervelin> Este é o link do projeto: http://realptl.letras.ufmg.br/realptl/
[20:13] <daniervelin> O Wordpress foi escolhido pela facilidade de instalação, manutenção e uso, embora não seja um repositório ideal. Voltarei a essa questão adiante.
[20:13] <daniervelin> Os REA, inicialmente, seriam produzidos apenas em língua portuguesa, pela limitação da equipe inicial do projeto, mas contamos com a ajuda de outros colaboradores, que integraram essa equipe,
[20:13] <daniervelin> especialmente da Joyce e da Elaine, que permitiram a abertura para o inglês e o espanhol também.
[20:14] <daniervelin> o DanielPinheiro e a AnaMatte também fazem parte da equipe :)
[20:14] <daniervelin> O que nos orienta na produção dos REA, além de garantir seus princípios de uso, reuso e/ou adaptação, são duas perspectivas em linguística e em educação. Buscamos a realização na prática dos conceitos de multiletramentos e interdisciplinaridade, na medida do possível.
[20:14] <daniervelin> Os multiletramentos, a partir do Grupo de Nova Londres, toma os letramentos no plural e adiciona um prefixo, “multi”, para contemplar o multilinguismo e a multimodalidade.
[20:15] <daniervelin> tomam*
[20:15] <daniervelin> Assim, o ensino de língua precisaria se abrir a outras variedades linguísticas (não só a padrão) e considerar os modos de significação visual, sonoro, gestual, espacial e misto, que fazem parte das práticas midiáticas e culturais da contemporaneidade.
[20:15] <daniervelin> Nesse quadro dos multiletramentos, incluímos também o letramento acadêmico, por ser parte inerente da formação dos graduandos e permitir, também, os multiletramentos.
[20:15] <daniervelin> Para Street (2010, p. 544-545), o modelo do letramento acadêmico “reconhece a escrita acadêmica como prática social, dentro de um contexto institucional e disciplinar determinado”, concebendo questões epistemológicas, “relações de poder entre as pessoas e instituições, e as identidades sociais” (ibid, p. 546)
[20:16] <daniervelin> Bom, mas há muitos recursos por aí sobre esse assunto. Vocês poderiam dizer: meus professores utilizam vários nas aulas de línguas a que assisto.
[20:16] <daniervelin> Entretanto, eles costumam ficar só na aula, em geral presencial ou online em ambiente fechado, não circulando fora desse espaço-tempo.
[20:16] <daniervelin> O REALPTL, então, se orienta no sentido de abrir um espaço de circulação de recursos que possam contribuir nos multiletramentos de professores em formação.
[20:17] <daniervelin> JoyceFettermann, quer continuar?
[20:17] <JoyceFettermann> Sim, Dani :)
[20:17] <JoyceFettermann> Bom, continuando...
[20:17] <JoyceFettermann> O professor Daniel disse que "desde os primórdios o movimento REA tem estado muito ligado ao âmbito universitário". E justamente isso que temos trabalhado no REALPTL.
[20:18] <JoyceFettermann> Verificamos no ambiente os dois tipos de multiplicidade destacados por Rojo (2012): a cultural e a semiótica (multimodal).
[20:18] <JoyceFettermann> A respeito dos multiletramentos
[20:18] <JoyceFettermann> Buscamos disponibilizar através dos REAs oportunidades para que os alunos de licenciaturas possam, juntamente com seus professores, vivenciar no cotidiano acadêmico essas multiplicidades através de atividades que incentivam trabalhos que abordem a diversidade cultural,
[20:18] <JoyceFettermann> Por exemplo, temos os REAs - Everybody has little manias: http://realptl.portugueslivre.org/realptl/arquivos/788, que explora manias que as pessoas têm ao redor do mundo, podendo gerar uma conversa interessante em sala de aula.
[20:19] <JoyceFettermann> Activity on the song Glory: http://realptl.portugueslivre.org/realptl/arquivos/1180, música do cantor John Legend, que trata da Guerra Civil nos Estados Unidos nos anos 60
[20:19] <JoyceFettermann> e das dificuldades vivenciadas pelos negros daquela época, da segregação racial, e que pode gerar um debate e outros trabalhos relacionados ao tema, focando nos dias atuais.
[20:20] <JoyceFettermann> Essas atividades, inclusives, foram utilizadas em minhas aulas.
[20:20] <JoyceFettermann> Também temos disponível no REALPTL o REA Regionalismo Campista: http://realptl.portugueslivre.org/realptl/arquivos/1880, que trata do descobrimento do regionalismo campista e de sua importância para a preservação da memória histórico-cultural e social da cidade de Campos dos Goytacazes/RJ.
[20:20] <JoyceFettermann> Chuvisco, coisar, pocar, garrado, entre outros, são alguns termos muito utilizados na região.
[20:20] <JoyceFettermann> Um exemplo de gênero que favorece o trabalho com multimodalidades: infográficos (espanhol) http://realptl.portugueslivre.org/realptl/arquivos/1719
[20:21] <JoyceFettermann> REA criado pela Elaine, professora de Espanhol
[20:21] <JoyceFettermann> Exemplo de reflexão sobre diversidade linguística e cultural: http://realptl.portugueslivre.org/realptl/arquivos/816
[20:21] <JoyceFettermann> Alguns plugins que temos utilizado também favorecem a interatividade, como Like Button Rating ♥ LikeBtn: para avaliação dos usuários das postagens; SlickQuiz: para criação de quiz sobre leitura e escrita de textos; Tabby Responsive Tabs; 3D FlipBook, entre outros.
[20:21] <JoyceFettermann> A interdisciplinaridade vem especialmente da prática, já que a maioria dos REA disponibilizados no site são, antes de aparecer lá, utilizados em sala de aula pelos professores.
[20:22] <JoyceFettermann> Assim, algumas experiências que exigiam contato com outras áreas nos instigaram a algumas experiências menos disciplinares, como neste caso sobre pesquisa bibliográfica: http://realptl.portugueslivre.org/realptl/arquivos/970
[20:22] <JoyceFettermann> Vocês vão perceber no site que há alguns recursos sobre gramática, mas esse não é nosso foco. A gramática, nos REA que projetamos, busca ser mais contextualizada
[20:22] <JoyceFettermann> (e, no percurso previsto de aplicação deles, espera-se que o professor faça a ponte necessária para a análise linguística).
[20:22] <JoyceFettermann> No entanto, como recebemos contribuições de diversos colaboradores, o perfil dos REA podem variar, refletindo diferentes tendências.
[20:22] <JoyceFettermann> Onde estão as características dos REA nesses exemplos citados?
[20:23] <JoyceFettermann> Buscamos, para cada REA e para o site de forma geral, garantir a realização dos cinco critérios, conhecidos como 5R (WILEY (2015):
[20:23] <JoyceFettermann> Reter (liberdade de fazer, possuir e controlar cópias do conteúdo);
[20:23] <JoyceFettermann> Reusar (liberdade de usar o original em distintos contextos, como aula, site etc.);
[20:23] <JoyceFettermann> Revisar (liberdade de adaptar, ajustar, modificar ou alterar o conteúdo em si, como em tradução do conteúdo para outro idioma);
[20:23] <JoyceFettermann> Recombinar ou remixar (liberdade de combinar o conteúdo original ou revisado com outro conteúdo aberto para criar algo novo, como na incorporação do conteúdo em um mashup;
[20:23] <JoyceFettermann> e Redistribuir (liberdade de compartilhar cópias do conteúdo original, suas revisões ou seus remixes com outras pessoas).
[20:23] <daniervelin> Para garantir isso, escolhemos a licença Creative Commons BY (https://creativecommons.org/), que permite distribuição, remixagem, adaptação a partir dos trabalhos, mesmo para fins comerciais, desde que lhe atribuam o devido crédito pela criação original
[20:23] <daniervelin> Preocupamo-nos, então, com as licenças, o formato de texto (usamos no máximo possível os abertos) e que o conteúdo seja adequado à filosofia da cultura livre e aos princípios dos multiletramentos e interdisciplinaridade.
[20:24] <daniervelin> Importante ressaltar, para concluir, que os REA representam as possibilidades concretas que temos em atuar em Educação Aberta
[20:24] <daniervelin> ou seja, não apenas consumir um dado material disponibilizado, mas também contribuir como autor para a expansão da educação aberta, especialmente na esfera pública.
[20:24] <daniervelin> Voltamos agora à questão do repositório: o Wordpress é uma plataforma de fácil uso, mas não é um bom repositório de REA da forma como vem sendo usado pelo REALPTL, já que depende muito da equipe para disponibilizar os REA.
[20:24] <daniervelin> Uma vantagem do site é ter clara as condições de compartilhamento e uma só licença, com identificação clara da autoria.
[20:25] <daniervelin> Estamos tentando negociar uma parceria para compartilhar os REA produzidos pela equipe num repositório institucional, de fácil acesso e compartilhamento.
[20:25] <daniervelin> Há ainda muitos desafios do projeto, como desenvolvimento de REA mais interativos, melhor entendimento das licenças e formatos abertos, melhorar as condições de inclusão dos REA produzidos, avaliar e desenvolver REA que promovam letramentos ainda não contemplados
[20:25] <daniervelin> Por isso, deixamos aqui o convite para vocês participarem do projeto, seja compartilhando algum material que tenha, remixando os que estão no site, divulgando o projeto, enviando sugestões ou de outra forma que identificar
[20:25] <daniervelin> Como prometido, caso vocês queiram fazer uma auto-avaliação sobre as suas práticas educativas, sugerimos um questionário criado pela Cátedra da UNIR:
[20:25] <daniervelin> http://rd.unir.net/pub/oef/
[20:26] <daniervelin> É preciso fazer um cadastro e responder a algumas questões. No final eles fornecem seu perfil e também dicas para se tornar um educador mais aberto.
[20:26] <daniervelin> é bem legal!
[20:26] <daniervelin> referências que citamos:
[20:26] <daniervelin> STREET, B. Dimensões “Escondidas” na Escrita de Artigos Acadêmicos. Perspectiva, Florianópolis, v. 28, n. 2, 541-567, jul./dez. 2010. Disponível em: <https://periodicos.ufsc.br/>. Acesso em: 03 ago. 2017.
[20:26] <daniervelin> ROJO, R. Pedagogia dos Multiletramentos: Diversidade cultural e de linguagens na escola. Disponível em: catalogo.. Acessado em: 30 mar. 2018.
[20:26] <daniervelin> WILEY, D. The Access Compromise and the 5th R. 2015. Disponível em: <https://opencontent.org/blog/21>. Acesso em: 11 out. 2017. 
[20:27] <daniervelin> obrigada!
[20:27] <JoyceFettermann> Obrigada!
[20:27] <JoyceFettermann> É um prazer, Ana!
[20:27] <daniervelin> sim
[20:27] <DanielPinheiro> [Palmas! :) ]
[20:27] <daniervelin> :-)
[20:28] <acris> Bem, a sessão de perguntas está aberta, é só perguntar.
[20:28] <acris> eu queria fazer uma pergunta a vocês 3
[20:28] <DanielPinheiro> Sim..
[20:29] <Mara_> Joyce os últimos links sugeridos não abriram
[20:29] <acris> vocês encontram barreiras ao trazer o REA como tema de pesquisa na universidade e nas agências de fomento? Que tipo de barreira?
[20:30] <JoyceFettermann> Mara_, vou verificar e reenviar
[20:30] <Mara_> certo
[20:30] <daniervelin> AnaMatte, eu não encontrei barreiras significativas ainda
[20:30] <daniervelin> só observo que o tema ainda é raro nas discussões de quem trabalha com material didático
[20:31] <DanielPinheiro> @acris, Na minha experiência, não tenho me deparado com barreiras objetivas. Mas, a falta de conhecimento sobre o tema, mesmo entre os acadêmicos, ainda me surpreende bastante. Afinal é recorrente.
[20:31] <AnaMatte> existe algum tipo de receio em relação a direitos autorais, por exemplo?
[20:32] <daniervelin> o financiamento tem até me surpreendido. Consegui para o projeto e a Capes está apoiando uma iniciativa para a UAB sobre EA/REA
[20:32] <AnaMatte> nossa, isso é muito bom
[20:32] <Esther> Que interessante!
[20:32] <DanielPinheiro> Essa é uma "briga", necessária. Especialmente quando falamos de produções financiadas com recursos públicos. Há, de maneira geral, uma resistência inicial... Mas os "convencimentos" teóricos e objetivos, são necessários e tem dado certo, na maioria dos casos, aqui na universidade.
[20:33] <daniervelin> AnaMatte, acredito que há receio sim. As pessoas pensam que colocar licença aberta é perder a autoria, o que não é verdade
[20:33] <AnaMatte> verdade, DanielPinheiro, briga necessária.
[20:33] <DanielPinheiro> Também recebemos financiamento recente para um projeto envolvendo a Bahia e SC, onde escolas irão produzir REA...
[20:33] <AnaMatte> Livros podem ser considerados REA?
[20:34] <JoyceFettermann> @acris, houve certa resistência sim... como Daniel disse, é uma "briga" necessária...
[20:34] <daniervelin> AnaMatte, depende da licença dele
[20:34] <DanielPinheiro> AnaMatte, não apenas o livro, como seus conteúdos, de forma independente. Claro: se adequadamente licenciados...
[20:34] <daniervelin> REA pode ter qualquer material, desde que com licença aberta e esteja em formato aberto para permitir melhor utilização
[20:34] <daniervelin> REA pode ser*
[20:35] <AnaMatte> daniervelin: eu perguntei porque tenho muita dificuldade com as licenças dos livros, as grandes editoras são contrárias a creative commons e até em editoras universitárias eu sinto resistência
[20:35] <Mara_> o pouco conhecimento sobre os direitos autorais dificulta a identificação dos REA e a adoção de licenças abertas
[20:35] <DanielPinheiro> Isso. Temos falado muito sobre "Práticas Abertas", ou seja, não apenas disponibilizar o conteúdo de maneira livre, mas viabilizar que sua produção também seja...
[20:35] <daniervelin> sim, o problema são as práticas mercadológicas das editoras
[20:35] <AnaMatte> a resistência é tanta que até desanima publicar livro...
[20:36] <AnaMatte> não deveria ter essa preocupação mercadológica no caso das editoras das universidades públicas, não é?
[20:36] <daniervelin> mas o livro REA organizado pelo Nelson Pretto e outros organizadores é aberto
[20:36] <daniervelin> quer dizer que há um caminho possível
[20:36] <AnaMatte> é verdade
[20:37] <DanielPinheiro> Sim, o livro organizado pelo Nelson e a Bianca foi publicado aqui pela nossa Editora da UFBA.
[20:37] <JoyceFettermann> "não apenas disponibilizar o conteúdo de maneira livre, mas viabilizar que sua produção também seja..." -- Verdade, as pessoas tendem a achar que se um conteúdo está disponível na internet de forma gratuita, ele pode ser usado... quando, na verdade, não é bem assim.
[20:37] <DanielPinheiro> Nela, há uma política institucional de publicação sob Creative
[20:37] <DanielPinheiro> Commons
[20:37] <AnaMatte> acho que vou submeter meus livros por lá ;-)
[20:37] <daniervelin> DanielPinheiro, isso é uma conquista importante, né?
[20:38] <DanielPinheiro> Sem dúvida. E foi posta em vigor com muito esforço...
[20:38] <AnaMatte> aqui nós temos dificuldade até para publicar ebook... que dirá CC
[20:38] <daniervelin> não são todas as universidades que conseguem isso facilmente...
[20:38] <DanielPinheiro> E, é claro, ainda encontra resistências.
[20:38] <DanielPinheiro> Especialmente quando as produções envolvem patentes ou criações em áreas como a arte e música.
[20:39] <JoyceFettermann> sim
[20:39] <AnaMatte> meu primeiro livro em Creative Commons saiu numa coleção toda em copyright, financiada pela universidade pública
[20:40] <AnaMatte> existe algum movimento nesse sentido, de conscientizar as editoras universitárias, de que vocês tenham conhecimento?
[20:40] <DanielPinheiro> AnaMatte, é surreal que algo assim aconteça, não é?! Mas, se o governo federal financia quase toda a produção de material didático para a educação básica sob regime de "C", pq seria diferente no âmbito do ensino superior, onde o montante, para este fim, é bem menor...?
[20:41] <Esther> Eu não conheço, mas acho que seria muito interessante
[20:41] <AnaMatte> bem colocado, DanielPinheiro
[20:41] <DanielPinheiro> Eu diria, que há necessidade de reiterar, de "formas bem criativas", o papel "não comercial" destas Editoras.
[20:42] <DanielPinheiro> E, claro, trazê-las, trazer seus gestores, para próximo do movimento REA.
[20:42] <daniervelin> AnaMatte, tem um movimento de Ciência Aberta pelo IBICT, mas não sei se atuam diretamente com editoras
[20:42] <DanielPinheiro> Esta foi a estratégia implementada aqui...
[20:42] <daniervelin> tem até um livro: http://livroaberto.ibict.br/bitstream/1/1060/1/Ciencia%20aberta_questoes%20abertas_PORTUGUES_DIGITAL%20%285%29.pdf
[20:42] <DanielPinheiro> Uma das estratégias...
[20:42] <daniervelin> Ciência Aberta, questões abertas
[20:42] <AnaMatte> eu vejo que, enquanto no exterior as universidades abrem cursos, aulas e outros materiais, aqui isso é tímido demais...
[20:43] <AnaMatte> interessante, daniervelin , vou ler depois
[20:43] <AnaMatte> vocês não gostariam de fazer perguntas entre vocês?
[20:44] <DanielPinheiro> É uma ótima publicação. Esse é outro esforço: o de conscientizar esses gestores de que não se trata de uma mudança local. Em âmbito nacional e global, as editoras universitárias e mesmo os autores individuais tem percebido que o alcance de suas produções pode ser ampliado quando disponibilizam seus escritos sob formato aberto...
[20:44] <JoyceFettermann> Verdade, Ana, aqui ainda não há tantas iniciativas. Mas a Mara_, por exemplo, é responsável por um curso muito bacana na UFSM sobre REA
[20:44] <JoyceFettermann> É em parceria com a Uab, não é Mara?
[20:44] <AnaMatte> que massa, Mara_ :)
[20:45] <daniervelin> bacana mesmo!
[20:45] <Mara_> Sim, implementamos 2 edições em 2016
[20:45] <JoyceFettermann> REA: educação para o futuro. Eu participei no ano passado e aprendi muito!
[20:45] <Mara_> para professores do Ensino médio
[20:45] <AnaMatte> é online?
[20:45] <DanielPinheiro> Que bacana!
[20:46] <JoyceFettermann> sim, Ana
[20:46] <Mara_> e agora o grupo de pesquisa GEPETER da UFSM vai desenvolver formação para professores da Educação básica
[20:46] <AnaMatte> bom demais!
[20:46] <DanielPinheiro> Aproveito o ritmo de sugestões, para indicar a página do movimento REA no Brasil: http://www.rea.net.br/site/ Há muito conteúdo e algumas notícias que dão conta dos progressos e iniciativas relacionados ao tema.
[20:46] <Mara_> conseguimos financiamento da FAPERGS
[20:47] <Esther> Nossa, super interessante! Obrigada pela sugestão
[20:47] <Mara_> https://drive.google.com/file/d/1TlICQ_9RSP8iYJkbd4uHPiPO7Q-EiA5f/view
[20:47] <DanielPinheiro> Mara: há alguma página na web para que possamos conhecer mais sobre o curso? Tenho interesse...
[20:47] <AnaMatte> excelente. Então, pelo que vemos aqui, se existe resitência é dentro das universidades, não nas agências de fomento
[20:47] <JoyceFettermann> Isso
[20:48] <Mara_> posso enviar mais informações
[20:48] <JoyceFettermann> Envie sim, Mara!
[20:48] <AnaMatte> Bacana demais. Parabéns a todos vocês, são belíssimos trabalhos!
[20:48] <DanielPinheiro> :)
[20:48] <daniervelin> tem o site REliA também, que está em desenvolvimento pela equipe do EducaDigital: http://relia.org.br/
[20:48] <JoyceFettermann> Inclusive, a Mara estará conosco no STIS de maio e falará mais para nós sobre esse projeto.
[20:49] <DanielPinheiro> Oba! quero acompanhar...
[20:49] <AnaMatte> perfeito!
[20:49] <JoyceFettermann> É só chegar, Daniel!
[20:50] <AnaMatte> Alguém tem mais perguntas?
[20:50] <daniervelin> :-)
[20:50] <Mara_> divulgação da segunda edição
[20:50] <Mara_> https://www.youtube.com/watch?v=lnJk-_CaO0s
[20:50] <AnaMatte> oba, obrigada, Mara_
[20:50] <Mara_> Uma pergunta para o Daniel
[20:50] <daniervelin> Gostei muito da apresentação do Daniel, nos provoca várias reflexões
[20:50] <JoyceFettermann> Parabéns, Daniel! Acompanho o trabalho de vcs na UFBA já há algum tempo. Sou fã do professor Pretto. :)
[20:50] <daniervelin> obrigada, DanielPinheiro!
[20:51] <Mara_> porque você utilizou uma licença restritiva na sua apresentação?
[20:51] <JoyceFettermann> Parabéns também, Dani! :)
[20:51] <DanielPinheiro> Ops!
[20:51] <Mara_> ND
[20:52] <daniervelin> isso é do chatslides, Mara_
[20:52] <DanielPinheiro> porque você utilizou uma licença restritiva na sua apresentação? E foi?! Cometi esse deslize?
[20:52] <DanielPinheiro> heheh!
[20:52] <daniervelin> não é dos slides do DanielPinheiro
[20:52] <daniervelin> inclusive já sugeri também mudar a licença do ChatSlide, AnaMatte
[20:52] <AnaMatte> ND é mesma licença
[20:52] <daniervelin> para CC BY
[20:53] <AnaMatte> ah não, verdade
[20:53] <AnaMatte> é SA
[20:53] <daniervelin> ND proíbe derivações
[20:53] <AnaMatte> a gente não mudou por esquecimento mesmo, mas vai pra lista
[20:53] <Mara_> obrigada
[20:53] <AnaMatte> obrigada por apontar isso, Mara_
[20:54] <Mara_> uma das dificuldades na formação de professores é a identificação dos REA
[20:54] <Mara_> e a licença facilita
[20:54] <DanielPinheiro> Essa é uma discussão importante, também: o Creative Commons permite ao autor flexibilizar as opções de utilização do seu conteúdo mas, não necessariamente dispor dele de forma integral, plenamente aberta. São os chamados "níveis de abertura".. Que julgo como positivos, inclusive..
[20:55] <daniervelin> é, como o Chatslides é software livre, fica melhor CC BY ou CC BY SA
[20:55] <JoyceFettermann> Verdade, Mara! Eu acho que falta uma conscientização sobre as licenças. Muitos professores ainda não conhecem os REA, não sabem do que se trata.
[20:55] <DanielPinheiro> Verdade...
[20:56] <Mara_> uma licença que permita a produção de obra derivada
[20:56] <JoyceFettermann> Por isso, nem procuram saber
[20:56] <daniervelin> DanielPinheiro, já te chamaram para o curso REA da UAB?
[20:56] <acris> sempre prefiro CC By Sa
[20:56] <DanielPinheiro> Que o Prof. Tel está organizando?
[20:56] <daniervelin> sim
[20:57] <daniervelin> indiquei seu nome outro dia
[20:57] <daniervelin> rs
[20:57] <DanielPinheiro> Sim, vou colaborar indiretamente com o Nelson...
[20:57] <daniervelin> devem te convidar como prof.
[20:57] <DanielPinheiro> Obrigado por lembrar de mimmm! hehehe...
[20:58] <daniervelin> :-)
[20:58] <Esther> Parabéns!
[20:58] <DanielPinheiro> Pelo que entendi, havia a necessidade de ser professor universitário e não tenho este vínculo formal, ainda.
[20:58] <acris> Bem pessoal, adorei o evento, mas preciso ir! Parabéns, DanielPinheiro, daniervelin, JoyceFettermann, Obrigada pelos belos trabalhos e obrigada ao público pela presença! Boa noite a todos! Meus aplausos: clap clap clap clap
[20:59] <JoyceFettermann> Obrigada, @acris!
[20:59] <daniervelin> obrigada, JoyceFettermann e acris!
[20:59] <Mara_> Parabéns para os apresentadores!
[20:59] <daniervelin> Muito obrigada pela participação de todos!
[20:59] <MarianaGama> Boa noite! Obrigada pelas falas. Foi ótimo! Bjsss
[20:59] <JoyceFettermann> Obrigada, Dani e Daniel! E a todos, pela participação!
[20:59] <DanielPinheiro> Valeu, gente! Uma ótima noite para todas... Gostei - "Meus aplausos: clap clap clap clap"
[20:59] <Mara_> Boa Noite para todos!
[21:00] <JoyceFettermann> Boa noite!
[21:00] <daniervelin> Boa noite!
[21:00] <JoyceFettermann> Esta semana enviaremos os certificados de participação por email.
[21:00] <DanielPinheiro> #Grato
[21:00] <JoyceFettermann> Para os participantes inscritos
[21:04] <JoyceFettermann> Nossa próxima conferência será no dia 09/05. Fiquem atentos às divulgações em nossa página no Facebook: https://www.facebook.com/stis.lingtec/
[21:04] <SNicoli> Boa Noite! Obrigada!
[21:04] <JoyceFettermann> Até mais! ;)
[21:04] <Giani> Foi ótimo! Boa noite!

 

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Based on a work at Texto Livre.

3. Maio: Formação de Professores e REA | REA Paraná

Cartaz de divulgação do STIS de maio/2018

STIS - Seminários Teóricos Interdisciplinares do SEMIOTEC

Mara e Henrique - maio 2018

 Conferência dupla STIS

Maio-2018

Dia 9 de abril às 19:30 horas, na Sala de Conferências do STIS

 

Formação de Professores Sobre Recursos Educacionais Abertos

(Profª Ma. Mara Denize Mazzardo (UFSM))

 

Resumo: Relato e discussão sobre o curso de formação continuada, para professores da Educação Básica, denominado “REA: Educação para o Futuro”. Em 2016 foram implementadas duas edições (em colaboração entre UAb/Portugal e Universidade Federal de Santa Maria/UFSM), sendo que o público alvo foram os professores do Ensino Médio. No período de 2018 até 2020, o curso será oportunizado, pela UFSM, para professores da Educação Básica, das redes públicas do Rio Grande do Sul. O curso é desenvolvido na perspectiva da autoria e do compartilhamento e não somente na perspectiva de usuários de recursos disponíveis na Rede. As atividades contemplam a efetivação dos 5Rs de abertura dos REA (Wiley, 2014) para organizar e produzir material didático aberto. O curso é uma ação prática de implementação das políticas institucionais sobre REA (Declaração da Cidade do Cabo, 2007; UNESCO, 2012; Brasil, 2014; UNESCO 2017). A proposta de formação, realizada por meio de um Small Open Online Course (SOOC), contempla o desenvolvimento de competências para encontrar, reutilizar, adaptar/remixar, criar e compartilhar REA. Os conteúdos envolvem conhecimentos sobre REA, direitos autorais e sobre as licenças abertas. Todos os materiais didáticos do curso são REA. Os resultados, obtidos nas edições de 2016, evidenciam o desconhecimento sobre REA, sobre os direitos autorais e sobre as licenças abertas. Estes conhecimentos são necessários para integrar REA nos materiais didáticos e nas práticas de ensino e aprendizagem. Alguns exemplos de produções dos professores estão disponíveis na Página https://www.facebook.com/reanoensinomedio/

Palavras-chave: Formação continuada. Recursos Eduacionais Abertos. Professores do Ensino Médio.

 

Trajetória e desafios de implementação do projeto REA Paraná

(Prof. Dr. Henrique Oliveira da Silva (UTFPR)) 

Resumo: Em 2013, a UTFPR, representada pelo prof. Henrique Oliveira da Silva, em uma parceria interinstitucional com a UFPR, representada pela profª Marineli Meier, coordenadora do CIPEAD/UFPR, criou o movimento REA Paraná, uma iniciativa de mobilização e disseminação da cultura de conhecimento aberto, que se configurou, na prática, como uma ação de democratização do conhecimento. A implantação demandou ações em três dimensões particulares: a pedagógica, a política e a tecnológica. Mais do que simplesmente pesquisar sobre o tema, a proposta era determinar e implementar as ações estratégicas, de forma institucional, para que o movimento se estabelecesse nas instituições públicas de ensino superior do Estado do Paraná. Para tanto, criamos um modelo federado de repositórios de Recursos Educacionais Abertos, que serviu como mote para as ações necessárias ao sucesso do projeto.

Palavras-chave: Recursos Educacionais Abertos. Conhecimento aberto. REA Paraná.

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Licença Creative Commons

3.1. registro maio

Registro da Conferência em chat escrito, de 11 de abril de 2018:

 

Formação de Professores Sobre Recursos Educacionais Abertos

(Profª Ma. Mara Denize Mazzardo (UFSM))

 

 

Trajetória e desafios de implementação do projeto REA Paraná

(Prof. Dr. Henrique Oliveira da Silva (UTFPR))

 

 

 

moderador: Equipe STIS

 

 

[19:29] <JoyceFettermann> Vamos dar início, então, às apresentações de hoje.
[19:30] <JoyceFettermann> Para começar, teremos a Professora Mara Denize, que falará sobre "Formação de Professores sobre REA"
[19:30] <JoyceFettermann> Mara Denize é Doutoranda em Educação - Especialidade Educação a Distância e Elearning, na Universidade Aberta (UAb) de Portugal, possui graduação em Educação Física pela Faculdade Salesiana de Educação Física (1981),
[19:31] <JoyceFettermann> Especialização em Informática na Educação (2000) pela Universidade de Passo Fundo, RS, Mestrado em Educação pela Universidade Federal de Santa Maria (2005). Professora da Rede Pública Estadual (RS) durante 32 anos
[19:31] <JoyceFettermann> Especialização em Gestão Escolar &quot;Escola de Gestores&quot; MEC/UFRGS - Pedagogia EaD UFSM/UAB - Tutora Progestão Online CONSED/SEDUC/RS - Especialização TIC Aplicadas à Educação UFSM/UAB. Professora curso Capacitação em Fluência Pedagógica para Tutores - PACC 2013/UFSM, em 2014 atuou como Coordenadora Pedagógica Adjunta do Pró-Conselho/SEB/UFSM
[19:31] <JoyceFettermann> Seja bem-vinda, Mara! :)
[19:32] <MaraMazzardo> Obrigada!
[19:32] <JoyceFettermann> Você tem 30 minutos.
[19:32] <MaraMazzardo> É um prazer participar deste seminário! Vou apresentar um pequeno relato sobre um curso de formação sobre REA e alguns resultados obtidos.
[19:32] <MaraMazzardo> As pesquisas do Cetic.br (2016) - http://cetic.br/tics/educacao/2016/professores/G1/ - e os questionários do projeto de pesquisa do doutorado indicam que quase 100% dos professores utilizam recursos educacionais disponíveis na Internet. Porém, da mesma forma, quase 100% não conhecem as Licenças Abertas e a Lei brasileira sobre os Direitos Autorais. Consequentemente, não conhecem os REA.
[19:34] <MaraMazzardo> Assim, o uso de recursos educacionais disponíveis na Internet, o interesse e necessidade dos professores em melhorar os materiais didáticos e o potencial dos REA justificaram o desenvolvimento do projeto de pesquisa para Formação de Professores sobre os REA.
[19:34] <MaraMazzardo> A formação foi implementada por meio de um Small Open Online Course (SOOC), com duração de 40 h, denominado de “REA: Educação para o Futuro”, direcionado para professores do Ensino Médio.
[19:35] <MaraMazzardo> A proposta de formação é um dos artefatos pedagógicos produzidos no desenvolvimento do projeto de doutorado em educação, linha de pesquisa educação à distância e e-Learning, da Universidade Aberta (UAb) de Lisboa, com coorientação da professora Doutora Elena Maria Mallmann da UFSM.
[19:36] <MaraMazzardo> É um curso de formação continuada SOBRE REA e desenvolvido COM REA.
[19:37] <MaraMazzardo> Isto é, todos os materiais didáticos do curso são REA
[19:37] <MaraMazzardo> Os conteúdos e atividades do curso contemplam a efetivação dos 5Rs de Abertura dos REA: Reter, Reutilizar, Revisar, Remixar e Redistribuir (Wiley, 2014). Inclui também a produção de REA original.
[19:38] <MaraMazzardo> Para efetivar os 5Rs de abertura os recursos precisam estar em Domínio Público, ter uma licença que permita a cópia, reúso, edição (produção de obra derivada) e redistribuição ou termo de uso com estas permissões.
[19:39] <MaraMazzardo> Os REA produzidos (adaptados, remixados e os originais) são classificados por Weller (2010) de Little OER. O autor destaca dois tipos de REA:
[19:39] <MaraMazzardo> 1 - Big OER - são produzidos por instituições de ensino renomadas, fator que gera confiança, e com objetivos específicos de aprendizagem. Os custos de produção são altos, sendo necessário apoio financeiro elevado.
[19:40] <MaraMazzardo> Exemplo: http://pat.educacao.ba.gov.br/fisicaecotidiano/conteudos/view/microondas_view.html
[19:41] <MaraMazzardo> 2 - Little OER - são produzidos e disponibilizados por uma pessoa ou pequenos grupos utilizando serviços/recursos da Web 2.0. Uma Imagem disponibilizada no Flickr, com licenças abertas, é um exemplo e pode ser utilizada em vários contextos. Os autores de little OER são professores, alunos e outras pessoas com objetivos e motivações diversas. A produção de little OER possibilita a autoria e coautoria de REA por um número
[19:42] <MaraMazzardo> Para Compreender o Conceito e Identificar os REA é Necessário Conhecer:
[19:42] <MaraMazzardo> - O conceito de REA, as características, saber onde encontrar e identificar os REA nos repositórios e referatórios.
[19:43] <MaraMazzardo> - As licenças Abertas, principalmente as licenças Creative Commons
[19:43] <MaraMazzardo> - A Lei Brasileira sobre os Direitos Autorais (Nº 9610/98 )
[19:44] <MaraMazzardo> - Conhecer obras de Domínio Público
[19:44] <MaraMazzardo> - E ter Fluência Tecnológico-Pedagógica
[19:44] <MaraMazzardo> Para adaptar e produzir REA organizamos orientações sobre como adaptar e como produzir um REA. As orientações estão sendo aprimoradas em cada edição do curso.
[19:45] <MaraMazzardo> Na apresentação constam as orientações
[19:45] <MaraMazzardo> Em 2016 implementamos duas edições, tendo como público alvo prioritário, mas não exclusivo, os professores do Ensino Médio, das escolas públicas, da Região Central do RS.
[19:46] <MaraMazzardo> Na primeira edição ofertamos 100 vagas e na segunda, 150
[19:46] <MaraMazzardo> Resultados Alcançados:
[19:47] <MaraMazzardo>  Oportunidade de Formação Continuada online, compatível com os horários de trabalho dos professores.  Primeiros conhecimentos sobre os REA.
[19:47] <MaraMazzardo>  Identificação dos REA nos repositórios.
[19:47] <MaraMazzardo>  Percepção da necessidade de saber o que é possível fazer com cada recurso disponível na Internet (observar os Direitos Autorais, Identificar as Permissões das Licenças Abertas e das Obras em Domínio Público).
[19:49] <MaraMazzardo> Não existe esta cultura
[19:49] <MaraMazzardo> confunde-se o estar online com permissão para uso, reprodução e até edição do recurso
[19:50] <MaraMazzardo> Seguindo...
[19:50] <MaraMazzardo>  Percepção das diferenças entre os recursos com Copyright e os recursos abertos.  Valorização da autoria.
[19:51] <MaraMazzardo>  Reúso, edição e redistribuição de recursos disponíveis na Internet, sem infringir os Direitos Autorais.
[19:51] <MaraMazzardo>  Organização e Produção de Material Didático Aberto.
[19:52] <MaraMazzardo>  Adaptação/Remix de REA  Produção de REA Original (Little OER).
[19:52] <MaraMazzardo>  Diversificação dos Materiais Didáticos.
[19:52] <MaraMazzardo>  Compartilhamento de materiais didáticos.
[19:53] <MaraMazzardo> compartilhamento também não é uma prática comum
[19:53] <MaraMazzardo>  Inovação na produção dos materiais didáticos.
[19:53] <MaraMazzardo> (Exemplos de REA adaptados e produzidos em https://www.facebook.com/reanoensinomedio/ )
[19:53] <MaraMazzardo> Dificuldades Observadas:
[19:53] <MaraMazzardo>  Taxa de inscritos que não acessam o curso (os cursos abertos online, com inscrição facilitada provocam inscrições “descompromissadas”)
[19:54] <MaraMazzardo>  Falta de conhecimentos sobre Direitos Autorais, Licenças Abertas e Obras de Domínio Público.
[19:54] <MaraMazzardo>  Dificuldade para identificar os REA nos repositórios.
[19:55] <MaraMazzardo>  Falta de Cultura em observar como os recursos são disponibilizados na Internet.
[19:55] <MaraMazzardo>  Pouca Fluência Tecnológico-Pedagógica.
[19:55] <MaraMazzardo>  Tempo demandado para pesquisar, selecionar, adaptar/remixar e produzir REA.
[19:56] <MaraMazzardo>  Necessidade de continuidade de ações formativas sobre REA e/ou grupos de estudo, produção e apoio (redes de interesse).
[19:56] <JoyceFettermann> Mara, você tem 5 minutos.
[19:56] <MaraMazzardo> Ok
[19:56] <MaraMazzardo> O curso é desenvolvido na perspectiva da autoria e do compartilhamento e não somente na perspectiva de usuários de recursos disponíveis na Rede.
[19:59] <acris> ‎[19:59] ‎<‎MaraMazzardo_‎>‎ Saliento este aspecto: professores autores de REA
[19:59] <MaraMazzardo_> Joyce já faço as considerações finais agora?
[20:00] <JoyceFettermann> Sim, por favor.
[20:01] <MaraMazzardo_> O curso será implementado novamente no segundo semestre
[20:01] <MaraMazzardo_> agora em um projeto aprovado pela FAPERGS
[20:01] <MaraMazzardo_> a meta é oportunizar formação para 1000 professores
[20:01] <MaraMazzardo_> e será ofertado pela UFSM
[20:02] <MaraMazzardo_> Informações
[20:02] <MaraMazzardo_> Notícia no Portal da UFSM http://site.ufsm.br/noticias/exibir/abertas-inscricoes-para-curso-sobre-recursos-educa
[20:02] <MaraMazzardo_> Agora fico no aguardo dos questionamentos
[20:03] <JoyceFettermann> Obrigada, Mara!
[20:03] <JoyceFettermann> Vamos fazer o momento de discussões ao final, ok?
[20:03] <MaraMazzardo_> Ok
[20:03] <JoyceFettermann> Professor Henrique está na sala?
[20:03] <Guest84193> Olá, sim estou aqui
[20:03] <JoyceFettermann> Bem-vindo!
[20:03] <JoyceFettermann> :)
[20:03] <Guest84193> Obrigado!
[20:04] <JoyceFettermann> Vamos, então, iniciar a segunda palestra, com o professor Henrique,
[20:04] <JoyceFettermann> que possui graduação em Tecnologia em Processamento de Dados pela Universidade de Caxias do Sul(1997), mestrado em Computação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul(2002) e doutorado em Informática na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul(2006).
[20:04] <JoyceFettermann> Atualmente é Professor EBTT da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Ensino-Aprendizagem.
[20:05] <JoyceFettermann> Atua principalmente nos seguintes temas:Sociedades Artificiais, Ambientes de Ensino-Aprendizagem.
[20:05] <Guest84193> Perfeito, posso começar?
[20:05] <JoyceFettermann> Você tem 30 minutos, Henrique.
[20:05] <JoyceFettermann> Sim, por favor.
[20:06] <daniervelin> código para os slides: henrique
[20:07] <Guest81229> deu algum problema aqui e tive que me logar novamente
[20:08] <JoyceFettermann> Tudo bem
[20:08] <Guest81229> posso continuar?
[20:08] <JoyceFettermann> POde sim
[20:08] <Guest81229> vamos lá então... continuando...
[20:08] <Guest81229> O que era para ser apenas um projeto, tomou corpo de um programa que nomeamos de REA Paraná. Mais do que simplesmente uma pesquisa acadêmica, o programa se configurou como uma iniciativa de mobilização e disseminação da cultura de conhecimento aberto e uma ação de democratização do conhecimento.
[20:08] <acris> henrique, escreve "/nick HenriqueSilva" sem aspas e dá enter para corrigir o nick
[20:09] <HenriqueSilva> Vou apresentar um pouco da nossa trajetória, que iniciou em 2012, a partir de uma palestra sobre Recursos Educacionais Abertos durante o ESUD de Belém do Pará. Durante a palestra a profa. Marineli fez a proposta de desenvolvermos um projeto no âmbito das nossas instituições. Narrei para ela uma ação que eu vinha desenvolvendo na UTFPR que envolvia a produção de recursos educacionais digitais e que, bastaria pegar aque
[20:09] <HenriqueSilva> A medida que a ideia foi amadurecendo e pelas questões burocráticas interinstitucionais de apoio a outras instituições, percebemos que o ideal era transformar a proposta em um projeto de interesse interinstitucional. Como as duas universidade já possuem um acordo de Cooperação Técnico-científica, usamos esse acordo como base para oficializar a ação conjunta. Eu auxiliaria nas questões técnicas e eles nas questões po
[20:09] <HenriqueSilva> ações de mobilização e estruturação para que o projeto atendesse a comunidade acadêmica das duas instituições.
[20:10] <HenriqueSilva> Antes de iniciar os trabalhos, criamos uma proposta de projeto que foi apresentada aos nossos pró-reitores de graduação e a algumas pessoas estratégicas que poderiam auxiliar na implantação da ideia.
[20:10] <HenriqueSilva> A partir do apoio das pró-reitorias de graduação convidamos vários professores e servidores para fazerem parte do projeto. A ideia era identificar pessoas com competências diversas para dar apoio ao projeto. Eram pessoas ligadas a área de TI, biblioteca, graduação, pós-graduação, gestão do conhecimento, que trabalhavam com tecnologias educacionais e educação a distância.
[20:10] <HenriqueSilva> A primeira ação foi organizar um evento de criação do projeto, para o qual, convidamos a palestrante que apresentou o tema REA no ESUD para repetir a palestra para nossos servidores e para realizar uma oficina sobre o tema.
[20:10] <HenriqueSilva> Logo percebemos que era preciso alinhar alguns conceitos. Era preciso definir claramente para a comunidade o conceito de Recursos Educacionais Abertos, Práticas Educacionais Abertas, Repositórios Institucionais e o próprio conceito de conhecimento.
[20:11] <HenriqueSilva> O conceito de Recursos Educacionais Abertos, chamados de REA, que adotamos é o definido pela UNESCO e significa: São materiais de ensino, aprendizado e pesquisa, em qualquer suporte ou mídia digital, que estão sob domínio público, ou estão licenciados de maneira aberta.
[20:11] <HenriqueSilva> O conceito de Práticas Educacionais Abertas, chamadas de PEA, foi herdado da descrição que encontramos no site do projeto Oportunidad: Práticas que sustentam a (re) utilização e produção de REA por meio de políticas institucionais, promovendo modelos pedagógicos inovadores, respeitando e capacitando alunos como coprodutores no seu caminho de aprendizagem.
[20:11] <HenriqueSilva> Já na primeira oficina ficou clara a disparidade sobre o conceito de conhecimento. No caso, a discussão era sobre a produção de conhecimento em uma instituição pública de ensino superior. Como a maioria dos participantes eram professores, todos tinham a ideia clara de que conhecimento é o objeto da pesquisa que eles realizam na instituição.
[20:11] <HenriqueSilva> Foi preciso pontuar que o servidor público professor desempenha, além dos papéis administrativos, o papel de professor e pesquisador.
[20:11] <HenriqueSilva> Como pesquisador ele é responsável pela produção de conhecimento, normalmente, o chamado conhecimento científico. Apesar das ressalvas realizadas, a tendência era dos professores entenderem o conceito somente do ponto de vista dos seus papéis de pesquisadores.
[20:12] <HenriqueSilva> Como estávamos ligados à pró-reitoria de graduação, a ênfase do projeto era tratar das ações do servidor enquanto professor. Em linhas gerais, isso significa, o seu papel de tradutor do conhecimento científico em um formato que seja entendido pelo aprendiz e que auxilie seu processo de aprendizagem. Como professores essa é a principal atividade do docente.
[20:12] <HenriqueSilva> Porém, por se tratar de objetos digitais, o desafio era que todos compreendessem que o "conhecimento" que estava em discussão é a transposição didática da ação docente em um formato digital que pudesse ser disponibilizado ao aluno com uma licença aberta.
[20:12] <HenriqueSilva> Em algumas áreas esse objeto é chamado de obra e o professor é chamado de autor.
[20:12] <HenriqueSilva> Independentemente da área, sempre temos alguém que produz algo, portanto é autor, e um objeto resultante, que é sua obra ou pesquisa. Mas a forma final do objeto, que nos interessa, é aquela que pode ser utilizada pelo aluno como recurso de aprendizagem.
[20:12] <HenriqueSilva> Como a aprendizagem é um tema subjetivo, sempre se retorna a questão de que a obra artigo, dissertação e tese, são recursos de aprendizagem, mesmo que sua finalidade original seja a de registro formal e reconhecido pela comunidade de conhecimento em que o profissional atua.
[20:12] <HenriqueSilva> Para tentar organizar esses conceitos e suas relações, organizei um site: http://www.utfpr.edu.br/estrutura-universitaria/pro-reitorias/prograd/cotedu/recursos-educacionais-digitais/apresentacao
[20:13] <HenriqueSilva> Essa herança sobre o conceito de conhecimento permeia claramente os chamados Repositórios Institucionais, que são fomentados pelo IBICT, o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia.
[20:13] <HenriqueSilva> Na prática, isso significa que, para as bibliotecas das universidades, o conceito de Repositório Institucional se restringe às dissertações e teses elaboradas no âmbito da instituição.
[20:13] <HenriqueSilva> Algumas instituições ampliam o seu papel, criando em seus repositórios, coleções ou comunidades, que armazenam outros materiais além daqueles que são objeto específico para a ciência e tecnologia.
[20:13] <HenriqueSilva> O outro conceito acessório a estes já apresentados, é o de MOOC, os cursos massivos online. Esse conceito é uma das possíveis materializações do conceito de Práticas Educacionais Abertas, as PEA.
[20:13] <HenriqueSilva> Só que, o que não é tão aparente, é que, para se implantar um MOOC, primeiro é preciso ter sido implantado na instituição toda a infraestrutura física, lógica e processual, que viabilizará essa realização.
[20:14] <HenriqueSilva> Para tanto, nosso projeto partiu de uma proposta de arquitetura que organizei.
[20:14] <HenriqueSilva> Hoje a tarde passei um conjunto de slides que tem a imagem da arquitetura que propusemos
[20:15] <HenriqueSilva> Essa arquitetura previa uma camada de armazenamento, atualmente chamado de Nuvem, uma série de serviços para cada especificidade de mídia e interfaces com finalidades específicas.
[20:15] <HenriqueSilva> O material seria organizado diretamente pelo professor em seu HD virtual, a sua nuvem, se o material fosse em um formato binário de fluxo contínuo, os streaming, esse material deveria contar com uma ligação com um servidor de streaming para distribuição.
[20:15] <HenriqueSilva> Toda o acesso e distribuição desse material é realizado pelo recurso de incorporação, como acontece com os vídeos do youtube. Além dos serviços, as plataformas especializadas, como as de repositórios institucionais, que possuem recursos de indexação e categorização dos recurso pela utilização de metadados, seriam conectadas aos demais serviços, como consumidores.
[20:15] <HenriqueSilva> Nesta arquitetura, cada camada é responsável por uma ação específica.
[20:15] <HenriqueSilva> No modelo atual, a plataforma adotada pelo IBICT, o DSpace, que é o sistema de Repositório Institucional adotado pelas universidades públicas, atua como Base de Dados, armazenando o material no seu próprio servidor.
[20:16] <HenriqueSilva> Definida a arquitetura, a partir de estudos sobre as dimensões envolvidas na implantação de REA, documentada pela Unesco, reduzimos as cinco dimensões propostas, a três: a dimensão pedagógica, a dimensão tecnológica e a dimensão política.
[20:16] <HenriqueSilva> A lógica é que, cada dimensão é responsável por tratar de ações que são impreteríveis para o sucesso de implantação do projeto.
[20:16] <HenriqueSilva> A dimensão pedagógica se responsabiliza por ações de sensibilização ou engajamento, no caso, cursos, eventos, material de divulgação, tutoriais, sites, etc. Sua finalidade é tratar a disseminação e estabelecimento de uma cultura de acesso aberto. Que trate das orientações sobre práticas abertas, produção colaborativa e uso desses recursos na atividade de ensino e aprendizagem.
[20:16] <HenriqueSilva> A dimensão tecnológica precisa responder como se faz a integração de vários serviços e plataformas para que atendam a arquitetura que dá suporte para a implantação do projeto. Além das instalações dos servidores, serviços e plataformas, ainda é preciso fazer a gestão e dimensionamento desses recursos. Questões sobre acesso, autenticação, contabilização, segurança, privacidade e interoperabilidade, são as preo
[20:17] <HenriqueSilva> A dimensão política, está no nível estratégico da instituição e se responsabiliza por elaborar as políticas de uso, licenças, regras de publicação de direitos autorais, direitos de propriedade, políticas de catalogação, reconhecimento das atividades desenvolvidas pelos servidores para efeitos de prestação de contas e progressão na carreira, entre outros. Na prática, isso significa, elaborar os regulamentos, norma
[20:17] <HenriqueSilva> Iniciamos a ação em 2013, porém, esse é um movimento que já vem se estabelecendo mundo afora e já tinha sido percebido pelas instâncias superiores no MEC.
[20:17] <HenriqueSilva> Tanto que em março de 2016, como revisão das diretrizes para a educação a distâncias, o Conselho Nacional de Educação, formulou na sua resolução n.º 1, no artigo segundo, parágrafo quarto, o seguinte:
[20:17] <HenriqueSilva> As instituições de educação superior, bem como os órgãos e as entidades da Administração Pública direta e indireta, que financiem ou fomentem a educação superior a distância, devem assegurar a criação, a disponibilização, o uso e a gestão de tecnologias e recursos educacionais abertos, por meio de licenças livres, que facilitem o uso, a revisão, a tradução, a adaptação, a recombinação, a distribuição e o
[20:18] <HenriqueSilva> ...direitos autorais pertinentes.
[20:18] <HenriqueSilva> Essa resolução foi a ação política que deu respaldo para o projeto que vinha sendo trabalhado em nossas instituições.
[20:18] <HenriqueSilva> Em síntese, feitas as devidas introduções, os objetivos do projeto se sintetizaram em: incentivar a produção de REA, disseminar as PEA e democratizar o conhecimento criado nas nossas instituições.
[20:18] <HenriqueSilva> A finalidade era de estabelecer uma cultura de PEA e de possibilitar ao estudante e ao docente: acessar, produzir e disponibilizar REA.
[20:18] <HenriqueSilva> Com isso, acabamos promovendo algumas mudanças no âmbito das instituições: estudantes e professores tornam-se autores, houve uma melhoria da qualidade dos recursos educacionais digitais produzidos, iniciamos uma transição para Educação Híbrida, uma mudança para uma cultura de colaboração e compartilhamento que, de forma prática, se estabeleceu e está se consolidando, como uma ação de democratização do conheciment
[20:19] <HenriqueSilva> Durante a implantação do projeto, percebemos que a dimensão do que estávamos realizando era maior do que simplesmente um projeto, por isso, decidimos transformar o projeto em um programa, que passaria a aceitar outras instituições que se propusessem a aderir ao movimento.
[20:19] <HenriqueSilva> Envolvemos então, além da UTFPR e da UFPR, o IFPR, a ESAF, a Unila, a UEL, a UEM e a UEPG. Também realizamos ações junto a SEED-PR e à Secretaria para Assuntos Estratégicos do PR.
[20:19] <HenriqueSilva> Essas são algumas das ações que realizamos por aqui: MOOC/CIPEAD – PEA 2 Ofertas – 1000 Vagas Convite CAPES/UAB para remixagem do curso PEA, MOOC/CIPEAD para oferta nacional. MOOC/CIPEAD/SEAE – Formação de Gestores de Espaço Cidadão Todos os cursos de EAD são abordados os MOOC, PEA, REA MOOC – IFPR – Eureka – Preparação para o ENEM GEDAI – Marcos Wachowicz: Todo material produzido é publicado com licenç
[20:20] <HenriqueSilva> ADM/UFPR – Glauco de Menezes: Estudantes transformaram trabalhos da disciplina em REA. Criação da Semana de Educação Aberta Articulação para novas adesões
[20:21] <HenriqueSilva> A comunidade atingida, pelos números dos participantes, chega a mais de 170 mil pessoas. Nesse número estão computados todas as pessoas, de dentro das instituições, que podem se beneficiar dessas ações
[20:21] <HenriqueSilva> Também associamos o REA Paraná ao consórcio OpenEducation.
[20:21] <HenriqueSilva> E no site emundus, o REA Paraná aparece indexado como uma ação de REA. http://emundusatlas.org/initiative/216
[20:22] <HenriqueSilva> Nos links abaixo você pode encontrar mais informações sobre o programa REA Paraná: Site: http://reaparana.com.br Facebook: http://facebook.com/reaparana Repositório UFPR: http://www.portal.ufpr.br/rea.html Repositório UTFPR http://repositorio.roca.utfpr.edu.br/
[20:22] <HenriqueSilva> Em linhas gerais, essa foi e está sendo a nossa trajetória até o momento
[20:22] <HenriqueSilva> Devolvo a palavra a dona Joyce
[20:23] <JoyceFettermann> Obrigada, Henrique!
[20:23] <JoyceFettermann> Parabéns, Mara e Henrique, pelas palestras e pelos projetos realizados!
[20:23] <JoyceFettermann> É muito bom ver esses resultados. Eles reforçam a importância de continuar a discussão sobre REA.
[20:23] <JoyceFettermann> Abrimos a mesa para as perguntas e discussões.
[20:24] <daniervelin_> Muito bom conhecer melhor seus projetos na UTFPR, HenriqueSilva! Muita coisa já feita, hein!
[20:25] <HenriqueSilva> Manter a discussão e trocar experiências para que as ações de pesquisa cheguem a comunidade geral
[20:25] <daniervelin_> MaraMazzardo_, muito interessante a iniciativa de desenvolver cursos para os profs. da educação básica. Como vocês pensaram no programa do curso?
[20:25] <MaraMazzardo_> Partindo das práticas dos professores de utilizar recursos da Internet
[20:26] <JoyceFettermann> Certamente, HenriqueSilva!
[20:26] <MaraMazzardo_> para organizar/produzir material didático
[20:26] <HenriqueSilva> Pois é Dani, foi dessa ação que a Capes acabou nos conhecendo e nos convidando para a oferta do curso de especialização que estamos acompanhando
[20:26] <MaraMazzardo_> fazendo isso de forma legal e explorando o potencial dos REA
[20:27] <HenriqueSilva> Uma parte da nossa motivação coincide com a da Mara
[20:27] <JoyceFettermann> MaraMazzardo_, você notou alguma dificuldade dos participantes do curso em diferenciar REA de recursos gratuitos online?
[20:27] <MaraMazzardo_> sim,
[20:28] <HenriqueSilva> minha inquietação começou ao ver alunos aprendendo com o material que encontravam na internet e não com o que era produzido ou apresentado pelos professores no presencial
[20:28] <daniervelin_> ótimo, HenriqueSilva! Parece que as universidades do sul têm se destacado muito na produção de REA e na discussão sobre a questão
[20:28] <MaraMazzardo_> confusão entre o estar disponível online com o aberto
[20:28] <HenriqueSilva> aham, bem isso
[20:28] <MaraMazzardo_> também não existe a prática de observar os direitos autorais
[20:28] <acris_profe> MaraMazzardo: Que show o curso. Estou torcendo para cresça mais e mais! Só uma pergunta: você diz, em certo momento, que "Para efetivar os 5Rs de abertura os recursos precisam estar em Domínio Público", no entanto domínio público não possui proteção alguma para o autor. Um REA pode ser feito com uma licença Creative Commons By, que garante obras derivadas ou que citem o original devam citar o autor original. Creative Commons não é
[20:28] <acris_profe> domínio público, você pode explicar melhor isso, por favor? Obrigada e parabéns!
[20:29] <MaraMazzardo_> obras em domínio público também são REA
[20:30] <MaraMazzardo_> porém a atribuição de autoria continua
[20:30] <MaraMazzardo_> não existe mais direito patrimonial, mas permanece o direito moral
[20:30] <MaraMazzardo_> que é a atribuição de autoria
[20:31] <daniervelin_> a atribuição de autoria sempre deve existir, né?
[20:31] <HenriqueSilva> no Brasil o direito autoral é inalienável
[20:31] <acris_profe> mas não existe uma obrigação legal de citar a autoria quando se usa uma obra em domínio público, não é?
[20:31] <MaraMazzardo_> no Domínio Público o Direito Moral do autor continua
[20:31] <MaraMazzardo_> existe
[20:32] <MaraMazzardo_> existe a licença domínio público do CC
[20:32] <daniervelin_> a autoria sempre deve ser citada
[20:32] <MaraMazzardo_> que não exige atribuição de autoria
[20:32] <JoyceFettermann> HenriqueSilva, vc fala sobre a resolução formulada pelo Conselho Nacional de Educação, de 2016. Que bacana!
[20:32] <MaraMazzardo_> geralmente aplicada em imagens
[20:33] <JoyceFettermann> Foi a partir do trabalho que vcs realizaram, né?
[20:33] <HenriqueSilva> Então, um dos conselheiros do CNE, sempre acompanhou nossas discussões por ser integrante da Unirede.
[20:34] <acris_profe> que ótimo!
[20:34] <HenriqueSilva> Acreditamos que, ao tratar desses temas, acabamos criando um movimento que extrapola a ação direta
[20:35] <HenriqueSilva> e aos poucos, junto com outras ações, de forma distribuída, acaba se juntando em uma ação maior
[20:35] <JoyceFettermann> O legal é que vcs já estão vendo isso acontecer na prática.
[20:35] <MaraMazzardo_> temos um trabalho imenso
[20:35] <MaraMazzardo_> o de tornar os REA conhecidos
[20:36] <MaraMazzardo_> e explorar o potencial para melhorar e diversificar os materiais didáticos
[20:36] <HenriqueSilva> outro caso dessas discussões, que sensibilizaram um colega que, na época, fazia parte do conselho da Capes que discutia os critério de avaliação dos mestrados profissionais da área de educação,
[20:36] <MaraMazzardo_> e aos poucos ir optando por recursos abertos
[20:37] <JoyceFettermann> Bacana, Mara!
[20:37] <acris_profe> HenriqueSilva: existe alguma perspectiva de levar essa ação de vocês a universidades de outros estados? Ou vocês já foram procurados para compartilhar a experiência?
[20:37] <JoyceFettermann> Aos poucos vai se criando essa mentalidade
[20:37] <HenriqueSilva> ... se concretizou com a proposta desse colega de pontuar os resultados dos trabalhos de conclusão dos mestrados com nota 5 se fossem disponibilizados como REA
[20:38] <HenriqueSilva> ele apresentou essa proposta no conselho para o triênio que iniciou em 2014 e foi aceito
[20:38] <daniervelin_> bacana, HenriqueSilva
[20:38] <JoyceFettermann> MaraMazzardo_, após o curso, você teve algum retorno de professores sobre suas autorias, usos e compartilhamento de outros REAs em suas práticas? Sabe se eles continuam produzindo REAs para usarem em suas aulas?
[20:39] <acris_profe> muito bom
[20:39] <HenriqueSilva> Os produtos dos mestrados profissionais das áreas de educação que não são liberados como REA, recebem nesse critério, a nota 1
[20:39] <MaraMazzardo_> Pretendo começar essa verificação, pois estive ocupada em escrever a tese
[20:39] <MaraMazzardo_> a proposta de formação continua
[20:40] <JoyceFettermann> Legal!
[20:40] <MaraMazzardo_> estou desenvolvendo uma edição com o grupo de Pesquisa da Professora Elena Mallmann
[20:40] <MaraMazzardo_> o GEPETER
[20:40] <MaraMazzardo_> para formar os tutores das próximas edições
[20:40] <acris_profe> MaraMazzardo_ e HenriqueSilva, peço desculpas, mas preciso me retirar, depois leio o log no site do STIS. Agradeço imensamente sua participação, trabalhos de primeira linha, parabéns!
[20:41] <HenriqueSilva> Eu agradeço o convite Ana
[20:41] <MaraMazzardo_> por ora tenho observado a preocupação dos professores e de algumas instituições em não infringir os Direitos Autorais
[20:42] <JoyceFettermann> Isso já é um bom começo, né Mara?
[20:42] <MaraMazzardo_> e interesse pelos REA
[20:42] <MaraMazzardo_> pelas possibilidades do aberto
[20:42] <HenriqueSilva> Mara, acredito que o que inibe a produção de material por parte dos professores seja justamente isso, o desconhecimento sobre os limites de uso e de direitos autorais.
[20:43] <MaraMazzardo_> sim
[20:43] <MaraMazzardo_> poucos conhecem
[20:43] <MaraMazzardo_> e sempre digo que para conhecer o aberto é necessário conhecer os direitos autorais
[20:43] <HenriqueSilva> o movimento REA foi a luz no túnel para nós, no sentido de achar uma solução plausível para mobilizar a comunidade de docentes para essa ação
[20:44] <MaraMazzardo_> a prática do compartilhamento também precisa ser incentivada
[20:44] <MaraMazzardo_> daí a importância dos repositórios institucionais
[20:45] <HenriqueSilva> minha batalha tem sido em mudar o conceito do pessoal da bibliotecas sobre o tal Repositório Institucional
[20:45] <HenriqueSilva> eles tem uma postura muito restrita sobre o que "pode" ser postado
[20:45] <HenriqueSilva> quase no nível de sensura
[20:45] <HenriqueSilva> censura
[20:46] <daniervelin_> muitos são os desafios nessa área
[20:46] <MaraMazzardo_> estamos pesquisando repositórios onde seja possível disponibilizar os REA produzidos pelos participantes das próximas edições do curso
[20:47] <HenriqueSilva> recebemos até uma sugestão de mudar o nome, ao invés de usar o conceito de repositório (que é tácito) passar a usar o termo Portal
[20:47] <HenriqueSilva> a arquitetura que propus no nosso projeto é justamente para transpor o problema do "onde colocar"
[20:48] <HenriqueSilva> é um modelo de sistemas distribuído
[20:48] <HenriqueSilva> até o momento, do ponto de vista da tecnologia, foi a melhor solução que encontramos
[20:48] <HenriqueSilva> mas ainda não conseguimos implantar efetivamente
[20:49] <MaraMazzardo_> o link do vídeo de divulgação do curso
[20:49] <MaraMazzardo_> https://youtu.be/uKY1NuaejkM
[20:50] <JoyceFettermann> Que ótimo!
[20:50] <MaraMazzardo_> e do folder
[20:50] <MaraMazzardo_> http://site.ufsm.br/arquivos/uploaded/uploads/99586fdb-9e6c-4350-bd44-413b4800db3a.pdf
[20:50] <MaraMazzardo_> o vídeo é uma adaptação de REA
[20:51] <JoyceFettermann> Eu participei do curso em 2016 e realmente foi muito bom. Houve muita produção e troca de materiais (e tb de experiências).
[20:51] <MaraMazzardo_> Os professores são imprescindíveis na implementação das políticas públicas sobre REA e na integração de REA nos materiais e nas práticas didáticas.
[20:52] <HenriqueSilva> na época criamos um vídeo para divulgar o REA Paraná
[20:52] <HenriqueSilva> https://youtu.be/16z6OcUwbiU
[20:52] <HenriqueSilva> lá tem várias explicações sobre como aconteceu a fase inicial do projeto
[20:53] <MaraMazzardo_> vou compartilhar em uma página do curso, agora direcionado para professores da Educação Básica
[20:54] <MaraMazzardo_> https://www.facebook.com/REAEducacaoBasica
[20:54] <JoyceFettermann> O que vocês consideram mais importante para quem deseja se iniciar na produção e compartilhamento de REA, mas não sabe como fazer?
[20:55] <MaraMazzardo_> conhecer o conceito de REA, as licenças abertas e
[20:55] <HenriqueSilva> outra informação importante, todo o material produzido para divulgação, orientação e treinamento sobre REA, produzido pela UFPR, está disponível para usar no repositório deles: https://acervodigital.ufpr.br/handle/1884/35989
[20:55] <MaraMazzardo_> as vantegens do aberto e as limitações do Copyright
[20:56] <HenriqueSilva> banners, livros, panfletos, infográficos, todos podem ser pesquisados e utilizados de forma aberta
[20:56] <MaraMazzardo_> os Little OER
[20:57] <MaraMazzardo_> imagens
[20:57] <HenriqueSilva> Só que o material que está lá ainda está com os 4R, na época o quinto R ainda não tinha se estabelecido
[20:58] <MaraMazzardo_> perspectiva da autoria e do compartilhamento e não somente na perspectiva de usuários de recursos disponíveis na Rede
[20:58] <daniervelin_> obrigada por compartilharem os links
[20:59] <MaraMazzardo_> para o professor sair da condição somente de usuário
[20:59] <MaraMazzardo_> e passar para a autoria
[20:59] <MaraMazzardo_> e compartilhamento
[21:00] <JoyceFettermann> Muito obrigada pelas participações de vcs! Acredito que essas informações podem ajudar muitos a compreender melhor o assunto.
[21:00] <JoyceFettermann> Vcs podem deixar seus e-mails, caso alguém deseje entrar em contato?
[21:00] <MaraMazzardo_> maradmazzardo@gmail.com
[21:01] <HenriqueSilva> hosilva@utfpr.edu.br
[21:01] <JoyceFettermann> Obrigada! :)
[21:02] <JoyceFettermann> Vamos encerrando nossa conferência de junho por aqui. E em junho tem mais!
[21:02] <JoyceFettermann> Será no dia 13/05
[21:02] <HenriqueSilva> Mais uma vez obrigado pelo convite!
[21:02] <daniervelin_> 13/06?
[21:02] <MaraMazzardo_> Foi um prazer participar
[21:02] <HenriqueSilva> Boa noite a todos e todas!
[21:03] <MaraMazzardo_> Boa Noite!
[21:03] <daniervelin_> obrigada, MaraMazzardo_ e HenriqueSilva!
[21:03] <JoyceFettermann> Isso, 13/06!!
[21:03] <JoyceFettermann> E teremos a participação dos professores Débora Sebriam e Tiago Soares.
[21:03] <JoyceFettermann> Boa noite a todos!
[21:04] <daniervelin_> Boa noite!
[21:04] <JoyceFettermann> Nós que agradecemos, HenriqueSilva!
[21:04] <Eliane> Boa noite!
[21:04] <MaraMazzardo_> Boa Noite!
[21:05] <marcialamary> Boa noite e obrigada pela excelente conferencia

 

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4. Junho: Avanços de REA e Educação Aberta no Brasil | Arquiteturas de educação aberta

Cartaz de divulgação do STIS de junho/2018

STIS - Seminários Teóricos Interdisciplinares do SEMIOTEC

Debora e Tiago - Junho de 2018

 Conferência dupla STIS

Junho-2018

Dia 13 de junho às 19:30 horas, na Sala de Conferências do STIS

 

Avanços de REA e Educação Aberta no Brasil nos últimos 10 anos

(Profª. Ma. Débora Sebriam (Instituto Educadigital))

 

As muitas aberturas: promessas e desafios das arquiteturas de educação aberta

(Prof. Me. Tiago Soares (USP)) 

Resumo: Quais são os sentidos do aberto? A emergência de novas tecnologias e arquiteturas de informação abriram caminho a inéditas possibilidades para a colaboração, reinvenção e acesso a recursos e métodos educacionais. Sob o espectro do aberto, e ancoradas à ampla noção de cibercultura, as arquiteturas de educação aberta abrem caminho a reais soluções para o enfrentamento de obstruções econômicas e institucionais. Ao mesmo tempo, equilibradas sobre uma delicada convergência de dimensões técnicas, sociais, institucionais, e jurídicas, essas arquiteturas abertas podem apresentar naturezas, sentidos e desafios específicos, informados pela cultura e pela história das comunidades em que são construídas. As tensões latentes aos processos de implementação, maturação e capilarização de iniciativas de educação aberta podem se manifestar em energização de processos consolidados, ou no desnudamento (e, em algumas situações, engessamento) de problemas anteriores. Caso a caso, o modo como as arquiteturas do aberto se cristalizam nas experiências do mundo real mostram que as possibilidades delineadas pelos muitos universos de criação e prática podem se revelar, também, em desafios muito especiais, de complexidade não reduzível a "soluções de tamanho único". As percepções e sentidos do aberto que emergem dessas arquiteturas é a reflexão proposta em nossa apresentação. Afinal, até onde, e como, as promessas e expectativas do ideal de abertura podem ser filtradas pelo universo do real?

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Licença Creative Commons

4.1. registro junho

Registro da Conferência em chat escrito, de 13 de junho de 2018:

 

Avanços de REA e Educação Aberta no Brasil nos últimos 10 anos

(Profª. Ma. Débora Sebriam (Instituto Educadigital))

 

 

As muitas aberturas: promessas e desafios das arquiteturas de educação aberta

((Prof. Me. Tiago Soares (USP))

 

 

 

moderador: Equipe STIS

 

 

[19:29] <JoyceFettermann> Boa noite a todos mais uma vez!
[19:30] <JoyceFettermann> Estamos iniciando a última conferência deste bloco
[19:30] <JoyceFettermann> Recursos Educacionais Abertos: entre definições e discussões, da teoria à prática.
[19:30] <JoyceFettermann> E hoje, teremos a presença dos professores Débora Sebriam e Tiago Soares, que vêm desenvolvendo pesquisas muito interessantes nesta área.
[19:30] <JoyceFettermann> Tiago já está na sala?
[19:31] <JoyceFettermann> Gostaria de convidar primeiro a Débora,
[19:31] <JoyceFettermann> Professora Mestre em Engenharia de Mídias para a Educação (2009).
[19:31] <JoyceFettermann> Especialista em Atividade Física e Qualidade de Vida pela Universidade Estadual de Campinas (2007). Licenciada em Educação Física pela Universidade Estadual de Londrina (2005).
[19:31] <JoyceFettermann> Possui experiência na área de Tecnologias da Informação e Comunicação aplicadas à Educação, atuando principalmente nos seguintes temas:
[19:32] <JoyceFettermann> integração de tecnologias ao currículo, tecnologias e formação de professores, recursos educacionais abertos, educação a distância, uso seguro das telas digitais.
[19:32] <deborasebriam> Boa noite a todos!
[19:32] <JoyceFettermann> Os comentários e discussões serão feitos ao final das duas palestras, ok?
[19:32] <JoyceFettermann> Seja bem-vinda, Débora! Você tem 30 minutos para a sua apresentação.
[19:33] <deborasebriam> combinado
[19:34] <deborasebriam> Minha intenção é dar um panorama geral do tema no Brasil e os avançoes e desafios que temos pela frente
[19:34] <deborasebriam> O início do movimento em torno dos Recursos Educacionais Abertos (REA) está associado a um encontro internacional realizado em Paris, na sede da UNESCO em 2002. Quinze anos depois, há sensação de que os REA entraram definitivamente na pauta educacional de governos, instituições e indivíduos interessados em promover valores como equidade, qualidade e inclusão, evidenciados no 4º objetivo dos Objetivos de Desenvolvimento
[19:36] <deborasebriam> Aqui no Brasil, a disseminação da causa está ligado a algumas pessoas e pequenos grupos
[19:36] <deborasebriam> apesar de cada vez mais pessoa entrarem em contato com o tema.
[19:37] <deborasebriam> O ano de 2017 foi celebrado como um marco no movimento de promoção dos REA. O chamado Year of Open celebrou os cinco anos da Declaração de Paris sobre REA da UNESCO (2012).
[19:37] <deborasebriam> Essa declaração foi um marco importante não só para o Brasil e abriu caminho para ações que iam além de ações de políticas públicas de governos.
[19:38] <deborasebriam> No Brasil, o conhecimento sobre o tema ainda é incipiente, porém crescente. O número de trabalhos sobre REA na academia cresceu gradativamente bem como a conexão entre atores dos diversos campos do ‘aberto’ (educação, dados, software, ciência, hardware, dentre outros). Alguns legisladores e gestores públicos têm tomado consciência da necessidade de disponibilizar o material educacional pago com dinheiro público par
[19:39] <deborasebriam> Os primeiros anos do movimento em torno dos REA no Brasil tiveram como enfoque a promoção de políticas públicas em larga escala através da sensibilização do executivo e do legislativo em torno dos benefícios da abertura na educação, especialmente em relação ao bom uso das verbas públicas.
[19:40] <deborasebriam> Os resultados dessas ações incluem uma série de projetos de lei e decretos, mas infelizmente, pouco seguimento com ações de formação na ponta, sensibilização e mudanças concretas de práticas.
[19:41] <deborasebriam> Esse recorte se dá especialmente entre 2011 e 2014 com a apresentação do PL federal, um PL estadual em São Paulo e um decreto municipal no munícipio de SP.
[19:41] <deborasebriam> Toda a força de trabalho do movimento REA se direcionava ao apoio do poder legislativo
[19:42] <deborasebriam> A partir de 2014 outras ações e estratégias contribuiram para uma ampliação do movimento REA e vários projetos começaram a surgir
[19:42] <deborasebriam> seja na universidade ou até mesmo propostas da sociedade civil
[19:43] <deborasebriam> Desde 2014, as principais ações em nível federal relacionadas a REA são: Plano Nacional de Educação (PNE) nas metas 5 e 7 ressalta o o uso de REA; CAPES encomenda consultoria técnica jurídica sobre Direito Autoral e REA; CAPES contrata formação de gestores da DED CAPES sobre REA e workshop para elaboração de estratégias de implementação;
[19:43] <deborasebriam> CAPES por meio da DED (Diretoria de Educação a Distância) inicia elaboração de documentos normativos institucionais para implementação de uma política de REA para o Programa Universidade Aberta do Brasil;
[19:43] <deborasebriam> Open Government Partnership (OGP-Brasil) reúne governo e sociedade civil para cocriação do Compromisso #6 do 3º Plano de Ação Brasil que visa estabelecer novos modelos para avaliação, aquisição, fomento e distribuição de recursos educacionais digitais, priorizando “autonomia para uso, reuso e adaptação”, ou seja, recursos abertos;
[19:44] <deborasebriam> CNE/CES publica Resolução nº 1, de 11 de março de 2016, determinando a disponibilização de cursos de educação superior a distância como REA;
[19:44] <deborasebriam> Portaria MEC nº 300 de 19 de abril de 2016 sobre procedimentos de recepção, avaliação e distribuição de recursos educacionais digitais abertos ou gratuitos;
[19:44] <deborasebriam> MEC divulga edital do PNLD 2019 com cláusula sobre licença aberta para o material complementar.
[19:45] <deborasebriam> Muito recentemente o MEC publicou portaria sobre Recursos Educacionais Abertos
[19:45] <deborasebriam> Um documento normativo define que todos os recursos educacionais financiados com fundos públicos devem ter licença aberta e, quando digitais, disponibilizados em plataformas na web.
[19:46] <deborasebriam> todas essas ações foram articuladas a principio pelo Instituto Educadigital e após em parceria com a Cátedra Unesco de Educação Aberta
[19:47] <deborasebriam> Essa parceria resultou na iniciativa educação aberta que com o seu trabalho conseguiu articular a criação de um grupo de trabalho sobre REa no MEC.
[19:48] <deborasebriam> Pra vocês entederem a dinâmica de trabalho para que todos esses avanços foram conquistados, desde 2015 não temos nenhum financiamento para dedicar energia a essas ações
[19:48] <deborasebriam> * foram = fossem
[19:51] <deborasebriam> A necessidade de formação de profissionais que trabalham na formação incial e na educação básica é necessária para fomentar práticas de abertura e colaboração e inaugurar espaços de diálogo.
[19:52] <deborasebriam> Atualmente estamos oferecendo o 1º curso REA para 300 professores e técnico-administrativos da universidade aberta do Brasil
[19:53] <deborasebriam> Esse curso visa justamente a sensibilização em torno no tema e a disseminação mais abrangente da filosofia dos REA
[19:53] <deborasebriam> um desagio muito grande ainda é essa formação em massa
[19:53] <deborasebriam> *desafio
[19:53] <deborasebriam> Entendo que as universidades públicos brasileiras podem ser grandes formadoras do tema
[19:54] <deborasebriam> e pensando nisso, nosso intuito é de formar "embaixadores" que sejam formadores em suas instituições.
[19:54] <deborasebriam> Além de continuar o trabalho junto ao MEC através do Grupo de Trabalho.
[19:55] <deborasebriam> Dessa forma, aliamos formação e também sensibilizamos o poder executivo, responsável pelas políticas educacionais do país.
[19:56] <deborasebriam> agradeço o espaço e fico a disposição para perguntas
[19:58] <deborasebriam> convido a todos para conhecer a última publicação que trata da implementação de uma política de educação aberta: http://educadigital.org.br/guiaEA/
[19:59] <deborasebriam> E também o site da Iniciativa Educação Aberta que traz de maneira fácil todas as informações que compartilhei com vocês nessa noite
[19:59] <deborasebriam> http://aberta.org.br/
[19:59] <JoyceFettermann_> Obrigada, Débora!
[20:00] <deborasebriam> eu que agradeço
[20:00] <JoyceFettermann_> Pessoal, o Tiago está com problemas de conexão, tentando entrar na sala.
[20:01] <JoyceFettermann_> Podemos, então, fazer as discussões sobre a palestra da Débora neste momento, enquanto ele chega. Depois começamos a dele.
[20:01] <deborasebriam> ok
[20:03] <acris> gostei muito da apresentação, Débora, belo trabalho o de vocês.
[20:05] <deborasebriam> Nesse último ano as principais conquistas foram sem dúvida o PNLD, a portaria sobre REA e o Curso REa da Capes
[20:05] <JoyceFettermann_> Débora, parabéns pela apresentação! Lendo seu texto, é bom ver quantas ações têm sido realizadas em torno da propagação de REA no Brasil.
[20:05] <deborasebriam> Obrigada
[20:06] <daniervelin> oi, deborasebriam! Gostaria só de comentar, e talvez vc acrescentar algo, sobre as dificuldades comuns que o pessoal tem encontrado com a prática da ideia de REA no curso da Capes
[20:06] <JoyceFettermann_> Ainda há um longo caminho a ser percorrido, mas percebemos o quanto pesquisadores têm se empenhado a melhorar o trabalho.
[20:07] <deborasebriam> Verdade!
[20:07] <acris> gostei de ver no site o enorme botão "recomende um REA". As pessoas tem colaborado? Quais as áreas que mais participam assim, voluntariamente?
[20:07] <deborasebriam> Apesar do conceito de REA ser relativamente simples, causa bastente insegurança ainda
[20:07] <daniervelin> há muitas dificuldades ligadas ao hábito de usar fontes sem saber muito bem qual a licença têm
[20:08] <deborasebriam> sim, a licença ainda não é bem entendida]
[20:08] <deborasebriam> e quando entramos em formatos, as coisas ficam ainda mais complicadas
[20:08] <daniervelin> mesmo para nós algumas licenças ainda não são bem entendidas
[20:08] <JoyceFettermann_> Verdade, daniervelin!
[20:09] <deborasebriam> Nós lançamos ano passado um referatório somente com licenças livres: http://relia.org.br/
[20:09] <deborasebriam> o objetivo é que as pessoas comecem a perceber a diferença entre aberto e gratuito
[20:10] <deborasebriam> e o impacto que os direitos autorais como foram concebidos não fazem sentido numa sociedade imersa nacultura digital
[20:10] <deborasebriam> a ideia de remix foi o que mais causou confusão no cursp
[20:10] <deborasebriam> a ideia de "posse" sobre recursos educacionais ainda é muito forte
[20:11] <deborasebriam> são grandes desafios que só serão resolvidos com formação, troca, prática
[20:11] <daniervelin> sim, também a postagem de um recurso no site EduCapes. Alguns usaram recursos com copyright!!!
[20:12] <daniervelin> complicado...
[20:12] <daniervelin> passar da teoria para a prática ainda não é fácil
[20:13] <deborasebriam> é um processo!
[20:13] <JoyceFettermann_> Eu percebo que ainda há um "receio" em compartilhar por parte dos professores... ainda há uma resistência quanto ao compartilhamento...
[20:14] <JoyceFettermann_> de materiais, atividades etc
[20:14] <deborasebriam> É verdade! Mas a justificativa é estranha
[20:14] <JoyceFettermann_> muito!
[20:14] <Tiago_> Oi pessoal! Desculpa o atraso!
[20:14] <deborasebriam> tem gente que compartilhanuma boa material copyright
[20:14] <JoyceFettermann_> Oi, Tiago_! Bem-vindo! :)
[20:14] <deborasebriam> mas quando insere licença acha que as pessoas vão "se apropriar"
[20:15] <JoyceFettermann_> exatamente
[20:15] <deborasebriam> as pessoas ainda não perceberam que esse movimento independe de licença
[20:15] <Tiago_> Minha conexão estava comp0licada, tive que vir correndo para um café com conexão. Desculpa mesmo.
[20:15] <deborasebriam> mas a licença na minha opiniao pode ser muito educativa
[20:15] <JoyceFettermann_> parece um medo de não ser o "dono" do determinado material, sei lá...
[20:15] <deborasebriam> Pois é
[20:15] <deborasebriam> Olá Tiago!
[20:15] <JoyceFettermann_> Tiago_, sem problemas!
[20:16] <deborasebriam> Fiquem a vontade para passar a bola
[20:16] <deborasebriam> acompanharei por aqui a nova conversa
[20:16] <JoyceFettermann_> Ok, vamos, então, passar para a segunda palestra
[20:16] <Tiago_> Opa! Ufa!
[20:16] <JoyceFettermann_> Muito obrigada, Débora!
[20:16] <JoyceFettermann_> :)
[20:17] <JoyceFettermann_> Convido, então, o professor Tiago Soares
[20:17] <JoyceFettermann_> "/devoice deborasebriam
[20:18] <Tiago_> Então pessoal, o trabalho que apresentarei é um breve recorte. É um trabalho de crítica e mapeamento de tensões em torno da noção de "aberto".
[20:18] <JoyceFettermann_> Tiago, posso falar um pouquinho sobre você?
[20:19] <Tiago_> Ah sim por favor!
[20:19] <JoyceFettermann_> :)
[20:19] <JoyceFettermann_> Bom, o Tiago é formado em Comunicação Social pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), com mestrado em Divulgação Científica e Cultural pela Universidade de Campinas (Unicamp).
[20:20] <JoyceFettermann_> É doutorando em História pela Universidade de São Paulo (USP). Tem trabalhos como Pesquisador da Cátedra Unesco em Educação Aberta (NIED/Unicamp).
[20:20] <JoyceFettermann_> Como pesquisador e ativista, acompanha o movimento da educação, cultura e tecnologias livres no Brasil desde o início da década de 2000, e coordenou projetos junto a instituições e grupos de trabalho como a PUC-SP e o Fórum Internacional de Software Livre.
[20:20] <JoyceFettermann_> É colaborador da Rede Latino-Americana de Estudos sobre Vigilância, Tecnologia e Sociedade (Lavits), e associado aos grupos Informação, Ciência, Tecnologia e Sociedade – ICTS (Unicamp) e Antropi (UFRGS).
[20:21] <JoyceFettermann_> tem trabalhos junto ao junto ao ao Núcleo de Informática Aplicada à Educação – Nied (Unicamp), ao Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo – Labjor (Unicamp), e ao Centro de História da Ciência (USP).
[20:21] <JoyceFettermann_> Muito obrigada pela disponibilidade! Seja bem-vindo!
[20:21] <JoyceFettermann_> Você tem 30 minutos.
[20:22] <Tiago_> ok!
[20:23] <Tiago_> Antes de começar, gostaria de falar um pouco sobre o grupo que possibilitou a produção edste trabalho. Este caso em questão, trata-se de uma reflexão coletiva. Boa parte do que apresentarei foi produzido em parcerias com outros professores e ativistas. É importante citá-los (e agradecê-los): Tel Amiel (UnB), Ewout ter Haar (USP), e Miguel Vieira (UFABC).
[20:23] <Tiago_> Enfim, darei início.
[20:24] <Tiago_> É celebrada no discurso da abertura a percepção de que suas práticas, em sua potência, exerceriam uma profunda força liberadora. Um olhar mais atento, porém, revela que essas novas arquiteturas de criação e prática podem, também, abrir caminho a dubiedades e tensões não desprezíveis.
[20:24] <Tiago_> Esses delineamentos, signos de uma cultura que se apoia sobre novas tecnologias digitais para a galvanização de renovadas dinâmicas, práticas e arranjos para a produção intelectual e criativa, embora entendidas sob uma lógica comum, podem apresentar, também, um desafio. Reunidos sob a noção ampla de Cibercultura, essa multiplicidade de arranjos apresenta, em sua extensão, um desafio em si.
[20:25] <Tiago_> Há uma carga de mobilização social e política considerável na viabilização desse ecossistema, especialmente em países do sul global como os da América Latina. Embora o lore a animar os espaços de influência do discurso do aberto e da cibercultura tragam em seu centro o mito da autonomia individual e das manifestações comunitárias espontâneas,
[20:25] <Tiago_> em países como o Brasil a viabilidade desses arranjos, especialmente em áreas sensíveis às políticas de Estado, como a Educação, passa especialmente pelos espaços da política institucional. Levantamento recente aponta que, das iniciativas de REA constituídas na AL, a maioria era viabilizada por governos, seja em nível federal, estadual ou municipal.
[20:26] <Tiago_> É razoável supor que a articulação do discurso e das políticas informadas pela noção de abertura e de autonomia tecnológica traga, nesses casos, uma camada extra de negociações sobre uma estrutura com tensões que, históricas, estariam já em constante negociação -- afinal, como equilibrar a necessidade de um core de diretrizes, necessárias ao desenho de políticas públicas, às especificidades de práticas e arranjos reg
[20:26] <Tiago_> E é tentador -- e compreensível que o seja -- que a noção ampla de descentralização e autonomia latentes no discurso da abertura sejam entendidos como ferramentas para a neutralização dessas clivagens. Mas essas proposições não apagam o acumulado histórico, ou os espaços da política institucional, ou as negociações entre diretrizes e tradições comunitárias.
[20:27] <Tiago_> E, ao se apresentarem como viabilizadas a partir da arena da política institucional, podem se impor como uma nova dimensão a ser acionada e articulada -- como catalisador de arquiteturas que, em sua potência, podem trazer descentralização, autonomia e colaboração;
[20:27] <Tiago_> ou que podem, do mesmo modo, se dissolver em soluções inócuas que, em casos de maior gravidade, chegariam mesmo a aprofundar obstruções prévias de canais de criação, colaboração e circulação de conhecimento e práticas.
[20:27] <Tiago_> A racionalidade liberal que informa a construção da esfera pública na segunda metade do século XX viu na construção de um projeto baseado no domínio da técnica, das ferramentas de comunicação e das livres manifestações comunitárias uma espécie de vacina à emergência de possíveis forças do arbítrio e de erosão da democracia.
[20:29] <Tiago_> . Em seus modelos dinâmicos explicando a produção da ciência e o avanço do domínio humano sobre os modos de construção do conhecimento, pensadores como Karl Popper e Thomas Kuhn apontaram na equidade de acesso ao conhecimento e às suas ferramentas de elaboração, um caminho que, mais que sedimentar a maturidade de seus novos projetos epistemológicos, serviu de guia à percepção de noções como ‘abertura’ e ‘acesso’
[20:29] <Tiago_> vetores à emancipação e à liberdade, e ao contínuo desenvolvimento do conhecimento e da ciência. Esse discurso, porém, pode ser um pouco ingênuo, ou mesmo levar ao entendimento de sentidos políticos e econômicos que, no processo de concretização de iniciativas 'abertas', apontem a dinâmicas diversas e conflitantes quanto a seus objetivos, funcionamentos e resultados.
[20:30] <Tiago_> Mas existe um outro lado do conceito aberto, não menos poderoso na sua capacidade de mobilização. Como exemplo, na área de transparência e governo aberto, chamadas para maior abertura são justificadas diferentemente para públicos com perspectivas políticas distintas.
[20:30] <Tiago_> Para um público economicamente conservador, individualista e voltado para o mercado, a eficiência da abertura se sobressai.
[20:30] <Tiago_> Para este público, ‘abrir’ dados governamentais para uso da iniciativa privada se encaixa perfeitamente numa ideologia de estado mínimo.
[20:31] <Tiago_> . Para outros atores, ao mesmo tempo, a ‘abertura’ do governo pode ser interpretada como empoderamento da sociedade civil, favorecendo a democracia participativa e a construção coletiva de bens comuns voltados aos menos privilegiados.
[20:31] <Tiago_> Assim, se o mesmo conceito tem sido capaz de atender as necessidades retóricas de lados opostos do espectro político, surgem as questões de por quem e com qual fim o conceito ‘aberto’ está sendo empregado.
[20:31] <Tiago_> Tecnologias, especialmente tecnologias complexas como as que mediam a criação e disseminação de produtos culturais, não são meras ferramentas que podem ser usadas para o bem ou para o mal.
[20:32] <Tiago_> Elas têm estrutura, facilitam determinados usos e desfavorecem outros.
[20:32] <Tiago_> Do mesmo modo que a ideia de governo aberto pode beneficiar e ser utilizada para avançar modelos econômicos e políticos distintos, a ideia de ‘aberto’ na educação, e em particular o uso de licenças abertas, pode ser vista como uma técnica jurídica e precisamos analisar criticamente os pressupostos, muitas vezes tácitos, que regem o uso desta tecnologia.
[20:33] <Tiago_> Os modos de adoção tecnológica no Brasil tem características únicas, que indicam particularidades e imbricamentos delineados entre educação, tecnologia e cultura ao longo do século XX.
[20:34] <Tiago_> Arquiteturas de educação aberta se assentam sobre a integração de soluções (técnicas, jurídicas, metodológicas) que, embora igualmente validadas sob o espectro do aberto, apresentam dinâmicas próprias.
[20:34] <Tiago_> Baseadas não apenas na simples aplicação de soluções técnicas abertas, ou na adoção de licenças e padrões, essas arquiteturas se estruturam a partir de um amálgama das variadas dimensões contempladas pelo debate da abertura,
[20:35] <Tiago_> em interfaces únicas a cada caso, e que articulam, de jeito muito específico, eixos conceituais, institucionais e de prática.
[20:35] <Tiago_> Uma vez acionadas, essas arquiteturas podem colocar em movimento transformações com resultados muito distintos, e com amplos efeitos. E, embora possam ser vetor de inovação e solução de problemas, não são à prova de falhas - e a possibilidade de obstruções ou rupturas não é algo a ser ignorado.
[20:36] <Tiago_> Essas clivagens podem, em um primeiro momento, se apresentar mais como uma intuição do que como particularidades mapeadas, analisadas de modo mais próximo.
[20:36] <Tiago_> No caso brasileiro, essas pistas indicam que o próprio entendimento e aplicação de conceitos como abertura, remix e compartilhamento tem contornos a se apresentarem como muito especiais não apenas quando contrapostos ao universo encontrado em outros países -- mas também, e especialmente, em relação às peculiaridades regionais encontradas dentro próprio Brasil.
[20:37] <Tiago_> Afinal, um conteúdo editável, embora circulado em formatos fechados e com licenças mais restritivas, pode ser entendido como aberto em cenários onde o acesso a material de apoio seja uma questão de certa urgência.
[20:37] <Tiago_> Do mesmo modo, a articulação de diferentes recursos em diferentes meios (como um trecho de um vídeo associado a uma nota de jornal e a uma pintura, por exemplo) pode, na apresentação de uma aula presencial, adquirir contornos semelhantes ao do remix, embora não elaborado sobre uma plataforma digital.
[20:38] <Tiago_> Entender esses casos, tanto em seus pontos falsos (um conteúdo editável não é 100% aberto se circula com licença restritiva, por exemplo) como em possibilidades latentes (uma cultura de reelaboração em sala de aula tem potencial para abrir caminho a novos tipos de produção) nos ajuda a ter mais clareza
[20:38] <Tiago_> sobre como a noção de abertura se cristaliza em relação a diferentes expectativas e potencialidades -- e em como, a partir daí, podemos pensar em propostas e práticas que, mais do que oferecer soluções de tamanho único, sirvam como ferramenta à instrumentalização e à autonomia em realidades distintas.
[20:39] <Tiago_> A partir de um entendimento mais próximo do universo do real, e da apreensão de suas necessidades e especificidades, os diversos atores envolvidos no cenário da abertura podem desenhar alianças e estratégias que se alinhem às melhores práticas, caso a caso,
[20:39] <Tiago_> viabilizando arquiteturas de educação aberta comprometidas com transformações reais nas vidas e nas comunidades.
[20:40] <Tiago_> Bom pessoal, acho que é isso :)
[20:40] <JoyceFettermann_> clap clap clap
[20:41] <deborasebriam> muito bom!
[20:41] <JoyceFettermann_> Tiago, você poderia nos dar um exemplo prático de "arquiteturas de educação aberta comprometidas com transformações reais nas vidas e nas comunidades"?
[20:42] <JoyceFettermann_> Algo que esteja sendo feito?
[20:42] <Tiago_> Opa, essa pergunta é bem bacana. Então, uma coisa que tenho percebido é que muita coisa está em movimento, sendo feita.
[20:44] <Tiago_> Por exemplo, tenho acompanhado (junto com a Débora e a Daniervelin, entre outros professores) relatos sobre práticas abertas no sistema Universidade Aberta do Brasil.
[20:46] <daniervelin> Oi, Tiago_! Vi uma definição que você fez uma vez no nosso grupo do Telegram (rs) sobre as redes sociais
[20:46] <Tiago_> E uma coisa que percebo é que muitas coisas, como remix, ou circulação de recursos, são práticas comuns. Já são feitas, e tem dinâmicas próprias, desenhadas pelas professoras e professores conforme sua cultura de prática e a cultura de suas comunidades.
[20:46] <daniervelin> como plataformas abertas e fechadas ao mesmo tempo
[20:47] <JoyceFettermann_> Pelo que entendi (se eu estiver errada, pode me corrigir, por favor), essa arquitetura envolve muito mais do que a produção e uso de materiais com licença aberta. Mas tudo que está por trás disso, certo?
[20:47] <daniervelin> Tiago_, pode falar um pouco dessa perspectiva sobre as redes sociais, do tipo Facebook?
[20:47] <daniervelin> nessa concepção de abertura?
[20:49] <Tiago_> Uma coisa interessante é que essas práticas já são abertas, mas não se conformam exatamente num "cânone" do aberto. Mas o modo como licenças e práticas de compartilhamento e culturas institucionais se articulam vão moldando muitas possíveis arquiteturas.
[20:51] <Tiago_> oi @JoyceFettermann_, isso! é o modo como essas coisas todas se articulam. porque cada cenário é muito específico. mas claro que a consonância com melhores práticas de abertura (cuidado com licenças, cultura de abertura institucional) é importantíssimo. mas é parte do processo, não o define inteiramente.
[20:51] <JoyceFettermann_> Bacana!
[20:51] <Tiago_> Opa, sobre o facebook! valeu @daniervelin!
[20:52] <Tiago_> então, o facebook é um grande exemplo acho. ele é uma plataforma fechada, sua própria arquitetura é estranha á abertura prevista na web, por exemplo.
[20:53] <Tiago_> mas dentro desse ecossistema fechado, há margem para práticas abertas -- para colaboração, remix, capilarização de licenças livres.
[20:54] <Tiago_> o modo como essas estruturas de trabalho, comunitárias, se desenha é que apontará a um contexto e a uma prática de abertura.
[20:55] <daniervelin> mesmo assim, essa prática de abertura se submete à logica de uma empresa, né?
[20:55] <daniervelin> ou seja, encontra coerções
[20:55] <Tiago_> eu sugiro esse termo " arquitetura" por conta das muitas camadas tanto de contextos (institucional, jurídico, tecnológico), como de modelos comunitários mesmo. há sempre um equilíbrio muito específico entre essas coisas todas.
[20:56] <Tiago_> opa, sim @daniervelin. é uma arquitetura de abertura limitada pelo próprio ecossistema.
[20:56] <daniervelin> arquitetura dá mesmo a ideia de um estrutura complexa
[20:57] <Tiago_> mas é interessante, acho, o modo como mesmo dentro dessa margem muito limitada há um possível equilíbrio que possibilita abertura.
[20:57] <daniervelin> usamos na linguística a ideia de estrutura como um entidade autônoma de dependências internas. A língua nesse sentido seria uma estrutura. Talvez possamos pensar na rede assim também
[20:57] <JoyceFettermann_> Sobre essa abertura no Facebook, por exemplo, uma pessoa pode postar um conteúdo e declarar que ele é aberto, mas, na verdade, isso vai estar submetido às regras da rede social, né?
[20:58] <Tiago_> opa @JoyceFettermann_, é verdade.
[20:59] <JoyceFettermann_> Muito interessante, Tiago_! Um assunto novo e que rende muita conversa...rs
[20:59] <daniervelin> bacana suas reflexões, Tiago_! Há toda uma complexidade aí da área, mas nos fazem pensar. Muito bom!
[20:59] <JoyceFettermann_> Verdade!
[21:00] <Tiago_> mas ao mesmo tempo há a possibilidade de organizar um grupo para produzir material colaborativamente, sob licenças abertas. e espalhar issopara fora do ecossistema do facebook.
[21:01] <JoyceFettermann_> Bacana!
[21:01] <Tiago_> eu acho muito importante, aí eu falo de mim mesmo, pensar essas brechas, por estarmos no sul global. nós entramos nessas plataformas de modo coadjuvante (não as desenvolvemos etc), então o modo como encontramos essas brechas e inventamos novos modos de construção do conhecimento em cima disso é algo que tem chamado muito mesmo a minha atenção.
[21:01] <JoyceFettermann_> Inclusive, tem grupos de REA no Facebook fazendo isso.
[21:02] <JoyceFettermann_> A Mara, que apresentou no mês passado, criou um.
[21:02] <JoyceFettermann_> Sobre REA para o Ensino Médio.
[21:02] <Tiago_> fico muito feliz mesmo que tenham achado o nosso trabalho interessante!
[21:02] <JoyceFettermann_> Agradecemos muito a vocês dois, Débora e Tiago, pelas reflexões e por nos trazerem contribuições tão boas sobre REA e a arquitetura na educação aberta.
[21:03] <JoyceFettermann_> Super interessante, Tiago_!
[21:03] <Tiago_> eu que agradeço o convite, de verdade mesmo. é muito bacana essa oportunidade.
[21:03] <JoyceFettermann_> Obrigada a todos pela participação!
[21:04] <JoyceFettermann_> Vamos encerrando o STIS de hoje, mas no mês que vem tem mais! Contamos com vocês! :)
[21:04] <JoyceFettermann_> Boa noite a todos!
[21:05] <Tiago_> Boa noite!
[21:06] <JoyceFettermann_> ]
[21:07] <daniervelin> Boa noite!
[21:13] <deborasebriam> boa noite!

 

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5. Agosto: Inteligência Artificial, Robótica e Emprego

Cartaz de divulgação do STIS de agosto/2018

STIS - Seminários Teóricos Interdisciplinares do SEMIOTEC

Rodrigo - Agosto de 2018

 Conferência STIS

Agosto-2018

Dia 15 de Agosto às 19:30 horas, na Sala de Conferências do STIS

 

Inteligência Artificial, Robótica e Emprego: O que é Mito e o que é Realidade?

(Prof. Rodrigo da Silva Guerra)

Resumo: O medo de que máquinas tomem nossos empregos não é novo. Revoluções tecnológicas do passado, apesar de serem um tanto disruptivas no início, sempre terminaram por criar novos tipos de ocupações. Novos avanços ligados à inteligência artificial surgem a passos muito rápidos, novamente surpreendendo e desafiando-nos a entender os limites dessa nova tecnologia. Dessa vez, entretanto, estamos testemunhando pela primeira vez o surgimento de tecnologias com potencial de substituir até mesmo empregos de colarinho branco. Entusiastas avistam um futuro empolgante, onde a tecnologia avança ao ponto em que máquinas possam cuidar de todas nossas necessidades, fazendo o emprego obsoleto, permitindo às pessoas relaxarem e curtirem atividades de lazer. Ainda assim, tal otimismo não se alinha com o modelo econômico e com os valores culturais de nossa sociedade atual. Trabalho é mais do que apenas uma forma de obter renda: ele dá significado e propósito à vida das pessoas. Entretanto, o valor econômico criado com o avanço da automação tende a se concentrar nas mãos daqueles poucos que dominam essas tecnologias. Políticas para lidar com esse cenário estarão em alta demanda. Nesta palestra convido o público a refletir sobre o assunto.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Licença Creative Commons

5.1. registro agosto

Registro da Conferência em chat escrito, de 15 de agosto de 2018:

 

Inteligência Artificial, Robótica e Emprego: O que é Mito e o que é Realidade?

(Prof. Rodrigo da Silva Guerra)

 

  

 

 

moderador: Equipe STIS

 

 

[19:45] <danilorcesar> Boa noite a todos! Sejam bem-vindos!
[19:45] <danilorcesar> Gostaria de agradecer ao grupo Texto Livre por esta oportunidade de compartilharmos informações que irão gerar uma diversidade de conhecimentos!
[19:46] <danilorcesar> Para quem participa pela primeira vez, teremos 60 minutos de apresentação e 30 minutos para perguntas, sugestões e discussão geral das ideias expostas ou o palestrante poderá dividir em seções a sua apresentação e liberar para cada seção um momento de perguntas, sugestões e discussão geral das ideias expostas.
[19:46] <danilorcesar> A apresentação acontece apenas por escrito, no chat, ou seja, não há vídeo nem áudio.
[19:46] <tioguerra> Obrigado Danilo
[19:46] <danilorcesar> Durante esse tempo, a sala poderá estar moderada!
[19:47] <danilorcesar> A apresentação de hoje não teremos código para os slides!
[19:47] <danilorcesar> Desejamos um ótimo seminário a todos!
[19:47] <tioguerra> Peço desculpas, não consegui preparar slides para hoje!
[19:47] <cleiton> obrigado!
[19:47] <danilorcesar> O Prof. Rodrigo da Silva Guerra é atualmente Prof. Adjunto Nível III na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Graduado em Engenharia de Controle e Automação (PUCRS 2001), possui mestrado em Visão Computacional (UFRGS 2004), doutorado em Robótica (Universidade de Osaka, 2008), e pós-doutorado também em Robótica (UFRGS 2012). De 2008 a 2011, trabalhou como pesquisador em Osaka no Japão. Na UFSM, lidera diversos proj
[19:47] <danilorcesar> especialmente no que diz respeito à cooperação e aprendizagem entre robôs e humanos. Trabalha em áreas ligadas à Robótica, tais como Robótica de Telepresença, Futebol de Robôs, Robótica Humanitária e Robótica Educacional. O Prof. Guerra é co-fundador da Qiron Robotics, uma empresa startup que aplica robótica para o ensino de pensamento computacional a crianças e adolescentes. Ele é hoje também presidente do Cap
[19:48] <danilorcesar> Automação da IEEE (IEEE-RAS).
[19:48] <tioguerra> Boa noite pessoal!
[19:48] <danilorcesar> Pode começar Rodrigo!
[19:49] <ewemasc_> Boa noite
[19:49] <tioguerra> Vou dividir meu seminário em seções
[19:49] <tioguerra> Vamos abrir para debate entre cada seção
[19:49] <wilkens> like /join
[19:49] <tioguerra> Vou colocar os títulos das seções em maiúscula para organizar
[19:50] <tioguerra> 1. APRESENTAÇÃO
[19:50] <tioguerra> 2. EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA E SINGULARIDADE
[19:50] <tioguerra> 3. LIMITES DAS TECNOLOGIAS ATUAIS
[19:51] <tioguerra> 4. EMPREGO E IMPACTO ECONÔMICO
[19:51] <tioguerra> Ao final de cada seção eu aviso para que o Danilo possa moderar as interações para o debate
[19:52] <tioguerra> Então para não demorar demais, quero começar com a apresentação, para vocês saberem quem eu sou e até para entenderem de qual ponto de vista eu falo.
[19:52] <tioguerra> 1. APRESENTAÇÃO
[19:52] <tioguerra> Meu nome é Rodrigo da Silva Guerra, sou professor da Universidade Federal de Santa Maria.
[19:52] <tioguerra> Eu trabalho com robótica há muitos anos. Desde muito pequeno, me interessava inteligência artificial e robótica.
[19:52] <tioguerra> Foi lendo, numa revista Super Interessante, sobre o robô Cog do Prof. Rodney Brooks do MIT que eu decidi que queria construir a “robô inteligente”.
[19:53] <tioguerra> Cog era um robô que podia “aprender” e que, em alguns anos, atingiria inteligência equivalente à de uma criança de 2 ou 3 anos de idade, dizia a revista.
[19:53] <tioguerra> Fiz meu primeiro robô em 1996, um braço robô, numa feira de ciências em minha escola.
[19:53] <tioguerra> Na época, usava sucata de brinquedos, lata e controlava usando a porta paralela do computador.
[19:53] <tioguerra> Em busca desse sonho, cursei Engenharia de Controle e Automação na PUC/RS.
[19:53] <tioguerra> Lá, descobri sobre engenharia e indústria, mas minha paixão ainda estava na ciência e na ideia do robô inteligente.
[19:54] <tioguerra> Fiz o curso rápido, em 4.5 anos, e, em 2002, logo após me formar, entrei para o curso de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica da UFRGS.
[19:54] <tioguerra> No mestrado, aprendi sobre controle de sistemas, e estudei processamento de sinais e visão computacional. Foi no mestrado também meu primeiro contato com Linux e ferramentas livres.
[19:54] <tioguerra> Em minha dissertação, eu mostrava como calibrar parâmetros de câmeras dos robôs Spirity and Opportunity, dois robôs móveis que haviam pousado em Marte.
[19:54] <tioguerra> Para isso, utilizava imagens disponíveis publicamente na internet. Isso me ajudou a aprender sobre o imenso valor de se compartilhar o conhecimento.
[19:55] <tioguerra> Em 2004, logo após concluir meu mestrado (no dia seguinte ao da devesa de minha dissertação, para ser exato), eu segui para o Japão, para cursar meu doutorado.
[19:55] <tioguerra> Consegui uma bolsa do Governo Japonês, e fui estudar na Universidade de Osaka. Lá, aprendi japonês, conheci mais sobre a cultura e a sociedade japonesa, e participei de diversos projetos com professores de robótica famosos.
[19:55] <tioguerra> Em minha tese de doutorado, trabalhei na criação de um sistema de micro-robôs.
[19:55] <tioguerra> Em 2008, fui contratado como pesquisador em um projeto coordenado por meu orientador, e lá trabalhei até 2011, quando retornei ao Brasil. Ao todo, morei exatos 7 anos no Japão.
[19:56] <tioguerra> Em 2011, realizei um estágio de pós-doutorado na UFRGS, e no ano seguinte passei em concurso para professor na UFSM, onde estou até hoje.
[19:56] <tioguerra> Na UFSM, meu foco está principalmente na criação de robôs humanoides. Eu estudo inteligência artificial e desenvolvimento cognitivo aplicados nesses robôs. Também trabalho com projetos interdisciplinares envolvendo educação, saúde e outras áreas.
[19:56] <tioguerra> Organizo diversas ações ligadas à robótica, incluindo principalmente competições de robótica. Entre as competições de robótica que participo, destaco a LARC, a RoboCup e a FIRA. Essas competições me dão também a oportunidade de conhecer o Brasil e o mundo viajando. Gosto muito de viajar.
[19:56] <tioguerra> Em 2016, junto com meu ex-aluno, fundamos a Qiron Robotics, uma empresa que desenvolve robôs e oferece cursos de robótica.
[19:57] <tioguerra> Em 2017, me tornei presidente do Capítulo Sul Brasileiro da Sociedade de Robótica e Automação do IEEE.
[19:57] <tioguerra> Em outubro deste ano, sigo para minha próxima aventura: Passarei um ano morando na cidade de Taipei, em Taiwan, trabalhando como professor visitante. Lá, espero me atualizar e desenvolver novos projetos interessantes, além de tentar aprender um pouco de Chinês.
[19:57] <tioguerra> Danilo, essa seção de APRESENTAÇÃO encerra aqui. Podemos debater um pouco se alguém quiser comentar ou perguntar algo antes de seguir.
[19:58] <danilorcesar> Liberado para perguntas
[19:59] <danilorcesar> Pessoal, podemos passar para a próxima seção?
[19:59] <cleiton> sim ...por mim ainda n tenho perguntas
[20:00] <wilkens> é possível um leigo na área aventurar-se a aprender robótica e depois algum montar um robô simples??
[20:00] <tioguerra> Claro que é possível
[20:00] <tioguerra> Hoje é muito diferente. Vivemos uma época diferente. O conhecimento é democrático e está acessível a praticamente todos.
[20:01] <tioguerra> Mesmo na educação formal, onde eu estou, me vejo usando sites como Udemy, Udacity e até YouTube
[20:02] <tioguerra> Há muito material, tutoriais e comunidades.
[20:02] <wilkens> por favor, ao final indica o caminho das pedras para quem deseja começar :)
[20:02] <cleiton> atualmente da pra se trabalhar com robotica no Brasil sem ser na area educacional ....tipo saberia me dizer outros sequi
[20:02] <tioguerra> O problema acho que é isso ainda ser muito recente, então ainda há muito "ruído", muita mistura com amadorismo.
[20:03] <tioguerra> No Brasil ainda não temos muito mercado para robótica
[20:03] <tioguerra> É complicado no nosso país, mas começam a surgir espaços interessantes para inteligência artificial, por exemplo.
[20:04] <danilorcesar> Acredito que podemos passar para a próxima seção.
[20:04] <tioguerra> Mas mesmo no mundo, a robótica ainda é muito incipiente
[20:04] <cleiton> gosto muito da area desde pequeno ....cheguei ate a apresentar em feiras mas no final acabei não encontrando um mercado onde eu poderia estar atuando
[20:04] <cleiton> entendo ...
[20:04] <tioguerra> Não acho que o "mercado" deve ficar no caminho de um sonho, de uma paixão...
[20:05] <tioguerra> Bom, acho que vamos proceguir... talvez alguns assuntos possamos debater ainda após a próxima seção...
[20:06] <tioguerra> "prosseguir" rsrsrs
[20:06] <cleiton> amo muito a area e n deixarei de lado n ...hoje atuo como hobista msm
[20:06] <cleiton> ok kkkk
[20:06] <tioguerra> 2. EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA E SINGULARIDADE
[20:07] <tioguerra> O ser humano é um animal muito diferente e especial.
[20:07] <tioguerra> Os seres vivos de nosso planeta avançam seguindo o processo de seleção natural.
[20:07] <tioguerra> Isso significa que ao longo de milhões de anos, centenas de gerações vão acumulando mutações que representam algum tipo de vantagem para suas espécies.
[20:07] <tioguerra> Isso também implica que um indivíduo que apresente “uma solução” nova precisa atingir a idade reprodutiva para, com sorte, passar seus genes às novas gerações. Esse processo é gradual e lento.
[20:07] <tioguerra> Já, o ser humano, é diferente. Há cerca de 40 mil anos atrás, ele inventou algo novo, algo extraordinariamente mais rápido e eficiente que permite um outro nível de evolução: ele inventou a linguagem.
[20:08] <tioguerra> O ser humano é um animal social, capaz de trocar ideias, ferramentas, métodos, em frações de segundos, comunicando, ouvindo e aprendendo entre seus pares.
[20:08] <tioguerra> Pare um momento para contemplar os seguinte fato: um ser humano nascido hoje é essencialmente idêntico, em sua biologia, ao ser humano que existia há dez ou vinte mil anos atrás.
[20:08] <tioguerra> Se fosse possível descongelar nos dias de hoje um bebê de dez mil anos atrás, ele poderia estudar tranquilamente nas mesmas escolas, entrar na universidade, e se formar médico, advogado ou cientista da computação.
[20:08] <tioguerra> Dez, vinte, cinquenta, cem mil anos, são intervalos muito pequenos no grande esquema da evolução natural das espécies. Não é tempo suficiente para justificar geneticamente o surgimento dos aviões, dos satélites, da internet.
[20:09] <tioguerra> O ser humano criou uma nova forma de evoluir, baseado na cultura. A palavra cultura geralmente está ligada, no jargão popular, à ideia de arte, música, dança, folclore. Mas, em sua essência, a cultura é um tipo de aprendizagem que transcende o indivíduo. Cultura é aquilo que aprendemos como sociedade. O ser humano é um ser cultural.
[20:09] <tioguerra> Com raríssimos casos muito específicos, o ser humano é basicamente o único animal do planeta capaz de reter, propagar e evoluir o conhecimento para além de uma geração.
[20:10] <tioguerra> Assim, na forma de ideias, ideologias, paixões, valores, a sociedade humana emerge para além da biologia do “primata hospedeiro”, e cada um de nós existe como um novo tipo de criatura, que vive no mundo das ideias.
[20:10] <tioguerra> A fertilidade das ideias depende da linguagem, e o produto dessa meta-evolução se manifesta nas tecnologias que criamos.
[20:10] <tioguerra> Então, quanto mais rápida e eficiente for nossa comunicação, mais rapidamente evolui nossa sociedade. De início, a língua falada, depois, a escrita, deram início à revolução, permitindo a comunicação para além das gerações, permitindo o armazenamento, o transporte e a cópia de ideias e conceitos.
[20:10] <tioguerra> Isso permite o estudo aprofundado da palavra, a lógica, a filosofia, a matemática. Isso dá subsídios para a criação de ferramentas, construção de navios, e meios de transporte cada vez mais rápidos. Esses vão permitindo reduzir distâncias, acelerando cada vez mais o processo. Em seguida o rádio, a telefonia e hoje a internet tornam esse processo praticamente instantâneo.
[20:11] <tioguerra> Neste exato momento, em uma fração de segundos, escrevo uma palavra aqui em frente ao computador e vocês a milhares de quilômetros de distância seguem o que estou dizendo, instantaneamente.
[20:11] <tioguerra> Cada nova tecnologia contribui potencialmente para a criação de tecnologias ainda mais avançadas, a passos cada vez mais acelerados. Alguns pesquisadores tentam medir e acompanhar a quantidade de avanço tecnológico ao longo do tempo, chegando ao consenso de que essa aceleração é exponencial.
[20:11] <tioguerra> Isso também alimenta a especulação de que poderá existir um ponto de ruptura, um momento onde a explosão de aceleração será tamanha a ponto de configurar uma singularidade -- basicamente a tendência da evolução tecnológica instantânea e sem limites.
[20:12] <tioguerra> O que exatamente seria essa tal singularidade, na prática, é objeto de tremenda especulação. Mas, as projeções de data são mais ou menos consistentes e apontam para algum momento entre as décadas de 2040 e 2050.
[20:12] <tioguerra> Danilo, aqui encerrei a seção 2. EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA E SINGULARIDADE. Podemos abrir para debate novamente.
[20:13] <danilorcesar> Já deixei aberta
[20:13] <tioguerra> :-D
[20:15] <danilorcesar> Alguém tem alguma pergunta?
[20:15] <ortenio> Com isso, podemos considerar que a linguagem foi quem deu um "start" na humanidade em termos de tecnologia?
[20:15] <tioguerra> Sim
[20:16] <tioguerra> Eu vou além. Eu cosidero que a linguagem basicamente deu o "start" na humanidade, ela define o ser humano.
[20:16] <wilkens> nessa momento do surgimento de uma nova singularidade teríamos a possibilidade da existências de seres hibridos, tipo cibórgues?
[20:16] <tioguerra> A singularidade é uma coisa muito especulativa
[20:17] <tioguerra> Mas podemos tentar imaginar o seguinte:
[20:17] <tioguerra> Pense que o ser humano tem limites. Hoje em educação falamos sobre "carga cognitiva". Não somos instantâneos.
[20:18] <tioguerra> Vocês levam tempo para ler e entender o que está escrito aqui.
[20:18] <tioguerra> Temos limite de memória
[20:18] <tioguerra> Enfim, somos limitados.
[20:18] <tioguerra> Então por um lado a tecnologia deve começar a esbarrar nesse limite
[20:18] <tioguerra> Por outro lado somos muito, em breve 8 bilhões no planeta.
[20:19] <tioguerra> Além disso, quem sabe no futuro, os "entendedores" não serão apenas os seres humanos, mas também as máquinas
[20:19] <Wilmar-Freitas> Uma questão relevante seria: a quem serviria a nova realidade? Há sempre grupos se apropriando do recursos (ou das circunstâncias) atuais para exercer poder.
[20:19] <wilkens> pensei nisso..
[20:20] <tioguerra> Isso é super especulação agora. Mas se uma máquina um dia for capaz de realmente "entender", então não temos mais a limitação humana. Ela entra num laço de realimentação próprio, independente.
[20:21] <tioguerra> Wilmar, essa questão sobre "poder" é super interessante. Mas nesse momento não toco nesse assunto. Seria tema para outro seminário. Vou abordar um pouco sobre interesses na seção sobre emprego.
[20:21] <Wilmar-Freitas> ok
[20:22] <tioguerra> O ponto forte nessa seção é entender o motivo da tecnologia acelerar
[20:22] <tioguerra> E a importância da comunicação nisso tudo.
[20:22] <tioguerra> Quem se interessar sobre esse assunto, depois posso recomendar leituras.
[20:23] <tioguerra> Há até filósofos que especulam sobre como a auto-conciência e o próprio "eu" surge nessa interação através da linguagem.
[20:23] <tioguerra> Mais perguntas ou comentários?
[20:24] <wilkens> nessa direção, da aceleração em razão da comunicação, me vem a mente a ideia da interação entre as redes computacionais e as redes neurais...
[20:25] <wilkens> como superação/ampliação de nossas capacidades de memória, por exemplo.
[20:25] <tioguerra> Sim, certamente já fazemos esse tipo de coisa
[20:26] <tioguerra> Quando usamos o "auto-completar" do celular para não ter que digitar uma mensagem longa
[20:26] <tioguerra> Deixamos a máquina tomar decisões para nós, "colocar palavras na nossa boca"
[20:27] <tioguerra> Quando deixamos o Gmail escolher as "mensagens importantes", delegamos à máquina filtrar o spam, mas também decidir o que merece ser lido...
[20:27] <tioguerra> Isso tudo já são formas de usar tecnologia para "acelerar" nossa comunicação.
[20:28] <wilkens> isso mesmo.
[20:28] <tioguerra> Quem sabe logo teremos implantes e coisas do gênero, mas meu ponto é que não precisa ir tão longe, coisas dessa natureza já acontecem agora.
[20:28] <ortenio> Permita-me uma referência: McLuhan, os meios de comunicação como extensão do homem.
[20:29] <ortenio> Há tempos atrás tinha na memória todos os números de telefone importantes..
[20:29] <ortenio> hoje, ficam em agendas.
[20:29] <tioguerra> Sim, bem observado.
[20:31] <tioguerra> Podemos seguir?
[20:31] <cleiton> gostei do exemplo ortenio
[20:31] <ortenio> Legal!!
[20:32] <ortenio> Creio que temos uma geração de consumidores e poucos criadores.
[20:32] <tioguerra> É verdade.
[20:34] <danilorcesar> Vamos para a próxima seção
[20:34] <tioguerra> Podemos seguir?
[20:34] <cleiton> sim
[20:34] <ortenio> ok.
[20:35] <tioguerra> 3. LIMITES DAS TECNOLOGIAS ATUAIS
[20:35] <tioguerra> Nos anos 70 o escritor britânico Arthur C. Clarke, autor do conto que deu origem ao filme 2001: Uma Odisséia no Espaço, entre outras obras, famosamente disse: “Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de mágica”.
[20:35] <tioguerra> Clarke dá o exemplo de que nos anos 60, se alguém dissesse a ele que existiria no futuro um dispositivo do tamanho de um livro, capaz de guardar todo conteúdo de uma biblioteca, ele até acreditaria. Mas ao mesmo tempo ele jamais imaginaria que esse dispositivo seria ainda por cima capaz de encontrar instantaneamente em qual página determinada palavra aparece, ou alterar a fonte na qual o texto do livro é mostrado.
[20:36] <tioguerra> Nos anos 80 quando a IBM programou Deep Blue, o computador que venceu o campeão mundial de xadrez da época, Gary Kasparov, houve um medo exagerado de que de repente as máquinas fossem superar os seres humanos nas mais diversas tarefas.
[20:36] <tioguerra> Demorou alguns anos até que a mídia, e a população de uma forma geral, entendessem os limites da nova tecnologia.
[20:36] <tioguerra> Quando a população testemunhou pela primeira vez o computador vencer o campeão do mundo no jogo de xadrez, era pertinente que se especulasse exageradamente sobre os limites da nova tecnologia.
[20:37] <tioguerra> Ora, para um ser humano aprender a jogar xadrez a nível profissional, ele precisa ter uma enorme capacidade intelectual, de concentração e de raciocínio lógico. Quando falamos de pessoas, isso implica necessariamente no pressuposto de uma boa educação, capacidade de comunicação, boa memória, foco, e muita disciplina.
[20:37] <tioguerra> Será que agora teríamos computadores capazes de dialogar de forma natural? Afinal, humanos aprendem a falar antes de saber jogar xadrez. Seriam essas máquinas agora capazes de resolver problemas de diplomacia e de política internacional?
[20:37] <tioguerra> Demorou até que a sociedade pudesse finalmente entender os limites daquela tecnologia.
[20:37] <tioguerra> Hoje, com a nova onda da Inteligência Artificial, do Big Data, da Internet das Coisas, da Indústria 4.0 e, em breve, da Robótica, vivemos um novo momento de mudança de paradigma.
[20:38] <tioguerra> Novamente vemos “mágica” , então precisaremos rever nossas intuições sobre o que é possível e o que não é possível. Precisamos novamente desconfiar de nosso senso comum, e olhar de forma crítica para essas novas tecnologias.
[20:38] <tioguerra> Com base nas chamadas “redes neurais artificiais”, e principalmente nas tecnologias ligadas ao conceito de “deep learning”, observamos avanços tremendos na capacidade de processamento de sinais naturais como sons e imagens.
[20:38] <tioguerra> Os computadores já atingem performance melhor que a de seres humanos em tarefas como reconhecimento de rostos, por exemplo.
[20:38] <tioguerra> Falamos com nossos “assistentes pessoais”, tais como a Siri, o “Ok Google” e a Cortana, utilizando linguagem natural e obtemos respostas cada vez melhor contextualizadas e informativas.
[20:38] <tioguerra> Basta apontar a câmera do celular para um texto para ver uma tradução instantânea na própria imagem, com mesmo tipo de fonte e cor.
[20:39] <tioguerra> Conseguimos colocar o rosto e a voz de uma pessoa no vídeo de outra, fazendo qualquer um dizer ou fazer que quisermos. Aliás, já há até um termo próprio para a aplicação de “deep learning” para criação de vídeos falsos (ou “fakes”): “deep fake”.
[20:39] <tioguerra> No âmbito da pesquisa, já é possível fazer o computador gerar texto e até histórias completas em tom literário, apenas tomando como inspiração uma imagem. No caminho contrário, é possível descrever textualmente um tipo de pássaro ou uma planta e observar o computador gerar uma imagem foto-realista que atende à descrição.
[20:39] <tioguerra> Em um protótipo de um sistema de pesquisa para um site de compras, você faz um esboço do produto que procura com poucos rabiscos e vê o computador mostrar produtos que atendem a descrição.
[20:39] <tioguerra> Há supermercados equipados com câmeras que observam atentamente cada movimento dos clientes, observando cada produto que é colocado no cesto. Dispensam, assim, a necessidade de passar com o código de barras no caixa.
[20:40] <tioguerra> Tecnologia similar é usada para aplicações nobres, como observar leitos em hospitais para chamar socorro imediatamente caso um paciente acorde desorientado ou caia tentando se levantar.
[20:40] <tioguerra> Em aeroportos, esse tipo de tecnologia permite identificar quando alguém esquece ou deixa propositalmente uma mala abandonada, permitindo, assim, agir com rapidez e segurança contra possíveis casos de terrorismo.
[20:40] <tioguerra> Por outro lado, a mesma tecnologia pode ser usada para documentar minuto a minuto o quanto um funcionário de uma empresa estava realmente trabalhando e quanto tempo ele gastou conversando com colegas ou fazendo outras atividades. Isso gera questões éticas e de respeito à privacidade.
[20:40] <tioguerra> E de forma pouco intuitiva, toda essa tecnologia não começa a ganhar espaço apenas em tarefas repetitivas ou manuais. Pelo contrário, aparentemente essas tecnologias ganham espaço mais rapidamente em tarefas intelectuais, envolvendo acompanhamento de mercado financeiro, leitura e compreensão de documentos jurídicos, extração de informações de relatórios médicos e artigos científicos.
[20:41] <tioguerra> Então onde está o limite dessa tecnologia atual?
[20:41] <tioguerra> Como nos anos 80 quando Deep Blue venceu Kasparov, hoje novamente as limitações mudaram, mas ainda são muitas, e não são óbvias ao olhar de um leigo.
[20:41] <tioguerra> Antes de mais nada, é preciso entender que a inteligência artificial moderna está intimamente ligada a dois avanços importantes: (1) o poder de processamento e armazenamento das chamadas GPUs e (2) a grande disponibilidade de dados, o “big data”.
[20:41] <tioguerra> A inteligência artificial que está revolucionando nossas vidas aprende de forma muito diferente do ser humano. Ela precisa ver centenas de milhares, por vezes milhões, de exemplos.
[20:42] <tioguerra> Vejamos um exemplo clássico: digamos que queremos treinar uma rede neural para diferenciar fotos de gatos e de cachorros. Para diferenciar um gato de um cachorro, a rede neural precisa ser “treinada”, observando centenas de milhares de fotos de gatos e centenas de milhares de fotos de cachorros.
[20:42] <tioguerra> Mais que isso, essas fotos precisam ter sido pré-identificadas. Isto é, uma pessoa precisa ter olhado para a imagem e catalogado essa imagem, dizendo que ali se vê um gato ou um cachorro.
[20:42] <tioguerra> Para aprender a traduzir texto, a rede neural precisa ser alimentada com centenas de milhares de traduções feitas por pessoas.
[20:42] <tioguerra> Para transcrever linguagem natural, a rede neural precisa ser exposta a milhares de horas de áudio acompanhado de sua respectiva transcrição, feita por humanos.
[20:43] <tioguerra> Um ser humano tem a capacidade de aprender rapidamente, observando poucos exemplos. Um computador funciona de forma diferente. Ele precisa ser exposto a uma vasta quantidade de exemplos.
[20:43] <tioguerra> O maior valor está justamente nesses dados. Os algoritmos são razoavelmente simples, a maioria das ferramentas usadas são de código aberto e com recurso o equipamento pode ser comprado. Mas os dados, esses exigem muitas horas de trabalho humano para sua obtenção.
[20:43] <tioguerra> Cada vez que utilizamos redes sociais, ou que fazemos buscas, ou que navegamos para algum lugar utilizando nosso GPS, estamos alimentando bases de dados que servirão para treinar esses algoritmos.
[20:43] <tioguerra> Ainda é muito difícil criar um algoritmo capaz de inferir e generalizar a partir de poucas observações. Essa ainda é uma limitação muito importante, e por isso as empresas que formam grandes comunidades hoje têm tremendo valor.
[20:44] <tioguerra> Isso também significa que, pelo menos pelos próximos anos, os computadores ainda estarão à sombra dos humanos, já que, para sua aprendizagem, dependem de dados que foram gerados, catalogados, e etiquetados manualmente.
[20:44] <tioguerra> Outra limitação importante é a da robótica. A eletrônica e o software avançam muito mais rapidamente que a mecânica.
[20:44] <tioguerra> Estamos testemunhando avanços tremendos em tecnologias de materiais. Há novos materiais compósitos, incluindo o grafeno e novas super-ligas metálicas que surgem através da sinterização a laser, graças aos avanços na impressão 3D. A impressão 3D também permite construção de geometrias antes inimagináveis.
[20:44] <tioguerra> Ainda assim, a tecnologia mecânica não avança no mesmo passo que o software. A vasta maioria dos robôs utilizados em fábricas e linhas de montagem ainda funcionam no mesmo paradigma dos primeiros robôs, inventados na década de 70.
[20:45] <tioguerra> Para os robôs saírem de suas gaiolas de proteção, eles precisam ser mais leves, seguros, e saber reagir de forma dinâmica ao ambiente, de forma ágil e em tempo real.
[20:45] <tioguerra> Alguns avanços já surpreendem, como robôs bípedes e quadrúpedes da Boston Dynamics que correm e saltam. Mas esses ainda são a exceção. Em sua vasta maioria, mesmo os robôs mais avançados, funcionam apenas em ambientes super controlados, e agem de forma lenta.
[20:45] <tioguerra> É claro que há a tentativa de se aplicar técnicas de “deep learning” à robótica. Mas de onde tirar a vasta quantidade de dados de exemplo que são necessários?
[20:45] <tioguerra> Empresas como Google e Amazon já experimentaram montar experimentos onde dezenas de robôs ficam experimentando pegar objetos de uma caixa e passar para outra. Assim, esses robô geram suas próprias experiências, explorando o mundo e aprendendo com seus erros. Mas esse processo ainda é custoso e limitado em escopo.
[20:46] <tioguerra> Em laboratórios de pesquisa, se experimenta fazer sistemas simulados, onde o robô primeiro aprende a tarefa num ambiente virtual para depois passar esse conhecimento ao equipamento real. Entretanto, ainda há muitas limitações, pois mesmo simulações sofisticadas não conseguem captar com suficiente riqueza de detalhes o comportamento físico dos objetos manipulados. Quando um algoritmo treinado em simulação é levado ao robô
[20:46] <tioguerra> Outros mais audaciosos tentam criar sistemas onde robôs possam aprender tarefas apenas observando vídeos de humanos que demonstram a tarefa a ser executada. Os resultados são promissores, mas ainda muito limitados.
[20:47] <tioguerra> Então uma outra limitação importante é que pelos próximos anos, os avanços ainda estarão em sua grande parte restritos ao processamento, reconhecimento e geração de sons e imagens. Ainda irá demorar mais um pouco para vermos robôs de alta destreza e capacidade de manipulação inteligente semelhante à de seres humanos.
[20:47] <tioguerra> Encerrei aqui a penúltima seção: 3. LIMITES DAS TECNOLOGIAS ATUAIS
[20:47] <tioguerra> Podemos debater mais um pouco :-)
[20:48] <danilorcesar> Vamos as perguntas
[20:50] <cleiton> existe uma teoria de que os robos dominaram o mundo
[20:51] <cleiton> assim como percebi no contexto ....essas maquinas por demorarem mais para aprender ...acho dificio q uma coisa q demore muito para aprender possa superar quem a ensine
[20:52] <tioguerra> Cleiton, é claro que podemos imaginar diversos futuros, alguns utopias, outros distopias, e as obras de ficção exploram essas ideias em grande detalhe, dos homens contra as máquinas
[20:52] <tioguerra> Mas aqui estou tentando focar na prática
[20:52] <tioguerra> No atual
[20:53] <tioguerra> Então, apesar do fantástico avanço, que deve continuar acelerando, como vimos, ainda assim não se vê indícios de que máquinas poderão ter "agência", ou poder de decisão própria nesse nível de autonomia.
[20:54] <tioguerra> Pelo menos não por enquanto
[20:54] <tioguerra> Eu particularmente não vejo nada que impeça, em princípio, que uma máquina seja inteligente e até consciente.
[20:55] <tioguerra> Mas a tecnologia atual ainda não avança muito nessa direção, não há evidência de avanço que justifique isso sair da esfera da mera especulação e da ficção científica, pelo menos por enquanto.
[20:55] <tioguerra> Por enquanto ainda temos máquinas à sombra dos humanos.
[20:55] <Wilmar-Freitas> Tento uma metáfora para a sociedade humana como um organismo único, um ser vivo evolui, cujos pequenos componentes são trocados, nascem e morrem, mas o organismo segue sobrevivendo. Parece que esse organismo está incorporando os componentes não humanos, como proteses para seu melhor funcionamento
[20:55] <wilkens> falando em contexto, queria pensar no uso de robôs para auxiliar atividades humanas, dentro de casa ou em ambientes de aprendizagem ou no trabalho..
[20:56] <tioguerra> Wilmar, bacana, gostei do cenário que tu pintou.
[20:56] <tioguerra> Acho que é uma forma interessante de pensar sim.
[20:57] <tioguerra> Eu não penso muito diferente. Acredito que o humano é um ser que existe nas ideias, e na comunicação. Como rios, onde a água passa. Damos nomes, colocamos em mapas até, mas o rio é uma água passando, não é algo estático.
[20:57] <tioguerra> Se seguir essa ideia, então talvez poderia especular que podemos existir em outras "mídias"
[20:58] <tioguerra> Ou seja, não seriam robôs contra humanos
[20:58] <tioguerra> Mas humanos aos poucos se "fundindo" com a máquina.
[20:58] <tioguerra> Como já fazemos hoje com tecnologias como a do celular
[20:58] <wilkens> existir em outras mídias ou evoluirmos para uma síntese com elas/eles..
[20:59] <tioguerra> Mas meu ponto principal nessa seção é ser "pé-no-chão"
[20:59] <tioguerra> Wilkens, sobre robôs auxiliarem nas atividades humanas:
[20:59] <tioguerra> Ainda estamos razoavelmente longe disso
[20:59] <tioguerra> Teremos em breve robôs que auxiliarão em tarefas específicas de cuidado aos idosos, por exemplo.
[21:00] <tioguerra> Mas eles estarão longe de serem máquinas de propósito geral. Estarão limitados em escopo.
[21:00] <tioguerra> Antes disso, muito antes disso, devemos ser capazes de conversar naturalmente como nossos "assistentes pessoais". E se tentar conversar aprofundadamente com a Siri vais notar o quão longe ainda estamos
[21:01] <tioguerra> Mas o computador e a inteligência artificial estar à sombra dos humanos não significa que não possam surgir aplicações impressionantes.
[21:02] <tioguerra> Pois os computadores são mais rápidos e mais baratos e não cansam e conseguem fazer as tarefas de forma repetitiva e com maior precisão.
[21:03] <tioguerra> Ainda assim, estão limitados àquilo que eles observaram nos dados que foram curados e preparados por humanos (potencialmente milhares de humanos)
[21:03] <tioguerra> Pelo menos por enquanto.
[21:04] <ortenio> Vejo que a evolução caminha para a criação de máquinas perfeitas, daí a maior limitação para elas: não ter a habilidade de cometer erros, algo bem peculiar ao ser humano
[21:06] <cleiton> uma duvida que ficou e em relação ao avanço da eletronica e software que se desenparelham do avanço da robotica ! assim ate que ponto essas 3 tecnologias podem ir nesse desnivel?
[21:07] <cleiton> sendo q o sucesso de muitas tecnologias de hoje dependem das 3
[21:07] <tioguerra> Ortenio, não entendo o motivo de tu dizer que não cometer erros seria "a maior limitação" das máquinas. Mas posso assegurar que máquinas são capazes de cometer erros sim, e é relativamente fácil fazer isso acontecer que quisermos. Acontece que na maioria das aplicações não nos interessa que isso ocorra.
[21:08] <tioguerra> Cleiton, a coisa física avança mais lentamente pois exige prototipagem, fabricação, é um processo de iteração mais lenta.
[21:08] <tioguerra> Mas já há sim tecnologias que podem transformar o problema da robótica num problema de software, aí a coisa muda bastante.
[21:09] <tioguerra> Ainda assim é muito recente. Robôs ainda são feitos seguindo um paradigma antigo, de se fazer juntas pesadas, com grande redução para ter inércia e desacoplar o controle do robô da carga que ele carrega.
[21:10] <tioguerra> Robôs "inteligentes" precisariam ir em outra direção, apresentar juntas macias, e ser leves, em contrapartida usar sensores modernos, serem ágeis e ter grande poder computacional para reagir de forma rápida e inteligente, num ambiente dinâmico.
[21:11] <tioguerra> Enquanto ficarmos em robôs pesados com juntas rígidas, eles não serão seguros para dividir espaços com pessoas, e seus custos continuarão proibitivos por causa dos materiais, dos pesos, dos torque necessários nos motores...
[21:11] <tioguerra> Por isso vemos tão pouco evoluir em robótica ainda...
[21:12] <cleiton> adorei a explicação...
[21:12] <tioguerra> Como no caso do automóvel, algumas poucas empresas, principalmente alemãs e japonesas, e algumas outras, dominam o mercado da robótica industrial e não têm incentivos para fazer diferente.
[21:12] <tioguerra> Ainda não existe a "Tesla" da robótica.
[21:13] <tioguerra> Então o que vemos são basicamente drones, e alguns robôs móveis sem braços (apenas rodas e uma câmera e interface de conversação por áudio).
[21:13] <wilkens> desculpa a ignorancia, o que é "tesla"?
[21:14] <tioguerra> Tesla é a empresa do Elon Musk que fabrica o carro elétrico...
[21:14] <wilkens> :) obrigado.
[21:15] <cleiton> e uma possivel e promissora do futuro...]
[21:15] <tioguerra> A analogia é que carros a combustão funcionam e vendem e há uma rede enorme que envolve fornecedores, oficinas de manutenção, postos de gasolina, refinarias, etc. Então não há grande incentivo para mudar. Precisa vir alguém com tremendo aporte financeiro para desafiar o "status quo". Isso que a Tesla faz hoje nesse espaço, com o carro elétrico deles.
[21:16] <tioguerra> Na robótica não é diferente.
[21:16] <tioguerra> Até que surja uma aplicação que justifique mudar, não veremos avanço significante.
[21:16] <wilkens> por falar nisso, os robôs precisam de energia sustentável para "viver". Existe pesquisa nesaa linha?
[21:16] <tioguerra> Aguardamos surgir o "Uber" da robótica.
[21:17] <danilorcesar> Podemos ir para a última seção?
[21:17] <ortenio> PS. Quando disse cometer erros é no sentido de errar, se arrepender e voltar atrás intuitivamente. Não no sentido proposital.
[21:17] <tioguerra> A questão da energia é desvinculada da aplicação específica. Seja para robótica, seja para outras aplicações, é um problema à parte. Há muito avanço nessa área, mas foge ao escopo de nossa conversa de hoje.
[21:18] <wilkens> blz. Por mim, podemos prosseguir
[21:18] <tioguerra> Ortenio, ok, entendi. Tu queres dizer com respeito a arrependimento, que implica na máquina entender intenções e ter uma espécie de julgamento de valor. Isso ainda está realmente longe de acontecer na prática.
[21:18] <tioguerra> Ok, vamos encerrar então, última seção.
[21:19] <cleiton> ok
[21:20] <tioguerra> 4. EMPREGO E IMPACTO ECONÔMICO
[21:20] <tioguerra> Quando falamos em robótica e automação, e sua relação com o mercado de trabalho, muitos imaginam um robô tomando o lugar de um humano. Pensando dessa forma, olham para as atividades que humanos realizam e precipitadamente descartam essa ideia como utópica ou exagerada.
[21:20] <tioguerra> Essa ideia de que um robô substitui um humano é pertinente quando falamos de carros autônomos, por exemplo. Ali, um motorista sai e dá lugar a um algoritmo que tomará o controle do automóvel. Falando das limitações discutidas anteriormente, esse algoritmo pode ser treinado através da coleta de informações de centenas de milhares de motoristas humanos dirigindo carros equipados com sensores.
[21:21] <tioguerra> Mas esse é um caso muito específico. De uma forma geral, empregos não são automatizados, mas tarefas sim.
[21:21] <tioguerra> Um empregado desempenha diversas tarefas, e à medida que mais e mais dessas tarefas vão sendo automatizadas, menos e menos empregados são necessários para suprir a mesma demanda.
[21:21] <tioguerra> Então mesmo que ainda não tenhamos uma inteligência artificial capaz de substituir um advogado, hoje precisamos menos advogados para estudar a jurisprudência de um caso difícil. Onde talvez no passado precisava-se de 30 advogados para analisar mil documentos, hoje quem sabe um ou dois advogados e um sistema inteligente conseguem fazer a mesma tarefa.
[21:21] <tioguerra> O mesmo serve para médicos, analistas financeiros, contadores e outras muitas profissões.
[21:22] <tioguerra> É claro que todo esse avanço gera também novas funções antes inexistentes, e essas geram novas oportunidades nunca antes imaginadas.
[21:22] <tioguerra> Não temos como prever o efeito em longo prazo, mas pelo menos no curto prazo essas novas funções não geram vagas de trabalho no mesmo ritmo da extinção de vagas por conta da automação.
[21:22] <tioguerra> É fato que cada vez fazemos mais com menos pessoas. Economistas mostram que no mundo a produção de bens continua a acelerar desde a revolução industrial, mas o valor econômico do trabalho manual estagnou por volta dos anos 80 e não segue mais a mesma tendência. Andrew McAfee e outros economistas do MIT chamam esse fenômeno de “great decoupling”.
[21:23] <tioguerra> É claro que, pelo menos até o momento, robôs não possuem contas bancárias próprias, e não possuem “desejos de consumo”. Em outras palavras, a tendência é que, à medida que a automação avança, o custo de bens e serviços tende a baixar.
[21:23] <tioguerra> Hoje vemos microchips implantados em cartões de visitas e até mesmo em revistas. Materiais que são utilizados em embalagens descartáveis de hoje são de tamanha qualidade de acabamento, perfeição de corte, com gravuras foto-realistas que certamente surpreenderiam os reis e duques da idade média.
[21:23] <tioguerra> Por outro lado, o valor gerado pela automação tende a ficar nas mãos das grandes empresas, dos detentores das patentes, dos donos do “big data”. Com isso, a tendência é os ricos ficarem ainda mais ricos e os pobres ainda mais pobres.
[21:23] <tioguerra> Para países como o Brasil, isso é extremamente preocupante, pois não investimos muito em ciência, não fazemos patentes, não produzimos essas tecnologias. Mesmo em nossas linhas de montagem mais automatizadas, utilizamos máquinas importadas.
[21:24] <tioguerra> E para agravar isso tudo, no mundo inteiro a tendência é a população envelhecer.
[21:24] <tioguerra> Então temos que ter um certo cuidado. Não podemos simplesmente assumir que a evolução tecnológica resultará automaticamente em prosperidade.
[21:24] <tioguerra> Algumas propostas para reduzir esse impacto já existem. Bill Gates famosamente defendeu a criação de imposto para robôs. Na união européia já se debateu a necessidade de que robôs paguem “seguro social” para ajudar a manter as aposentadorias dos trabalhadores.
[21:25] <tioguerra> Entre as soluções apontadas, talvez a mais famosa seja a “renda básica universal”. Todo cidadão teria direito a uma renda mínima, incondicional, e estaria livre para gastar e viver como quisesse com essa renda.
[21:25] <tioguerra> Aí vem a reflexão que gostaria de trazer para o encerramento desse seminário.
[21:25] <tioguerra> A reflexão é essa: mesmo supondo que tenhamos como resolver os problemas de distribuição de riquezas e ter a fartura de uma sociedade perfeitamente sustentável por máquinas: Estaríamos preparados para isso?
[21:25] <tioguerra> Hoje, na vasta maioria das sociedades, o trabalho e o emprego estão intimamente ligados ao valor e à dignidade das pessoas.
[21:25] <tioguerra> Trabalhar é considerado algo nobre, o trabalhador merece respeito e apreciação. Aquele que não doa de seu precioso tempo e dedicação para o benefício da sociedade é visto como um inútil, como um vagabundo.
[21:26] <tioguerra> Em países desenvolvidos como no Japão, vemos taxas de suicídio alarmantes. As pessoas precisam metas, precisam dar sentido às suas existências.
[21:26] <tioguerra> Então provavelmente precisaremos rever profundamente nossos valores.
[21:26] <tioguerra> Ok pessoal, encerrei a última seção.
[21:27] <tioguerra> Obrigado acompanhar até aqui, podemos agora conversar um pouco mais e encerrar.
[21:27] <tioguerra> Acho que avancei um pouco no horário, rsrs
[21:27] <wilkens> myiro
[21:28] <wilkens> ops!
[21:28] <cleiton> que isso ...gostei muito
[21:30] <Wilmar-Freitas> Também gostei. Palestra Instigante... fiquei aqui rabiscando uma série de questões...
[21:30] <tioguerra> Obrigado Wilmar.
[21:30] <ortenio> Muito bom!
[21:30] <tioguerra> É muito assunto para abordar em pouco tempo.
[21:30] <wilkens> essa questão da dependência tecnológico do Brasil e mesmo preocupante. Temos alternativas? É uma provocação.
[21:31] <wilkens> Acho que li algo sobre Software Livre, código aberto no início da conferencia..
[21:31] <tioguerra> Então Wilkens, as alternativas para o Brasil são muitas.
[21:32] <tioguerra> Mas não seria nada fácil, precisaria de um certo esforço.
[21:32] <tioguerra> No curto prazo, a educação é muito importante.
[21:33] <tioguerra> Quando falamos desse cenário tão incerto, dessa evolução tecnológica acelerada, e do desemprego massivo, no curto prazo precisamos formas modernas de preparar a população.
[21:33] <tioguerra> Precisamos reciclar, treinar, educar
[21:33] <wilkens> treinar = capacitar
[21:34] <tioguerra> Essa ideia de que basta cursar um curso técnico ou superior e trabalhar num "ofício" o resto da vida já era. As pessoas precisam estar preparadas para aprender continuamente, e para aprender a aprender por conta também.
[21:34] <tioguerra> isso, a palavra treinar não é muito boa, obrigado :-)
[21:35] <wilkens> aprende a aprender, perfeito-
[21:36] <tioguerra> As principais capacidades são meta-capacidades. Não interessa que o Fulano sabe tal software e tal ferramenta. Ele precisa saber se comunicar, ter senso crítico, capacidade de se expressar e de ouvir e de traçar um plano ou de decidir seguir o plano que outro traçou. Precisa ter espírito de liderança, criatividade, proatividade.
[21:36] <wilkens> tioguerra, não esqueça de indicar livros, sites e tutors, por favor :)
[21:37] <tioguerra> Ok, Wilkens. Sobre qual assunto querem indicações?
[21:38] <danilorcesar> Obrigado professor Rodrigo Guerra!
[21:38] <wilkens> eu: robótica e IA
[21:38] <wilkens> seu e-mail professor, por gentileza
[21:39] <tioguerra> Ok, sobre robótica e IA. Mas em que nível?
[21:39] <wilkens> iniciante
[21:39] <tioguerra> Meu e-mail é rodrigo.guerra@ufsm.br
[21:39] <danilorcesar> Vocês podem continuar as discussões!
[21:39] <wilkens> escreverei. Obricado
[21:40] <wilkens> Conferência inspirativa. Aplausos!!! Obrigado.
[21:41] <tioguerra> Para aprender sobre robótica e IA sugiro começar explorando cursos online
[21:41] <wilkens> ok.
[21:41] <tioguerra> Tenta achar um curso que consiga acompanhar no teu nível
[21:41] <tioguerra> Coursera tem vários
[21:41] <wilkens> blz$
[21:41] <wilkens> !
[21:41] <tioguerra> Mas de uma forma geral, se queres "aprender a fazer", precisa aprofundar antes em Python.
[21:42] <tioguerra> Aprender Python é super importante nesse contexto.
[21:42] <tioguerra> Alguma noção de álgebra linear, usando numpy, matplotlib e scipy ajuda
[21:42] <tioguerra> há cursos de python para "data scientists".
[21:42] <tioguerra> Isso dá uma boa base.
[21:43] <tioguerra> Hoje deep learning se resume principalmente na coleta e na cura dos dados. Como falei, o valor está no "big data".
[21:43] <tioguerra> A parte do "learning" é meio pronta, tu só configura alguns parâmetros e roda. Não que seja super simples, mas não há muito a se inventar.
[21:44] <tioguerra> O importante é saber colher os dados, usando "spider" para pegar de sites, ou sensores para capturar em campo, e tratar esses dados em Python.
[21:45] <wilkens> muito obrigado.
[21:46] <tioguerra> Se sabes inglês tenta assistir uns vídeos como do Siraj Raval
[21:46] <tioguerra> Pessoal, vamos encerrar?
[21:47] <tioguerra> Penso em ir jantar! :-)
[21:47] <ortenio> Blz. Obrigado. Boa noite.
[21:47] <danilorcesar> Qualquer dúvida entrem em contato no email do professor
[21:48] <tioguerra> Obrigado a vocês! Essa foi uma experiência singular! ;-D
[21:48] <danilorcesar> Agradeço a todos os participantes!
[21:48] <wilkens_> like /join
[21:48] <danilorcesar> Obrigado mais uma vez, Rodrigo!
[21:48] <wilkens_> 0
[21:49] <danilorcesar> A log estará disponível no sítio do evento!
[21:49] <wilkens_> boa noite a todos/as!
[21:51] <Eliane> oBoa noite!

 

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6. Setembro: Educação matemática na cultura digital

Cartaz de divulgação do STIS de setembro/2018

STIS - Seminários Teóricos Interdisciplinares do SEMIOTEC

Deive - Setembro de 2018

 Conferência STIS

Setembro - 2018

Dia 12 de Setembro às 19:30 horas, na Sala de Conferências do STIS

 

Educação Matemática na Cultura Digital: tendências e perspectivas

(Prof. Deive Barbosa Alves)

Resumo: Neste encontro, o tema central será a autoria, ou seja, os caminhos produtivos da Cultura Digital para se trabalhar a Educação Matemática. Procuraremos discutir essa temática a partir do remix e compartilhamento que tal cultura nos possibilita. Apresentaremos propostas e exemplos de autorias de alunos da educação básica que vislumbraram, em um mundo digital, um território de reinvenção do cotidiano. Desse ponto de vista, exaltamos a perspectiva de uma práxis criadora, entrelaçando os saberes do senso comum à produção do conhecimento científico-tecnológico. Processo contínuo de elaboração própria e pesquisa como condensação do esforço autoral pautado em uma ética científica que tenha como princípio basilar o processo de compartilhamento, um modelo acadêmico aberto, pois acredita que os dados e as informações devam ser distribuídos àqueles que deles necessitam. Ética de uma rede social que acredita que, para criar na Cultura Digital, há a necessidade humana e histórica de acesso livre ao conhecimento e a seus pares. Ética governada pela atitude da criatividade e da liberdade. Nesta palestra convido o público a refletir e discutir sobre o assunto.


  

 

Educação Matemática na Cultura Digital: tendências e perspectivas (Clique aqui para o manuscrito do Prof. Deive)

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Licença Creative Commons

6.1. registro setembro

Registro da Conferência em chat escrito, de 12 de setembro de 2018:

 

Educação Matemática na Cultura Digital: tendências e perspectivas

(Prof. Deive Barbosa Alves)

 

  

 

 

moderador: Equipe STIS

 

 

[19:40] <danilorcesar> Boa noite a todos! Sejam bem-vindos!
[19:40] <danilorcesar> Gostaria de agradecer ao grupo Texto Livre por esta oportunidade de compartilharmos informações que irão gerar uma diversidade de conhecimentos!
[19:40] <danilorcesar> Para quem participa pela primeira vez, teremos 60 minutos de apresentação e 30 minutos para perguntas, sugestões e discussão geral das ideias expostas ou o palestrante poderá dividir em seções a sua apresentação e liberar para cada seção um momento de perguntas, sugestões e discussão geral das ideias expostas.
[19:40] <danilorcesar> A apresentação acontece apenas por escrito, no chat, ou seja, não há vídeo nem áudio.
[19:40] <danilorcesar> Durante esse tempo, a sala poderá estar moderada!
[19:41] <danilorcesar> A apresentação de hoje teremos o código “deive” (sem as aspas) para os slides!
[19:41] <danilorcesar> Os códigos para os slides serão indicados no início de cada apresentação basta inserir o código à direita, depois de escolher o tipo de atendimento: “apresentação de slides” vocês podem regular o tamanho do chat e slides ajustando a coluna vertical entre as partes desejamos um ótimo seminário a todos!
[19:42] <deive> Primeiramente gostaria de agradecer ao professor Danilo Cesar pelo convite, é primeira vez que uso o freenode IRC então perdão pelas falhas na interação com essa mídia.
[19:43] <danilorcesar> Deive é Professor do colegiado de Matemática da Universidade Federal do Tocantins, Campus Araguaína. Graduado em licenciatura em Matemática pela Universidade Federal de Uberlândia (2005), mestrado em Educação pela Universidade Federal de Uberlândia (2012) e doutorado na linha de pesquisa Educação em Ciências e Matemática pela mesma Universidade (2017).
[19:43] <danilorcesar> Só um minuto Deive
[19:43] <danilorcesar> Atualmente participa do Núcleo de Pesquisa em Mídias na Educação (NUPEME) e do grupo de trabalho em Modelagem Matemática para a Educação Matemática da Sociedade Brasileira de Educação Matemática (GT10 - Modelagem Matemática).
[19:43] <danilorcesar> Tem experiência na área de Educação Matemática, com ênfase em Modelagem Matemática no contexto da Cultura Digital, atuando principalmente nos seguintes temas: Modelagem Matemática para Educação Matemática, Educação pela Pesquisa, Educação Matemática na Cultura Digital, Objetos de Aprendizagem.
[19:44] <danilorcesar> Pode começar Deive
[19:44] <deive> kkk vamos lá
[19:44] <deive> Primeiramente gostaria de agradecer ao professor Danilo Cesar pelo convite, é primeira vez que uso o freenode IRC então perdão pelas falhas na interação com essa mídia.
[19:44] <deive> Agradeço, também, aos que a essas horas estão aqui participando e espero que em algum momento da tua vida estas informações sejam úteis.
[19:45] <deive> Espero que todos tenham conseguido abrir a apresentação
[19:46] <deive> Pessoal essa imagem inicial é para mostrar que faço parte uma rede de pesquisadores/professores que estudam Tecnologias para o ensino da Matemática. Hoje ela está desde o Estado do Tocantins ao de São Paulo.
[19:46] <deive> Eu queria começar essa conversa com uma invenção do matemático grego Archytas of Tarentum (428 - 350 aC.)
[19:47] <deive> alguém sabe o nome dessas peças?
[19:48] <danilorcesar> É a da segunda imagem?
[19:49] <deive> opa isso
[19:49] <deive> rss
[19:49] <danilorcesar> Ok
[19:49] <Eliane> são parafusos?
[19:50] <Eliane> Boa noite!
[19:50] <deive> isso
[19:50] <deive> uma curiosidade
[19:50] <deive> Os parafusos de metal só apareceram na Europa a partir do ano de 1400. Em 1797 o britânico Henry Maudslay patenteou o parafuso de fenda
[19:51] <deive> você deve estar a perguntar o que isso tem haver?
[19:51] <deive> O parafuso é um exemplo de nossa interferência no mundo, uma ação transformadora consciente do mundo. É nossa busca por mudança no ambiente de forma que nos favoreça.
[19:52] <deive> uma mudança histórica que desde 428 a.c.
[19:52] <deive> Essa intervenção, consciente, do humano sobre o mundo podemos chamar de trabalho ou práxis. Junção entre teorias e práticas com a finalidade de mudar a realidade de nossas carências, intervindo no ambiente humano.
[19:53] <deive> O parafuso enquanto transformação consciente no mundo, cria um conjunto de padrões de comportamento, crenças, conhecimentos, costumes que distinguem um grupo social. A isso podemos chamar de Cultura
[19:54] <deive> Podemos então conceituar cultura como sendo os resultados da ação do humano sobre o mundo por intermédio do trabalho
[19:54] <deive> Esse é nosso primeiro conceito
[19:55] <deive> mas
[19:55] <deive> O parafuso necessita e produz um conjunto de conhecimentos práticos, métodos, materiais, ferramentas e processos usados para resolver problemas ou ao menos facilitar a solução dos mesmos.
[19:55] <deive> Dessa forma o parafuso é uma Tecnologia
[19:56] <deive> uma tecnologia que nos traz um processo histórico de informações e comunicações avanços para melhor obter as transformações consciente no mundo parafusando as coisas.
[19:56] <deive> Assim, o parafuso enquanto produto é uma Tecnologia da Informação e Comunicação (TICs)
[19:57] <deive> Até a invenção dos computadores as informações que conseguíamos abstrair do parafuso eram representações analógicas. Por exemplo: Para obtermos o comprimento do parafuso fazíamos uma analogia direta com um sistema métrico escolhido;
[19:58] <deive> Desse ponto de vista o parafuso é uma tecnologia analógica, que produz e é produzido por uma Cultura Analógica;
[19:59] <deive> Nessa Cultura Analógica
[20:00] <deive> As informações que obtemos do parafuso nas ações de transformação no mudo, nessa cultura, estão condicionada a uma analogia que se consegue ou não fazer.
[20:00] <deive> Em oposição ou complementando a Cultura Analógica há uma Cultura Digital
[20:02] <deive> Começa-se a dizer Cultura Digital com o surgimento do computador
[20:02] <deive> Uma Cultura baseada em zeros e uns em que o parafuso ganha novas possibilidades de interferência no mundo
[20:03] <deive> o termo digital refere-se não só às causas, aos efeitos e às possibilidades de uma dada tecnologia. Ele define e engloba as formas de pensar e agir que são incorporadas dentro dessa tecnologia e que torna possível o seu desenvolvimento, o que inclui abstração, codificação, autorregulação, virtualização e programação (GERE, 2008)
[20:03] <deive> Nesse sentido cultura digital é um comportamento colaborativo, conectado, horizontal em que cada indivíduo tem o poder de agir na ponta dos dedos (ANDRADE, 2015, p. 1).
[20:04] <deive> Há três características que se entrelaçam na Cultura Digital
[20:04] <deive> participação, customização(remix) e o compartilhamento
[20:04] <deive> A participação diz respeito ao nosso poder de agir;
[20:05] <deive> e com o computador esse poder está na ponta dos dedos de cada um de nós
[20:05] <deive> A customização é a ação de a partir do velho fazer o novo, por modificações e/ou manipulações, e, assim, rever formas consensuais de compreensão da realidade;
[20:05] <deive> O compartilhamento é dividir o que temos com pessoas ao nosso redor, bem como com aqueles que jamais teremos a chance de conhecer;
[20:07] <deive> Alguns estudos mostram que compartilhar informações, processos e produtos para nós professores/pesquisadores é no mínimo um pouco difícil
[20:08] <deive> Alguém tem alguma pergunta?
[20:10] <danilorcesar> Acredito que vc pode continuar
[20:10] <acris> sim, por favor
[20:11] <deive> os slides do terceiro ao quinto são livros tratam desse assunto
[20:11] <deive> infelizmente o melhor deles está em inglês
[20:11] <deive> falo Digital Culture
[20:11] <deive> bom, Essa participação, customização e compartilhamento criam possibilidades de mudanças por meio do consumo e produção de informações em rede;
[20:12] <deive> As redes de informações podem se estruturar de três formas
[20:12] <deive> a centralizada -> uma única entidade produz e distribui informações;
[20:13] <deive> Multicentralizada -> mais de uma entidade produz e distribui informações;
[20:13] <deive> essa também chamada de descentralizada
[20:13] <deive> e a distribuída ->todos produzem e distribuem informações.
[20:14] <deive> se não me engano é oitava imagem
[20:14] <deive> A estrutura das redes dependem de uma escolha:
[20:14] <deive> Se acreditamos que para criar existe a necessidade humana e histórica de acesso livre ao conhecimento e a seus pares. Que além de produzirmos nunca podemos impedir uma comunidade de criar. Essa atitude de criatividade e de liberdade produz uma rede de informação distribuída
[20:15] <AnaMatte> perfeito
[20:15] <deive> Contudo se acreditamos em, por exemplo, compartilhar só o que não nos interessa ou mesmo se decidirmos não compartilhar, as estruturas possíveis serão a redes de informações Multicentralizada e centralizada respectivamente.
[20:16] <deive> De forma geral os softwares open source buscam por uma rede de informação distribuída
[20:17] <deive> Um exemplo de rede de informação distribuída é a rede de informação Arduino
[20:17] <deive> quem aqui conhece o Arduino?
[20:18] <AnaMatte> de ouvir falar
[20:18] <ELZA> Nunca ouvi nem falar.
[20:18] <deive> recomendo muito que conheçam seja qual for tua profissão, pois abre possibilidades
[20:18] <deive> O Arduino foi criado em 2005 por um grupo de 5 pesquisadores : Massimo Banzi, David Cuartielles, Tom Igoe, Gianluca Martino e David Mellis. O objetivo era elaborar um dispositivo que fosse ao mesmo tempo barato, funcional e fácil de programar, sendo dessa forma acessível a estudantes e projetistas amadores. Além disso, foi adotado o conceito de hardware livre, o que significa que qualquer um pode montar, modificar, melhorar e persona
[20:20] <deive> Arduino é uma plataforma de prototipagem eletrônica de hardware livre e de placa única, projetada com um microcontrolador Atmel AVR com suporte de entrada/saída embutido, uma linguagem de programação padrão própria.
[20:21] <deive> Vou voltar ao parafuso, mas agora com ajuda do Arduino
[20:21] <deive> O Arduino transforma parafusos em “sensores de umidade do solo”, por meio da programação conseguimos expressar, em porcentagem, o quão seco o chão.
[20:22] <deive> Não sei, mas fico assustado em saber que parafusos medem umidade do solo
[20:22] <AnaMatte> mmm, interessante, eu achava que era só linguagem.
[20:22] <AnaMatte> eu tb kkk
[20:22] <deive> O Arduino traz para a Educação um “pedagogia do espanto”
[20:23] <AnaMatte> :)
[20:23] <deive> algo já dito pelo Rubem Azevedo Alves
[20:23] <deive> ”. É espantoso obter porcentagens de umidade do solo usando dois parafusos. O que desperta a curiosidade em saber como isso é possível.
[20:24] <deive> Usando o Arduino alunos do Ensino Médio criaram
[20:24] <deive> 1. Descarga Digital: https://goo.gl/HWndkh 2. Chuveiro Inteligente: https://goo.gl/fXHyeL 3. Regador Automático: https://goo.gl/o5kiUC
[20:25] <AnaMatte> que show
[20:25] <deive> esses links são para você ver depois como o Arduino ajudou alunos a mudar sua realidade de aprendizagem criando soluções tecnologicas
[20:25] <deive> Descarga Digital
[20:26] <deive> Através de pesquisa realizada com as pessoas da equipe, por meio de preenchimento de planilhas com quantidades de vezes de utilização do banheiro, realizamos uma estimativa de quantidades médias uso do sanitário e de dejetos produzidos. Com os resultados da pesquisa, será desenvolvida uma válvula eletrônica – com a utilização do controlador Arduino – para reduzir o desperdício de água durante a descarga. Essa água econo
[20:26] <deive> fins importantes e necessitados, fazendo com que sua manutenção seja consciente, e evitando assim, a escassez.
[20:26] <deive> Regador Automático
[20:26] <deive> O Regador Automático é um robô que monitora quando a planta está com “sede”. Robô que funciona por meio de sensores de umidade do solo. Ele executará um software que irrigará a planta e enviará um relatório ao usuário do consumo da água, bem como dos gastos dessa irrigação, via internet
[20:27] <deive> Chuveiro Inteligente
[20:27] <deive> O chuveiro é tido como o vilão tanto do consumo de energia elétrica quanto da água. Assim criamos o Chuveiro Inteligente, um robô que controla o tempo de funcionamento do chuveiro elétrico. Ele foi configurado para ligar e desligar duas vezes durante o banho. No primeiro momento ele liga para molhar o usuário e, no outro para esse se enxaguar. Esses dois tempos podem ser pré-configurado. Acreditamos que esse dispositivo economiz
[20:27] <deive> do usuário, apenas no ligar e desligar o chuveiro.
[20:28] <deive> Essa ação de criar dispositivos para modificar a realidade e aprender chamamos de práxis criadora
[20:28] <deive> Os alunos usando a rede de informação Arduino tiveram o ato de conhecer e produzir em um movimento dialético da ação à reflexão.
[20:29] <deive> imaginação e a conjectura em torno do mundo diferente do da opressão são tão necessárias aos sujeitos históricos e transformadores da realidade para sua práxis quanto necessariamente fazem parte do trabalho humano que o operário tenha antes na cabeça o desenho, a “conjectura” do que vai fazer (FREIRE, 2013b)
[20:29] <deive> É o desenvolvimento desse “ter na cabeça o desenho, a “conjectura” do que vai fazer”, bem como as condições de fazê-lo, que entendemos como práxis criadora.
[20:29] <deive> Podemos associar a práxis criadora a Espiral da aprendizagem criativa proposta por Mitch Resnick, em que suas características são:
[20:30] <deive> Imaginar; Criar; Brincar; Compartilhar; Refletir e Imaginar
[20:30] <deive> Imaginar -> o estudante imagina usar parafusos como sensores de umidade
[20:30] <deive> Criar ->os alunos transformam as ideias em ações, criando um sensor de umidade a partir dos parafusos;
[20:30] <deive> Brincar -> eles interagem e fazem experiências, constantemente, com sua criação, tentando aprimorá-la;
[20:30] <deive> Compartilhar -> os discentes colabora na construção dos outros e dividem a deles com a comunidade;
[20:30] <deive> Refletir -> refletem sobre os possíveis erros do que estão produzindo
[20:31] <deive> Imaginar -> com base nas experiências que passam pela espiral, os alunos imaginam novas ideias e novas orientações
[20:32] <deive> essa espiral de aprendizagem nos possibilita dizer em Aprender pela Autoria
[20:32] <deive> Um processo de aprender pela autoria podem corresponder aos quatro Ps da aprendizagem criativa:
[20:33] <deive> Projetos; Paixão; Parcerias e Pensar​ ​brincando
[20:33] <deive> Projetos -> criar projetos é a atividade básica da comunidade
[20:34] <deive> Paixão -> quando as pessoas trabalham em projetos pelos quais têm interesse, elas se dispõem a trabalhar por mais tempo e se esforçam mais.
[20:34] <deive> Parcerias -> a criatividade é um processo social, no qual as pessoas colaboram, compartilham e constroem o trabalho umas das outras. Integrando a programação a uma comunidade on-line
[20:34] <deive> Pensar​ ​brincando -> apoiar experiências divertidas como uma via para a criatividade, incentivando os jovens a assumir riscos e testar coisas novas.
[20:35] <deive> Esses quatro Ps é também uma estrutura para se educar pela pesquisa científico-tecnológica que criam zonas de sentidos das coisas do mundo
[20:36] <deive> As zonas de sentidos
[20:36] <deive> O processo de aprender pela autoria nos permite criar “zonas de sentidos” (Rey p.6 e 19, 20) e por tais zonas é que descobrimos novas formas de customizar as tecnologias digitais e fazê-las nossa, nos empoderando socialmente e nos fazendo autor daquilo que usamos e falamos.
[20:37] <deive> Assim nosso desafio, nas escolas é
[20:37] <deive> Constituição de uma comunidade de aprendizagem sobre o trabalho educativo com o Arduino no processo de Ensinar e Aprender Matemática, envolvendo: Formadores de Professores de Matemática Estudantes de Graduação e Pós Graduação Professores da Educação Básica Estudantes da Educação Básica Pesquisadores
[20:38] <deive> Pessoal era isso por hoje
[20:39] <danilorcesar> Perguntas
[20:39] <deive> nos slides você podem conferir alguns resultados do Arduino na Educação
[20:40] <AnaMatte> adorei, vou compartilhar com minha turma de pós!
[20:40] <danilorcesar> Qual o significado da imagem do Papert no slide 6?
[20:40] <deive> que bom!
[20:41] <deive> boa pergunta
[20:42] <deive> Ele que começou em 1964 a construir a teoria que hoje o pessoal MIT LAB está a chamar de Aprendizagem Criativa
[20:42] <deive> a essa espiral de aprendizagem é baseada nos estudos dele
[20:44] <danilorcesar> Vc citou Mitch Resnick e a aprendizagem criativa... Tem o nome do livro para compartilhar?
[20:45] <AnaMatte> essa ideia da educação é realmente fantástica! Eu sempre aposto nisso: que teoria sem prática é quase sempre inócua, tanto como processo educacional como prática profissional. Os alunos fizeram isso tudo em aulas de matemática?
[20:46] <acris> deive: prof, antes de terminar, por favor, seleciona toda sua tela de chat e manda pro Danilo, pois algumas frases mais longas chegaram cortadas, daí podemos completar no registro, no site.
[20:46] <deive> ana sim, no contra turno e também foi um projeto de 3 anos
[20:46] <deive> rsss
[20:47] <deive> vou mandar para ele os slides
[20:47] <deive> acris
[20:47] <deive> danilo a referência
[20:47] <deive> http://www.aprendizagemcriativacampinas.org/produto/curso-aprendendo-aprendizagem-criativa/
[20:47] <acris> eu tenho uma pergunta de leiga: já vi em eventos as pessoas falando de usar lego na robótica, para educação. Sobre arduíno, o que tem de igual e diferente do lego?
[20:48] <deive> Tudo
[20:48] <deive> de diferente
[20:48] <acris> achei que fosse só o material
[20:48] <deive> desde a filosofia ao trabalho em si
[20:49] <acris> fala mais
[20:49] <deive> não o Lego é um kit
[20:49] <deive> pago
[20:49] <deive> mais fácil de trabalhar porém limitado as peças que você consegue pagar
[20:50] <deive> o Arduino é a primeira peça do quebra -cabeça
[20:50] <acris> mmm
[20:50] <deive> o Arduino é código aberto
[20:51] <deive> tem um comunidade maior de desenvolvimento, pois é mais dificil para quem está iniciando
[20:51] <deive> mas veja um Arduino é 40 reais e o Lego 2700
[20:51] <acris> digmos em termos de hardware: se entendi bem, no lego eu não vou usar um parafuso como sensor de umidade, eu vou comprar um sensor, é isso?
[20:51] <acris> credo
[20:53] <acris> em termos de programação, no lego as propostas são fechadas? no sentido de ter um número limitado de possibilidades? Pelo que entendi, com o Arduino, o limite é o da criatividade
[20:53] <deive> acho que é isso, trabalhei muito pouco com Lego
[20:54] <acris> ainda bem que foi pouco, deive ;-)
[20:54] <deive> Sim tem como você usar C no Lego, mas é bem mais complicado
[20:55] <acris> usando C a programação ficaria mais flexível, é isso?
[20:55] <danilorcesar> Deive: Fale mais um pouco da integração da Educação Matemática e Robótica
[20:55] <acris> isso!
[20:56] <deive> sim, em termos de programação o problema é que você teria que interferir no hardware para construir os sensores aí a Lego te processa
[20:56] <acris> deive: isso explica porque é bom que o Arduino seja código aberto :D
[20:56] <deive> sim sem dúvida
[20:57] <acris> mas fala sobre a educação matemática, e a robótica, também estou curiosa
[20:57] <Eliane> Eu também
[20:57] <deive> danilo quando você trabalha com o Arduino você que usar muita matemática, pois do contrario vc pode queimar tudo
[20:58] <deive> veja o que me aconteceu
[20:59] <deive> estávamos usando o uma corrente contínua para controlar uma alternada
[20:59] <deive> ou seja, 5 volts para controlar 220 volts
[20:59] <deive> precisávamos de um fio para ligar em relé, existe um modelo matemático que faz isso
[21:00] <deive> não o fizemos o resultado fritamos o Arduino
[21:00] <AnaMatte> afe
[21:01] <deive> aí você tem que investigar aprender qual o modelo correto para a parada funcionar
[21:01] <danilorcesar> Para os leigos: explique o que é tensão (5V...); relé...
[21:02] <deive> o Arduíno supor até 19 volts de corrente contínua, mas funciona ligado ao computador com 5volts
[21:02] <danilorcesar> @Deive: Dê um exemplo prático a partir de uma teoria como utilizar robótica e Educação Matemática
[21:04] <deive> veja com o arduino podemos usa-lo na matemática de duas formas
[21:04] <deive> pela automação e pela robótica
[21:04] <danilorcesar> Dê um exemplo de maneira menos técnica, pois isso pode auxiliar o processo de compreensão
[21:04] <deive> por exemplo a um os alunos que criaram uma descarga digital
[21:05] <deive> a matemática começa de forma inicial, pegamos uma descarga de vaso sanitario que tenha uma caixa aclopada
[21:06] <deive> temo que calcular o volume
[21:06] <deive> dentro da caixa á peças, temos que usar sólidos geométricos para saber o volume correto
[21:07] <deive> depois fizemos uma investigação na escola perguntando quantas vezes o sujeito faz dejetos sólidos e liquidos
[21:08] <deive> com isso motamos um modelo estatístico dizendo se seria útil criar a automação
[21:08] <AnaMatte> que massa
[21:08] <Eliane> Entendi
[21:08] <deive> verificou-se seria se o disparo da descarga fosse simples
[21:09] <deive> pois há os acionamentos duplos
[21:09] <deive> fomos investigar se tinha legislação sobre o assunto
[21:10] <deive> há uma normativa ABNT que diz que uma descarga deve gastar no máximo 6 litros de água
[21:10] <deive> em nossos cálculos a nossa gastava 9 litros
[21:11] <deive> aí usamos a física-matemática para criar um teclado para a descarga e o usuário dizer o quanto de água queria gastar
[21:11] <deive> construímos o protótipo
[21:12] <danilorcesar> Alguém tem mais alguma pergunta?
[21:13] <deive> e fizemos novos modelos matemáticos para demonstrar que se o usuário usa-se menos água nos dejetos líquidos ajudaria na economia de água
[21:13] <AnaMatte> muito legal! Queria ser sua aluna! :)
[21:14] <deive> rsss, obrigado, mas hoje com youtube da para fazer muitas coisas e aprender muito
[21:14] <danilorcesar> @Deive: Deixe seu email para o pessoal
[21:15] <deive> Pessoal muito obrigado pela participação e aqueles que quiserem conversar mais sobre estes assuntos é só enviar um e-mail para deive at uft.edu.br
[21:15] <danilorcesar> Obrigado professor Deive Barbosa Alves!
[21:16] <deive> eu que agradeço
[21:16] <deive> abraços a todos
[21:16] <deive> e todas
[21:16] <ELZA> Obrigada!
[21:16] <AnaMatte> parabéns! aplausos! clap clap clap clap clap clap
[21:16] <acris> clap clap clap clap clap clap
[21:17] <RegisTB> clap clap clap
[21:17] <Eliane> Parabéns!!
[21:18] <AnaMatte> boa noite!
[21:18] <danilorcesar> Boa Noite!
[21:18] <acris> deive: não esuqece de mandar o texto completo pro danilo, tá?
[21:18] <acris> fiquei curiosa com alguns finais cortados :)
[21:19] <deive> já mandei
[21:19] <deive> rsss
[21:19] <deive> para zap dele
[21:19] <acris> boa noite a todos!
[21:19] <acris> joia, obrigada!
[21:19] <deive> qualquer coisa está tudo na minha tese
[21:19] <deive> https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/19902/6/ModelagemMatematicaContexto.pdf
[21:20] <acris> ótimo, valeu!
[21:20] <deive> eu que agradeço pela paciência

 

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Based on a work at Texto Livre.

7. Outubro: Dez anos de experiência com Robótica Educacional

Cartaz de divulgação do STIS de outubro/2018

STIS - Seminários Teóricos Interdisciplinares do SEMIOTEC

Conferência STIS

Outubro - 2018

Dia 10 de Outubro às 19:30 horas, na Sala de Conferências do STIS

 

Dez anos de experiência com Robótica Educacional: um relato do ensino fundamental ao superior

(Prof. Fernando da Costa Barbosa)

Resumo: A Robótica Educacional (RE) ou Pedagógica vem ganhando destaque cada dia nas escolas, é fruto de pesquisa e muito trabalho. Desde 2003 tem crescendo as pesquisas oriundas de experiências em diferentes contextos das instituições de ensino. A grande maioria dos trabalhos com RE foi no ensino fundamental, usando de diferentes materiais e metodologias. Foi justamente no ensino fundamental que iniciei uma aventura, parecia a principio um labirinto, mas foi justamente nesta incerteza que os melhores caminhos são construídos e as aprendizagens são tecidas. E esses caminhos que são importantes compartilhar, pois nessas experiências residem as aprendizagens das vitórias e fracassos. Desde 2008 com a Robótica Pedagógica Livre no ensino fundamental, perpassando pelo ensino médio com trabalho com kits proprietários até o ensino superior, completando 10 anos de história que será aqui compartilhada.

7.1. registro outubro

Registro da Conferência em chat escrito, de 10 de outubro de 2018:

 

Dez anos de experiência com Robótica Educacional: um relato do ensino fundamental ao superior

(Prof. Fernando da Costa Barbosa)

 

 

  

 

moderador: Equipe STIS

 

 
<danilorcesar> Boa noite, Pessoal!
<osvaldo> boa noite professor
<FernandoBarbosa> Boa noite!
<danilorcesar> Vamos aguardar mais alguns minutos, pois algumas pessoas me disseram que estão chegando em casa
<Ton> Boa noite!
<Ygor> Salve galera
<Erivelton> Boa noite!
<Guest62630> BOA NOITE PROFESSOR
<danilorcesar> Fernando: Vamos dar um limite de no máximo 10 ou 15min?
<Guest62630> MATHEUS
<FernandoBarbosa> Danilo, mais 10 minutos, 19h45
<Andre_UFU_REINAR> boa noite galera
<Guest62630> BOA NOITE PROFESSOR SOU MATHEUS, LOCALIZADO NO ESTADO DO TOCANTINS CIDADE DE ARAGUATINS
<danilorcesar> Ok, Fernando!
<Ygor_UFU_ReinaR> quem vai na Larc 2019?
<danilorcesar> Boa noite, pessoal!
 Vou passar algumas recomendações!
<Guest62630> BOA PROFESSOR
<danilorcesar> Boa noite a todos! Sejam bem-vindos! Gostaria de agradecer ao grupo Texto Livre por esta oportunidade de compartilharmos informações que irão gerar uma diversidade de conhecimentos!
 Também gostaria de agradecer ao professor/educador Fernando por ter aceitado o convite para participar desta conferência! Agradeço em nome do grupo Texto Livre!
 Para quem participa pela primeira vez, teremos 60 minutos de apresentação e 30 minutos para perguntas, sugestões e discussão geral das ideias expostas ou o palestrante poderá dividir em seções a sua apresentação e liberar para cada seção um momento de perguntas, sugestões e discussão geral das ideias expostas.
 Os códigos para os slides (quando houver) serão indicados no início de cada apresentação; Basta inserir o código à direita, depois de escolher o tipo de atendimento: “apresentação de slides”; Vocês podem regular o tamanho do chat e slides ajustando a coluna vertical entre as partes. A apresentação de hoje teremos o código “roboticafernando” (sem as aspas) para os slides!
<danilorcesar> A apresentação acontece apenas por escrito, no chat, ou seja, não há vídeo nem áudio. Durante esse tempo, a sala poderá estar moderada! Aguardem a fala do Fernando para quando for solicitado que sejam feitas as perguntas!
 Desejamos um ótimo seminário a todos!
 O Educador Fernando da Costa Barbosa possui: Doutorado em Educação (2016) na linha Educação em Ciências e Matemática, Mestrado em Educação (2011) na linha Saberes e Práticas, Especialização em Ensino de Ciências(2010) e graduação em Matemática pela Universidade Federal de Uberlândia (2007).
 Tem experiência na área de Matemática, com ênfase em EDUCAÇÃO MATEMÁTICA, atuando principalmente com robótica educacional.
 Fernando, pode iniciar!
<FernandoBarbosa> Boa noite a todos! Obrigado Danilo pelo convite e apresentação! Sejam todos bem vindos e espero que seja proveitosa nossa conversa! Vi que temos a presença de representante do Tocantins, Goiás e Minas Gerais.
<FernandoBarbosa> Eu iriei fazer apresentação e em seguida podemos conversar.
 Quero começar dizendo que achei interessante ser esta data, pelo fato de ser neste mês que completo 10 anos que comecei a me aventurar pela Robótica Educacional. E é justamente essa história que quero compartilhar, as marcas da minha experiência, pensando na perspectiva de Jorge Larrosa.
 Larrosa diz que as experiências geram marcas, quero mostrar um pouco destas marcas tanto para mim, como para quem participou de nossos projetos de robótica.
 No primeiro slide, tem o logo NUPEME, tem um significado muito importante, pois tudo começou justamente no grupo NUPEME (Núcleo de Pesquisa em Mídias na Educação), fundado em 2004. A ideia inicial veio de um professor e líder do grupo no ano de 2008.
 Na época, recém-formado em licenciatura em Matemática, estava como professor substituto em uma escola de educação básica vinculada a UFU, em virtude de uma ação de extensão que era desenvolvida na escola, precisava de um tema para orientar crianças em suas iniciações científicos, nessa dúvida em como orientar e em que, acabei sendo levado a robótica.
 Não foi a primeira vez que esse assunto surgiu em minha vida, mas com ênfase direta em robótica, foi a primeira vez. Explico, em 2004, o primeiro texto que acabei lendo em uma Iniciação Científica, foi justamente de uma das grandes referências em Robótica Educacional, Seymour Papert.
 Enfim, continuando a história, em 2008, orientando 10 crianças, sendo alunos tanto do 9º ano e 6º ano, que fizemos um estudo de robótica, mas faltava algo, e não foi eu, a dar o toque final nessa história, foi os alunos que trouxeram a ideia, de fazermos um robô. Esse robô era autônomo, chamado Beetlebot. A ideia veio do youtube, posteriormente encontramos manual da USP explicando a construção/reprodução
 Foi isso, que fizemos, replicamos uma ideia pronta, vamos imitar, depois quem sabe criar. Como podem ver no slide 3 e 4, temos uma foto de uma criança soldando e colando as peças de um robô capaz de desviar de obstáculos, a um custo muito baixo, usando a maioria de componentes encontrados em brinquedos velhos.
 Foi o primeiro passo, digamos concreto de manusear um robô. Lembro-me muito bem e acompanhar as crianças empolgadas em expor seu robô funcionando, mostrar aos seus pais, o que elas foram capazes de fazer e ao público que passava pelas salas ver os projetos.
<FernandoBarbosa> Não vou entrar em detalhes e falar ano por ano, mas períodos que foram marcantes. Em 2009, decidimos então fazer uma investida maior no que se refere ao trabalho com robótica, conseguimos um espaço e interesse dos gestores e uma professora de matemática de desenvolver uma atividade de robótica.
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<FernandoBarbosa> Iniciamos no final do segundo semestre de 2009 e continuamos até final de 2010 na mesma, escola. Trabalhamos com alunos do 9 ano do ensino fundamental, achamos ser os melhores alunos a se abordar conceitos matemáticos e tecnologia, ou seja, a sua talvez maturidade e capacidade de entender abstrações.
 Nesta escola, no laboratório de informática (ver slide 5) desenvolvemos atividades de cunho investigativo, uma das mais emblemáticas foi a rampa, como podem visualizar no slide 6. Além de fazer carrinhos para descer uma rampa, a partir de blocos de montagem, também exploramos a ideia do Beetlebot, novamente reproduzir a ideia.
<FernandoBarbosa> Mesmo fazendo isso, sentíamos a necessidade de trabalhar a matemática, aqui quero usar uma fala da Zilli (2004) (Slide 7), que diz mais ou menos assim, que o robô é uma ferramenta que permite demonstrar na prática muitos conceitos científicos. Apesar disso, com formação matemática, havia uma preocupação nossa em inicialmente trabalhar a matemática, pensando na tecnologia como um meio a se atingir esse objetivo maior
 Nesse processo, buscamos explorar com os participantes as questões geométricas do Beetleboot, foi o que muitos já devem te ouvido na escola, encontrem no seu cotidiano a matemática. Sei que fui grosseiro, mas estamos procurando emergir mais rápido a matemática, no papel de professor, era necessária que essa matemática aparecesse, o trabalhar só a tecnologia não bastava.
<FernandoBarbosa> A rampa é um exemplo disso, mas um fracasso parcial, pois os conhecimentos eram também de física, aerodinâmica, design, conhecimentos que naquela época eu e ninguém do meu grupo tinham domínio total e acho que até hoje não aprendemos tudo.
 Tenho que admitir, foi preciso uns bons anos para a história desta rampa voltar e aprendermos. Foi um professor de física que nós ensinou muito sobre.
<FernandoBarbosa> Esse é um fator interessante, com a robótica, não existe um chão, nem um céu, tudo é desconhecido do meu ponto de vista, não existe a segurança de saber e prever tudo, o imprevisível acontece e mais, é a melhor situação de aprendizagem tanto para o aluno como para o professor, ambos aprendem em comunhão.
 Essa ideia é de Paulo Freire, ninguém aprende sozinho.
 As primeiras vezes, há uma insegurança, não saber o que fazer, mas nesse processo de aprendizagem é que o pensamento sofre mudança. Existe uma necessidade real, um problema que não pode ser ignorado, sem sua solução o projeto não completa. São problemas simples, mas para pessoas iniciantes, todas as alternativas de desvio não resolve a não ser, resolver o problema, entender, estudar e estabelecer a solução.
<FernandoBarbosa> Posso fazer uma analogia a uma gincana, queremos ganhar, mas para isso, temos que abrir um portão especifico, não há outro caminho, existe uma motivação, um desejo de aprender, logo haverá aprendizagem, o novo se unirá ao velho conhecimento formando um novo (Aprendizagem Significativa ), da próxima vez que um mesmo problema ou correlato aparecer, será mais um exercício ao que já foi aprendido.
 No slide 7, temos a construção do Beetlebot e como eram as aulas no laboratório de informática, que por sinal era muito bem organizado.
 Guest84823 saiu (Ping timeout: 256 seconds)
<danilorcesar> Vamos aguardar um pouco! Parece que o link do Fernando caiu
<danilorcesar> Mas já está voltando
<Fernando_> voltei
<danilorcesar> No slide 7, temos a construção do Beetlebot e como eram as aulas no laboratório de informática, que por sinal era muito bem organizado.
 Vc parou aqui!
<Fernando_> obrigado
 no slide seguinte, tem uma definição da Zilli que mencionei anteriormente. O que mais queriamos era fazer o que ela falou, demonstrar na prática conceitos, no nosso caso, de Matemática.
<Fernando_> Os alunos não ficaram apenas em reproduzir um robô, buscamos unir os conhecimentos com outras metodologias envolvendo tecnologias para o ensino, ou seja, blog e webquest (Slide 9) se juntaram para estimular projetos, ou seja, sair da reprodução para um caminho de criação, imaginação, ou seja, desenvolver um robô com uma aplicação
 Usamos da metodologia de WebQuest para estimular a criação e para publicar, usamos um blog. Blog era mais fácil de fazer do que uma página web.
 No slide 10, vocês tem o que conseguimos produzir nesta ideia, uma evolução do beetlebot.
 Só completando, a webquest recebeu o nome O Aprendiz de Robótica, pois naquele momento o programa de tv em evidência era O Aprendiz.
 Vamos aos projetos que eles construiram.
 A primeira tentativa de fazer emergir a Matemática, pareceu muito simplistas aos nossos olhos de professores e pesquisadores, precisávamos de mais, pensamos então em estimular projetos, talvez nesse caminho veríamos melhor a Matemática. Cada grupo procurou, após ter feito a versão 1 do beetlebot, fazer uma versão melhorada, com aplicação.
 Pensar em um produto novo, esse momento foi considerado um período tenso, pois os encontros não rendiam, as crianças tiram estagnadas, faltavam ideias. Até aquele momento havia uma corrente instrucional do professor para o aluno, ou seja, sempre chegava a eles o que fazer e como fazer.
<Fernando_> A ruptura com esse paradigma deixou os alunos em momento de reflexão: o que fazer? Qual meu projeto? O que meu robô vai servir? Na minha dissertação de 2011, tem melhor descrito isso, usarei das minhas próprias palavras ‘’reproduzir é fácil, produzir é difícil, mas não impossível” (Barbosa,2011, p.121).
 As crianças sentiram dificuldade de formular ideias novas, mas aos poucos, conversando, deixando perguntas para que respondessem, eles acabaram encontrando seus projetos.
 Toda a inspiração dos projetos veio de casa, a maioria eram robôs destinados a tarefas domesticas. Nasceu, ideias tanto para limpeza, como segurança, espionagem, mas nem todo projeto foi possível ser finalizado, faltava material e conhecimento técnico. Alguns itens eram caros, não encontrávamos a não ser comprando.
 Slide 11. O caminho do ensino fundamental foi construído em cima do robô, em projetos de montagem com exploração matemática, o projeto da criança, a implementação do projeto, nesse caminho, uma necessidade, criar conexão com a matemática.
 Se forem para o slide 12, verão quais foram as limitações do trabalho com robótica educacional no ensino fundamental.
 A física era em virtude, nem todos poderiam ser atendidos, foi uma ação no contra turno das atividades de aula regular
 A maioria dos trabalhos de robótica começam ou se desenvolvem desta forma, hoje vemos mais integrado, até mesmo como uma disciplina extra na grade dos alunos, principalmente em instituições privadas, que reconheceram as potencialidades da robótica e investiram.
 No que se refere a financeiro, em alguns momentos, faltou capital para implementar e tornar todos os sonhos de projetos reais.
 . Humanas, é que a continuação do projeto em outros anos naquele mesmo espaço ficou debilitada, faltou pessoas para continuar. Além disso, alguns conhecimentos específicos ficaram a desejar, sem esquecer o tempo ser muito pouco para o trabalho com robótica, foi um encontro semanal.
 Apesar te todo esse balanço, fizemos o que podíamos e com o que tínhamos. As marcas foram várias, algumas que me recordo estão no slide 13, resumo dizendo, naquela época foi frustrante pensar em inclusão e ver que excluímos, não podíamos atender a todos, não construir as ideias fieis dos alunos, faltava material, hoje com impressora 3D, todos aqueles projetos sairiam da imaginação.
<Fernando_> No slide 13, só algumas pontuações, algumas marcas.
 Pessoais enquanto pesquisador, mas também como resultado da pesquisa, do trabalho com robótica.
 O melhor resultado deste trabalho de 1 ano e meio, está no slide 14
 A imagem descrevo como, a autonomia alcançada, eles começam a criar seus próprios projetos, sem nenhum estimulo dos professores, no barulho das atividades no laboratório, as duas foram para o quadro e começaram a desenhar o projeto delas, essa fotos meio embaçada, foi simplesmente a melhor foto que tirei desde 2008, quando capturei a montagem do primeiro Beetlebot.
<Fernando_> Trabalhamos no ensino fundamental com Robótica Livre (RL), eu nem preciso definir, mas gosto muito da fala das crianças, vejam no slide 15 o que uma criança falou sobre a robótica livre.
<Fernando_> Transcrito como foi falado, não viam limites.
<Fernando_> No final de 2009 estava chegando novos materiais, kits de robótica da Lego, então eles puderam sentir uma experiência com o kit, projeto de catapulta, explorar conceitos e equação do segundo grau. Usamos do artefato, para trabalhar um conceito.
<Fernando_> Voltando na fala da criança, na RL era amplo a criação, enquanto que no kit proprietário ele via limites, mas no slide 16 eles apontam o fato da programação, uma novidade. Até então, o trabalho com livre ainda para nós, não envolvia programação em alguma linguagem.
 Todo esse trabalho não parou ou ficou na escola, foi também parar na mídia quando as crianças decidiram participar de uma feira de ciências, levando a construção de um robô catador de lixo, lembram do slide 14, o projeto das meninas, ele sofreu mudanças pelo grupo, culminando no robô do slide 2, caminhão com automatização. Hoje já temos isso!
 Em 2011, a professora que acompanhava o projeto, recebia para desenvolver essas ações, teve que retornar a sala de aula, pois os subsídios governamentais foram cortados, sem mais nem menos. A justificativa não foi apresentada, mas a vida e os projetos continuam.
<Fernando_> No slide 17 o projeto do caminhão de lixo, ideia começada no quadro branco
<Fernando_> No slide 18, as catapultas, foi apresentação dos projetos para TV. Na imagem tem apenas as catapultas, mas levaram todos os robôs e do slide anterior.
 Foram elogiados, mas não premiados.
 Em 2012 decidimos mudar de escola e material, foi uma decisão coletiva, até aquele momento, todos nossos projetos estavam acontecendo no ensino fundamental, tínhamos curiosidade de trabalhar no ensino médio.
 Vamos para slide 20.
 Em conjunto com PIBID de Matemática fomos para uma escola estadual, o primeiro passo foi revitalizar o laboratório que antes era destinado a cursos manutenção de maquinas e cursos de softwares. Eram antigos projetos do governo que foram desabilitados. Nesse processo revitalizamos os laboratórios, recuperamos algumas máquinas.
  Eram dois laboratórios, que ficaram para uso do PIBID e trabalho com robótica. No slide 21 e 22 podem ver como eram e como ficaram. Havia um sinal que estimulava a continuar na robótica livre, olha as maletas de ferramentas.
<Fernando_> Apesar deste “sinal amarelo” e nítido, em projetos de pesquisa, tínhamos feito uma compra de material e não tínhamos explorado ele por um período longo, assim, começou um trabalho com kit proprietário. Queríamos ver o que podíamos fazer, conhecer uma outra perspectiva de trabalho, até mesmo para um dia criticar.
 Assim, de 2012 até 2015 praticamente desenvolvemos um trabalho com jovens no usando kits proprietários da Lego, começou com ideia de desenvolver projetos com alunos do ensino médio e explorar a matemática.
 No slide 20 e 21, o antes e o depois.
 Vou explicar como foi o movimento de trabalho nesta escola.
 A primeira aula foi marcante, primeiro que as expectativas dos jovens eram de uma aula tradicional, cada um com seu caderno, quando se viram no processo de aprender mexendo, tocando, testando, sem medo de estragar, foi dada a permissão para explorar.
 A primeira experiência de montagem e programação é motivacional, eles se vendo como construtores e responsáveis por fazer de sua “criatura” ganhar vida, movimento, ações que eles estabeleceram. Sem selos ou travas, não havia limites, por mais que a aula estava planejada com uma proposta, primeira montagem e movimento, os alunos queriam mais. E nesse mais, acabaram testando e explorando todos os sensores em uma aula.
 No slide 24, temos algumas fotos e um estrutura de construção de uma rede de trabalho de robótica, ou seja, o trabalho com robótica educacional nesta escola foi uma ação de aproximação da Universidade até a Escola, usando do PIBID e apoiada pelo NUPEME.
 Na escola construímos atividades de robótica, que eram repensadas a cada aula, a primeira foi exemplo disso, em uma aula, foi realizado atividades de pelo menos 4 aulas, tanto que as seguintes foi necessário criar novos desafios, levar novas montagens. O trabalho com material da Lego, tem a facilidade de montagem, é mais rápido, mas precisa de uma combinação das peças, conhecimento delas para se chegar a um protótipo
 As primeiras montagens são realmente a partir de modelos prontos. Como não tínhamos as revistas, buscávamos em sites montagens livres para servir de modelo, onde vinham os passos de montagem. Nesse processo, a cada novo desafio, estimulávamos os alunos a encontrar soluções, por exemplo, se uma peça não constasse na caixa, crie uma nova solução, remodele a montagem.
 Montar e reproduzir não da para ser para sempre, haveria desafios que a construção de uma nova estrutura seria necessária, ou seja, não haveria um modelo pronto, mas todos os aprendidos, montados, poderiam colaborar na montagem de um novo modelo.
 Essa necessidade foi exigida, quando foi formada uma equipe de competição de torneio de robótica chamada Robotstorms. Até então, na escola estávamos trabalhando com grupos ou pequenas equipes, destas esquipes surgiu os integrantes que iriam formar a RobotStorms.
 Em 2012, dez jovens participaram do First Lego League (FLL), torneio internacional. Ficamos em 24º lugar, em aproximadamente 40 equipes. De alunos a competidores, com um mês de trabalho, desenvolveram um projeto de pesquisa, um robô e foram competir.
 Detalhe, o robô desmontou no porta malas do carro na noite anterior e foi feito um novo na madrugada.
<Fernando_> O robô da foto o slide 24 é a versão da madrugada
 Saber lidar emocionalmente, racionalmente, ser técnico, esse foi o momento. O torneio gerou um ambiente de muita tensão e cansaço. Mas eles superaram seus limites, não tínhamos alunos do ensino médio passivos e aguardando instruções, mas autônomos, com iniciativa, que buscavam resolver os problemas de acordo com suas capacidades.
 O professor nesses momentos é um mediador, orientador no processo de aprendizagem. Quando se sentem confusos, o professor agia de modo orientar a identificar o melhor caminho. Um jeito era questionar, usar de perguntas.
 Após esse torneio FLL, alguns imprevistos da escola mudaram o rumo do projeto, por um lado foi bom, por outro a escola perdeu a continuação
 Alguns alunos desta equipe Robotstorms foram aprender mais, mas dentro da universidade, com professor da universidade e graduandos, chegando a outro nível de competição, OBR, com uso de linguagem de programação em C++. Se forem passando pelo slide 25 até o 27 verão essa representação.
 Os jovens foram passando de alunos para competidores e voltaram a ser alunos em 2013. Aprendendo estudando e mais, ensinando, pois começaram a orientar outras equipes, serem técnicos.
<Fernando_> No slide 28, podem ver a mudança da estrutura, a Robotstorms orienta três equipes de três escolas diferentes. O conhecimento construído dentro da universidade se reflete na premiação do melhor robô feito na competição, sobre orientação dos jovens membros da equipe Robotstorms Jr.
 Slide 27, perdão.
 O modelo de torneio que acabaríamos participando permitiu emergir melhor os conhecimentos matemáticos e científicos, pois os torneios usam de temáticas e dentro destas, os participantes precisam identificar problemas e criar soluções, isso faz parte do projeto de pesquisa
 Além disso, construir um robô para resolver desafios em uma arena de competição e não menos importante, formar as pessoas para trabalharem de forma coletiva, em busca do conhecimento, de sem esquecer a diversão.
 . A medida que se avança, pesquisa, busca entender um fenômeno, construir uma solução, os conhecimentos científicos e matemáticos são despertados, são exigidos, foi nesse momento que vimos a matemática emergir sem forçar, mas das necessidades deles.
 Vimos a criação da Robotstorms Jr (equipe de robótica de uma ONG da periferia da cidade), mais que criação, a transformação das crianças envolvidas, de tímidas a falas firmes e convictas de quem cresce e conquista.
 Cresce na etapa local, cujo tema era agricultura sustentável, revitalizaram uma horta abandonada na ONG e foram participar do torneio nacional no Rio de Janeiro, viajando sem os pais pela primeira vez.
 Esse trabalho com ensino médio, criou conexão com ensino fundamental, vimos um novo caminho de trabalhar matemática e robótica, acompanhamos a transformação dos envolvidos, o seu ingresso em cursos de engenharia na UFU em 2015
 O mais importante é que o trabalho com RE, transforma o participante, o professor e todos que estão diretamente conectados. Para fechar esse ciclo, só quero que observem a foto com cinco jovens no slide 26 e olhem a foto do slide 3 ou 4.
 O jovem do centro é o mesmo da foto do slide 3.
 Esses jovens tem história, o Ygor, falou algo que jamais me esqueci. Ele é o quinto jovem na foto do slide 25
 "Eu só voltei para robótica por causa dos desafios"
 Esses meninos de alunos, a professores, hoje universitários, engenharia mecânica e de computação.
 Esse caminho não foi sozinho, foi criando diferentes conexões, com escolas, pessoas, universidade, ONG, entusiastas, pais. O que ficou foi essa rede, e a medida que esses meninos e meninas ingressam na universidade, o que um dia eu estava a frente, eles assumem e fazem melhor.
 O que era aprendido era compartilhado a outros novos alunos, tanto que a conquista de melhor robô veio com os ensinamentos daqueles meninos do ensino médio. Foi uma equipe do ensino fundamental que ganhou o prémio, ou melhor, foram todos nós.
 Observem os slides 31 ao 33, não são minhas as palavras, mas vejam nelas o que foi a experiência com robótica
 Nesse processo de interação dos sujeitos com eles e com os outros, temos o caminho da construção de suas identidades, pois lhes é exigido, nos diferentes papéis vivenciados, posicionamentos diferentes a cada papel, a cada acontecimento.
 Esses posicionamentos marcam o sujeitos, são experiências sendo construídas.
 E, quanto mais marcas, mais o jovem/estudante/sujeito da pesquisa se conhece, viaja, vive diferentes acontecimentos, exerce diferentes papéis, mais rica se torna sua identidade e, consequentemente, mais rico de saberes fica a rede por ele navegou
 Para fechar no slide 33, recordo Larrosa, a experiência é algo que vibra, toca, transforma. Acho essa sua definição uma poesia.
 Agora fechando de 2016 a dias atuais, nos slides 34 ao 38, eu fui trabalhar na Universidade Federal de Goiás – Regional Catalão, atualmente em transformação em UFCat. Nesta instituição e cidade, teve um grande investimento em kits de robótica, tendo laboratórios cheios de kits de robótica da Lego.
 Quando cheguei a instituição, comecei a colaborar com o PIBID de Matemática coordenado pela profª Crhistiane da Fonseca, que desenvolvia projeto com robótica na escola do município, além de projetos de extensão que levavam os alunos a universidade para trabalhar com robótica e atualmente trabalho a dois anos com estágio supervisionado I.
 O estágio supervisionado I, em sua proposta de ementa é desenvolver projetos e aplica com alunos da educação básica. Como professor da disciplina do curso de licentura em Matemática, buscamos desenvolver projetos de investigação que trabalhem robótica e que faça relação com conhecimentos da matemática. Neste contexto, a professora Crhistiane desenvolve sua pesquisa de doutorado com os licenciandos, sendo minhas aulas o a
<Fernando_> A poucas semanas, comecei um novo projeto, tenho caminhado para orientações de TCC com robótica, jogos digitais (usando Scratch) e projeto com uso de Arduino.
 As experiências só me fazem um pouco mais sabido, mas sinto que tenho muito que aprender, se cheguei aqui, foi graças a rede que me conectei, ao Danilo Cesar, quem me deu as primeiras referências bibliográficas no mestrado, sua orientação e ajuda foi fundamental.
 Nunca imaginaria conhecer o Danilo, só lia seu trabalho, hoje já tive a oportunidade de aprender com ele pessoalmente, ver desenvolvendo seus projetos.
<Fernando_> A robótica muda o sujeito, não fica só dentro da escola, me baseio em Juarez Dayrell, Papert, Paulo Freire e no Danilo.
 Eu só sei hoje, que ainda tem muita coisa a se aprender e descobrir, mas cada dia me encanto com os olhos brilhando das crianças e dos universitários conhecendo a robótica.
 Muito obrigado a atenção de todos, que permaneceram aqui, aos meus alunos que puderam entrar e a você Danilo!
<danilorcesar> Eu que agradeço, Fernando!
 Está aberto para as perguntas?
<Fernando_> sim
<danilorcesar> Fernando, eu também aprendi muito com você, Deive, Arlindo, Alex...
<osvaldo> obrigado fernando..quando os conheci, vc e danilo na UFT, vcs plantaram uma semente da Robótica em mim...muito obrigado
<danilorcesar> Fernando, dentro dessa nova perspectiva de sala de aula - os fablabs -, como vc enxerga a Robótica nesses laboratórios?
<Fernando_> Fico feliz Osvaldo! A rede está construída, é bom ter mais gente para produzir. Um ajuda o outro e vamos crescendo.
<Guest21118> CARA VOCÊS EXPIRAM AS PESSOAS TEM MUITO TALENTO A SER DESCOBERTO,RECENTEMENTE PASSEI A ME ENVOLVER MAIS  EM ROBÓTICA, SISTEMAS LIVRES,GRAÇAS AOS PROFESSORES OSALDO E DANILO,E AGORA AO SENHOR PROFESSOR FERNANDO.
<Fernando_> Danilo, a pouco que estava observando o trabalho com fablabs, como estavam sendo produzidos. Pensando nos projetos que comecei na robótica, os fablabs era a solução que não tinhamos naquela época (2008)
<Guest21118> *OSVALDO
<Fernando_> os fablabs é um caminho para autoria
 os kits que trabalho hj estão caminhando pra fim da vida útil.
<Ygor> É professor, meu orientador, meu amigo, aprendi e ainda aprendo com você mano. Nunca imaginei que meu professor de matemática do quinto ano seria um dos meus maiores exemplos para seguir a faculdade. Obrigado por tudo mano, sem a robótica hoje acho que não estaria em uma universidade desenvolvendo os projetos.
<Guest21118> PROFESSOR FERNANDO O  SLIDE 28, GOSTARIA DE SABER A RESPEITO DA IMAGEM
<Fernando_> Slide 28
<Guest21118> SIM
<Fernando_> a primeira a esquerda é o ambiente de programação da lego
 é em blocos, para crianças até adultos, usa de icones, de fácil associação e que o aluno programa os robôs em uma sequência lógica
 As duas imagens abaixo são linhas de programação, uma sequência
<danilorcesar> @Fernando_ , Atualmente eu vejo o pessoal utilizando os kits Legos com a plataforma arduino. Tem feito algum trabalho com os alunos nessa perspectiva? Atualmente estou escrevendo sobre esse fato, que podemos chamar de Robótica Híbrida
<Fernando_> O robô do centro é o premiado, não precisava desmontar ou acoplar nada nele para resolver os desafios
 A direita, o robô do primeiro torneio de 2012, ou seja, tivemos uma evolução
 Danilo, não tenho feito esse tipo de trabalho
<Guest21118> scratch atualmente o mais utilizado
<Fernando_> e Scratch é gratuito
 o software da Lego não
<Ygor> Fernando, como você já havia dito que os kits vem aproximando do fim, como encontrar uma nova utilidades para eles?
<Fernando_> Estou usando Scratch em um projeto de extensão, fazer jogos com crianças
<Guest21118> Ele permite essa interação em blocos, também ajuda muito
<Ygor> Tem um projeto aqui na faculdade que chama ZeroUm eles ensinam scratch nas escolas com o arduino
<Fernando_> Ygor, é uma boa pergunta, mas acho que o Danilo trouxe uma luz, jogar fora nao podemos
<Ton> Fernando, eu notei muita relação no seu inicio com a robótica, com o meu, quando tive o primeiro contato com a robótica, foi em suas aulas de Estagio I. E hoje tentando implantar no colégio que trabalho, estou com dificuldades, em parte dos professores de matemática, que lutam contra isso, e em parte dos alunos, que estimulados por esses professores, sofrem com o desanimo, como você conhece, a parte financeira, não tive problemas a
 A direção, tem me atendido bem, conseguindo o transporte dos meninos até a faculdade, para que estudem a RE Lego, e comprando o que preciso, agora que iniciei no próprio colégio com a RE livre.
<Ton> Como estimular mais os alunos e tirar esse preconceito por parte dos meus colegas de trabalhe. Que preferem viver no passado.
<Fernando_> Ton, respondendo com base na experiência. Continue seu trabalho de plantar a semente, os próprios meninos vão motivando seus colegas
 não deixe de chamar
 quando os meninos visualizam o que seus colegas fazem ou fizeram, aparece o interesse, querem se envolver
 o trabalho no ensino médio em 2012, as primeiras turmas foram poucos alunos
 quando a notícia se espalhou teve lista de espera
<Guest21118> Sempre tem um grupo na sala de aula que se interessa mais do que os outros, use eles para influenciar o retante, aulas dinâmicas, na qual eles repassem o que o senhor esta transmitindo   a interação de robótica na matemática
<danilorcesar> Tenho visto vários kits da Lego sendo utilizados com a arduino. Penso que o futuro esteja aí: união do kit de robótica proprietário, do kit livre e da impressão 3D.
<Ygor> Ton, sempre proponha um desafio em cada aula isso deixam os alunos motivado, competições internas, coisas que podem serem usadas no dia a dia. Aluno cansa de ver tanta matéria e não conseguir visualizar a utilidade dela no seu dia a dia
 @danilo arduino infelizmente é inferior ao processador da lego, acredito que o kit superior seria encima de rasp ou beaglebone
<danilorcesar> Alguém tem mais alguma pergunta a ser feita ou considerações?
<Ygor> estamos tentando desenvolver um "shield" que consegue comunicar com a rasp e os motores, sensores da lego. Isso já existe lá de fora, porem aqui no brasil não tem
<Fernando_> Isso ai, vamos trabalhar juntos, assim a rede cresce e todos nela
<danilorcesar> @Ygor, para resolver esse problema... há muito tempo atrás... a comunidade de Software Livre, desenvolver um Sistema Operacional para o RCX. Depois vc dê uma verificada na internet. O Sistema Operacional do RCX é limitado!
 Ou o próprio NXT
 Também temos que pensar na realidade das escolas públicas e até mesmo da particulares
 Para algo de "start" nas escolas de uma forma geral o arduino atende as espectativas (iniciais)
<Ygor> verdade, arduino ou pic são materiais bem mais acessíveis do que uma rasp ou algo superior
<danilorcesar> Obrigado Professor/Educador Fernando da Costa Barbosa!
<Fernando_> Eu que agradeço e convite
<danilorcesar> @Fernando_ deixe seu email para quem quiser enviar mensagens com mais perguntas
<Fernando_> precisando estou a disposição
 fcbarbosa@ufg.br
<Fernando_> Podem mandar que responderei. Obrigado e boa noite a todos!
<Ton> Boa noite!
<Guest21118>  Conferência  boa pode aprender mais,obrigado aos mestres
<Ygor> boa noite a todos
<cassiano> boa noite
<danilorcesar> Boa noite, pessoal! Até a próxima conferência no mês que vem! Abs!
<Fernando_> Abs

 

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Based on a work at Texto Livre.

8. Dezembro: BEE BOT – Uma reflexão das tecnologias da infância

Cartaz de divulgação do STIS de dezembro/2018

STIS - Seminários Teóricos Interdisciplinares do SEMIOTEC

Conferência STIS

Dezembro - 2018

Dia 12 de Dezembro às 19:30 horas, na Sala de Conferências do STIS

 

BEE BOT – Uma reflexão das tecnologias da infância

(Prof.ª Maria Esperança de Paula)

Resumo: A conferência tem como objeto a apresentação do dispositivo ou brinquedo para programar denominado Bee-Bot como recurso para aprendizagem da programação para crianças na primeira infância. A proposta foi de se apropriar do brinquedo e a partir dele utilizá-lo em sequências didáticas com foco na aprendizagem e desenvolvimento de algumas habilidades que proporcionam às crianças momentos de interação e trocas com foco na leitura, escrita, contagem, trabalho em grupo e iniciação a programação. Os desafios da pesquisa são principalmente a sala de aula e a formação de professores para o uso dos dispositivos com códigos fonte aberto. Palavras chave: brinquedo, programação, infância.

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Licença Creative Commons

8.1. registro dezembro

Registro da Conferência em chat escrito, de 12 de dezembro de 2018:

 

BEE BOT – Uma reflexão das tecnologias da infância

(Prof.ª Maria Esperança de Paula)

 

 

 

 

moderador: Equipe STIS

 

 

Dez 12 19:50:14 <danilorcesar> Boa noite a todos! Sejam bem-vindos! Gostaria de agradecer ao grupo Texto Livre por esta oportunidade de compartilharmos informações que irão gerar uma diversidade de conhecimentos! Também gostaria de agradecer ao professor/educador Fernando por ter aceitado o convite para participar desta conferência! Agradeço em nome do grupo Texto Livre!
Dez 12 19:51:25 <Madu> Boa noite
Dez 12 19:51:26 <danilorcesar> Também gostaria de agradecer ao professora/educadora Esperança por ter aceitado o convite para ministrar esta conferência!
Dez 12 19:51:55 <danilorcesar> Para quem participa pela primeira vez, teremos 60 minutos de apresentação e 30 minutos para perguntas, sugestões e discussão geral das ideias expostas ou o palestrante poderá dividir em seções a sua apresentação e liberar para cada seção um momento de perguntas, sugestões e discussão geral das ideias expostas.
Dez 12 19:52:02 <esperanca> Boa noite!
Dez 12 19:52:48 <danilorcesar> Os códigos para os slides (quando houver) serão indicados no início de cada apresentação; Basta inserir o código à direita, depois de escolher o tipo de atendimento: “apresentação de slides”; Vocês podem regular o tamanho do chat e slides ajustando a coluna vertical entre as partes. A apresentação de hoje teremos o código “beetbo2” (sem as aspas) para os slides!
Dez 12 19:53:10 <esperanca> Inicialmente, agradeço o convite e a oportunidade de compartilhar  essa pesquisa com vocês
Dez 12 19:53:47 <danilorcesar> Desculpem: o código é beebot2
Dez 12 19:54:09 <danilorcesar> A apresentação acontece apenas por escrito, no chat, ou seja, não há vídeo nem áudio. Durante esse tempo, a sala poderá estar moderada!
Dez 12 19:54:43 <danilorcesar> Aguardem a fala da Professora Esperança para quando for solicitado que sejam feitas as perguntas!
Dez 12 19:55:06 <danilorcesar> A Professora/Educadora Maria Esperança de Paula é: Graduada em Pedagogia pela Universidade do Estado de Minas Gerais. Especialista em Comunicação, Tecnologia e Educação com ênfase em EAD. Mestrado em Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, em Mídias Tecnológicas.
Dez 12 19:55:22 <danilorcesar> Gerente de Tecnologias - Colégio Padre Eustáquio, Coordenadora de projetos PEA/UNESCO do Colégio Padre Eustáquio. Atualmente é docente nas disciplinas de Tecnologia Educacional na Graduação e Pós-Graduação na Faculdade de Educação. Pesquisadora e Coordenadora do Centro de Ensino da Faculdade de Educação.
Dez 12 19:55:37 <danilorcesar> Experiências na área de consultoria educacional e corporativa, tendo como referência: UTRAMIG, Fundação João Pinheiro, FRAMINAS e outras instituições. Desenvolveu atividades nos seguintes temas: educação, EaD, tecnologias midiáticas e infância.
Dez 12 19:56:04 <danilorcesar> Desejamos um ótimo seminário a todos!
Dez 12 19:56:41 <esperanca> Obrigada, Professor Danilo!
Dez 12 19:57:48 <esperanca> Esse estudo que vou apresentar é fruto de um grupo de pesquisa da Faculdade de Educação - UEMG Coordenado pela professora Luciana Zenha e tem a participação das professoras:   Profª Luciana Zenha Profª Maria de Lourdes Juntas desenvolvemos a pesquisa sobre Bee bot
Dez 12 19:59:35 <esperanca> Para facilitar a apresentação, vou dividir minha fala em quatro partes
Dez 12 20:01:55 <esperanca> Dentre as possibilidades do uso de tecnologias educacionais e recursos metodológico, nosso estudo gira em torno da possibilidade de trabalhar a linguagem de programa na primeira infância
Dez 12 20:02:32 <esperanca> Para isto introduzimos como objeto de pesquisa, o brinquedo de programar: BEE-BOT
Dez 12 20:03:02 <esperanca> Bee-Bot é um brinquedo pedagógico de linguagem de programação, que pode executar sequências programadas para o seu deslocamento e rotação de acordo com os caminhos estabelecidos pelos sujeitos na infância.
Dez 12 20:03:50 <esperanca> O design do Bee-Bot é na cor amarela, com riscas pretas, em forma de abelha, tem um apelo lúdico e descontraído, com um formato anatômico ideal para manuseio de crianças, foi criado e moldado para ser empregado em metodologias educacionais e utilizado por crianças.
Dez 12 20:04:17 <esperanca> Para programar o Bee-Bot, podemos utilizar sete botões coloridos, conforme figura 1, que ao serem pressionados, acionamos um circuito que permite à criança formular uma sequência lógica de programação que determina o movimento e a rotação do brinquedo.
Dez 12 20:05:10 <esperanca> Vocês, podem visualizar o brinquedo no slide 2 da apresentação
Dez 12 20:06:20 <danilorcesar> Vejam o Slide 4
Dez 12 20:06:44 <esperanca> Desenvolvemos a pesquisa em escolas públicas e privadas de Belo Horizonte, em Minas Gerais, com 3(três) turmas. Destas, 1(uma) turma da Educação infantil, com 22(vinte e duas) crianças, e 2 turmas do Ensino Fundamental I de 6 (seis) anos, com vinte 23 (vinte e três) crianças.
Dez 12 20:07:54 <esperanca> Nosso objetivo era compreender as contribuições metodológicas e pedagógicas provenientes das ferramentas digitais, enquanto tecnologias inovadoras, utilizamos três sequências didáticas com as crianças.
Dez 12 20:08:45 <esperanca> Diferentemente do plano de aula e do tradicional planejamento, a sequência didática surge no segmento da Educação Infantil. Ela norteia um conjunto de atividades que se intercalam através de etapas e procedimentos ligados entre si para organizar e tornar o processo de aprendizado mais eficiente.
Dez 12 20:09:33 <esperanca> A sequência didática faz parte de um planejamento, obrigatoriamente deve ter um objetivo cujo o foco se destina à necessidade do/a aluno/a. Essa estratégia utiliza a lógica do passo a passo, desmembrando as etapas em períodos demarcados por necessidades cognitivas.
Dez 12 20:11:27 <esperanca> A primeira sequência “Caminho das Emoções”, teve como objetivo trabalhar as emoções das crianças, programando o Bee-bot para encontrar a imagem que representa seus sentimentos. Como uso do reconhecimento das manifestações emocionais, o brinquedo de programar possibilitou que as crianças identificassem diferentes expressões faciais de emoções. A intenção presente na sequência didática tem como objetivo o trabalho 
Dez 12 20:12:22 <esperanca> Podem visualizar no slide 05
Dez 12 20:13:23 <esperanca> A segunda sequência didática “Encontre o bicho”, tinha como objetivo fazer as crianças percorrerem um caminho colorido que delimita a diferenciação de entre direita/esquerda. Mesmo podendo optar por caminhos alternativos, as crianças precisavam programar movimentos que envolvem os conceitos de lateralidade para encontrarem o animal de acordo com o som emitido.
Dez 12 20:14:02 <esperanca> Sentadas em círculo, conforme a figura ao lado, as crianças receberam as instruções dos possíveis caminhos a serem percorridos para alcançarem os animais responsáveis pelo som.
Dez 12 20:16:45 <esperanca> Antes de continuar para a metodologia e as informações dos dados, gostaria de saber se alguém deseja realizar alguma pergunta?
Dez 12 20:17:42 <Madu> Sim, onde posso adquirir um Bee bot
Dez 12 20:18:25 <esperanca> Oi, Madu! Pode comprar pelo site: https://www.bee-bot.us/
Dez 12 20:18:26 <FernandoBarbosa> Sim. Era explicado as funções dos botões do robô ou deixavam a criança a partir da exploração descobrir o significado?
Dez 12 20:18:57 <esperanca> Ou pedir alguém para trazer do exterior.
Dez 12 20:19:23 <Madu> Obrigada
Dez 12 20:20:02 <Madu> Também tenho a mesma curiosidade do Fernando
Dez 12 20:20:43 <esperanca> Fernando, seguindo as regras da sequência didática, Inicialmente as crianças exploraram o brinquedo Bee Bot de forma livre, sem nenhuma intervenção. Levantaram várias hipóteses, sob o olhar do pesquisador, quanto ao funcionamento.
Dez 12 20:20:51 <danilorcesar> Madu, estou fazendo uma engenharia reversa desse robô para criar uma com arduino e impressora 3D.
Dez 12 20:21:32 <Madu> Bacana Danilo
Dez 12 20:21:39 <esperanca> elas exploraram os botões e descobriram como fazer a abelha movimentar, como não conheciam o botão de limpar as programações, estas foram se acumulando e transformando o deslocamento da abelha em uma grande confusão.
Dez 12 20:22:23 <esperanca> Aos poucos as crianças vão descobrindo as funcionalidades e as estratégias
Dez 12 20:22:47 <FernandoBarbosa> Uma outra pergunta. Desculpe se deixar passar, onde e como teve contato com esse robô?
Dez 12 20:23:22 <FernandoBarbosa> e obrigado por responder, estou gostando da forma que trabalhou.
Dez 12 20:23:36 <esperanca> A ideia do Professor Danilo, é muito boa! Vai tornar possível o uso do brinquedo nas escolas publicas
Dez 12 20:24:44 <Madu> Isso mesmo Esperança
Dez 12 20:24:48 <esperanca> Olá, Fernando! A Professora Luciana Zenha apresentou para nosso grupo de pesquisa, a partir de um contato com professores da UFMG
Dez 12 20:25:53 <FernandoBarbosa> Obrigado
Dez 12 20:25:55 <esperanca> Foi muito difícil comprar o brinquedo aqui no Brasil.
Dez 12 20:26:02 <danilorcesar> Pessoal, só mais uma pergunta e depois vcs podem fazer mais questionamentos no final
Dez 12 20:27:36 <esperanca> A lógica de utilizar a linguagem de programação  com crianças na primeira infância, trazem grandes possibilidades metodológicas de desenvolvimento cognitivo e
Dez 12 20:28:51 <esperanca> de formas lúdicas para construção de conhecimento e habilidades
Dez 12 20:29:24 <esperanca> A primeira maneira, utilizando a compreensão corporal e lateralidade, garantindo o entendimento da atividade e a possibilidade de uso do brinquedo de programar. Na segunda, as crianças utilizaram a linguagem de programação para atingir o objetivo proposto.
Dez 12 20:31:43 <esperanca> No slide 6, vocês vão perceber como o brinquedo possibilitou as crianças
Dez 12 20:32:25 <esperanca> a compreenderem os conceitos quantitativos matemáticos com foco no aprendizado.
Dez 12 20:33:47 <esperanca> Por exemplo: as crianças não tinham noção de Direita e Esquerda, mesmo assim, conseguiam realizar o movimento de lateralidade com o uso da Bee bot
Dez 12 20:34:33 <esperanca> Conseguiram compreender a análise no slide 06?
Dez 12 20:35:08 <esperanca> Alguma dúvida?
Dez 12 20:36:56 <esperanca> Nessa fase, temos grande dificuldade de trabalhar a lateralidade com as crianças
Dez 12 20:37:51 <esperanca> Durante a pesquisa, percebemos que além de contribuir para o desenvolvimento de uma série de conceitos cognitivos, percebemos a concepção dos esquemas de lateralidade durante as ações de cada criança. A lateralidade segundo Oliveira (2007), é a capacidade que a criança possui, de empregar preferencialmente, “mais um lado do corpo do que o outro em três níveis: mão, olho e pé”. Há a preponderância de um dos lados, 
Dez 12 20:38:11 <esperanca> mais rapidez”.
Dez 12 20:38:54 <esperanca> A lateralidade encontra-se diretamente relacionada aos esquemas corporais internos do sujeito que o capacitam a empregar um lado do corpo com maior destreza que o outro, em atividades que estabeleçam habilidades.
Dez 12 20:40:27 <esperanca> Durante os conflitos de lateralidade, nas sequencias didática percebemos que as crianças se levantam e fazem as associações com a mão, com o pé e olho. Elas não utilizam as palavras “direita” e “esquerda”, pois ainda não são capazes de realizar uma descentralização de seus pontos de referência em relação ao outro.
Dez 12 20:41:19 <esperanca> Antes de explicar melhor a sequência didática, alguém deseja fazer alguma pergunta?
Dez 12 20:43:27 <danilorcesar> Pessoal, vamos limitar a duas perguntas. Assim, podemos fazer mais questionamentos no final da apresentação da professora.
Dez 12 20:44:20 <esperanca> Vamos lá!
Dez 12 20:44:31 <esperanca> Seqüência didática é um termo utilizado na educação para determinar uma metodologia de sequência de procedimentos e processos que envolvem a aplicabilidade de uma atividade. A sequência didática é organizada por etapas ligadas entre si, respeitando os passos, planejados para o desenvolvimento de um determinado objetivo educacional.
Dez 12 20:45:05 <esperanca>   Lembrando que para o sucesso do uso dessa metodologia é necessário respeitar algumas etapas.
Dez 12 20:45:54 <esperanca> 1ª Etapa: Consiste na apresentação aos participantes, as informações necessárias para o desenvolvimento da atividade a ser desenvolvida.
Dez 12 20:46:25 <esperanca> Na 2ª Etapa: Os participantes da atividade apresentam, dialogam e contextualizam o conhecimento prévio sobre o assunto ou ideias relacionadas ao tema. Nesta etapa os alunos podem socializar no formato que desejarem.
Dez 12 20:47:33 <esperanca> Na fase 2, é um bom  momento para o professor avaliar o conhecimento prévio e pode realizar anotações individuais de cada participante, essas anotações vão auxiliar nas avaliações futuras e nas possíveis interferências a serem realizadas.
Dez 12 20:48:42 <esperanca> Na 3ª Etapa: que poderá ser dividida em módulos e tem como objetivo o desenvolvimento da atividade, aplicabilidade dos conceitos e análise das informações.
Dez 12 20:49:52 <esperanca> Na 4ª etapa: é a hora da avaliação final, podendo apresentar um momento de comparação  (comparação entre produção inicial e produção final).
Dez 12 20:50:26 <esperanca> No site da nova escola podemos localizar um ótimo exemplo de uso da sequência didática
Dez 12 20:53:53 <esperanca> Concluindo, vamos perceber que o brinquedo de programar pode ser um excelente ferramente para uma trabalho com crianças na primeira infância, dando significado a construção de conhecimento  e apresentando alternativas do uso da tecnologia na Educação.
Dez 12 20:54:51 <esperanca> A pesquisa não se finda por aqui, estamos apenas começando uma investigação, pois temos vários outros brinquedos e usos  para investigar
Dez 12 20:55:48 <esperanca> Também se faz necessário um investimento na formação dos professores, ampliando as possibilidades do uso de tecnologias como estratégias de ensino e aprendizado.
Dez 12 20:56:22 <danilorcesar> Esperança, por que vcs utilizam brinquedos na sua pesquisa ao invés de robô pedagógico ou algo parecido?
Dez 12 20:56:41 <danilorcesar> Me desculpe, vc terminou?
Dez 12 20:58:19 <esperanca> Primeiro utilizamos o brinquedo por se tratar de crianças da educação infantil
Dez 12 20:59:35 <danilorcesar> Informo que a sala está aberta para a discussão em torno da conferência.
Dez 12 20:59:58 <esperanca> A ideia era experimentar a lógica da programação no âmbito dos espaços lúdicos
Dez 12 21:00:44 <danilorcesar> Para os que entraram agora: A log da apresentação da conferencista estará disponível no sítio do STIS
Dez 12 21:01:08 <esperanca> E a lógica do Robôs autônomos poderiam impedir o alcance desejado
Dez 12 21:01:19 <danilorcesar> O código da apresentação é beebo2
Dez 12 21:02:31 <danilorcesar> Gostaria de entender um pouco sobre a relação da sequência didática com a programação?
Dez 12 21:03:27 <danilorcesar> Esperança: Você poderia explicar melhor essa relação
Dez 12 21:08:16 <esperanca> A lógica da construção cognitiva  e assimilação dos processo de programação, respeitam a mesma lógica da organização do aprendizado de um conteúdo.
Dez 12 21:10:58 <esperanca> Quando estamos construindo um determinado  conhecimento, precisamos organizar uma lógica semelhante aos processos da lógica de programação.
Dez 12 21:11:07 <danilorcesar> Além da lateralidade e raciocínio lógico, qual(is) outra(s) habilidades e competências que uma criança pode vir a ter com a utilização desse brinquedo?
Dez 12 21:13:24 <danilorcesar> O que devemos fazer (enquanto professores e cidadãos) para incentivar outras profissionais da nossa área a utilizar uma ou mais tecnologias como essa em sala de aula?
Dez 12 21:13:42 <danilorcesar> Essas são as minhas perguntas.
Dez 12 21:14:25 <esperanca> Percebemos uma grande aplicabilidades com crianças deficientes, em uma das turmas que aplicamos a sequência: encontre o bicho, percebemos que crianças que não identificavam a quantificação numérica, começam a contar os passos da bee bot
Dez 12 21:15:52 <esperanca> Ou seja, existem vários outras habilidades que podem ser trabalhadas.
Dez 12 21:16:50 <esperanca> A professora Maria de Lourdes, participante da pesquisa, já atua com crianças deficientes utilizando a bee bot.
Dez 12 21:17:40 <danilorcesar> Depois que a professora responder as perguntas, gostaria que deixasse seu email para quem quiser (ou acessar o log) fazer outras perguntas.
Dez 12 21:18:30 <esperanca> As estratégias de incentivo, estão presentes em espaços como este. investimentos em formação de professores, publicações e divulgação de pesquisa acadêmicas
Dez 12 21:19:19 <danilorcesar> Gostaria de corrigir: ... outras e outros profissionais...
Dez 12 21:21:02 <danilorcesar> Professora Esperança, excelente o trabalho e a visão que vc e o grupo estão tendo e fazendo com esse robô pedagógico. Meus Parabéns!
Dez 12 21:21:26 <danilorcesar> Espero que não parem!
Dez 12 21:21:43 <danilorcesar> Obrigado Professora/Educadora Maria Esperança de Paula!
Dez 12 21:21:56 <esperanca> Gostaria de agradecer o convite! E em nome do grupo de Pesquisa da Faculdade de Educação, deixo o convite para visitarem e conhcerem de perto a pesquisa e os professores pesquisadores
Dez 12 21:22:18 <esperanca> Meu e-mail é maespera@gmail.com
Dez 12 21:22:38 <esperanca> Estou à disposição!
Dez 12 21:23:02 <danilorcesar> Mais uma vez, belo exemplo de como auxiliar os professores e professoras na utilização da tecnologia dentro e fora da sala de aula!
 



 

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