STIS 2019

MAIO: Interação, dialogismo e filosofias

registro de maio/19

Registro da Conferência em chat escrito, de 22 de maio de 2019:

 

INTERAÇÃO, DIALOGISMO E FILOSOFIAS: POSSÍVEIS DIÁLOGOS ENTRE LANDOWSKI E BAKHTIN

Prof Dr. Conrado Mendes

Prof Dr. Vanildo Stieg

 

 

 

<nataliagiarola_> É com muito prazer que damos início ao segundo bloco dos Seminários Teóricos Interdisciplinares do SEMIOTEC – STIS, promovido desde 2011 com o objetivo da interação via chat escrito.
<vanessap> salut!
<nataliagiarola_> Pedimos que a partir desse momento, apenas as coordenadoras e conferencistas se manifestem. Posteriormente, abriremos a palavra ao público
<nataliagiarola_> O evento é organizado pelo Grupo Texto Livre, que se dedica desde 2006 a promover a integração de atividades acadêmicas com o Software Livre e suas comunidades, levando em consideração o espírito da Cultura Livre e da Ciência Aberta.
<nataliagiarola_> Alguns lembretes aos participantes:
<nataliagiarola_> 01)para receber o certificado de participação, além da presença é necessário preencher o formulário disponível na página do STIS.
<nataliagiarola_> 02)cole frases curtas, no máximo 2 linhas A4, para que o chat não corte sua mensagem
<nataliagiarola_> 03) use preferencialmente um nick do tipo nomeSobrenome para evitar confusões.
<nataliagiarola_> 04) o certificado será encaminhado por e-mail no decorrer da semana.
<nataliagiarola_> 05) é necessário preencher o formulário do site para receber o certificado, o que deve ser feito no máximo até hoje no site do stis.
<nataliagiarola_> Vale lembrar que a sala ficará moderada: somente quem tiver voz ou op poderá enviar mensagens no chat enquanto o canal estiver moderado.
<nataliagiarola_> As intervenções do público serão silenciadas até o final das apresentações, em seguida abrimos para a interação até às 21h.
<nataliagiarola_> Para dar início às atividades da mesa redonda “Interação, dialogismo e filosofias: possíveis diálogos entre Landowski e Bakhtin”,
<nataliagiarola_> convidamos a coordenadora de mesa, Vivian Riolo para dirigir as perguntas aos professores e conferencistas Vanildo Stieg e Conrado Mendes.
<Vivian_Riolo_> Boa noite, professores Vanildo, Conrado e colegas que estão prestigiando o STIS nesta noite.
<nataliagiarola_> Vanildo é pós- doutor em Educação pela Universidade Federal do Espírito Santo - UFES (2012) e doutor em Educação pela mesma instituição.
<Jocyare> ola
<nataliagiarola_> Membro do Grupo de Estudos Bakhtinianos (GEBAKH/PPGEL), o conferencista irá apresentar alguns pontos sobre a teoria bakhtiniana.
<nataliagiarola_> Conrado Mendes é doutor em Semiótica e Linguística Geral pela Universidade de São Paulo (2013).
<nataliagiarola_> Autor de diversas publicações e livros na área de semiótica, Conrado explanará sobre a interação sob a ótima da semiótica de linha francesa.
<nataliagiarola_> Declaro aberta a Mesa Redonda. Bom evento a todos.
<nataliagiarola_> Com a palavra Vivian_Riolo_
<Vivian_Riolo_> Boa noite, professores Vanildo, Conrado e colegas que estão prestigiando o STIS nesta noite.
<Vivian_Riolo_> Vamos fazer da seguinte maneira:
<Vivian_Riolo_> Eu vou levantar um questionamento para o professor Vanildo e, na sequência, outro para o professor Conrado para facilitar a dinâmica da mesa. Sempre nessa ordem.
<Vivian_Riolo_> Serão 4 questões para cada professor, no total, e uma para o debate.
<Vivian_Riolo_> Ao encerrar a sua fala, peço, por gentileza, que vocês sinalizem para que possamos dar prosseguimento às questões.
<Vivian_Riolo_> Ao final, vamos abrir um espaço para que os demais participantes possam dialogar conosco.
<Vivian_Riolo_> Sejam todos bem-vindos e que possamos tirar grande proveito desse momento singular de troca.
<Vivian_Riolo_> Professor Vanildo, vamos lá?
<Prof_Vanildo> Vamos lá!
<Vivian_Riolo_> Gostaríamos de saber em que aspecto o conceito de interação tem relevo na teoria bakhtiniana?
<Prof_Vanildo> O conjunto das obras da perspectiva teórica bakhtiniana toma o conceito de interação como fundante de toda teorização. Este é um dado importante para estudar e compreender o pensamento de Bakhtin e de seu Círculo.
<Prof_Vanildo> A exemplo, para essa teorização a natureza da linguagem é produto das interações sociais, (interações verbais) portanto discursiva. Para ocorrer a produção de linguagem (oral, escrito, gestual) é necessário, pelo menos dois falantes de uma mesma comunidade lingüística inseridos em um contexto sócio ideológico (no qual os dois falantes “tenham o que dizer”, “tenham necessidades de dizer”, “tenham para que
<Prof_Vanildo> Para Bakhtin enunciado são elos, unidades vivas, reais, concretas da comunicação discursiva, portanto historicamente situados.
<Prof_Vanildo> Permita me ofertar um exemplo?
<Vivian_Riolo_> Por favor!
<Prof_Vanildo> Para Bakhtin (2003) no livro Estática da criação verbal, quando nos comunicamos, não falamos palavras, [mas as usamos para enunciar] verdades, mentiras, desejos, amores, desafetos...
<Prof_Vanildo> Desse modo, o que comunicamos faz parte de uma cadeia de comunicação discursiva, atravessada de efeitos de sentidos. Assim esse autor nos indica a ideia de enunciado, sendo portanto, uma unidade real da comunicação verbal. Para Bakhtin (2003) a linguagem só existe, na realidade na forma concreta de enunciados produzidos na e pelas interações verbais.
<Prof_Vanildo> Imaginemos na cena: duas moças em diálogo
<Prof_Vanildo> Moça 1 – Amiga, como foi que ôcê pegou bebê? Moça 2 – Amiga, ôcê lembra que nas tarde ensolaradas, eu e seu primo ficávamos conversando nas calçadas em frente de casa?
<Prof_Vanildo> Moça 1- Sim, lembro Moça 2- Então, um dia tava muito quente. Ele me convidou para ir até a esquina. E lá sentamos na cadeira do boteco do seu Zé.
<Prof_Vanildo> Moça 1 – Hummmmmmmm Moça 2 – Então, ele disse: Seu Zé, traga dois copos e uma gelada. Daí, seu primo colocou uma gelada no copo meu e no dele. Foi aí que eu peguei bebê.
<Prof_Vanildo> Como vimos, o diálogo foi estabelecido mediante uma situação de interação verbal entre sujeitos situados, pertencentes a determinada esfera de comunicação social, partilhando, concretamente determinada questão.
<Prof_Vanildo> Será que a resposta foi satisfatoria?
<ConradoMendes> pra mim não rs
<CaioSantos> Gente a palestra já começou?
<Prof_Vanildo> O grande relevo da interação em Bakhtin: a linguagem é produto das interações verbais
<Vivian_Riolo_> Vanildo, eu consigo compreender. Mas você pode explorar mais a questão?
<Prof_Vanildo> SIm
<CaioSantos> Vanildo eu nao consigo ver a conferência...
<CaioSantos> o que faço?
<Prof_Vanildo> Para Bakhtin e seu Círculo, a interação humana, é fundamental para a produção de linguagem
<Vivian_Riolo_> Vanildo, enquanto você prossegue na sua fala, vou fazer uma observação aos nossos convidados, ok?
<Prof_Vanildo> É na e pela interação entre no minimo dois falantes de uma mesma lingua que se produz linguagem
<Prof_Vanildo> ok
<Vivian_Riolo_> Pessoal, houve uma mudança no código da apresentação enquanto o professor Vanildo falava e alguns colegas ainda estão entrando durante a apresentação dele.
<Vivian_Riolo_> Estamos tentando solucionar para que não haja essas interferências durante a fala dos professores
<CaioSantos> Qual o código da palestra? estou entrando agora.
<Vivian_Riolo_> Vanildo, você ainda quer falar algo mais sobre essa questão? Lembrando que ao final teremos tempo para perguntas.
<Prof_Vanildo> Eu diria que a importancia da categoria interação reside no fato de que para Bakhtin e seu Circulo e por meio dela que produzimos linguagem
<Prof_Vanildo> Creio que dei boas pistas... estou satisfeito
<daniervelin> Oi, CaioSantos! Não há slides nesta apresentação. Só mesmo a interação aqui no chat
<CaioSantos> E não é videoconferência? não vejo vídeo
<Vivian_Riolo_> Pessoal, devido a essa mudança na configuração da plataforma, pedimos que as interações sejam feitas após a fala do palestrante apenas, para que a ideia a ser transmitida não fique segmentada, ok?
<Vivian_Riolo_> Não. A palestra é via chat apenas.
<Vivian_Riolo_> O segundo palestrante vai usar uma imagem e vocês receberão o código para acessá-la.
<Prof_Vanildo> Vivian, estou satisfeito. Espero que os colegas tenham acompanhado minha tentaiva de resposta
<Vivian_Riolo_> Obrigada, Vanildo.
<Vivian_Riolo_> Peço desculpas por essa pausa necessária.
<Vivian_Riolo_> Vamos dar prosseguimento com o professor Conrado.
<Vivian_Riolo_> Professor Conrado, boa noite.
<Vivian_Riolo_> Enquanto o professor Conrado se organiza, gostaria de dar a seguinte orientação sobre o slide que ele vai utilizar:
<ConradoMendes> Boa noite!
<Vivian_Riolo_> Vocês devem usar o código "conrado" no link da lateral "Apresentação de slides" e clicar em "abrir opção escolhida".
<Vivian_Riolo_> Professor Conrado, no âmbito da semiótica discursiva, como é compreendido o conceito de interação?
<ConradoMendes> Boa noite a todos. Inicio minha fala agradecendo o convite feito pela Natália, Vivian e Ana Cristina. Registro também minha satisfação por estar compondo esta mesa juntamente com o Prof. Vanildo Stieg, que nos falou há pouco sobre o tema da interação pela perspectiva bakhtiniana. No Brasil, há pesquisadores que apresentam trabalhos muito interessantes que colocam em diálogo Greimas e Bakhtin, como Norma Discini e Adai
<ConradoMendes> propõe essa articulação.
<ConradoMendes> O conceito de interação aparece como tal, pela 1a vez, no II Dicionário de Semiótica, de Greimas e Courtés, de 1986. No 1o tomo, esse verbete não aparece, ainda que a interação seja a chave para se pensar a narratividade, que é o cerne da semiótica standard.
<ConradoMendes> No 2o tomo do dicionário, interação aparece da seguinte maneira:
<ConradoMendes> “Definimos [...] a interação como o intercâmbio regido pela modalidade factitiva (fazer-ser, fazer-fazer), entre dois sujeitos dotados cada um de um percurso narrativo próprio. [...] Dito de outro modo, a interação frente a frente é a transformação mútua e sucessiva (insistimos sobre a forma dinâmica da interação) da competência modal e cognoscitiva dos sujeitos postos um em presença do outro” (GREIMAS; COURT
<ConradoMendes> Essa citação nos dá algumas pistas de como entender a interação em semiótica.
<ConradoMendes> Vejamos: O intercambio regido pelo fazer-ser se refere às ações dos homens sobre o mundo: construir casas, cidades, pontes, congelar e descongelar alimentos, etc. O intercambio regido pelo fazer-fazer se refere à ação dos homens sobre os homens, pois é quando um sujeito delega a outro a realização de uma ação.
<ConradoMendes> A citação segue dizendo que é a interação “a transformação mútua e sucessiva [...] da competência modal e cognoscitiva dos sujeitos postos um em presença do outro”. Assim, dá enfoque ao segundo tipo de interação – aquela do fazer-fazer – uma vez que se trata do processo em que um sujeito doa a outro sujeito um querer, um dever, um saber, um poder para que, assim procedendo, mude a competência modal desse
<ConradoMendes> Em outras palavras, um sujeito faz com que outro sujeito queira, deva, possa ou saiba fazer algo. É disso que se trata a modificação da competência modal de um sujeito por outro.
<ConradoMendes> A citação frisa que esse processo é sempre dinâmico. Assim, em semiótica standard, a interação pode ser de dois tipos: a manipulação (ação dos homens sobre os homens) e a operação (ação dos homens sobre o mundo).
<ConradoMendes> É assim que a semiótica concebe a interação, quer dizer, pensada em termos de narrativa.
<ConradoMendes> Ficou claro?
<Vivian_Riolo_> Sim, professor Conrado. Talvez os participantes que tenham menos intimidade com a Semiótica tenham certa dificuldade, mas vejo que você apresentou de maneira bem clara e didática.
<ConradoMendes> certo! :)
<Vivian_Riolo_> Ao final, os colegas podem fazer apontamentos e tirar suas dúvidas.
<Vivian_Riolo_> Professor Vanildo, vamos prosseguir.
<Prof_Vanildo> Vamos sim
<Vivian_Riolo_> Como se dá a noção de dialogismo para o Círculo de Bakhtin quando se pensa a linguagem nas interações sociais?
<Mauricio_Mendes> Like
<Prof_Vanildo> Antes de iniciar a resposta, me dirijo ao Prof. Conrado com alegria. Dizer que aqui no PPGE UFES, estudamos Greimas com a Profa Moema Rebolças
<Prof_Vanildo> Tratando a questão Vivian...
<Vivian_Riolo_> Sim! :)
<Prof_Vanildo> O dialogismo é o princípio constitutivo da linguagem. Dialogismo não é para a perspectiva bakhtiniana entendido como diálogo (como propôs Jakobson – emissor, mensagem, canal, receptor).
<Prof_Vanildo> Assim, o significado de diálogo para o Círculo, entretanto, não se refere, simplesmente, à comunicação ou a troca de opiniões vis-à-vis entre parceiros, senão como um princípio geral de comunhão solidária e coletiva da linguagem, sem qualquer passividade entre os falantes (sempre situados).
<Prof_Vanildo> O fundamento da linguagem, para o Círculo de Bakhtin é o dialogismo, essa relação com o outro. “A vida é dialógica por natureza. Viver significa participar de um diálogo” (BAKHTIN, 2013, p. 293).
<Prof_Vanildo> Tudo o que me diz respeito vem-me do mundo exterior por meio da palavra do outro. Todo enunciado é apenas um elo de uma cadeia infinita de enunciados, um ponto de encontro de opiniões e visões de mundo. Nessa rede dialógica que é o discurso, instituem-se sentidos que não são originários do momento enunciativo, mas que fazem parte de um continuum. “O falante não é o Adão bíblico”.
<Prof_Vanildo> A base do princípio dialógico é a filosofia do diálogo ou da relação que, afirmando a palavra como dialógica, estabelece a relação “entre” os seres humanos e funda a experiência da intersecção, ou interação.
<Prof_Vanildo> Para essa filosofia, o homem não é um ser individual, mas uma relação dialógica entre um eu e um tu. O tu é condição de existência do eu, uma vez que a realidade do homem é a realidade da diferença entre o eu-tu. O eu não existe individualmente, senão como abertura para o outro. Origina-se aí a constituição do par fundador – eu-outro
<Prof_Vanildo> Sugerimos um link para os interessados em aprofundar acerca das categorias de dialogismo e polifonia: Site: http://periodicos.ufes.br/PRODISCENTE/article/view/5787/4229 O texto é de nossa autoria, escrito a 6 mãos.
<Prof_Vanildo> Em sintese
<Prof_Vanildo> O humano é dialogico
<Prof_Vanildo> Por esta razão ele, situado concretamente, atua, reage, responde, assume posicionamento. Isso, por meio das interações historico-culturais.
<Prof_Vanildo> Será que consegui responder? :)
<Vivian_Riolo_> Sim, Vanildo. Muito obrigada! Que banquete de informações!
<Vivian_Riolo_> E prosseguimos em dialogia por aqui, então!
<Prof_Vanildo> OK ;)
<Vivian_Riolo_> Professor Conrado,
<Vivian_Riolo_> Esse conceito de interação apresentado no primeiro momento já era estudo no que chamamos de semiótica standard?  A desenvolvida por Algirdas Julien Greimas?
<ConradoMendes> Exato. Ainda que no 1o tomo do Dicionário de Semiótica esse verbete não tenha aparecido, a semiótica desenvolveu-se, sobretudo no que diz respeito ao nível narrativo, como uma teoria da (inter)ação, uma vez que entende o conceito de narrativa/narratividade como sucessivas transformações de estado (operação) pressupostas por contratos estabelecidos entre sujeitos (manipulação).
<ConradoMendes> então ainda que não se falasse em interacão mas em semiótica da ação, a interação constitui o núcleo da semiótica de Greimas.
<ConradoMendes> Expliquei?
<Vivian_Riolo_> Sim, professor.
<ConradoMendes> :)
<ConradoMendes> Ah...
<ConradoMendes> uma coisa
<ConradoMendes> Prof. Vanildo, mande meus cumprimentos a Profa. Moema Rebouças
<ConradoMendes> :)
<Prof_Vanildo> Sim! Levarei!!!
<Prof_Vanildo> :)
<Vivian_Riolo_> Sua fala de agora complementa bem o que você já tinha introduzido no primeiro momento. Sugiro, inclusive aos que acessaram depois que visitem a página offline após o evento para interligarem essa explicação.
<Vivian_Riolo_> Sobretudo aos novatos em Semiótica! :)
<Vivian_Riolo_> Professor Vanildo, dando continuação:
<Prof_Vanildo> SIM
<Vivian_Riolo_> Em quais obras de Bakhtin e do Círculo o tema da interação ganha destaque? Há conceitos ou categorias de análise que dão suporte a esse estudo da interação? Poderia nos explicar, sucintamente e, se possível, exemplificar com sua pesquisa ou de outras formas?
<Prof_Vanildo> Vou tratar a primeira pergunta, OK?
<Vivian_Riolo_> Sim, por favor!
<Prof_Vanildo> O tema interação, ou melhor, o modo como Bakhtin e seu Círculo entendem a interação é, sob minha perspectiva o centro/núcleo do pensamento bakhtiniano. Por isso é possível dizer que em todas as obras de Bakhtin a categoria interação predomina.
<Prof_Vanildo> A exemplo, no texto Marxismo e filosofia da linguagem, sobretudo nos capítulo 4, 5, 6 e 7 Bakhtin/Volochínov discutem a interação, sobre tudo a interação verbal para anunciarem como concebem a da natureza da linguagem ( o que é linguagem para a perspectiva bakhtiniana).
<Prof_Vanildo> Na obra de Bakhtin A Estética da criação verbal, sobretudo no Capítulo ADENDO Gêneros do discurso, o autor apresenta a categoria interação verbal para anunciar o conceito de enunciado concreto e de gêneros do discurso.
<Prof_Vanildo> Já na obra Para uma Filosofia do ato ético responsável, o autor ressalta a questão das interações verbais para nos ensinar que ao contrário do teoricismo aprioristicos (forma de pensar e encontrar álibe para o humano em suas interações cotidianas – e ele cita Emanuel Kant como o filósofo fundante do teoricismo) somos sujeitos de respostas e ao respondermos, ao lançarmos a nossa palavra no mundo (nas diferentes esfe
<Prof_Vanildo> VOU TRATAR AGORA A SEGUNDA PERGUNTA, OK?
<Vivian_Riolo_> Sim!
<Prof_Vanildo> Sim, HÁ CONCEITOS como já assinalamos a categoria ENUNCIADO CONCRETO, POLIFONIA, DIALOGISMO. Aliás todas estas categorias emanam da idéia de que o humano age no mundo, interage, interroga, questiona, produz efeitos de sentidos a partir dos diferentes contextos que habitam.
<Prof_Vanildo> O humano produz textos/discursos/enunciados na e pela linguagem. Linguagem entendida, como dito, como o resultado das interações entre falantes situados. Para Bakhtin e seu Círculo então compreender os discurso numa perspectiva dialógica (o sujeito significa por meio de movimentos de alteridade e exotopia, sempre situado).
<Prof_Vanildo> AGORA TENTANDO RESPONDER 3 QUESTÃO, ok?
<Prof_Vanildo> Para exemplificar, vou citar um exemplo, bem simples, que tenho utilizado de modo recorrente quando falo da categoria “enunciado concreto” em minha aulas, palestras, conferências e diálogo como este aqui.
<Prof_Vanildo> Vamos lá... digamos que eu tenha confirmado uma aula na Universidade. Digamos que eu e a turma combinamos um dia X para a aula iniciar as 7h da manhã, porque seminários seriam apresentados e necessitávamos de iniciar nesse horário excepcionalmente. Digamos que o relógio dos estudantes apontam 7h30min e eu não vou conseguir dar a aula, pois não vou conseguir chegar.
<Prof_Vanildo> Então um cooordenador abre a porta da sala e diz: Turma, o Professor Vanildo acabou de pedir mil desculpas e pediu para avisar que a aula não irá acontecer. Então digamos que a turma expresse em um só coro assim A...............
<Prof_Vanildo> Bem, esse A................., representado apenas por um som fonêmico é enunciado e não um som emitido num coletivo. Alguns podem ter dito A...... como forma de revolta, outros como forma de A..... que bom, vamos embora cedo, agora, outros podem ter expresso A.... que professor é esse? Outros A...... que triste, queria tanto ter a aula etc...
<Prof_Vanildo> Foi naquele ato de interação verbal que os diferentes efeitos de sentido foram produzidos apenas com a utilização do fonema A. O fonema A representado pela letra A, pode ser considerado como enunciado concreto, portanto, produto das interações entre falantes situados. Por isso, o que pesquisador bakhtiniano se interessa em realizar, em suas pesquisas são análises dialógicas do discurso (importa os efeitos de sentidos pr
<Prof_Vanildo> de produção social). Não há apenas um efeito mde sentido, há uma pluralidade de efeitos, o conjunto de muitas vozes em pé de igualdade (Polifonia)
<Prof_Vanildo> Será que respondi satisfatoriamente?
<Prof_Vanildo> :)
<Vivian_Riolo_> Obrigada! Sei que foram muitas questões, mas acredito que o todo das respostas vai dar clareza para aqueles que têm interesse em estudar a perspectiva do Círculo! :)
<Prof_Vanildo> Ótimo!
<Vivian_Riolo_> Imagino que o "A......" foi de "Que pena! A aula do professor Vanildo é tão boa!
<Vivian_Riolo_> Risos
<Prof_Vanildo> hahahahahahaha
<Vivian_Riolo_> Obrigada, Vanildo.
<Prof_Vanildo> você é um doce!
<Vivian_Riolo_> Vamos continuar!
<Vivian_Riolo_> :)
<Vivian_Riolo_> Professor Conrado
<Vivian_Riolo_> Vamos lá!
<ConradoMendes> :)
<Vivian_Riolo_> Agora chegou o momento mais esperado por mim, ao menos, na teoria que tenho me dedicado da Semiótica!
<Vivian_Riolo_> Sabemos que os estudos sobre a interação tiveram um aprofundamento com a teoria sociossemiótica de Eric Landowski, principalmente em seu livro “Interações Arriscadas” Poderia nos explicar, sucintamente, os regimes de interação propostos pelo autor? Se possível, exemplificar.
<ConradoMendes> Isso mesmo, Vivian. Conforme eu disse, a semiótica entendia a interação somente em termos de modalidades, ou seja, quando um sujeito modifica a competência modal de outro sujeito, ou seja, o faz querer, por exemplo.
<ConradoMendes> A sociossemiótica, que é um desdobramento atual da semiótica discursiva de Greimas, concebida pelo francês Eric Landowski, compreende o conceito de interação como pressuposto a toda e qualquer produção de sentido, isto é, o sentido nasce da interação. Assim, notamos que tal conceito, antes de importância secundária na semiótica standard, torna-se fulcral em sociossemiótica.
<ConradoMendes> Digo importância secundária pelo fato de o verbete não ter aparecido de forma explícita do 1o dicionário, ok?
<ConradoMendes> Em uma nota preliminar de recente número do periódico Actes Sémiotiques, dedicado à temática da materialidade, interação e espacialidade, Landowski afirma ser interação “um processo ao mesmo tempo pragmático, cognitivo e patêmico, de confrontação entre um ‘eu’ e um ‘outro’, entre um alguém e alguma coisa” (2018, p. 2; tradução nossa). O sentido, pois, emana dessa confrontação.
<ConradoMendes> Podemos dizer que a centralidade do conceito de interação para a sociossemiótica se deveu à emergência da noção de presença nos estudos semióticos. Portanto, é a presença que implica a nossa relação com o mundo e com o outro.
<ConradoMendes> É a presença que instaura a interação entre um “eu” e um “outro”, ou, em outras palavras, a interação decorre da copresença entre actantes. Assim, presença, interação e sentido são termos indissociáveis pela perspectiva da sociossemiótica, a partir dos quais cria-se um espaço-tempo único e irrepetível que é a situação.
<ConradoMendes> Assim, se a presença é o que possibilita a interação, a interação produz, por assim dizer, a situação, o próprio texto em ato. Para dar conta de explicar o sentido que se produz na e pela interação, Landowski concebeu uma sintaxe geral da interação, ou seja, um modelo teórico abrangente capaz de explicar os mecanismos de produção de sentido de todas as formas de interação, comunicativas ou não.
<ConradoMendes> (comunicativas como sendo verbais, ok?)
<ConradoMendes> Tal sintaxe geral, apresentada no livro Interações Arriscadas, compõe-se de quatro regimes de interação e sentido programação, manipulação, ajustamento e acidente.
<ConradoMendes> Tal sintaxe geral, apresentada no livro Interações Arriscadas, compõe-se de quatro regimes de interação e sentido programação, manipulação, ajustamento e acidente
<ConradoMendes> Esses dois últimos foram apresentados em sincretismo e de forma embrionária na última obra individual de Greimas, Da imperfeição. Nessa obra, Greimas fala de “acidentes estésicos / estéticos”, que Landowski vai operacionalizar em Interações Arriscadas nos regimes do ajustamento e do acidente, que vou explicar mais detalhadamente a seguir.
<ConradoMendes> Enquanto explico no chat, vou pedir que abram o slide, ok?
<Vivian_Riolo_> Sim! Obrigada!
<ConradoMendes> Na programação, o princípio que define tal regime é o da regularidade. Nesse caso, trata-se da ação do sujeito sobre as coisas do mundo: ligar ou desligar um aparelho, abrir ou fechar uma janela. Tal regime é articulado em termos de interobjetividade e de exterioridade. Esse regime traduz uma forma de apreensão do mundo marcada pelo determinismo, em função dos algoritmos de comportamento regular dos atores (humanos ou
<ConradoMendes> Em termos modais, o regime da programação corresponde a um fazer-advir. Como exemplo, podemos pensar em situações regidas pela regularidade: um ônibus que passa todos os dia no ponto em no mesmo horário.
<ConradoMendes> O regime da manipulação, por sua vez, é regido pelo princípio da intencionalidade. Como afirma Landowski (2014, p. 22), “manipular é sempre imiscuir-se em certo grau na vida interior de outrem (tipicamente por meio da persuasão) nos motivos que o outro sujeito possa ter para atuar num sentido determinado”.
<ConradoMendes> Nesse regime, o que define o sujeito da manipulação é a competência modal, ou seja, é, antes de mais nada, a modalização pelo querer que fará dele um sujeito. Em termos modais, a manipulação corresponde a um fazer-querer. Como exemplo, qualquer situação em que um sujeito tenta convencer um outro a realizar algo ou a crer em algo: um anúncio de cosmético, por exemplo, o da L’Oréal, que diz: “porque você vale
<Vivian_Riolo_> ***Vocês devem usar o código "conrado" no link da lateral "Apresentação de slides" e clicar em "abrir opção escolhida".***
<ConradoMendes> Programação e manipulação são regimes de interação que comportam menor risco e, portanto, com menor potencial de produção de sentido. Do ponto de vista do risco, é a segurança que caracteriza o regime da programação, e o risco limitado que caracteriza a manipulação. A lógica subjacente à manipulação e à programação é a da junção, uma vez que está em jogo a circulação de valores, seja por conjunção,
<ConradoMendes> À direita da elipse, encontram-se os regimes do acidente e do ajustamento, marcados pela sensibilidade, pelo risco e pela maior propensão à produção de sentido. As interações, no caso do ajustamento, não dependem de leis preestabelecidas e objetiváveis: “é [...] na interação mesma, em função do que cada um dos participantes encontra e, mais precisamente, sente na maneira de agir de seu parceiro, ou de seu advers
<ConradoMendes> pouco a pouco” (LANDOWSKI, 2014, p. 48).
<ConradoMendes> Por exemplo: uma dança em que os parceiros ao se sentirem mutuamente descobrem, pouco a pouco, os sentidos de uma interação gratificante.
<ConradoMendes> No regime do ajustamento, o que define o sujeito é a competência estésica, ou seja, o sentir. Assim, se à manipulação subjaz a lógica da junção, o ajustamento é subsumido pela lógica da união. Desse modo, em termos modais, o ajustamento se define como um fazer-sentir; é governado pelo princípio da sensibilidade e, do ponto de vista do risco, caracteriza-se pela insegurança.
<ConradoMendes> Para completar o construto interacional concebido por Landowski (2014), cumpre tratar, por fim, do regime do acidente. Tal regime de interação é aquele que comporta o maior grau de risco, o risco puro, e se baseia no princípio da aleatoriedade. Modalmente, corresponde a um fazer-sobrevir. Exemplo: eventos imprevistos cuja realização não depende de nada ou ninguém objetivável: ciclones, cataclismos, maremotos.
<ConradoMendes> O Quadro que vocês estão vendo demonstra como se dá a passagem de um regime a outro, ou seja, a recursividade entre eles. Assim, a partir dessa sintaxe geral da interação, o modelo de Landowski procura dar conta das “relações flutuantes, de ‘fluxos’ e de interações contingentes (e, provavelmente, até mesmo aleatórias)” (LANDOWSKI, 2008, p. 60).
<ConradoMendes> Com esse modelo, portanto, composto de 4 regimes de interação sentido e risco que se relacionam e se articulam de modo a compor uma sintaxe geral da interação
<ConradoMendes> ... que prevê a interação entre sujeitos (humanos e não humanos).
<ConradoMendes> Vívian, tentei fazer uma síntese do modelo landowskiano... Espero ter ficado minimamente claro.
<Vivian_Riolo_> Eu estou muito feliz por essa síntese! É uma síntese recheada de detalhes! Obrigada!
<ConradoMendes> :)
<Vivian_Riolo_> Professor, posso fugir rapidamente do script?
<ConradoMendes> sim
<Vivian_Riolo_> Você fala em "sintaxe geral da interação". Landowski nomeia essas relações de interação assim? Em que obras podemos encontrar mais sobre essa discussão?
<ConradoMendes> sim. no livro "Interações Arriscadas" ele usa exatamente esse termo.
<ConradoMendes> Sintaxe porque organiza os regimes de interação -- e os correlaciona. :)
<Vivian_Riolo_> Essa informação é importante para quem está iniciando os estudos em Landowski!
<ConradoMendes> :)
<Vivian_Riolo_> Professores, como tivemos intercorrências com a tecnologia no início, podemos seguir para a última pergunta ou partimos para a questão do debate?
<ConradoMendes> sim, claro
<Vivian_Riolo_> Podemos falar brevemente sobre ela?
<Vivian_Riolo_> Professor Vanildo, para finalizar:
<Vivian_Riolo_> Por fim, a Filosofia da linguagem proposta por Bakhtin e seu Círculo tratam a interação considerando um movimento de reflexo e refração de ideologias na sociedade. Qual a importância dessa discussão para os estudos de texto e discurso?
<Prof_Vanildo> OK
<Prof_Vanildo> Para Bakhtin a linguagem/discurso reflete e refrata a realidade (contextos sócio ideológicos). Desse modo, os estudos de textos (orais, escritos, gestuais e imagéticos) necessitam considerar esse movimento (reflexo e refração).
<Prof_Vanildo> Tal movimento nos permite pensar por exemplo que o discurso que concretizado, é sempre relativamente estável. São signos portados de 2 faces dialógico e ideológico (entendido como sistema de crenças/explicações emanados de um coletivo).
<Prof_Vanildo> Essa compreensão retira de cena, em nossas pesquisas (sobre textos e discursos) a idéia da possibilidade de determinismo social, de tratar o sujeito e seus textos a partir de uma perspectiva monológica. De tratar o sujeito pesquisado como algo mudo.
<Prof_Vanildo> Exemplo: o símbolo é o responsável pela transmutação de sinal para signo (simbolização). O símbolo é material e representa algo nessa materialidade; seu sentido é dependente do objeto no mundo, por isso o símbolo apenas reflete a realidade que representa.
<Prof_Vanildo> Já a palavra é considerada o signo ideológico por excelência, em que reside um aspecto especial de compreensão das relações interativas realizadas pelos indivíduos na sociedade.
<Prof_Vanildo> Ela produz, reflete e refrata a realidade. Por isso, é considerada um signo puro, que, ao contrário do signo, pode ser impregnada de quaisquer funções ideológicas. É, portanto, instrumento e canal privilegiados da comunicação na vida cotidiana.
<Prof_Vanildo> Sendo assim, a palavra está presente em todo ato consciente, ou seja, acompanha e comenta toda e qualquer criação e apreensão dos fenômenos ideológicos.
<Prof_Vanildo> A palavra, portanto, é semioticamente pura, ideologicamente neutra, significada na inter-relação discursiva ordinária, mas também material semiótico do discurso interior e elemento imprescindível em todo ato consciente.
<Prof_Vanildo> Bakhtin/Volochinov, fazem uma discussão interessante na primeira parte do livro Marxismo e filosofia da linguagem
<Prof_Vanildo> Tratam sobre a natureza do signo - palavra
<Prof_Vanildo> A palavra fora de contexto é uma sombra, nada diz
<Prof_Vanildo> A palavra dita em um contexto, vai refletir e refratar a vida
<Prof_Vanildo> Será que respondi?
<Prof_Vanildo> ;)
<Vivian_Riolo_> Sim, Vanildo. Obrigada. Essa obra é fundamental para discutir a questão da interação e da ideologia.
<Prof_Vanildo> isso
<Vivian_Riolo_> Vamos finalizar essa parte com a última questão para o professor Conrado. E depois colocaremos a questão do debate.
<Vivian_Riolo_> Por fim, ao seu ver, qual a importância da inserção dos estudos da interação para a semiótica discursiva?
<Vivian_Riolo_> Professor Conrado, você pode nos esclarecer sobre essa questão?
<ConradoMendes> Acredito que a proposta de Landowski coloca a interação no cerne da problemática da produção de sentido. Quer dizer, conforme eu disse, entende que o sentido se produz a partir da interação entre dois sujeitos, podendo ser esses sujeitos humanos ou não humanos.
<ConradoMendes> O modelo de Landowski permite modelizar, ou seja, oferece um modelo que é teórico, analítico e epistemológico para presarmos a questão da interação, sejam elas as interações sociais face a face ou ainda as midiatizadas. Em suma, a sociossemiótica procura desenvolver uma modelo interpretativo que permite, ainda que tentativamente, dar conta da complexidade que caracteriza os processos comunicacionais interacionais.
<ConradoMendes> Acho que falei sobre muita coisa em um espaço de curto de tempo/espaço, então, convido os presentes a conhecerem o livro Interações Ariscadas, de Eric Landowski, no qual o autor apresenta sua teoria das interações.
<ConradoMendes> Seguem, ainda, três links de artigos de minha autoria que podem apresentar de forma mais detalhada os temas aqui tratados.
<ConradoMendes> O primeiro deles, o artigo intitulado “Semiótica discursiva e comunicação: questões sobre linguagem, texto e interação”, publicado na revista Estudos Semióticos (USP), alguns dos elementos que foram abordados aqui: http://www.revistas.usp.br/esse/article/view/149044
<ConradoMendes> O segundo, “Modalizações do fazer no episódio ‘Hino Nacional’, do seriado Black Mirror”, publicado na Significação: Revista de Cultura Audiovisual (USP), faz uma análise, com base nas teorias das modalidades, o processo manipulatório do referido contido no enredo da série. http://www.revistas.usp.br/significacao/article/view/137269
<ConradoMendes> O terceiro, “Entre o sensível e o inteligível: uma leitura semiótica do episódio ‘Hino Nacional’, do seriado Black Mirror”, publicado na Bakhtiniana - Revista de Estudos do Discurso, propõe uma análise do mesmo episódio, considerando as interações inteligíveis mas também as sensíveis (por ajustamento): http://revistas.pucsp.br/bakhtiniana/article/view/37406/28024 Obrigado a todos pela atenção!
<Vivian_Riolo_> Obrigada por compartilhar, professor!
<Vivian_Riolo_> Já tive o privilégio de ler alguns desses textos e certamente eles auxiliam na compreensão dos conceitos aqui apresentados.
<Vivian_Riolo_> Para não perdermos a oportunidade de dialogar com nossos palestrantes, lanço agora a pergunta final:
<Vivian_Riolo_> Vou colocar uma questão para os professores darem a sua contribuição e, na sequência, vamos abrir para que os demais participantes contribuam apresentando seus olhares.
<ConradoMendes> Que bom, Vivian. Fico feliz. Agradeço tb a excelente fala do Prof. Vanildo. Lerei o texto por ele indicado com prazer.
<Vivian_Riolo_> Na mesma sequência:
<Prof_Vanildo> Obrigado Prof. Conrado. Aprendi muito!
<Vivian_Riolo_> Professor Vanildo e Conrado
<Vivian_Riolo_> Em um ambiente que versa sobre as novas tecnologias da informação, sobretudo as redes sociais,  como vocês avaliam a importância dos estudos sobre as interações no âmbito da comunicação e dos discursos. Quais questões ainda precisam ser aprofundadas nas novas pesquisas?
<Prof_Vanildo> A partir da abordagem bakhtiniana, posso procurar responder do seguinte modo
<Prof_Vanildo> A interação humana, o ser expressivo e falante em processo discursivo com ou sem as redes sociais é o que interessa à perspectiva bakhtiniana. A enunciação, é nela que o todo do discurso se realiza. Para Bakhtin e seu Circulo, interessa compreender o humano a partir do discurso. O processo de compreensão é ativo e responsivo. ATIVO porque o sujeito necessita procurar entender o discurso alheio em um ato de alteridade e
<Prof_Vanildo> o seu lugar de fala, ele tem compromisso de dar respostas (não necessariamente falando, pode ser por meio de ações). O emudecimento também pode ocorrer como uma forma de dizer.
<Prof_Vanildo> Sobre a segunda questão...
<Prof_Vanildo> Sobre o questionamento: Quais questões ainda precisam ser aprofundadas nas novas pesquisas? Como bakhtiniano, talvez Bakhtin e seu Círculo me permitem responder assim: o pesquisador bakhtiniano é obcecado pela palavra alheia.
<Prof_Vanildo> A palavra alheia é fundamental. Base concreta, material, histórica para que o outro possa lançar a sua palavra (processo interativo discursivo). Desse modo as pesquisas necessitam ficar atentas para dar respostas às necessidades sociais. No contexto atual, a ambiência virtual promovida pelas Novas Tecnologias da Informação, tem se colocado como lugar de escuta, lugar de interação, lugar de pesquisa.
<Prof_Vanildo> Estou pensando por esse caminho...
<Prof_Vanildo> Passo a palavra ao amigo de mesa Prof. Conrado
<Vivian_Riolo_> Professor Vanildo, que bacana! Em um tempo em que tanto se diz sobre lugar de fala, pensar o lugar da escuta é igualmente relevante!
<Prof_Vanildo> Excelente observação Prof
<Vivian_Riolo_> Professor Conrado com a palavra! :)
<ConradoMendes> ok
<ConradoMendes> estava escrevendo rs
<Vivian_Riolo_> Tudo bem!
<ConradoMendes> Eu penso que a instantaneidade das redes sociais e a forma de comunicação em rede permitem possibilidades em que o sentido é construído em ato, na e pela interação, trazendo à tona (para estabelecer uma ponte com a fala do Prof. Vanildo) relações dialógicas, visto que é esse o princípio constitutivo da linguagem.
<ConradoMendes> O uso de memes é exemplo disso. Recentemente a cantora Paula Fernandes gravou a versão em português de Shallow, da cantora Lady Gaga. No estranho refrão que misturou português e inglês, ela canta: “Juntos e shallow now”. Por não fazer sentido a expressão, gerou uma avalanche de memes e hashtags. Há pouco, vi que o Uber está disponibilizando no lugar da opção Uber Juntos (para compartilhar a viagem), aparece Junt
<ConradoMendes> Ou seja, a internet possibilita essas interações cuja relação não é mais verticalizada mas horizontal, rizomática . Esse caso exemplica o ajustamento sensível. Não há troca de objeto-valor, mas a troca de estesias. Existe por assim dizer um riso e um sentir coletivos, ou seja, na e pela interação, que pode ser sensível, inteligível ou articular as duas coisas.
<ConradoMendes> Respondi?
<ConradoMendes> Acho que deu para estabelecer uma ponte legal com esse exemplo do juntos e shallow now
<ConradoMendes> rs
<ConradoMendes> uma ponte entre Landowski e Bakhtin
<Vivian_Riolo_> Sim, Conrado! Respondeu e com exemplos muito atuais!
<Vivian_Riolo_> Dialogicamente e shalllow now!
<Vivian_Riolo_> :)
<Vivian_Riolo_> Risos
<nataliagiarola_> :)
<Prof_Vanildo> Uma big ponte!!!
<ConradoMendes> :)
<Prof_Vanildo> ;)
<Vivian_Riolo_> Os demais participantes podem ficar à vontade para participar deste momento.
<Vivian_Riolo_> A plataforma já foi aberta para interação.
<Crislainejas> Primeiro gostaria de agradecer pela oportunidade que vocês nos proporcionaram esta noite de ler um pouco e discutir sobre essas questões. Bem, vou aproveitar a presença de vocês aqui, professores. [Risos]
<Crislainejas> Meu projeto para a dissertação propõe analisar relatos de experiência de professores que lidam com alunos campesino na Educação de Jovens e adultos. Quando falavam de escuta e de constituição através do outro, fiquei pensando como poderia me valer das indicações desta noite para a análise desses relatos.
<Prof_Vanildo> Sim, Cris
<Crislainejas> O projeto objetiva saber se e/como o ensino de Língua Inglesa colabora para o letramento crítico do aluno campesino na EJA frente as novas formas de interação e comunicação através das TDIC, Alguma sugestão? (que linha/teoria atenderia melhor esse propósito, na concepção de vocês)
<ConradoMendes> Deixo essa para o Prof. Vanildo, já que minha área é mais comunicação :)
<Prof_Vanildo> Cris,
<Prof_Vanildo> Penso que você pode ancorar suas compreenssões na categoria ENUNCIADO CONCRETO de Bakhtin
<Prof_Vanildo> Porque essa sugestão?
<Prof_Vanildo> Explico
<Prof_Vanildo> Se vc tomar os relatos dos alunos, como enunciados, você conseguirá ouvir os diferentes atravessamentos destas vidas
<Prof_Vanildo> Ouvir a voz alheia/aluno
<Crislainejas> no caso você sugere coletar relatos de alunos também?
<Crislainejas> até agora a coleta foi com professores
<Prof_Vanildo> Isso pode te permitir compreender, por exemplo, de que modo os sujeitos campesinos se constituem em suas "lutas", "lidas", perspectivas
<Crislainejas> nos relatos há referência ao que ouvem dos alunos nas suas aulas
<Prof_Vanildo> Lembre... o que é enunciado?
<Prof_Vanildo> Respondo...
<Prof_Vanildo> Para Bakhtin enunciado são elos, unidades vivas, reais, concretas da comunicação discursiva, portanto historicamente situados.
<Prof_Vanildo> Sugiro que você leia um capitulo do livro de Beth Brait
<Prof_Vanildo> Livro: Bakhtin conceitos-chave
<Prof_Vanildo> e o capitulo: Enunciado, Enunciado concreto e Enunciação
<Crislainejas> tomei nota, muito obrigada Prof. Vanildo :)
<Vivian_Riolo_> Conhecendo um pouquinho da sua pesquisa, Cris, posso dizer que sem dúvida, a teoria bakhtiniana tem muito suporte a dar para suas questões de pesquisa.
<Prof_Vanildo> Vai te dar força para depois se lançar ao capitulo Generos do discurso que se localiza no livro Estatica da criação verbal
<Vivian_Riolo_> Alguém gostaria de colocar algum questionamento para o professor Conrado?
<Crislainejas> Pena que o Mestrado é tão curso {Risos} Obrigada pelo espaço, Vívian
<nataliagiarola_> Professor Conrado, na fala do Vanildo percebemos que a noção de interação ligada a enunciação. Há trabalhos na sociossemiótica voltadas para a síntese discursiva, indo além da narrativa?
<Prof_Vanildo> Vivian, posso ficar a vontade para colocar meu email aqui?
<ConradoMendes> Sim, Vivian.
<Vivian_Riolo_> Coloco-me a disposição para dialogar com você em outra ocasião também, Cris.
<Vivian_Riolo_> Claro, Vanildo!
<Prof_Vanildo> Meu email: profdrstieg@gmail.com
<ConradoMendes> o conceito de "interações discursivas" trabalho por Ana Claudia Oliveira pensa a partir dos regimes de interação e sentido as relações entre enunciador e enunciatário.
<Crislainejas> clap, clap, clap
<Prof_Vanildo> Estou ao dispor para receber mensagem e, de alguma forma colaborar com as pesquisas de vocês
<ConradoMendes> Que é exatamente pensar a enunciação, que para Landowski é que "faz ser o sentido"
<ConradoMendes> :)
<nataliagiarola_> Obrigada pela resposta, Conrado
<Vivian_Riolo_> Muito obrigada, pessoal! Acredito que dado o tempo apertado, podemos encerrar neste momento.
<Vivian_Riolo_> Quero agradecer a participação de tod@s!
<nataliagiarola_> Em nome da coordenação do STIS, agradecemos a todos pela presença e disponibilidade, principalmente dos professores Vanildo e Conrado.
<nataliagiarola_> Lembrando que os certificados serão enviados no decorrer das próximas semanas! Boa noite a todos e até a próxima!
<Crislainejas> clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap!!!
<ConradoMendes> Eu é que agradeço! Obrigado Prof. Vanildo. Aprendi muito c vc!
<Prof_Vanildo> Fiquei feliz por ofertar uma pequena parcela de contribuição. Um honra está ladeado por colegas pesquisadores. Um prazer Prof. Conrado! Que nossos dialogos continuem em diferentes espaços.
<ConradoMendes> :)
<Prof_Vanildo> Obrigado à Comissão organizadora
<Vivian_Riolo_> Obrigada, queridos professores!
<nataliagiarola_> Foi um prazer Prof_Vanildo e ConradoMendes!
<nataliagiarola_> Obrigada pelas contribuições!
<Vivian_Riolo_> Vocês têm grande parcela em nosso interesse por esta mesa!
<Vivian_Riolo_> Boa noite a tod@s!
<ConradoMendes> Bom noite a todos
<ConradoMendes> até a próxima
<Prof_Vanildo> Excelente noite para todos!
<ConradoMendes> Tchau!
<nataliagiarola_> E como disse o professor ConradoMendes juntos e shallow now
<Prof_Vanildo> O diálogo se "encerra". A amizade e partilha permancem "inacabados".
<Vivian_Riolo_> Sem dúvida!
<Vivian_Riolo_> Em breve, teremos um evento que vai contemplar a seguinte temática:
<Vivian_Riolo_> Bloco PESQUISAS EM EDUCAÇÃO DO CAMPO: MÚLTIPLOS ENFOQUES - Setembro - coord. Paulo Soares
<Vivian_Riolo_> Boa noite, pessoal!


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