STIS 2014

6. Agosto: Português como língua estrangeira

6.1. registro agosto

 Registro da Conferência em chat  escrito, de 28 de Agosto de 2014:

 

Uma proposta de formação do professor de PLE: focos programáticos

conferencista: Luís Gonçalves

Ensinar Língua Portuguesa na Croácia, primeiras anotações de uma experiência

conferencista: José Luiz Foureaux de Souza Júnior

 

moderador: Equipe STIS

 
[14:00] <daniervelin> Boa tarde a todos!
[14:00] <thalita> ok
[14:00] <daniervelin> Com imensa alegria, em nome do Grupo STIS - SEMINÁRIOS TEÓRICOS INTERDISCIPLINARES DO SEMIOTEC, damos boas -vindas a todos vocês que nos honram com sua presença: conferencistas e participantes.
[14:01] <Ana_Lemos> Boa tarde!
[14:01] <daniervelin> O Stis é um programa de conferência realizado na penúltima semana de casa mês de março a dezembro, congregando pesquisadores do Brasil e do exterior em torno de temas interdisciplinares
[14:01] <deia_> olá a todos
[14:01] <daniervelin> Agradecemos o aceite dos dois ilustres conferencistas de hoje
[14:01] <daniervelin> O professor Luis Gonçalves será o primeiro a apresentar hoje. Em seguida, será dada voz ao professor Jose Luiz Foureaux de Souza Junior e no final abriremos a sala para o debate
[14:01] <daniervelin> Nenhum dos dois conferencistas utilizará slides! Dessa forma, vocês podem aumentar o tamanho do chat (pela barra vertical do centro) e desconsiderar a parte direta da página.
[14:01] <foureaux> um prazer e uma honra estar aqui com vocês!
[14:01] <daniervelin> Faremos agora uma breve apresentação de nossos conferencistas convidados.
[14:02] <deia_> ok obrigada
[14:02] <daniervelin> LUÍS GONÇALVES - é professor de português e espanhol na Princeton University, em
[14:02] <daniervelin> New Jersey, EUA.
[14:02] <joycefett> Boa tarde a todos!
[14:02] <daniervelin> É doutor em Línguas Românicas, com especialização em Estudos da Comunicação e uma certificação em Estudos Culturais, pela Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill.
[14:02] <Darlan> Boa tarde!
[14:02] <daniervelin> Tem também um mestrado em Literatura Luso- Brasileira, pela mesma universidade. Recebeu o 2010 Award for University Professor of Portuguese dado pela Universidade dos Açores, Portugal e pelo Portuguese World Language Institute at Lesley University,
[14:02] <daniervelin> Cambridge, Massachusetts em reconhecimento pelo trabalho desenvolvido com a língua portuguesa nos EUA.
[14:03] <daniervelin> Jose Luiz Foureaux de Souza Junior:
[14:03] <daniervelin> Graduado em Letras, pela PUC-MG; Mestre em Teoria da Literatura, pela UnBrasília; Doutor em Estudos Literários-Literatura Comparada, pela UFMG e Pós-doutor em Literatura Comparada, pela UFF, Leitor de Português, na Universidade de Zagreb, em Zagreb (Croácia, 2008-2010)
[14:03]  * hugleo +z #stis
[14:03] <daniervelin> membro efetivo do Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais-MG, membro efetivo da Academia de Letras, Artes e Ciências do Brasil-Mariana, diretor cultural da Sociedade Brasileira de Poetas Aldravianistas. Atualmente, Professor Associado de Literatura Portuguesa e Comparada, na Universidade Federal de Ouro Preto
[14:03] <daniervelin> membro do Conselho Editorial da Revista Literatura e Debate, do Curso de Pós-graduação em Letras, da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (Frederico Westphalen)
[14:03] <daniervelin> Membro da Comissão Permanente de Pessoal Docente (UFOP). Tem experiência na área de Estudos Literários, com ênfase em Literatura Luso-Brasileira e Literatura Comparada,
[14:04] <daniervelin> atuando principalmente nos seguintes temas: teoria, crítica, comparatismo, sexualidade, historiografia e leitura.
[14:04] <daniervelin> gostaria então de convidar o professor Luis Gonçalvez para começar
[14:04] <daniervelin> com a apresentação “Uma proposta de formação do professor de PLE: focos programáticos”
[14:04] <LuisGoncalves> Obrigado
[14:04] <LuisGoncalves> Boa tarde, muito obrigado a todos por participarem desta apresentação. Primeiro, gostaria de agradecer o simpático convite das professoras Ana Matte e Adelma Araújo para apresentar nos STIS - Seminários Teóricos Interdisciplinares do Semiotec.
[14:05] <LuisGoncalves> Para quem não me conhece, o meu nome é Luis Gonçalves, sou professor de Português como Língua Estrangeira (PLE) nos Estados Unidos desde 1997.
[14:05] <LuisGoncalves> Fiz o meu Mestrado em Literatura Luso-Brasileira e o meu Doutoramento em Línguas Românicas na Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill.
[14:05] <LuisGoncalves> Posteriormente, fui o Coordenador do Programa de Português da Columbia University em New York, e neste momento sou professor de PLE na Princeton University em New Jersey.
[14:06] <LuisGoncalves> Sou também o vice-presidente da American Organization of Teachers of Portuguese, que tem organizado desde há três anos, com grande sucesso, o Encontro Mundial Sobre o Ensino de Português.
[14:06] <LuisGoncalves> Para falar sobre o tema que me foi proposto, “O ensino de português como segunda língua”, vou usar a minha experiência de ensino e descrever “Uma proposta de formação do professor de PLE: focos programáticos”.
[14:06] <LuisGoncalves> É inegável que há cada vez mais interesse pela língua portuguesa nos Estados Unidos.
[14:07] <LuisGoncalves> É evidente tanto pelo números de alunos que procuram os cursos de português; quanto pelo aumento de universidades, colégio e escolas secundárias que abriram programas de português nos últimos 10 anos, e ainda pelo aumento significativo do número de empregos para professores de português.
[14:07] <LuisGoncalves> Temos também o surgimento e as atividades de associações profissionais com foco nos estudos lusófonos e centros universitários de estudo brasileiro.
[14:07] <LuisGoncalves> O número de estudantes que querem estudar português é cada vez maior e muitas vezes apanham de surpresa os próprios professores que se veem obrigados a abrir listas de espera e em último caso a recusar estudantes.
[14:08] <LuisGoncalves> Quando trabalhei na Columbia University, por exemplo, em 6 anos o número de estudantes nos cursos de português quase quadruplicou.
[14:08] <LuisGoncalves> Esta realidade criou muitas oportunidades que, na minha opinião, não tem sido cabalmente aproveitadas pelas editoras norte-americanas, brasileiras ou portuguesas.
[14:09] <LuisGoncalves> Existe um vazio em termos de material para PLE e o material produzido em Portugal e no Brasil chega muito caro, e apesar de ser encomendado com grande antecedência, frequentemente não chega a tempo das aulas começarem.
[14:09] <LuisGoncalves> Num dos semestres que trabalhei na Columbia University, por exemplo, encomendei livros de uma editora brasileira em abril, mas um curso que ia começar em setembro, e os livros chegaram a meio de novembro, para um curso que terminou 3 semanas mais tarde.
[14:09] <LuisGoncalves> (essa editora já não existe.)
[14:09] <LuisGoncalves> No entanto, mais que o material pedagógico disponível, o maior desafio que os programas de português nos Estados Unidos enfrentam é a contratação de professores com formação em aquisição de segunda língua ou metodologia de línguas estrangeiras.
[14:10] <LuisGoncalves> Esta situação não é única nem específica ao português; é uma situação que se repete em todas as línguas menos ensinadas. Os Estados Unidos há vários projetos que respondem a esta realidade.
[14:10] <LuisGoncalves> Para o português, isto tornou-se uma realidade desde que o governo norte-americano estabeleceu em 2006 a língua portuguesa como uma língua fundamental para o país e estabeleceu programas para desenvolver o seu estudo.
[14:10] <LuisGoncalves> Vou falar aqui sobre um reputado projeto de capacitação de professores de línguas que tem uma grande tradição em termos de formação contínua de professores e formadores quanto a abordagens, metodologias e criação de instrumentos para o ensino de línguas estrangeiras.
[14:11] <LuisGoncalves> Apesar dos norte-americanos terem a reputação de só falarem inglês, na realidade, os Estados Unidos têm uma tradição de mais de setenta anos de pesquisa e ensino de línguas estrangeiras contemporâneas.
[14:11] <LuisGoncalves> Este trabalho foi inicialmente desenvolvido pelo Defense Language Institute (DLI) nos anos quarenta, a que posteriormente se juntaram outras importantes organizações como o American Council on The Teaching of Foreign Languages (ACTFL), o Center for Advanced Research on Language Acquisition (CARLA) e o National Council of Less Commonly Taught Languages (NCOLCTL).
[14:11] <LuisGoncalves> Em 1990 foi criado Conselho Nacional de Línguas Menos Ensinadas - NCOLCTL para dar resposta a esta situação em várias línguas.
[14:12] <LuisGoncalves> Juntas, estas organizações desenvolvem uma importante atividade na promoção de pesquisas inovadoras, de materiais pedagógicos atualizados, e na formação profissional de instrutores à procura da excelência metodológica no ensino/aprendizagem de línguas estrangeiras.
[14:12] <LuisGoncalves> Devo desde já dizer que o português só começou a receber uma atenção consistente por parte do Conselho nos últimos 3 anos, mas com resultados muito positivos.
[14:12] <LuisGoncalves> O objetivo desta organização é ajudar um maior número de americanos a ensinar e a aprender diversas línguas menos ensinadas no país, procurando melhorar o ensino e aprendizado destas línguas, por forma a promover uma comunicação intercultural entre cidadãos norte-americanos e de outras comunidades no mundo.
[14:13] <LuisGoncalves> Esta missão está integrada numa políticas considerada vital para o sucesso político, social, económico e para a segurança dos Estados Unidos
[14:13] <LuisGoncalves> O Conselho tem como objetivo criar uma “estrutura” para o ensino das Línguas Menos Ensinadas e disponibilizar recursos acessíveis a programas e indivíduos.
[14:13] <LuisGoncalves> O Conselho tem muitas atividades que promove para alcançar os seus objetivos, por exemplo:
[14:13] <LuisGoncalves> tem uma conferência anual,
[14:13] <LuisGoncalves> faz e patrocina pesquisas sobre o ensino destas línguas,
[14:13] <LuisGoncalves> planeia e estabelece a política nacional para o estudos destas línguas,
[14:14] <LuisGoncalves> colabora na melhoria da atividade das associações nacionais de línguas,
[14:14] <LuisGoncalves> estabelece sistemas de networking entre profissionais e organizações,
[14:14] <LuisGoncalves> cria cinergias para a resolução de problemas comuns,
[14:14] <LuisGoncalves> desenvolve uma estrutura/organização (framework) que guia a conceção de programas de ensino, o desenvolvimento de materiais pedagógicos, e o treinamento de professores.
[14:14] <LuisGoncalves> Então, quando me perguntam sobre políticas linguísticas e sobre políticas da língua para o Português no mundo, eu sempre aponto para os objetivos a missão deste centro.
[14:14] <LuisGoncalves> Eles claramente estabelecem uma política da língua coerente e com resultados comprovados.
[14:15] <LuisGoncalves> O Conselho colabora com várias associações profissionais relativas a estas línguas e nos últimos 3 anos tem desenvolvidos atividades para professores de português, que foi considerado uma das seis línguas de interesse e prioritárias para os Estados Unidos.
[14:15] <LuisGoncalves> É precisamente desta última iniciativa para o português que tem interesse para esta conversa hoje.
[14:15] <LuisGoncalves> O NCOLCTL tem disponibilizado os seus recursos para o desenvolvimento profissional de professores de PLE e PLH nos Estados Unidos, através de um modelo de formação que em outros momentos respondeu com sucesso às necessidade de outras línguas.
[14:15] <LuisGoncalves> Em 2011 realizou-se o primeiro programa de formação exclusivo para professores de português, conhecido como o programa STARTALK, de “Start Talking” ou o programa “Comece a falar”.
[14:16] <LuisGoncalves> Este programa tem tido um grande sucesso na formação de professores de outras línguas estrangeiras menos ensinadas/estudadas nos EUA.
[14:16] <LuisGoncalves> Na fase preliminar, ou preparatória, este programa utiliza um plataforma online para trabalhar com os professores/formandos conhecimentos que servem de base para a fase presencial da formação.
[14:16] <LuisGoncalves> O programa junta professores de PLE e PLH das mais variadas origens, formações, contextos de ensinos e anos de experiência, mas este programa, infelizmente, é exclusivo para profissionais que desenvolvam a sua atividade nos Estados Unidos.
[14:16] <LuisGoncalves> A primeira parte virtual dura cerca de um mês e a segunda presencial uma semana.
[14:16] <LuisGoncalves> As oficinas virtuais apresentam várias opções em termos de estratégias pedagógicas e convida cada professor a optar pelo que faz mais sentido ou se adequa melhor ao contexto em que trabalha.
[14:16] <LuisGoncalves> O objetivo é estimular uma reflexão sobre a nossa atividade na sala de aula e sobre o que nos faz melhores professores.
[14:17] <LuisGoncalves> O material usado no curso de formação online utiliza o curso “Fundamentals of Language Teaching Methods” que o próprio Conselho criou.
[14:17] <LuisGoncalves> Cada oficina virtual tem um foco que é desenvolvido através de leituras, videos, audio e imagens, seguidos de exercícios interativos em que o professor recebe feedback imediato.
[14:17] <LuisGoncalves> No final de cada oficina virtual, os professores têm uma tarefa, criada dentro dos parâmetros da oficina.
[14:18] <LuisGoncalves> O que encontramos na parte virtual? (o curso)
[14:18] <LuisGoncalves> Foco 1: Crenças de professores e alunos sobre o ensino/aprendizado de línguas estrangeiras
[14:18] <LuisGoncalves> Para um professor ser eficaz no ensino de PLE, precisa saber o que significa aprender/adquirir uma língua, as motivações dos alunos e as crenças de ambos sobre como se aprende uma língua.
[14:18] <LuisGoncalves> Estes três aspetos vão afetam o ensino/aprendizado de línguas, afetam a forma como ensinamos e é fundamental o professore de PLE consideramos diversas perspetivas.
[14:18] <LuisGoncalves> Consideramos também as motivações dos alunos para aprender PLE, que são frequentemente diferentes dos objetivos dos alunos de outras línguas.
[14:18] <LuisGoncalves> Foco 2: O historial do ensino de línguas estrangeiras
[14:19] <LuisGoncalves> Depois de considerar as nossas crenças sobre como as línguas devem ser ensinadas, apresentamos como as metodologias de ensino de línguas estrangeiras nos Estados Unidos têm mudados nas últimas décadas, explorando os métodos com que o professor se sente mais confortável.
[14:19] <LuisGoncalves> Examinamos como o professor aprendeu línguas e quais os métodos que preferiu; estudamos métodos de ensino e como cada um deles constituiu uma mudança na nossa forma de pensar sobre o ensino.
[14:19] <LuisGoncalves> Isto é particularmente importante para combater a falsa perceção que os métodos mais recentes rejeitam as práticas dos métodos anteriores. Na realidade, os métodos mais atualizados são construídos em cima dos anteriores.
[14:19] <LuisGoncalves> Focamos ainda no ensino comunicativo de línguas e como preparar atividadea comunicativas; consideramos como criar uma sequência na instrução orientada como processo.
[14:19] <LuisGoncalves> Foco 3: Os níveis de proficiência da ACTFL
[14:19] <LuisGoncalves> Alguns professores chegam aos EUA sem saber trabalhar com níveis de proficiência. No melhor dos casos, conhecem o Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas. Mas, nos EUA trabalhamos com os níveis de proficiência da ACTFL.
[14:20] <LuisGoncalves> A ACTFL é o Conselho Americano para o Ensino de Línguas estrangeiras, e estabeleceu um quadro de níveis de proficiência em 1982 (baseado no trabalho do linguista John Childs).
[14:20] <LuisGoncalves> Neste foco, os professores veem como foram estabelecidos os meios para avaliar a classificar níveis de competências numa língua estrangeira e familiarizam-se com os descritórios dos níveis de proficiência da ACTFL.
[14:20] <LuisGoncalves> É aqui que exploramos os objetivos e os “standards em termos de conteúdo" (5 Cs: Comunicação, Cultura, Comparações, Conexões, e Comunidade) dos National Standards for Foreign Language Learning.
[14:20] <LuisGoncalves> Foco 4: Criar módulos comunicativos
[14:20] <LuisGoncalves> Usando o entendimento básico de atividades comunicativas e dos guias nacionais em que se enquadram, exploramos os conceitos de instrução orientada para o processo para desenvolver um módulo comunicativo à volta de um tema ou tópico.
[14:20] <LuisGoncalves> Os professores veem como criar uma pré-atividade que prepara os alunos para uma atividade principal; a conceber uma atividade principal que atinja os objetivos do ensino; e a criar uma pós-atividades que verifica o aprendizado.
[14:20] <LuisGoncalves> Os três focos seguintes trabalham os três modos de comunicação: interpretativo, interpessoal e expositivo.
[14:21] <LuisGoncalves> Foco 5: O modo interpretativo da comunicação
[14:21] <LuisGoncalves> Os professores aprendem a conceber e ensinar módulos que usam os três modos de comunicação, seguindo os passos do ensino orientado para o processo.
[14:21] <LuisGoncalves> Começamos por considerar o modo interpretativo de comunicação e exploramos como se relaciona com teorias de aquisição de segunda língua que vimos anteriormente. Aprendemos a selecionar e incorporar documentos autênticos em atividades interpretativas.
[14:21] <LuisGoncalves> Para o professor melhor entender o que precisa fazer com os documentos reais, exploramos os objetivos da comunicação interpretativa e as suas implicações na conceção de atividades para a aula e para fora da aula.
[14:21] <LuisGoncalves> Foco 6: O modo interpessoal da comunicação
[14:21] <LuisGoncalves> Neste foco, os professores aprendem sobre o modo comunicativo interpessoal e o seu papel na aprendizagem de uma língua. Estudam teorias sociais de aprendizagem de línguas e examinam os padrões típicos de interação nas salas.
[14:21] <LuisGoncalves> Exploram ainda as caraterísticas de tarefas eficazes e como conceber atividades baseadas na comunidade que têm como objetivo o modo comunicativo interpessoal.
[14:22] <LuisGoncalves> Foco 7: O modo expositivo da comunicação
[14:22] <LuisGoncalves> Aqui, desenvolvem atividades para o modo interpretativo, considerando os alunos como interpretes de textos de todos os tipos: oral, escrito, baseado em vídeo e em modalidades múltiplas.
[14:22] <LuisGoncalves> Vemos o aluno como o “criador de textos” no modo expositivo.
[14:22] <LuisGoncalves> Assim, consideram como os modos comunicativos se relacionam uns com os outros ou com o cenário de aprendizagem. Veem a importância de ter um propósito, género de comunicação e um público no modo expositivo.
[14:22] <LuisGoncalves> Aprendem ainda a conceber atividades orais e escritas expositivas para os alunos que atingem os objetivos propostos por este modo comunicativo.
[14:22] <LuisGoncalves> Foco 8: Ensinar gramática
[14:22] <LuisGoncalves> Aqui, os professores consideram vários pontos de vista sobre o ensino de gramática dentro de uma perspetiva de ensino comunicativo.
[14:23] <LuisGoncalves> O conhecimento da gramática é, obviamente, importante para entender a língua falada e escrita. A utilização correta da gramática é um marcador de educação, e às vezes faz o falante nativo ter mais interesse em falar com estrangeiros.
[14:23] <LuisGoncalves> Mas aqui vemos como foco único na gramática pode ter um efeito negativo no esforço do aluno para expressar conteúdos, e aprender a predizer conteúdos de uma forma intuitiva.
[14:23] <LuisGoncalves> Alguns alunos acabam por entender melhor o uso da gramática depois de utilizarem estruturas durante algum tempo num contexto comunicativo. Outros aprendem bem através das regras, mas ainda necessitam praticar para atingirem objetivos comunicativos.
[14:23] <LuisGoncalves> Fazer as escolhas certas sobre as questões envolve saber quando usar certas particularidades gramaticais; envolve a adequação da gramática e também a correção da forma.
[14:23] <LuisGoncalves> Assim, consideram como a gramática funciona na comunicação e como é considerada pelos guias nacionais (5 Cs), e os níveis de proficiência da ACTFL.
[14:24] <LuisGoncalves> Os professores aprendem formas de ensinar a gramática explicita e implicitamente para atingir uma comunicação significativa, adequada e com correção.
[14:24] <LuisGoncalves> Veem como o ensino de gramática pode ser recorrente (espiralado) no currículo do programa, começando com a gramática necessária para a receção e avançando para a gramática para produção.
[14:24] <LuisGoncalves> Este foco é muito importante, uma vez que também vemos o oposto do foco na gramática e os seus efeitos negativos.
[14:24] <LuisGoncalves> Com o advento das metodologias comunicativas, muitos professores equivocadamente assumem que não há lugar para a gramática na sala de aula.
[14:24] <LuisGoncalves> Foco 9: A norma e o feedback
[14:24] <LuisGoncalves> Aqui os professores consideram o que constitui a norma e o quanto é importante a correção na aprendizagem da língua. Isto é importante para entender o papel da norma no ensino comunicativo e a controvérsia que envolve a questão dos benefícios da correção de erros.
[14:24] <LuisGoncalves> Consideram as muitas maneiras de dar feedback positivo e negativo (e os dois são importantes) sobre formas gramaticais durante a aula e veem técnicas para dar feedback aos estudantes em trabalhos escritos.
[14:24] <LuisGoncalves> Foco 10: Fazer um plano de aula
[14:25] <LuisGoncalves> Consideramos a importância de um plano de aula, quais os seus componentes essenciais; e os professores fazem um plano de aula para ser usado em uma aula de português, seguindo o modelo providenciado.
[14:25] <LuisGoncalves> Mas, exploram também como manter a flexibilidade durante o planeamento e a execução do plano.
[14:25] <LuisGoncalves> Foco 11: O ensino de línguas e a tecnologia
[14:25] <LuisGoncalves> Eu faço parte do grupo de professores que trabalha diretamente com este foco na parte presencial.
[14:26] <LuisGoncalves> É muito interessante porque os professores já estão num curso online, através de um sistema para gerir cursos, tendo acesso ao conteúdo através de um navegador, completando exercícios interativos online, participando de uma fórum de discussões, vendo vídeos online e comunicando através de email e Skype.
[14:26] <LuisGoncalves> E provavelmente, usando computadores, iPads ou telefones.
[14:26] <LuisGoncalves> A utilização de tecnologias na aula apresenta grandes oportunidades, mas também desafios.
[14:26] <LuisGoncalves> Neste foco, os professores investigam o potencial pedagógico de várias TICs para facilitar a comunicação e a aprendizagem, explorando tanto como a tecnologia pode ser usada na instrução tradicional na sala de aula e também fora da aula.
[14:26] <LuisGoncalves> Uma das coisas mais importantes que eu não me canso de repetir é que, o meio não é o método, ou seja, não vale a pena estarmos a usar tecnologias de ponta para fazermos atividades estruturais, mecânicas ou descontextualizadas.
[14:27] <LuisGoncalves> Os professores estudam como as TICs estão a mudar a forma como comunicamos e como os estudantes universitários comunicam hoje em dia usando várias tecnologias na vida diária.
[14:27] <LuisGoncalves> Investigam o potencial das tecnologias para possibilitarem comunicação nos três modos: interpretativo, interpessoal e expositivo.
[14:27] <LuisGoncalves> Exploram as possibilidades pedagógicas das várias tecnologias e de recursos possibilitados pelas tecnologias para a aprendizagem de línguas, e sobre pesquisas em Aquisição de Segunda Língua nesta área.
[14:27] <LuisGoncalves> Foco 12: Avaliar e testar
[14:27] <LuisGoncalves> Os Standards para a aprendizagem de línguas estrangeiras, através das 5 áreas alvo (5 Cs) não são uma forma de avaliar a performance dos alunos nessas áreas nas nossas aulas.
[14:27] <LuisGoncalves> Claro que entender e perceber se os estudantes estão a progredir bem num curso de língua estrangeira é central para a tarefa de ensinar.
[14:27] <LuisGoncalves> Este foco introduz os professores aos conceitos centrais para avaliar, medir ou testar as habilidades, conhecimento ou performance de um estudante.
[14:27] <LuisGoncalves> Oferece também um guia, com exemplos práticos e tarefas, que ajudam a conceber avaliações baseadas nos objetivos do professor para os alunos.
[14:28] <LuisGoncalves> Identificam ainda os muitos propósitos da avaliação e aprendem conceitos importantes relacionados com a avaliação da aprendizagem de línguas e a relação entre avaliar, testar e instrução.
[14:28] <LuisGoncalves> Avaliam tipos diferentes de itens de testes como sendo mais ou menos comunicativos ou autênticos.
[14:28] <LuisGoncalves> O último foco é um Suplemento ao curso que não está diretamente relacionado com a metodologia.
[14:29] <LuisGoncalves> Foca em questões que afetam línguas diferentes e mostra o quanto os professores de línguas diferentes podem partilhar entre si.
[14:29] <LuisGoncalves> Sobretudo, considerando que os professores de línguas menos ensinadas desenvolvem a sua atividade frequentemente isolados ou sozinhos, sem outros profissionais da mesma área por perto.
[14:30] <LuisGoncalves> O professor de português, sueco, filandês, hurdu, pashto etc. é muitas vezes o único professor dessa língua no departamento.
[14:30] <LuisGoncalves> Na parte presencial, os professores ouvem palestras de especialistas nas áreas anteriores, entram em diálogo e resolvem tarefas que implicam ativar todo o conhecimento a que tiveram acesso durante o mês anterior.
[14:30] <LuisGoncalves> Estes especialistas são pessoas com muita experiência em cada uma das áreas de estudo/pesquisa que acabei de apresentar.
[14:30] <LuisGoncalves> Trazem para as apresentações e discussões exemplos e histórias autênticas de como têm integrado todos estes conhecimentos na suas atividades profissionais.
[14:31] <LuisGoncalves> Comentam as mais variadas adaptações e acomodações que muitas vezes no ensino é necessário fazer quando o contexto ou os indivíduos nos desafiam e toda a bagagem que trazemos não pode ser simplesmente aplicada, tem que passar por um processo crítico.
[14:31] <LuisGoncalves> A última atividade da parte presencial é um Practicum, seja, os professores são divididos em equipas, recebem um tópico para ensinar e têm que se organizar para dar uma aula, usando todo o conhecimento adquirido na parte virtual e na semana presencial.
[14:31] <LuisGoncalves> O programa providencia um grupo de alunos que nunca estudou português, e a aula acontece presenciada pelos outros grupos.
[14:31] <LuisGoncalves> É seguida de uma conversa/reflexão sincera, mas não honestamente cruel – considerando que, geralmente, estas aulas sempre correm mal, porque cada professor tem um estilo, estão habituados a ensinar sozinhos e pouco alguma vez participaram em co-instrução.
[14:31] <LuisGoncalves> Em conclusão: qual é o interesse para o PLE?
[14:32] <LuisGoncalves> A realidade que descrevi do PLE nos Estados Unidos é um cenário que se multiplica em quase todos os países do mundo, da China à Argentina, da Nigéria à Rússia, da Índia ao México, de Portugal ao Brasil.
[14:32] <LuisGoncalves> Há um crescimento muito grande no número de pessoas interessadas em aprender português, e a realidade é que nós não temos profissionais com formação na área suficientes para dar resposta a esta situação.
[14:32] <LuisGoncalves> Assim como nos Estados Unidos, em muitos outros países, assistimos a um crescente número de profissionais formados em outras àreas, da Geografia ao Direito, da Enfermagem à Antropologia, e mesmo da Teoria Literária que vêm para o ensino de português, e estes profissionais precisam de oportunidades de desenvolvimento profissional.
[14:32] <LuisGoncalves> Algumas universidades nos países de língua portuguesa têm criado programas de formação em línguas estrangeiras, mas a realidade é que temos um largo número de profissionais em ação, no campo, para quem estes programas representam um caminho pouco viável.
[14:33] <LuisGoncalves> Este modelo é um caminho possível para remediar a situação porque, por um lado, a parte virtual pode ser feita de qualquer parte do mundo, sem as restrições de nacionalidades e local de trabalho, por outro, a parte presencial pode ser organizada em qualquer parte do mundo onde existe um grupo de profissionais interessados em participar.
[14:34] <LuisGoncalves> E é esta “Uma proposta de formação do professor de PLE" com focos programáticos baseados nas mais atualizadas pesquisas em metodologias de línguas estrangerias e aquisição de segunda língua que queria partilhar com vocês.
[14:35] <LuisGoncalves> Muito obrigado por me acompanharem :)
[14:35] <daniervelin> obrigada, LuisGoncalves !
[14:35] <acris> parabéns, LuisGoncalves, belo trabalho!
[14:35] <foureaux> Muito bem. Obrigado, Luis. Parabéns pela clara e fluida apresentação, mais que interessante!
[14:35] <LuisGoncalves> Muito obrigado
[14:35] <daniervelin> agora vamos continuar com a fala do foureaux, ok?
[14:36] <joycefett> Obrigada, Luis Gonçalves, e parabéns pelo trabalho!
[14:36] <foureaux> Certo.
[14:36] <LuisGoncalves> Obrigado :)
[14:36] <daniervelin> Convidamos então o professor Jose Luiz Foureaux de Souza Junior para apresentar “Ensinar Língua Portuguesa na Croácia, primeiras anotações de uma experiência”
[14:36] <rivania> Obrigada, Luis.
[14:36] <deia_> bom trabalho ai
[14:36] <LuisGoncalves> Obrigado :)
[14:37] <foureaux> Agradeço, mais uma vez, o convite. Adianto que o que vou apresentar é apenas um conjunto de anotações a partir de minha experiẽncia como professor de PLE no primeiro leitorado brasileiro em Zagreb
[14:37] <foureaux> Obrigado, daniervelin
[14:38] <foureaux> Vamos lá. Sou Foureaux, professor de literatura Luso-brasileira e Comparada na UFOP.
[14:38] <foureaux> Fui leitor de Português na Croácia, em Zagreb.
[14:38] <foureaux> Um iniciante em todos os sentidos.
[14:38] <foureaux> apresento a vocẽs o meu relato.
[14:38] <foureaux> az tempo que ingressei numa universidade pública: a Universidade Federal de Santa Maria, em Santa Maria (Rio Grande do Sul). Antes, eu havia trabalhado em dois colégios em Belo Horizonte e, durante quatro anos e meio, dividi meu tempo entre estes colégios e a, então, Fundação Cultural de Belo Horizonte, hoje, UNI-BH. Abandonei uma carreira de atleta de natação, pelo desejo de ter uma profissão e ganhar dinheiro. Eram tempos
[14:39] <foureaux> A ilusão do dinheiro a ganhar passou logo. No entanto, pude viver experiências intensas e interessantes durante todo esse tempo. Nesse exato ponto do parágrafo que escrevo, e sobre o qual os olhos de algum leitor – talvez aquele, ideal, teorizado por Wolfgang Iser – estão pousados, esse tempo já aumentou. Isso não tem, para mim, uma explicação “lógica”.
[14:39] <foureaux> Desde os primeiros anos de profissão alimentei um sonho: viver parte de minha vida fora do Brasil, se possível trabalhando em minha própria área de formação. Mudei de universidade, terminei meus estudos em Belo Horizonte, viajei um pouco pelo mundo – participando de congressos e afins – e sempre alimentei esse sonho. Por fim, no início de 2007, inscrevi-me num processo seletivo do Itamarati, para o posto de Leitor de Port
[14:39] <foureaux> A decisão de escolher esse país se deveu ao fato de eu ter conhecido a cultura croata em 1998, quando da visita ao pavilhão do país, na EXPO98, em Lisboa. Um impacto que a minha memória afetiva jamais vai deixar de explicitar. Depois, em 2004, quando passei por Dubrovnick, cidade situada bem ao sul do país, deslumbrante em sua arquitetura e localização no Mar Adriático: uma dessas maravilhas da natureza que as retinas, mesm
[14:40] <foureaux> mesmo as mais “fatigadas” não deixam de guardar como imagem.
[14:40] <foureaux> É preciso citar que, de setembro de 2007 a maio de 2008 – quando, finalmente, cheguei a Zagreb – o processo burocrático transformou-se num incomensurável calvário. Em parte devido à “juventude” da diplomacia croata,
[14:42] <foureaux> diplomacia croata, que sofria ainda com todas as idiossincrasias de um país recentemente libertado das amarras de uma ditadura típica do Leste europeu
[14:42] <foureaux> Em parte, por conta do que eu chamo de negligência do Itamarati que mais não fez senão informar-me sobre minha aprovação e nomeação e enviar-me um bilhete aéreo para poder chegar à Croácia.
[14:42] <foureaux> O muro de lamentações cessa aqui. No entanto, o registro se faz mesmo necessário, por conta de minha sinceridade intelectual e certa falta de tato,
[14:42] <foureaux> dado que não deixo de falar o que penso, como penso. Dizem que o peixe morre pela boca...
[14:42] <foureaux> O que dizer do ensino de Língua Portuguesa, num país de língua eslava, com incontestáveis influências do Latim e do Grego – a Dalmácia, região mais central da costa croata, como se sabe, fez parte do Império Romano
[14:43] <foureaux> – e, complementando, a influência direta do Italiano, dado que a Itália foi responsável pela administração de parte do território croata, mais próximo à costa?
[14:43] <foureaux> v
[14:43] <foureaux> Que grau de interesse pode ter causado a Língua Portuguesa na cultura tão particular da Croácia, ainda respirando ares novos de nação independente, com poucos anos de vida nesse status?
[14:43] <foureaux> Como operar com uma língua de fonética tão peculiar, em que a letra “r” – para nós, uma consoante – é para os croatas uma letra que funciona como semivogal?
[14:43] <foureaux> Como pronunciar palavras como trg (=praça), krv (=sangue), kruh (=pão), sir (=queijo), etc. – ainda que a aparente “dificuldade” seja explicável?
[14:44] <foureaux> De que maneira interagir com letras marcadas com sinais diacríticos – š / đ / ž / č / ć? Tenho que confessar que minha estupefação ainda não passou, apesar de já ter estudado, um pouco, a língua croata!
[14:44] <foureaux> A Faculdade de Filosofia (Filosofski Fakultetu) em Zagreb, onde atuei como Leitor, tem tentado adaptar-se às novas diretrizes ditada pelas “Carta de Bolonha”. Meu conhecimento sobre este documento e seu conteúdo é mínimo.
[14:44] <foureaux> No entanto, penso que não chega a constituir impedimento para eu exarar as opiniões e constatações que aqui vão ter lugar. Digo isso pois percebe-se uma certa “confusão”, por parte dos alunos e, mesmo, dos professores estrangeiros que atuam aqui.
[14:44] <foureaux> No que diz respeito à Língua Portuguesa, não se pode dizer que haja exceção. Menciono esta situação para destacar o fato de que a Língua Portuguesa recebe, aqui, o mesmo tratamento recebido pelas demais línguas estrangeiras.
[14:44] <foureaux> Talvez seja esta uma sequela de um modo de pensar um tanto “brasileiro”, uma mania torta de se sentir menosprezado... Mas vou ao que interessa.
[14:45] <foureaux> Aprender uma nova língua é necessidade que não conhece limites e/ou fronteiras de espaço e tempo. A sedução é o ponto chave para manter o estímulo do interessado em aprender. Com o fim das barreiras comerciais no limiar dos anos 90,
[14:45] <foureaux> a verdadeira proliferação comercial de troca de produtos que “invadiram o mercado” provocou uma espécie de reedição do que aconteceu – mesmo que mitologicamente, num certo sentido – no episódio bíblico da Torre de Babel:
[14:45] <foureaux> a mistura das línguas, sobretudo a mistura da língua inglesa “sobre” as demais línguas. O aparente traço bizarro da situação que se construiu a partir daí deu abertura para que o deputado federal Aldo Rebelo (PC do B – SP), em 1999, elaborasse um projeto de lei, com o objetivo de diminuir o alto índice de vocábulos estrangeiros no dia-a-dia da Língua Portuguesa.
[14:45] <foureaux> O projeto intitulava-se “Movimento Nacional de Defesa da Língua Portuguesa” e, feliz ou infelizmente – esse não é o tópico de discussão aqui –, não foi aprovado.
[14:46] <foureaux> A presença da língua inglesa no cotidiano da Língua Portuguesa é notável e já não se experimenta estranheza com o abuso na utilização de palavras como delivery, breakfast, call center, marketing, personal training e quejandos.
[14:46] <foureaux> Porém as línguas estrangeiras viraram atributo essencial para se conquistar uma vaga no concorrido mercado de trabalho. As crianças também tiveram novas exigências com os tempos modernos e os brinquedos eletrônicos.
[14:46] <foureaux> Um mínimo de conhecimento de outra língua é obrigatório para brincar no video game ou com o “boneco espacial” e o computador, já incorporado ao pacote de eletrodomésticos; conhecimento baseado em conceitos veiculados pela língua anglo-saxônica.
[14:47] <foureaux> Eu poderia dizer que isso não acontece em Zagreb. Eu também poderia dizer que tal “fenômeno” cabe muito melhor no contexto de “países em desenvolvimento” – numa perspectiva macro-econômica. Ledo engano.
[14:47] <foureaux> Em Zagreb, com a juventude da autonomia da república croata, parece não caber exceção. Pertencente à antiga Iugoslávia – um conglomerado de províncias, dominado pela mão de ferro do Marechal Tito (hoje, nome de praça na capital croata) –
[14:47] <foureaux> a Croácia também sofre a influência, eu diria, nefasta, da língua do Tio Sam. O que me interessa, no entanto, é apenas apresentar esse mesmo “fenômeno cultural” na perspectiva do contato estabelecido entre as línguas portuguesa e croata, no contexto das aulas que ficaram sob minha responsabilidade.
[14:48] <foureaux> A particularidade dessa situação reside no fato de que meus alunos chegaram até minhas aulas, falando o Português, com o sotaque de Fernando Pessoa e José Saramago, para ficar com os mais coetâneos. A minha primeira “obrigação” foi fazê-los experimentar o “acento” brasileiro.
[14:48] <foureaux> Mesmo com todas as transformações no mundo e as facilidades de aprender uma nova língua como o inglês, as pessoas continuam tendo dificuldades e complicações para esse aprendizado. O que mais me chama a atenção é o fato de que existe, subliminarmente, no processo de ensino da Língua Portuguesa aqui, um problema interessante:
[14:48] <foureaux> afinal de contas, a Língua Portuguesa, como falada no Brasil, é outra língua? É apenas uma “variante” da Língua Portuguesa falada em Portugal? Trata-se apenas de “acento” diferente? Esse tópico interessa, sim, à Linguística, e deve ser considerado no processo de formação de professores de Língua Portuguesa –
[14:48] <foureaux> quer como língua materna, quer como língua estrangeira. A discussão desse tópico também é apenas cogitada, pois faz parte do horizonte de expectativas que minhas anotações suscitam.
[14:48] <foureaux> Há um bom tempo, as viagens para o exterior deixaram de ser exclusividade da classe economicamente favorecida, já que um número considerável de trabalhadores deixa os seus países de origem em busca de novos horizontes.
[14:49] <foureaux> Com os movimentos migratórios, o contato de estrangeiros com a Língua Portuguesa – e vice-versa – é cada vez maior. A busca por escolas de língua aumenta. A aprendizagem de línguas estrangeiras já está bastante avançada em seu processo de consolidação “acadêmica”. Em outras palavras, a formação de professores de uma língua estrangeira já conta com programas específicos, o que é notável. A notabilidade perce
[14:49] <foureaux> A notabilidade percebida se reflete sobre o ensino de Língua Portuguesa no exterior, fato que exige, igualmente, no dizer dos “especialistas” uma formação “específica”. O mérito desta situação não é objeto central de minhas anotações aqui.
[14:50] <foureaux> No entanto, a referência a ele se faz necessária dado que a minha experiência aqui é um exemplo de situação um tanto “inesperada”.
[14:50] <foureaux> Não tenho “formação específica” para ensinar uma língua estrangeira. Sou professor, portanto, recebi treinamento para uma habilitação profissional em Língua Portuguesa – matéria que lecionei por considerável período de tempo antes de ingressas na carreira acadêmica.
[14:50] <foureaux> A Língua Portuguesa, aqui, “é” uma língua estrangeira. Como desfazer esse nó? Estaria eu impedido de ensinar a Língua Portuguesa aqui por que não sou professor de língua estrangeira no Brasil?
[14:50] <foureaux> E o sobejamente citado contato com um falante nativo de uma língua estrangeira – fator considerado positivo para o aprendizado de uma língua por um falante não nativo – não conta? As perguntas, a meu ver, procedem. As respostas, por sua vez, não vão ser encontradas no bojo deste texto.
[14:51] <foureaux> Ficam as provocações, dado que o relato da experiência, ainda inicial, requer o levantamento de número considerável de variáveis e pormenores, para um possível diagnóstico abalizado, em outra oportunidade.
[14:51] <foureaux> Dando um passo mais no âmbito da situação que desejo delinear aqui penso num dos problemas que enfrentei, desde que comecei as minhas atividades em Zagreb: perceber que um dos problemas para o aprendizado é o medo do aluno de dizer bobagem ou não pronunciar alguma coisa direito.
[14:51] <foureaux> Teoricamente, não sei como contornar ou solucionar tal questão. No entanto, metodologicamente, tentei criar uma atmosfera de camaradagem, de troca de experiências, quase que de bate-papo para manter uma atmosfera de amizade em sala de aula.
[14:51] <foureaux> Assim, os estudantes se sentiram à vontade para falar, errar: isso foi fundamental. Se os alunos se sentem à vontade no grupo, costumam lidar com essas situações de maneira tranquila e muito mais proveitosa. Chega a ser um divertimento.
[14:52] <foureaux> A pequena experiência com a primeira turma do novo formato do Curso de Letras da Universidade de Zagreb foi prova incontestável disso. A ansiedade e a insegurança dos estudantes puderam ser reduzidas.
[14:52] <foureaux> Alguns exemplos de “coisas” que fiz: apresentar os conteúdos de forma experiencial – situar o que se fala a partir de experiência concreta, ainda que em território estrangeiro –, levar o estudante a falar corrigindo-o educadamente ao perceber seus erros, para dar oportunidade de uso concreto da língua, a partir das situações conhecidas pelo próprio estudante.
[14:52] <foureaux> Talvez, o relato de vida – adequado a cada estágio de conhecimento “gramatical” da língua, tenha sido uma experiência mais que interessante e fez-se praticamente necessária.
[14:53] <foureaux> Eu fico me perguntando se Paulo Freyre não estava coberto de razão quando pensou o que pensou sobre o processo de ensino-aprendizagem. Esse tipo de prática concreta dá ao aluno a oportunidade de, efetivamente, usar o que ele aprendeu, para gerar uma real percepção de aprendizagem.
[14:53] <foureaux> Nessa hora, cometer erros é mais interessante que acertar tudo. Essa perspectiva é que deve ser estimulada. As perguntas são a matéria que justificam o trabalho do professor de uma língua estrangeira e os erros dos estudantes são o sustento desse processo. Se todo mundo acertar tudo, não tem a menor graça!
[14:54] <foureaux> O desenvolvimento da tecnologia e os recursos proporcionados por eles ajudam o professor a evitar as aulas enfadonhas e tradicionais. Uma “aula” não chega a ser enfadonha, na verdade. No entanto, o risco existe.
[14:54] <foureaux> A preocupação com esse risco, por vezes, é justificativa para as políticas institucionais não apenas direcionadas para o conforto das atividades de ensino de ma língua estrangeira.
[14:54] <foureaux> Na Faculdade de Letras, da Universidade de Zagreb, essa vantagem pode ser usufruída. Em sua maioria, as salas são ocupadas com televisores, aparelho de reprodução de dvd, telas de projeção, data-show e computadores.
[14:55] <foureaux> A multiplicidade de recursos, no caso da Língua Portuguesa, é explorada, substancialmente, para contextualizar a língua. A distância entre os dois países faz com que as referências culturais sejam restritas a noticiários internacionais e, em alguns casos, ao acesso a canais de televisão por assinatura.
[14:55] <foureaux> No entanto, as lacunas que poderiam ficar desse tipo de experiência são supridas pelos recursos tecnológicos oferecidos pela instituição.
[14:55] <foureaux> No caso específico do trabalho com Língua Portuguesa, ensinada como uma língua estrangeira, por um professor falante nativo da língua com “acento” brasileiro, esses recursos foram mais que bem vindos.
[14:55] <foureaux> Explorei, principalmente, a visualidade e a sonoridade por eles proporcionada. Ainda que o número de cidadãos brasileiros tenha aumentado no país, a presença desse “acento”, em termos acadêmicos, ainda se ressente de sua minoridade.
[14:55] <foureaux> O fato de os formadores locais estarem atentos às diferenças entre os acentos – lusitano e brasileiro – já revela, por si só, a atenção que deve ser dada a especificidades culturais que não podem servir de justificativa para medidas “políticas”, mais conservadoras.
[14:56] <foureaux> Com isso, eu quero destacar o fato de que Portugal tem exercido um controle eficaz sobre os leitorados de Língua Portuguesa mundo afora. O aumento de leitores brasileiros, a meu ver, levadas a cabo essas preocupações,
[14:56] <foureaux> poderia ser aumentado, propiciando aos estudantes muito mais que as vantagens tecnológicas de contato com as diferenças de “acento”, como reza o discurso corriqueiro sobre o assunto.
[14:57] <foureaux> Quem são os alunos de língua estrangeira? Como lidar com a diversidade cultural/social em sala de aula? Chegam às turmas de Língua Portuguesa daqui, alunos que, exceto pelas músicas ou pelo cinema, jamais entraram em contato com a Língua Portuguesa falada no Brasil.
[14:57] <foureaux> A mesmice da constatação não lhe tira a efetiva importância, quando da consideração de uma experiência, como a aqui relatada. Além do desconhecimento da língua, este novo aluno provém de classes sociais diferentes.
[14:57] <foureaux> Dada a estruturação do ensino regular na Croácia, é muito pouco provável que a sua formação básica seja insuficiente. Um ponto a destacar, nesse sentido, é o estudo do Latim, do Grego e mais duas línguas estrangeiras – regra geral o Inglês e o Francês – pelo qual os estudantes “secundaristas” croatas passam!
[14:58] <foureaux> Penso que, para além dessas fronteiras “disciplinares”, o que mais motiva a procura pela Língua Portuguesa na Croácia é a capacidade e a necessidade de comunicação, na perspectiva da atualidade das/nas relações internacionais.
[14:58] <foureaux> Pensando desta forma, cabe questionar se é realmente necessário o ensino das infinitas regras gramaticais de uma língua, para que um aluno possa se comunicar em língua estrangeira. Qual o papel do ensino das regras gramaticais, tais como colocação pronominal, regência verbal, entre outras se, a todo momento, todo tipo de erro é passível de ser cometido?
[14:58] <foureaux> Parece que é plausível concluir que cabe então ao professor de língua estrangeira refletir sobre este novo aluno e dirigir sua aula para situações reais de comunicação, fazendo com que o aluno (re)crie sua própria capacidade de expressão e compreensão na nova língua.
[14:59] <foureaux> Essa situação pode parecer teoricamente simples, porém é preciso dedicar atenção especial à prática pedagógica cotidiana, para não haver a possibilidade de fazer dos “erros” um instrumento de exclusão cultural e/ou instrumento de cristalização de “normas” equivocadas de bem falar, ler e escrever.
[14:59] <foureaux> Todo professor tem grandes responsabilidades na renovação das práticas pedagógicas, em TODOS os níveis de educação. Esse argumento sustenta a hipótese de que é o próprio professor que se faz necessariamente responsável por possíveis mudanças que façam surgir novas modalidades educativas, visando novas finalidades de formação.
[15:00] <foureaux> Assim, o professor é o responsável pela melhoria da qualidade do processo de ensino-aprendizagem, cabendo a ele desenvolver novas práticas didáticas que permitam aos discentes um maior aprendizado.
[15:00] <foureaux> As atividades lúdicas, a meu ver, têm o poder de facilitar tanto o progresso da personalidade de quem estuda uma língua estrangeira, como o progresso de cada uma de suas funções psicológicas intelectuais e morais.
[15:00] <foureaux> Ademais, a ludicidade é um excelente instrumento de introjeção de “regras” linguísticas de comunicação, capazes de dinamizar a aprendizagem de uma língua estrangeira. Creio que essa prática, ainda que tenha sido um tanto curto o tempo em que passei na Croácia,
[15:00] <foureaux> foi muito eficaz no aprimoramento do conhecimento de Língua Portuguesa dos estudantes com quem convivi. Aprimoramento, sim, pois, como já disse, os alunos chegavam até as minhas aulas já “alfabetizados” em Língua Portuguesa, como é falada em Portugal.
[15:01] <foureaux> A ludicidade é uma atividade que tem valor educacional intrínseco, mas além desse valor, que lhe é inerente, ela tem sido utilizada como recurso pedagógico. Pode-se elencar uma série de razões que levam os educadores a recorrer às atividades lúdicas e a utilizá-las como um recurso no processo de ensino-aprendizagem, entre outras:
[15:01] <foureaux> a) as atividades lúdicas correspondem a um impulso natural do sujeito e, nesse sentido, satisfazem uma necessidade interior;
[15:01] <foureaux> b) o lúdico apresenta dois elementos que o caracterizam: o prazer e o esforço espontâneo. Ele é considerado prazeroso, devido a sua capacidade de absorver o sujeito de forma intensa e total, criando um clima de entusiasmo.
[15:01] <foureaux> É este aspecto de envolvimento emocional que o torna uma atividade com forte teor motivacional, capaz de gerar um estado de vibração e euforia. Em virtude dessa atmosfera de prazer dentro da qual se desenrola,
[15:01] <foureaux> a ludicidade é portadora de um interesse intrínseco, canalizando as energias no sentido de um esforço total para consecução de seu objetivo. Portanto, as atividades lúdicas são excitantes, mas também requerem um esforço voluntário;
[15:02] <foureaux> c) as situações lúdicas mobilizam esquemas mentais. Sendo uma atividade física e mental, a ludicidade aciona e ativa as funções psico-neurológicas e as operações mentais, estimulando o pensamento;
[15:02] <foureaux> d) as atividades lúdicas integram as várias dimensões da personalidade: afetiva, motora e cognitiva. Como atividade física e mental que mobiliza as funções e operações, a ludicidade aciona as esferas motora e cognitiva, e à medida que gera envolvimento emocional, apela para a esfera afetiva.
[15:02] <foureaux> Assim sendo, vê-se que a atividade lúdica se assemelha à atividade artística, como um elemento integrador dos vários aspectos da personalidade. O ser que brinca e joga é, também, o ser que age, sente, pensa, aprende e se desenvolve.
[15:02] <foureaux> Paro por aqui com essas considerações pois não estou a elaborar uma tese sobre métodos de ensino de línguas estrangeiras ou algo parecido. No conjunto do relato de experiência que proponho, as atividades lúdicas têm papel preponderante, tanto que optei por trabalhar com textos de gêneros diferentes, variados, apostando no caráter de jogo.
[15:03] <foureaux> As anedotas, as frases de duplo sentido, as frases de pára-choques de caminhão, manchetes de jornais, equívocos linguísticos e inversões (sintáticas e/ou semânticas) foram o material preferido para o desenvolvimento dos tópicos concernentes à aprendizagem da Língua Portuguesa falada no Brasil tout court.
[15:03] <foureaux> Tenho consciência de que corri o risco de fazer perder a “graça” de alguns desses materiais, em função do desconhecimento do contexto cultural que os entorna e conforma – o quê, de fato, em algumas situações, ocorreu d efato.
[15:04] <foureaux> Outra clareza que tenho refere-se à adequação do caráter semântico de tais “expressões”, dosadas que devem ser ao nível de aprendizagem em que se encontravam meus alunos. Afortunadamente, os meus alunos, como já disse, já falavam e escreviam em Português;
[15:04] <foureaux> eram capazes de se expressar e de deduzir informações e referências – ainda que em caráter um tanto primário. Esse dado sustenta a minha aposta, pois explorei aspectos essencialmente linguísticos encontrados nesse tipo de material, para fazer cumprir o que exige o currículo do Curso de Letras, em Zagreb.
[15:04] <foureaux> O conhecimento de uma língua estrangeira é requisito obrigatório na composição do currículo acadêmico dos estudantes da Universidade de Zagreb. De acordo com informações dos colegas de departamento, a procura pela Língua Portuguesa não tem sofrido baixas em seus índices.
[15:04] <foureaux> Pelo contrário, em 2007, foi a língua estrangeira mais procurada, no Departamento de Línguas Românicas, atingindo um número muito próximo de 300 estudantes: um pouco para mais, um pouco para menos.
[15:04] <foureaux> Como o presente relato trata de apresentar apontamentos iniciais de uma experiência, a acuidade de dados estatísticos não faz parte de meu horizonte de expectativas.
[15:05] <foureaux> Para além das relações que o professor de língua estrangeira pode manter com o contexto institucional de ensino-aprendizagem da disciplina, ele tem ainda que se posicionar face ao estado atual e futuro da reflexão em didática de línguas.
[15:05] <foureaux> Esse posicionamento confere-lhe especificidade enquanto professor de uma disciplina bem definida, como foi, na Croácia, o caso. Mais importante que ser um expert em línguas estrangeiras, mais importante que ser um purista de sua língua nativa,
[15:05] <foureaux> senti-me na obrigação de ser um sujeito capaz de articular conhecimentos de índole didática, filtrados pela prática, refletindo sobre esses conhecimentos didáticos, elucidado pela avaliação de minha própria prática.
[15:05] <foureaux> No que tange o aspecto pedagógico, precisei reconhecer que não detinha poder de transmissão do saber, tendo que aceitar as novas formas de aprendizagem, que já não são lineares, pois são muito influenciadas pela tecnologia. Ou seja, o meu papel foi muito mais de instrumentalizador de práticas comunicacionais, no âmbito da cultura de Língua Portuguesa.
[15:06] <foureaux> É por isso mesmo que procurei utilizar da variedade em todas as áreas de conhecimento, para que a Língua exercesse o seu papel de dinamizadora do conhecimento “cultural”, sem me prender exageradamente à “descrição” de seu próprio funcionamento, o que não deixa de ser importante.
[15:06] <foureaux> Em compasso de conclusão, penso que o lúdico, enquanto função educativa, propicia a aprendizagem do educando, seu saber, sua compreensão de mundo e seu conhecimento. Assim, ele é um elemento essencial para o processo de ensino-aprendizagem de qualquer disciplina, inclusive no de Língua Estrangeira.
[15:07] <foureaux> A inserção do lúdico na aprendizagem foi um desafio no processo educacional, pois a falta de educadores preparados para usá-lo em seus programas cria a resistência para inseri-lo na prática da sala de aula como elemento indispensável.
[15:07] <foureaux> No ensino da Língua Portuguesa – como falada no Brasil, em Zagreb, pelo menos enquanto durou o contrato que tive que cumprir como Leitor de Português, procurei colaborar na aquisição da escrita e da oralidade,
[15:07] <foureaux> trazendo descontração e entretenimento à aula, fazendo com que os estudantes se sentissem à vontade e mais motivados a aprender.
[15:08] <foureaux> Tentei sempre superar a famigerada dicotomia futebol/samba, introduzindo temas do cotidiano brasileiro, tentando escapar do estereótipo. Acredito que, com essa atitude, colaborei muito no processo de “formação” de um sujeito
[15:08] <foureaux> Essa colaboração transforma esse sujeito, senão em um falante da Língua Portuguesa, pelo menos em alguém informado sobre o universo cultural articulado por essa mesma língua.
[15:08] <foureaux> Aqui, não pretendi escrever um “artigo”, no sentido mais estritamente “acadêmico” do termo. O desejo de explicitar minhas considerações sobre essa experiência reveladora – ensinar o modo de falar a língua que eu falo, como língua estrangeira.
[15:09] <foureaux> Essa experiência ainda vai revelar variados aspectos e curiosidades, vai instigar a minha vontade de continuar estudando, lendo e escrevendo; vai deixar marcas em meu inconsciente “linguístico” que poderei ou não aproveitar em minhas aulas de Literatura Luso-Brasileira e Comparada.
[15:09] <foureaux> Tudo é questão de oportunidade, de bom senso e de desejo. Gostaria então de, cedendo a um impulso irresistível, terminar essa exposição escrita com um devaneio. O desejo é o de instigar e deixar questionamentos na mente de quem me lê no contexto específico (e amplo!) da “formação”!
[15:09] <foureaux> Neste texto, eu não pretendi falar a respeito do oxigênio do ar que nos rodeia. O que fiz foi escrever acerca de algo que se assemelha ao ar que rodeia o planeta – até prova em contrário(!): a língua, suas palavras e seus usos.
[15:09] <foureaux> Por exemplo, certas pessoas usam a língua para escrever poemas. Já outras a usam para fazer galanteios. Mas existem outros e, dentre esses, o igualmente interessante: o seu uso como um instrumento de manipulação, de controle de “lavagem cerebral”.
[15:09] <foureaux> Um dos principais meios que a sociedade tem para impor uma hierarquia é a língua. Seja para elitizar conhecimento, para a criação e estabelecimento de grupos baseados em xenofobia ou, simplesmente, para dificultar e burocratizar as nossas vidas.
[15:10] <foureaux> Em caso de dúvida, basta observar o uso da língua praticado por uma categoria muito peculiar: a dos advogados. Nesse contexto, existem, tanto “pérolas”, no melhor dos sentidos, como aberrações inesperadas e impensáveis
[15:10] <foureaux> Simultaneamente: o joio e o trigo! Isso faz pensar na gravidade da situação, no perigo que se corre quando se fala e/ou escreve, no “poder” da língua. Eu, particularmente, diria, no “poder da linguagem”. Penso que é mais específico e “diz” mais acerca do que penso sobre o assunto!
[15:10] <foureaux> Lavagem cerebral e controle são conceitos diversos, mas se complementam, sendo requisitos mútuos num círculo vicioso infinito. Lavagem cerebral é a manipulação das ideias do indivíduo através da repetição metódica de mentiras que se prestam ao serviço das ideologias dominantes. Tome-se, como exemplo, uma criança comum japonesa.
[15:10] <foureaux> O vocabulário cotidiano da língua japonesa está repleto de palavras como esforço, persistência, perseverança, paciência, aplicação. Essa criança comum escutará incontáveis vezes essas palavras durante sua vida, e quando chegar à idade adulta estará completamente adaptada ao sistema de trabalho japonês.
[15:11] <foureaux> No entanto, se vier a estudar outras línguas, será incapaz de compreender certas expressões, como vida boa,  la dolce vitta (em Croata, essa expressão é grafada como palavra única e é um substantivo que nomeia a famosa blusa de gola “rolê”!), bon vivant, joie de vivre, take it easy, don’t worry, etc.
[15:11] <foureaux> E não só será incapaz de compreender essas expressões, como não terá a mínima vontade de fazê-lo. Controle é o estabelecimento de uma hierarquia na qual uma pessoa ou um grupo (sistema) ordena os atos (vidas) das pessoas para seus próprios fins.
[15:11] <foureaux> Para que isso não aconteça, é necessário que se mostre quem está certo e quem está errado, numa competição, no contexto da qual, ganha quem tem a maior capacidade de manipulação.
[15:11] <foureaux> Para os porta-vozes do sistema, que fazem uso do charme e de jogos de palavras para atingir os seus objetivos, não existe melhor ferramenta do que a língua. Imagine-se a seguinte história: certa pessoa chega a uma terra estrangeira, cuja língua e costumes não conhece.
[15:11] <foureaux> Em caso de conflito entre esse indivíduo e o status quo local, o último com certeza dirá: “Aqui, você não somente não compreende os nossos costumes, como também não consegue expressar suas ideias na nossa língua.
[15:12] <foureaux> Ou seja, aqui você não tem valor maior que o de um idiota.” Isso é possível, plausível... acontece, sim!!! É necessário, ao lidar com a língua que se fala como língua estrangeira, jamais esquecer esse “detalhe”.
[15:12] <foureaux> Pode parecer ingenuidade de minha parte, mas penso que nesta situação em particular – um país jovem, recentemente liberto de uma das ditaduras mais afamadas e cruéis do Ocidente – esse cuidado não é pouco. Tudo o que escrevi aqui pode ter sido um grande jogo de palavras, em suma, uma grande mentira. A mentira é tudo. Tendo dito isso, o presente relato termina!
[15:12] <foureaux> É isso! Muito obrigado pela paciência, com o pedido de desculpas pelos tropeços!
[15:12] <daniervelin> muito obrigada, foureaux !
[15:13] <AnaMatte> excelente, foureaux , parabéns
[15:13] <daniervelin> abrimos a sala então para o debate!
[15:13] <llindda> Parabéns pelas explicitações assertivas e 'rápidas' rsrsrs
[15:13] <thalita> parabéns, foureaux
[15:13] <andrewill> Parabéns!
[15:13] <foureaux> Obrigado
[15:13] <thalita> gostei muito do tom utilizado em toda a discussão
[15:14] <marcio> Parabéns!
[15:14] <LuisGoncalves> <uiot bom, parabéns :)
[15:14] <LuisGoncalves> muito
[15:14] <rivania> Obrigada, Foureaux. É bom "ouvi-lo" de novo.
[15:14] <AnaMatte> :)
[15:14] <foureaux> Oi Rivânia! Obrigado.
[15:15] <daniervelin> adorei: "Neste texto, eu não pretendi falar a respeito do oxigênio do ar que nos rodeia. O que fiz foi escrever acerca de algo que se assemelha ao ar que rodeia o planeta – até prova em contrário(!): a língua, suas palavras e seus usos."
[15:15] <daniervelin> :)
[15:15] <foureaux> Que bom gostou!
[15:15] <Juninho> Foreaux, você conseguiu ganhar dinheiro?
[15:15] <Bruno_Forgiarini> Concordo contigo, @daniervelin!
[15:16] <foureaux> Só o que a universidade e o itamarti pagaram.
[15:16] <AnaMatte> foram dois trabalhos com estilos bem diferentes, gostei muito dessa oposição entre LuisGoncalves e foureaux
[15:16] <llindda> foureaux > por gentileza, você tem esse material publicado? Onde?
[15:16] <rivania> Esa dupla foi muito interessante, pois um falava das questões teóricas e metodológicas, e o outro, da sua experiência no ensino de Português como Língua Estrangeira. Foram palestras complementares.
[15:16] <Ana_Lemos> Parabéns, muito bom...
[15:17] <daniervelin> LuisGoncalves, posso divulgar seu site para os participantes?
[15:17] <foureaux> Não está publicado. Se quiser, posso enviar para você, Rivânia.
[15:17] <daniervelin> acredito que é interessante
[15:17] <joycefett>  Muito interessante seu trabalho, prof Foureaux, parabéns! Adorei ler sobre a questão do ensino comunicativo. Pelo que pude acompanhar, tanto a sua experiência como a do prof Luis Gonçalves enfatizam o quanto a comunicação é relevante e sobrepõe o ensino de gramática por ela mesma. Não que esta não tenha importância no ensino de línguas estrangeiras, mas não são prioridade, visto que na comunicação aprendemos e ensina
[15:17] <LuisGoncalves> Não sei qual é o site, mas pode divulgar sim :)
[15:17] <AnaMatte> podemos publicar na revista texto livre (www.textolivre.net)
[15:17] <foureaux> Desculpe, Linda. Posso mandar pra você.
[15:17] <daniervelin> http://luisgoncalves.org/4601.html
[15:17] <daniervelin> é seu mesmo, não é?
[15:17] <llindda> Por gentileza, me envie então. Obrigada, Linda.
[15:18] <LuisGoncalves> é sim, mas precisa ser atualizado :)
[15:18] <llindda> Em meio e-mail informado no cadastro.
[15:18] <rivania> José Luiz, pode enviar para mim também, obrigada.
[15:18] <LuisGoncalves> A experiência que o Professor José Luiz é exatamente o que nós encontramos com maior frequência aqui
[15:19] <llindda> Lindalva Pereira Cardoso (llindda)
[15:19] <foureaux> OK, Rivânia.
[15:19] <Gessyca> Muito interessante quando você fala sobre o lúdico. Nós, professores de língua estrangeira, utilizamos muito dessa ferramenta para ensinar. Entretanto, ao se tratar da língua materna, muitas vezes, nos deparamos com aulas gramatiqueiras e cansativas. Seria interessante se houvesse uma mudança geral na estratégia de ensino. Os alunos aprenderiam mais, se divertiriam com as aulas de Português e se entusiasmariam em saber bem sua
[15:19] <LuisGoncalves> por isso, enquanto fui lendo, não pude deixar de pensar várias vezes "a gente podia te ter ajudado muito":)
[15:20] <AnaMatte> Gessyca: é o que fazemos nas oficinas de texto em língua portuguesa aqui na UFMG
[15:20] <foureaux> Pois é Gessyca. Nada como a criatividade, o jogo de cintura e o cuidado com as práticas, sempre possíveis, no meu entender.
[15:20] <llindda> Concordo com a Gessyca. Eu também vivencio essa realidade.
[15:20] <LuisGoncalves> Eu organizei o III Encontro Mundial Sobre o Ensino de Português que foi a 1 e 2 de agosto na Columbia University, e os debates entre os professores de PLE e PLM foram extraordinários
[15:21] <AnaMatte> os anais do encontro foram publicados, LuisGoncalves ?
[15:21] <LuisGoncalves> esse conceito de língua como regra gramatical é uma coisa abandonada nos nos 80 no ensino de línguas estrangeiras
[15:21] <LuisGoncalves> mas parece permanecer no PLM
[15:21] <LuisGoncalves> vão sair no dia 1 de dezembro :)
[15:22] <AnaMatte> excelente, LuisGoncalves
[15:22] <deia_> parabens
[15:22] <Gessyca> Que legal Ana Matte. Quando tiver um tempinho vou fazer uma visita para conhecer o projeto de vocês. Eu sou de Goiânia, e estou querendo trazer novas propostas de ensino de língua materna pra cá.
[15:23] <AnaMatte> LuisGoncalves e foureaux , aqui na ufmg a gente aproveita a internet para criar situações de escrita em gêneros muito diferenciados, com maior ou menor formalidade.  Isso
[15:23] <joycefett> sobre o uso de tecnologias no ensino de PLE, Luis Gonçalves, vcs já experimentaram as redes sociais?
[15:23] <joycefett> nas aulas
[15:23] <LuisGoncalves> Há um trabalho fantástico da professora Viviane Gontigo da Harvard e da professore Gláucia Silva da UMass - Dartmouth sobre a ansiedade na sala de PLE que é muito interessante
[15:24] <deia_> usando as redes
[15:24] <LuisGoncalves> joycefett> sim, todos os meus cursos usam redes sociais
[15:24] <joycefett> Que legal! Sou professora de inglês como LE e tenho obtido resultados fantásticos tb com o uso de redes sociais com meus alunos
[15:25] <LuisGoncalves> Nós organizamos as nossas aulas seguindo os 5Cs: comunicação, cultura, comparações, conexões e comunidade
[15:25] <Gessyca> Foureaux, com certeza sua experiência me trouxe grandes perspectivas. Porque eu nunca havia lido sobre a experiência de alguém ensinando Português, como língua estrangeira. Meus horizontes foram ampliados, e já estou pensando em pegar umas aulas de Língua Portuguesa, só para poder inovar e fazer surgir novas ideias.
[15:25] <LuisGoncalves> uma das formas que criar envolvimento com a comunidade é usar as TICs e as redes sociais
[15:25] <foureaux> Que bom Gessyca.
[15:25] <AnaMatte> continuando, isso cria um ambiente muito fértil e lúdico, já que lembra a experiência online que os alunos já vivem nas redes siciasi, especialmente os calouros
[15:25] <joycefett> vcs usam redes sociais criadas por vcs ou as já existentes, como facebook, por exemplo?
[15:25] <foureaux> Pode ser que você venha a gostar...
[15:26] <foureaux> Gostei imenso da minha experiências inclusive porque me diverti horrores!
[15:26] <AnaMatte> sociais*
[15:26] <LuisGoncalves> usamos as duas
[15:26] <rivania> Também penso que as questões metodológicas relevantes para o ensino de Português como Língua Estrangeira deveriam ser consideradas no ensino de Português como língua Materna. Isso, porque, se verificarmos mais atentamente, veremos que o português ensinado nas escolas, em qualquer país de língua portuguesa, não é  língua materna damaior parte dos alunos.
[15:26] <foureaux> joycefett: tenho contato com meus ex-alunos croatas pelo facebook, ainda...
[15:26] <foureaux> Tenho uma intuição e queria a opinião de vocẽs.
[15:27] <LuisGoncalves> o que é ensinado na escola é a norma da língua, o uso não se ensina, toda a gente usa a língua
[15:27] <joycefett> Isso é ótimo, não é, foureaux? Com certeza, através das redes, vcs continuam aprendendo uns com os outros...
[15:27] <AnaMatte> LuisGoncalves e foureaux : nem sempre os alunos gostam de ter aulas brincalhos, os calouros em especial, porque acabaram de entrar na faculdade e acham que aqui tudo tem que ser sério. Vocês se depararam com isso nos cursos?
[15:27] <foureaux> Se se ensinasse Língua Portuguesa Materna usando as metodologias de ensino de línguas estrangeiras, será que o aprendizado fluiria melhor?
[15:27] <Val_> parábens à todos... acabei de ver uma reportagem onde escola de idioma usam a rede social em asilos... bom para ambos... tanto para os idosos que tem oportunidade para conversar quando se sentem sozinhos quanto para alunos que precisam praticar o idioma... achei interessante.
[15:27] <foureaux> será que o desempenho do falante materno seria mais proveitoso e eficaz?
[15:28] <AnaMatte> brincalhonas*
[15:28] <foureaux> Continuamos, sim Gessyca
[15:28] <LuisGoncalves> AnaMatte > tudo depende da cultura em que ensinamos. Por exemplo, se formos para a China ensinar partindo do lúdico, vamos ter muitos problemas
[15:28] <LuisGoncalves> os alunos reclamam aos departamentos que o professor de PLE não ensina, só faz brincadeiras
[15:29] <LuisGoncalves> há uma expectativa cultural muito própria
[15:29] <AnaMatte> entendi, LuisGoncalves, bem, isso aqui é Brasil... brincar é a alma do negócio mas não é muito levado a sério
[15:29] <LuisGoncalves> eheheheh
[15:29] <rivania> Interessante essa questão cultural, Luis!
[15:30] <foureaux> No caso do PLE, penso que os famigerados carnaval e samba ajudam muito a descontrarir e articular ao mesmo tempo
[15:30] <LuisGoncalves> respondendo à pergunta: eu acho que está na hora de o PLM começar a ensinar a língua partindo de documentos reais, como nós fazemos em
[15:30] <LuisGoncalves> PLE
[15:30] <AnaMatte> concordo
[15:31] <Juninho> Professores, ao ensinar uma LE, devemos desenvolver as competências (speaking, reading, writting, listening), na mesma proporção ?
[15:31] <LuisGoncalves> Mesmo a questão do erro, eu acho que há muita pesquisa na nossa área que ajudaria
[15:31] <LuisGoncalves> Juninho > a questão não se coloca a esse nível porque o aparelhe cognitivo humano não funciona assim
[15:32] <Gessyca> Foureaux, eu acredito que funcionaria sim. A questão é arranjar uma equipe engajada em produzir os materiais lúdicos, criar uma proposta metodológica e utilizarmos também dos outros métodos de ensino de língua estrangeira, para dar suporte e dinamizar ainda mais as nossas aulas.
[15:32] <LuisGoncalves> a compreensão oral é o primeiro foco e a expressão oral o segundo, a leitura e a escrita vem depois
[15:33] <AnaMatte> LuisGoncalves: pra mim o aprendizado de leitura escrita parece muito mais simples que a língua oral
[15:33] <LuisGoncalves> Na questão do erro, há vários níveis de correção, uns mais bruscos que outros
[15:34] <LuisGoncalves> mas no entando, qualquer criança aprende a ouvir e a falar primeiro :)
[15:34] <AnaMatte> rs, é verdade
[15:35] <AnaMatte> acho que falar e ouvir cria uma interação mais pessoal, mais fácil entre crianças do que em adultos
[15:35] <Gessyca> Acredito que seja necessário que os alunos saibam o alfabeto fonético, as questões de pronúncia, variedade linguística... não conhecemos o Português na escola. As escolas que conheço que trabalham , por exemplo, fonética e fonologia são escolas caras.
[15:37] <LuisGoncalves> na língua estrangeira, não trabalhamos essas coisas - nós identificamos o nível de interlíngua do aluno
[15:37] <LuisGoncalves> o espaço que ele entende, e vamos introduzindo elementos novos e abrindo a interlíngua
[15:37] <LuisGoncalves> os alunos só aprendem quando entendem
[15:37] <LuisGoncalves> não há outra forma
[15:38] <Gessyca> Com certeza!
[15:38] <AnaMatte> certo
[15:39] <llindda> Obrigada! Apreciei todas as discussões. Forte abraço à todos.
[15:39] <foureaux> Abraço
[15:39] <rivania> José Luiz, fquei muito curiosa por saber mais de detalhes da sua experiência, por exemplo, o que você observou do impacto das suas escolhas na resposta dos alunos,em termos de aprendizagem.
[15:39] <LuisGoncalves> na questão cultural que foi falada, há duas autoras excelentes: a Maria Luisa Ortiz Alvarez da U. de Brasília e a Edleise Mendes da U. da Bahia
[15:39] <LuisGoncalves> qualquer uma dela ótimas
[15:39] <foureaux> Não tive muito tempo para "avaliar" isso profundamente.
[15:40] <foureaux> mas até onde pude ir, vi que o desempenho ficou mais fluido.
[15:40] <foureaux> As diferenças entre as variantes lusa e brasileira ficaram mais evidentes para eles.
[15:40] <foureaux> Eles passaram a conseguir diferenciar certas diferenças mais explícitas, para além das relaçĩoes interculturais agenciadas entre as variantes.
[15:41] <daniervelin> bom, gostaria mais uma vez de agradecer a participação de todos!
[15:41] <rivania> Interessante.
[15:41] <Val_> Sou formada em Pedagogia e atualmente dou aulas (Língua Portuguesa) no Canadá, vocês poderiam me informar se existe algum curso online nessa área como educação continuada?
[15:41] <LuisGoncalves> eu, por exemplo, nunca tenho necessidade de fazer isso, cada aluno traça o seu caminho
[15:42] <daniervelin> LuisGoncalves e foureaux obrigada!
[15:42] <rivania> Luis, obrigada pelas indicações de autoras que abordam a questão cultural.
[15:42] <foureaux> Por nada, daniervelin
[15:42] <LuisGoncalves> eu acho que podíamos ficar horas aqui :)
[15:42] <AnaMatte> em nome do Texto Livre agradeço essa maravilhosa troca. Foi um prazer muito especial. Obrigada, LuisGoncalves . obrigada, foureaux
[15:42] <Juninho> Trabalho com Libras, como L2 para ouvintes. Os alunos gostam, se divertem, mas acham muito difícil. Pretendo fazer uma pós no ensino/aprendizagem de línguas. Posteriormente, LP, como L2, para surdos. Obrigado, abraços!
[15:42] <daniervelin> gostaríamos de encerrar o seminários de hoje já os convidando para os próximos
[15:42] <foureaux> Que bom que gosto, AnaMatte
[15:43] <deia_> sim muito bom
[15:43] <LuisGoncalves> Muito obrigado e um abraço. Tenho que correr para o aeroporto, a gente vê-se em São Paulo amanhã? :)
[15:43] <LuisGoncalves> José Luiz, um abraço, excelente trabalho :)
[15:43] <daniervelin> para quem mora em SP, pode aproveitar um pouco mais da presença de LuisGoncalves rsrs
[15:43] <foureaux> Obrigado, Luis.
[15:44] <AnaMatte> :)
[15:44] <foureaux> Foi bom interagir com você.
[15:44] <LuisGoncalves> vamos a Bienal :)
[15:44] <AnaMatte> publicaremos o registro dessa conversa no site do stis e em breve na revista texto livre, os artigos completos
[15:44] <foureaux> Certo!
[15:45] <daniervelin> consultem a agenda do Stis e fiquem de olho na página do Facebook com as divulgações: http://stis.textolivre.org/site/?Itemid=108
[15:45] <daniervelin> https://www.facebook.com/stis.face?fref=ts
[15:45] <deia_> certo
[15:46] <thalita> Para receber o certificado deste evento basta encaminhar uma mensagem para o STIS neste endereço:   stis@textolivre.org com os seguintes dados: nome completo e apelido usado durante o evento.
[15:46] <rivania> Agradeço aos palestrantes e àsmoderadoras. Abraços a todos.
[15:46] <LuisGoncalves> Um abraço a todos
[15:46] <daniervelin> enviaremos os certificados dos conferencistas por e-mail
[15:46] <daniervelin> :)
[15:46] <foureaux> Abraço
[15:46] <Ana_Lemos> Obrigada... Abraços...
[15:47] <marcio> ok. Abraços!
[15:48] <andrewill> :-)
[15:48] <andrewill> até a próxima!
[15:48] <acris> obrigada ao público pela presença, aguardamos vocês no próximo seminário
[15:48] <acris> clap clap clap clap
[15:48] <acris> clap clap clap clap
[15:48] <acris> clap clap clap clap
[15:48] <acris> :)
[15:49] <daniervelin> :)


 

Como citar este texto:

GONÇALVES, Luís. Uma proposta de formação do professor de PLE: focos programáticos. In: STIS - Seminários Teóricos Interdisciplinares do Semiotec. Ano III, 2014. Disponível em: <http://stis.textolivre.org/site/12-stis/registros-das-palestras-logs/72-log-luis-goncalves-e-jose-luiz>. Acesso em: 28 agosto 2014.

JÚNIOR, L., José. Ensinar Língua Portuguesa na Croácia, primeiras anotações de uma experiência. In: STIS - Seminários Teóricos Interdisciplinares do Semiotec. Ano III, 2014. Disponível em: <http://stis.textolivre.org/site/12-stis/registros-das-palestras-logs/72-log-luis-goncalves-e-jose-luiz>. Acesso em: 28 agosto 2014.

 

Todos os trabalhos aqui publicados estão licenciados segundo a Creative Commons

Creative Commons TL Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Based on a work at Texto Livre.