STIS 2018

5. Agosto: Inteligência Artificial, Robótica e Emprego

5.1. registro agosto

Registro da Conferência em chat escrito, de 15 de agosto de 2018:

 

Inteligência Artificial, Robótica e Emprego: O que é Mito e o que é Realidade?

(Prof. Rodrigo da Silva Guerra)

 

  

 

 

moderador: Equipe STIS

 

 

[19:45] <danilorcesar> Boa noite a todos! Sejam bem-vindos!
[19:45] <danilorcesar> Gostaria de agradecer ao grupo Texto Livre por esta oportunidade de compartilharmos informações que irão gerar uma diversidade de conhecimentos!
[19:46] <danilorcesar> Para quem participa pela primeira vez, teremos 60 minutos de apresentação e 30 minutos para perguntas, sugestões e discussão geral das ideias expostas ou o palestrante poderá dividir em seções a sua apresentação e liberar para cada seção um momento de perguntas, sugestões e discussão geral das ideias expostas.
[19:46] <danilorcesar> A apresentação acontece apenas por escrito, no chat, ou seja, não há vídeo nem áudio.
[19:46] <tioguerra> Obrigado Danilo
[19:46] <danilorcesar> Durante esse tempo, a sala poderá estar moderada!
[19:47] <danilorcesar> A apresentação de hoje não teremos código para os slides!
[19:47] <danilorcesar> Desejamos um ótimo seminário a todos!
[19:47] <tioguerra> Peço desculpas, não consegui preparar slides para hoje!
[19:47] <cleiton> obrigado!
[19:47] <danilorcesar> O Prof. Rodrigo da Silva Guerra é atualmente Prof. Adjunto Nível III na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Graduado em Engenharia de Controle e Automação (PUCRS 2001), possui mestrado em Visão Computacional (UFRGS 2004), doutorado em Robótica (Universidade de Osaka, 2008), e pós-doutorado também em Robótica (UFRGS 2012). De 2008 a 2011, trabalhou como pesquisador em Osaka no Japão. Na UFSM, lidera diversos proj
[19:47] <danilorcesar> especialmente no que diz respeito à cooperação e aprendizagem entre robôs e humanos. Trabalha em áreas ligadas à Robótica, tais como Robótica de Telepresença, Futebol de Robôs, Robótica Humanitária e Robótica Educacional. O Prof. Guerra é co-fundador da Qiron Robotics, uma empresa startup que aplica robótica para o ensino de pensamento computacional a crianças e adolescentes. Ele é hoje também presidente do Cap
[19:48] <danilorcesar> Automação da IEEE (IEEE-RAS).
[19:48] <tioguerra> Boa noite pessoal!
[19:48] <danilorcesar> Pode começar Rodrigo!
[19:49] <ewemasc_> Boa noite
[19:49] <tioguerra> Vou dividir meu seminário em seções
[19:49] <tioguerra> Vamos abrir para debate entre cada seção
[19:49] <wilkens> like /join
[19:49] <tioguerra> Vou colocar os títulos das seções em maiúscula para organizar
[19:50] <tioguerra> 1. APRESENTAÇÃO
[19:50] <tioguerra> 2. EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA E SINGULARIDADE
[19:50] <tioguerra> 3. LIMITES DAS TECNOLOGIAS ATUAIS
[19:51] <tioguerra> 4. EMPREGO E IMPACTO ECONÔMICO
[19:51] <tioguerra> Ao final de cada seção eu aviso para que o Danilo possa moderar as interações para o debate
[19:52] <tioguerra> Então para não demorar demais, quero começar com a apresentação, para vocês saberem quem eu sou e até para entenderem de qual ponto de vista eu falo.
[19:52] <tioguerra> 1. APRESENTAÇÃO
[19:52] <tioguerra> Meu nome é Rodrigo da Silva Guerra, sou professor da Universidade Federal de Santa Maria.
[19:52] <tioguerra> Eu trabalho com robótica há muitos anos. Desde muito pequeno, me interessava inteligência artificial e robótica.
[19:52] <tioguerra> Foi lendo, numa revista Super Interessante, sobre o robô Cog do Prof. Rodney Brooks do MIT que eu decidi que queria construir a “robô inteligente”.
[19:53] <tioguerra> Cog era um robô que podia “aprender” e que, em alguns anos, atingiria inteligência equivalente à de uma criança de 2 ou 3 anos de idade, dizia a revista.
[19:53] <tioguerra> Fiz meu primeiro robô em 1996, um braço robô, numa feira de ciências em minha escola.
[19:53] <tioguerra> Na época, usava sucata de brinquedos, lata e controlava usando a porta paralela do computador.
[19:53] <tioguerra> Em busca desse sonho, cursei Engenharia de Controle e Automação na PUC/RS.
[19:53] <tioguerra> Lá, descobri sobre engenharia e indústria, mas minha paixão ainda estava na ciência e na ideia do robô inteligente.
[19:54] <tioguerra> Fiz o curso rápido, em 4.5 anos, e, em 2002, logo após me formar, entrei para o curso de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica da UFRGS.
[19:54] <tioguerra> No mestrado, aprendi sobre controle de sistemas, e estudei processamento de sinais e visão computacional. Foi no mestrado também meu primeiro contato com Linux e ferramentas livres.
[19:54] <tioguerra> Em minha dissertação, eu mostrava como calibrar parâmetros de câmeras dos robôs Spirity and Opportunity, dois robôs móveis que haviam pousado em Marte.
[19:54] <tioguerra> Para isso, utilizava imagens disponíveis publicamente na internet. Isso me ajudou a aprender sobre o imenso valor de se compartilhar o conhecimento.
[19:55] <tioguerra> Em 2004, logo após concluir meu mestrado (no dia seguinte ao da devesa de minha dissertação, para ser exato), eu segui para o Japão, para cursar meu doutorado.
[19:55] <tioguerra> Consegui uma bolsa do Governo Japonês, e fui estudar na Universidade de Osaka. Lá, aprendi japonês, conheci mais sobre a cultura e a sociedade japonesa, e participei de diversos projetos com professores de robótica famosos.
[19:55] <tioguerra> Em minha tese de doutorado, trabalhei na criação de um sistema de micro-robôs.
[19:55] <tioguerra> Em 2008, fui contratado como pesquisador em um projeto coordenado por meu orientador, e lá trabalhei até 2011, quando retornei ao Brasil. Ao todo, morei exatos 7 anos no Japão.
[19:56] <tioguerra> Em 2011, realizei um estágio de pós-doutorado na UFRGS, e no ano seguinte passei em concurso para professor na UFSM, onde estou até hoje.
[19:56] <tioguerra> Na UFSM, meu foco está principalmente na criação de robôs humanoides. Eu estudo inteligência artificial e desenvolvimento cognitivo aplicados nesses robôs. Também trabalho com projetos interdisciplinares envolvendo educação, saúde e outras áreas.
[19:56] <tioguerra> Organizo diversas ações ligadas à robótica, incluindo principalmente competições de robótica. Entre as competições de robótica que participo, destaco a LARC, a RoboCup e a FIRA. Essas competições me dão também a oportunidade de conhecer o Brasil e o mundo viajando. Gosto muito de viajar.
[19:56] <tioguerra> Em 2016, junto com meu ex-aluno, fundamos a Qiron Robotics, uma empresa que desenvolve robôs e oferece cursos de robótica.
[19:57] <tioguerra> Em 2017, me tornei presidente do Capítulo Sul Brasileiro da Sociedade de Robótica e Automação do IEEE.
[19:57] <tioguerra> Em outubro deste ano, sigo para minha próxima aventura: Passarei um ano morando na cidade de Taipei, em Taiwan, trabalhando como professor visitante. Lá, espero me atualizar e desenvolver novos projetos interessantes, além de tentar aprender um pouco de Chinês.
[19:57] <tioguerra> Danilo, essa seção de APRESENTAÇÃO encerra aqui. Podemos debater um pouco se alguém quiser comentar ou perguntar algo antes de seguir.
[19:58] <danilorcesar> Liberado para perguntas
[19:59] <danilorcesar> Pessoal, podemos passar para a próxima seção?
[19:59] <cleiton> sim ...por mim ainda n tenho perguntas
[20:00] <wilkens> é possível um leigo na área aventurar-se a aprender robótica e depois algum montar um robô simples??
[20:00] <tioguerra> Claro que é possível
[20:00] <tioguerra> Hoje é muito diferente. Vivemos uma época diferente. O conhecimento é democrático e está acessível a praticamente todos.
[20:01] <tioguerra> Mesmo na educação formal, onde eu estou, me vejo usando sites como Udemy, Udacity e até YouTube
[20:02] <tioguerra> Há muito material, tutoriais e comunidades.
[20:02] <wilkens> por favor, ao final indica o caminho das pedras para quem deseja começar :)
[20:02] <cleiton> atualmente da pra se trabalhar com robotica no Brasil sem ser na area educacional ....tipo saberia me dizer outros sequi
[20:02] <tioguerra> O problema acho que é isso ainda ser muito recente, então ainda há muito "ruído", muita mistura com amadorismo.
[20:03] <tioguerra> No Brasil ainda não temos muito mercado para robótica
[20:03] <tioguerra> É complicado no nosso país, mas começam a surgir espaços interessantes para inteligência artificial, por exemplo.
[20:04] <danilorcesar> Acredito que podemos passar para a próxima seção.
[20:04] <tioguerra> Mas mesmo no mundo, a robótica ainda é muito incipiente
[20:04] <cleiton> gosto muito da area desde pequeno ....cheguei ate a apresentar em feiras mas no final acabei não encontrando um mercado onde eu poderia estar atuando
[20:04] <cleiton> entendo ...
[20:04] <tioguerra> Não acho que o "mercado" deve ficar no caminho de um sonho, de uma paixão...
[20:05] <tioguerra> Bom, acho que vamos proceguir... talvez alguns assuntos possamos debater ainda após a próxima seção...
[20:06] <tioguerra> "prosseguir" rsrsrs
[20:06] <cleiton> amo muito a area e n deixarei de lado n ...hoje atuo como hobista msm
[20:06] <cleiton> ok kkkk
[20:06] <tioguerra> 2. EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA E SINGULARIDADE
[20:07] <tioguerra> O ser humano é um animal muito diferente e especial.
[20:07] <tioguerra> Os seres vivos de nosso planeta avançam seguindo o processo de seleção natural.
[20:07] <tioguerra> Isso significa que ao longo de milhões de anos, centenas de gerações vão acumulando mutações que representam algum tipo de vantagem para suas espécies.
[20:07] <tioguerra> Isso também implica que um indivíduo que apresente “uma solução” nova precisa atingir a idade reprodutiva para, com sorte, passar seus genes às novas gerações. Esse processo é gradual e lento.
[20:07] <tioguerra> Já, o ser humano, é diferente. Há cerca de 40 mil anos atrás, ele inventou algo novo, algo extraordinariamente mais rápido e eficiente que permite um outro nível de evolução: ele inventou a linguagem.
[20:08] <tioguerra> O ser humano é um animal social, capaz de trocar ideias, ferramentas, métodos, em frações de segundos, comunicando, ouvindo e aprendendo entre seus pares.
[20:08] <tioguerra> Pare um momento para contemplar os seguinte fato: um ser humano nascido hoje é essencialmente idêntico, em sua biologia, ao ser humano que existia há dez ou vinte mil anos atrás.
[20:08] <tioguerra> Se fosse possível descongelar nos dias de hoje um bebê de dez mil anos atrás, ele poderia estudar tranquilamente nas mesmas escolas, entrar na universidade, e se formar médico, advogado ou cientista da computação.
[20:08] <tioguerra> Dez, vinte, cinquenta, cem mil anos, são intervalos muito pequenos no grande esquema da evolução natural das espécies. Não é tempo suficiente para justificar geneticamente o surgimento dos aviões, dos satélites, da internet.
[20:09] <tioguerra> O ser humano criou uma nova forma de evoluir, baseado na cultura. A palavra cultura geralmente está ligada, no jargão popular, à ideia de arte, música, dança, folclore. Mas, em sua essência, a cultura é um tipo de aprendizagem que transcende o indivíduo. Cultura é aquilo que aprendemos como sociedade. O ser humano é um ser cultural.
[20:09] <tioguerra> Com raríssimos casos muito específicos, o ser humano é basicamente o único animal do planeta capaz de reter, propagar e evoluir o conhecimento para além de uma geração.
[20:10] <tioguerra> Assim, na forma de ideias, ideologias, paixões, valores, a sociedade humana emerge para além da biologia do “primata hospedeiro”, e cada um de nós existe como um novo tipo de criatura, que vive no mundo das ideias.
[20:10] <tioguerra> A fertilidade das ideias depende da linguagem, e o produto dessa meta-evolução se manifesta nas tecnologias que criamos.
[20:10] <tioguerra> Então, quanto mais rápida e eficiente for nossa comunicação, mais rapidamente evolui nossa sociedade. De início, a língua falada, depois, a escrita, deram início à revolução, permitindo a comunicação para além das gerações, permitindo o armazenamento, o transporte e a cópia de ideias e conceitos.
[20:10] <tioguerra> Isso permite o estudo aprofundado da palavra, a lógica, a filosofia, a matemática. Isso dá subsídios para a criação de ferramentas, construção de navios, e meios de transporte cada vez mais rápidos. Esses vão permitindo reduzir distâncias, acelerando cada vez mais o processo. Em seguida o rádio, a telefonia e hoje a internet tornam esse processo praticamente instantâneo.
[20:11] <tioguerra> Neste exato momento, em uma fração de segundos, escrevo uma palavra aqui em frente ao computador e vocês a milhares de quilômetros de distância seguem o que estou dizendo, instantaneamente.
[20:11] <tioguerra> Cada nova tecnologia contribui potencialmente para a criação de tecnologias ainda mais avançadas, a passos cada vez mais acelerados. Alguns pesquisadores tentam medir e acompanhar a quantidade de avanço tecnológico ao longo do tempo, chegando ao consenso de que essa aceleração é exponencial.
[20:11] <tioguerra> Isso também alimenta a especulação de que poderá existir um ponto de ruptura, um momento onde a explosão de aceleração será tamanha a ponto de configurar uma singularidade -- basicamente a tendência da evolução tecnológica instantânea e sem limites.
[20:12] <tioguerra> O que exatamente seria essa tal singularidade, na prática, é objeto de tremenda especulação. Mas, as projeções de data são mais ou menos consistentes e apontam para algum momento entre as décadas de 2040 e 2050.
[20:12] <tioguerra> Danilo, aqui encerrei a seção 2. EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA E SINGULARIDADE. Podemos abrir para debate novamente.
[20:13] <danilorcesar> Já deixei aberta
[20:13] <tioguerra> :-D
[20:15] <danilorcesar> Alguém tem alguma pergunta?
[20:15] <ortenio> Com isso, podemos considerar que a linguagem foi quem deu um "start" na humanidade em termos de tecnologia?
[20:15] <tioguerra> Sim
[20:16] <tioguerra> Eu vou além. Eu cosidero que a linguagem basicamente deu o "start" na humanidade, ela define o ser humano.
[20:16] <wilkens> nessa momento do surgimento de uma nova singularidade teríamos a possibilidade da existências de seres hibridos, tipo cibórgues?
[20:16] <tioguerra> A singularidade é uma coisa muito especulativa
[20:17] <tioguerra> Mas podemos tentar imaginar o seguinte:
[20:17] <tioguerra> Pense que o ser humano tem limites. Hoje em educação falamos sobre "carga cognitiva". Não somos instantâneos.
[20:18] <tioguerra> Vocês levam tempo para ler e entender o que está escrito aqui.
[20:18] <tioguerra> Temos limite de memória
[20:18] <tioguerra> Enfim, somos limitados.
[20:18] <tioguerra> Então por um lado a tecnologia deve começar a esbarrar nesse limite
[20:18] <tioguerra> Por outro lado somos muito, em breve 8 bilhões no planeta.
[20:19] <tioguerra> Além disso, quem sabe no futuro, os "entendedores" não serão apenas os seres humanos, mas também as máquinas
[20:19] <Wilmar-Freitas> Uma questão relevante seria: a quem serviria a nova realidade? Há sempre grupos se apropriando do recursos (ou das circunstâncias) atuais para exercer poder.
[20:19] <wilkens> pensei nisso..
[20:20] <tioguerra> Isso é super especulação agora. Mas se uma máquina um dia for capaz de realmente "entender", então não temos mais a limitação humana. Ela entra num laço de realimentação próprio, independente.
[20:21] <tioguerra> Wilmar, essa questão sobre "poder" é super interessante. Mas nesse momento não toco nesse assunto. Seria tema para outro seminário. Vou abordar um pouco sobre interesses na seção sobre emprego.
[20:21] <Wilmar-Freitas> ok
[20:22] <tioguerra> O ponto forte nessa seção é entender o motivo da tecnologia acelerar
[20:22] <tioguerra> E a importância da comunicação nisso tudo.
[20:22] <tioguerra> Quem se interessar sobre esse assunto, depois posso recomendar leituras.
[20:23] <tioguerra> Há até filósofos que especulam sobre como a auto-conciência e o próprio "eu" surge nessa interação através da linguagem.
[20:23] <tioguerra> Mais perguntas ou comentários?
[20:24] <wilkens> nessa direção, da aceleração em razão da comunicação, me vem a mente a ideia da interação entre as redes computacionais e as redes neurais...
[20:25] <wilkens> como superação/ampliação de nossas capacidades de memória, por exemplo.
[20:25] <tioguerra> Sim, certamente já fazemos esse tipo de coisa
[20:26] <tioguerra> Quando usamos o "auto-completar" do celular para não ter que digitar uma mensagem longa
[20:26] <tioguerra> Deixamos a máquina tomar decisões para nós, "colocar palavras na nossa boca"
[20:27] <tioguerra> Quando deixamos o Gmail escolher as "mensagens importantes", delegamos à máquina filtrar o spam, mas também decidir o que merece ser lido...
[20:27] <tioguerra> Isso tudo já são formas de usar tecnologia para "acelerar" nossa comunicação.
[20:28] <wilkens> isso mesmo.
[20:28] <tioguerra> Quem sabe logo teremos implantes e coisas do gênero, mas meu ponto é que não precisa ir tão longe, coisas dessa natureza já acontecem agora.
[20:28] <ortenio> Permita-me uma referência: McLuhan, os meios de comunicação como extensão do homem.
[20:29] <ortenio> Há tempos atrás tinha na memória todos os números de telefone importantes..
[20:29] <ortenio> hoje, ficam em agendas.
[20:29] <tioguerra> Sim, bem observado.
[20:31] <tioguerra> Podemos seguir?
[20:31] <cleiton> gostei do exemplo ortenio
[20:31] <ortenio> Legal!!
[20:32] <ortenio> Creio que temos uma geração de consumidores e poucos criadores.
[20:32] <tioguerra> É verdade.
[20:34] <danilorcesar> Vamos para a próxima seção
[20:34] <tioguerra> Podemos seguir?
[20:34] <cleiton> sim
[20:34] <ortenio> ok.
[20:35] <tioguerra> 3. LIMITES DAS TECNOLOGIAS ATUAIS
[20:35] <tioguerra> Nos anos 70 o escritor britânico Arthur C. Clarke, autor do conto que deu origem ao filme 2001: Uma Odisséia no Espaço, entre outras obras, famosamente disse: “Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de mágica”.
[20:35] <tioguerra> Clarke dá o exemplo de que nos anos 60, se alguém dissesse a ele que existiria no futuro um dispositivo do tamanho de um livro, capaz de guardar todo conteúdo de uma biblioteca, ele até acreditaria. Mas ao mesmo tempo ele jamais imaginaria que esse dispositivo seria ainda por cima capaz de encontrar instantaneamente em qual página determinada palavra aparece, ou alterar a fonte na qual o texto do livro é mostrado.
[20:36] <tioguerra> Nos anos 80 quando a IBM programou Deep Blue, o computador que venceu o campeão mundial de xadrez da época, Gary Kasparov, houve um medo exagerado de que de repente as máquinas fossem superar os seres humanos nas mais diversas tarefas.
[20:36] <tioguerra> Demorou alguns anos até que a mídia, e a população de uma forma geral, entendessem os limites da nova tecnologia.
[20:36] <tioguerra> Quando a população testemunhou pela primeira vez o computador vencer o campeão do mundo no jogo de xadrez, era pertinente que se especulasse exageradamente sobre os limites da nova tecnologia.
[20:37] <tioguerra> Ora, para um ser humano aprender a jogar xadrez a nível profissional, ele precisa ter uma enorme capacidade intelectual, de concentração e de raciocínio lógico. Quando falamos de pessoas, isso implica necessariamente no pressuposto de uma boa educação, capacidade de comunicação, boa memória, foco, e muita disciplina.
[20:37] <tioguerra> Será que agora teríamos computadores capazes de dialogar de forma natural? Afinal, humanos aprendem a falar antes de saber jogar xadrez. Seriam essas máquinas agora capazes de resolver problemas de diplomacia e de política internacional?
[20:37] <tioguerra> Demorou até que a sociedade pudesse finalmente entender os limites daquela tecnologia.
[20:37] <tioguerra> Hoje, com a nova onda da Inteligência Artificial, do Big Data, da Internet das Coisas, da Indústria 4.0 e, em breve, da Robótica, vivemos um novo momento de mudança de paradigma.
[20:38] <tioguerra> Novamente vemos “mágica” , então precisaremos rever nossas intuições sobre o que é possível e o que não é possível. Precisamos novamente desconfiar de nosso senso comum, e olhar de forma crítica para essas novas tecnologias.
[20:38] <tioguerra> Com base nas chamadas “redes neurais artificiais”, e principalmente nas tecnologias ligadas ao conceito de “deep learning”, observamos avanços tremendos na capacidade de processamento de sinais naturais como sons e imagens.
[20:38] <tioguerra> Os computadores já atingem performance melhor que a de seres humanos em tarefas como reconhecimento de rostos, por exemplo.
[20:38] <tioguerra> Falamos com nossos “assistentes pessoais”, tais como a Siri, o “Ok Google” e a Cortana, utilizando linguagem natural e obtemos respostas cada vez melhor contextualizadas e informativas.
[20:38] <tioguerra> Basta apontar a câmera do celular para um texto para ver uma tradução instantânea na própria imagem, com mesmo tipo de fonte e cor.
[20:39] <tioguerra> Conseguimos colocar o rosto e a voz de uma pessoa no vídeo de outra, fazendo qualquer um dizer ou fazer que quisermos. Aliás, já há até um termo próprio para a aplicação de “deep learning” para criação de vídeos falsos (ou “fakes”): “deep fake”.
[20:39] <tioguerra> No âmbito da pesquisa, já é possível fazer o computador gerar texto e até histórias completas em tom literário, apenas tomando como inspiração uma imagem. No caminho contrário, é possível descrever textualmente um tipo de pássaro ou uma planta e observar o computador gerar uma imagem foto-realista que atende à descrição.
[20:39] <tioguerra> Em um protótipo de um sistema de pesquisa para um site de compras, você faz um esboço do produto que procura com poucos rabiscos e vê o computador mostrar produtos que atendem a descrição.
[20:39] <tioguerra> Há supermercados equipados com câmeras que observam atentamente cada movimento dos clientes, observando cada produto que é colocado no cesto. Dispensam, assim, a necessidade de passar com o código de barras no caixa.
[20:40] <tioguerra> Tecnologia similar é usada para aplicações nobres, como observar leitos em hospitais para chamar socorro imediatamente caso um paciente acorde desorientado ou caia tentando se levantar.
[20:40] <tioguerra> Em aeroportos, esse tipo de tecnologia permite identificar quando alguém esquece ou deixa propositalmente uma mala abandonada, permitindo, assim, agir com rapidez e segurança contra possíveis casos de terrorismo.
[20:40] <tioguerra> Por outro lado, a mesma tecnologia pode ser usada para documentar minuto a minuto o quanto um funcionário de uma empresa estava realmente trabalhando e quanto tempo ele gastou conversando com colegas ou fazendo outras atividades. Isso gera questões éticas e de respeito à privacidade.
[20:40] <tioguerra> E de forma pouco intuitiva, toda essa tecnologia não começa a ganhar espaço apenas em tarefas repetitivas ou manuais. Pelo contrário, aparentemente essas tecnologias ganham espaço mais rapidamente em tarefas intelectuais, envolvendo acompanhamento de mercado financeiro, leitura e compreensão de documentos jurídicos, extração de informações de relatórios médicos e artigos científicos.
[20:41] <tioguerra> Então onde está o limite dessa tecnologia atual?
[20:41] <tioguerra> Como nos anos 80 quando Deep Blue venceu Kasparov, hoje novamente as limitações mudaram, mas ainda são muitas, e não são óbvias ao olhar de um leigo.
[20:41] <tioguerra> Antes de mais nada, é preciso entender que a inteligência artificial moderna está intimamente ligada a dois avanços importantes: (1) o poder de processamento e armazenamento das chamadas GPUs e (2) a grande disponibilidade de dados, o “big data”.
[20:41] <tioguerra> A inteligência artificial que está revolucionando nossas vidas aprende de forma muito diferente do ser humano. Ela precisa ver centenas de milhares, por vezes milhões, de exemplos.
[20:42] <tioguerra> Vejamos um exemplo clássico: digamos que queremos treinar uma rede neural para diferenciar fotos de gatos e de cachorros. Para diferenciar um gato de um cachorro, a rede neural precisa ser “treinada”, observando centenas de milhares de fotos de gatos e centenas de milhares de fotos de cachorros.
[20:42] <tioguerra> Mais que isso, essas fotos precisam ter sido pré-identificadas. Isto é, uma pessoa precisa ter olhado para a imagem e catalogado essa imagem, dizendo que ali se vê um gato ou um cachorro.
[20:42] <tioguerra> Para aprender a traduzir texto, a rede neural precisa ser alimentada com centenas de milhares de traduções feitas por pessoas.
[20:42] <tioguerra> Para transcrever linguagem natural, a rede neural precisa ser exposta a milhares de horas de áudio acompanhado de sua respectiva transcrição, feita por humanos.
[20:43] <tioguerra> Um ser humano tem a capacidade de aprender rapidamente, observando poucos exemplos. Um computador funciona de forma diferente. Ele precisa ser exposto a uma vasta quantidade de exemplos.
[20:43] <tioguerra> O maior valor está justamente nesses dados. Os algoritmos são razoavelmente simples, a maioria das ferramentas usadas são de código aberto e com recurso o equipamento pode ser comprado. Mas os dados, esses exigem muitas horas de trabalho humano para sua obtenção.
[20:43] <tioguerra> Cada vez que utilizamos redes sociais, ou que fazemos buscas, ou que navegamos para algum lugar utilizando nosso GPS, estamos alimentando bases de dados que servirão para treinar esses algoritmos.
[20:43] <tioguerra> Ainda é muito difícil criar um algoritmo capaz de inferir e generalizar a partir de poucas observações. Essa ainda é uma limitação muito importante, e por isso as empresas que formam grandes comunidades hoje têm tremendo valor.
[20:44] <tioguerra> Isso também significa que, pelo menos pelos próximos anos, os computadores ainda estarão à sombra dos humanos, já que, para sua aprendizagem, dependem de dados que foram gerados, catalogados, e etiquetados manualmente.
[20:44] <tioguerra> Outra limitação importante é a da robótica. A eletrônica e o software avançam muito mais rapidamente que a mecânica.
[20:44] <tioguerra> Estamos testemunhando avanços tremendos em tecnologias de materiais. Há novos materiais compósitos, incluindo o grafeno e novas super-ligas metálicas que surgem através da sinterização a laser, graças aos avanços na impressão 3D. A impressão 3D também permite construção de geometrias antes inimagináveis.
[20:44] <tioguerra> Ainda assim, a tecnologia mecânica não avança no mesmo passo que o software. A vasta maioria dos robôs utilizados em fábricas e linhas de montagem ainda funcionam no mesmo paradigma dos primeiros robôs, inventados na década de 70.
[20:45] <tioguerra> Para os robôs saírem de suas gaiolas de proteção, eles precisam ser mais leves, seguros, e saber reagir de forma dinâmica ao ambiente, de forma ágil e em tempo real.
[20:45] <tioguerra> Alguns avanços já surpreendem, como robôs bípedes e quadrúpedes da Boston Dynamics que correm e saltam. Mas esses ainda são a exceção. Em sua vasta maioria, mesmo os robôs mais avançados, funcionam apenas em ambientes super controlados, e agem de forma lenta.
[20:45] <tioguerra> É claro que há a tentativa de se aplicar técnicas de “deep learning” à robótica. Mas de onde tirar a vasta quantidade de dados de exemplo que são necessários?
[20:45] <tioguerra> Empresas como Google e Amazon já experimentaram montar experimentos onde dezenas de robôs ficam experimentando pegar objetos de uma caixa e passar para outra. Assim, esses robô geram suas próprias experiências, explorando o mundo e aprendendo com seus erros. Mas esse processo ainda é custoso e limitado em escopo.
[20:46] <tioguerra> Em laboratórios de pesquisa, se experimenta fazer sistemas simulados, onde o robô primeiro aprende a tarefa num ambiente virtual para depois passar esse conhecimento ao equipamento real. Entretanto, ainda há muitas limitações, pois mesmo simulações sofisticadas não conseguem captar com suficiente riqueza de detalhes o comportamento físico dos objetos manipulados. Quando um algoritmo treinado em simulação é levado ao robô
[20:46] <tioguerra> Outros mais audaciosos tentam criar sistemas onde robôs possam aprender tarefas apenas observando vídeos de humanos que demonstram a tarefa a ser executada. Os resultados são promissores, mas ainda muito limitados.
[20:47] <tioguerra> Então uma outra limitação importante é que pelos próximos anos, os avanços ainda estarão em sua grande parte restritos ao processamento, reconhecimento e geração de sons e imagens. Ainda irá demorar mais um pouco para vermos robôs de alta destreza e capacidade de manipulação inteligente semelhante à de seres humanos.
[20:47] <tioguerra> Encerrei aqui a penúltima seção: 3. LIMITES DAS TECNOLOGIAS ATUAIS
[20:47] <tioguerra> Podemos debater mais um pouco :-)
[20:48] <danilorcesar> Vamos as perguntas
[20:50] <cleiton> existe uma teoria de que os robos dominaram o mundo
[20:51] <cleiton> assim como percebi no contexto ....essas maquinas por demorarem mais para aprender ...acho dificio q uma coisa q demore muito para aprender possa superar quem a ensine
[20:52] <tioguerra> Cleiton, é claro que podemos imaginar diversos futuros, alguns utopias, outros distopias, e as obras de ficção exploram essas ideias em grande detalhe, dos homens contra as máquinas
[20:52] <tioguerra> Mas aqui estou tentando focar na prática
[20:52] <tioguerra> No atual
[20:53] <tioguerra> Então, apesar do fantástico avanço, que deve continuar acelerando, como vimos, ainda assim não se vê indícios de que máquinas poderão ter "agência", ou poder de decisão própria nesse nível de autonomia.
[20:54] <tioguerra> Pelo menos não por enquanto
[20:54] <tioguerra> Eu particularmente não vejo nada que impeça, em princípio, que uma máquina seja inteligente e até consciente.
[20:55] <tioguerra> Mas a tecnologia atual ainda não avança muito nessa direção, não há evidência de avanço que justifique isso sair da esfera da mera especulação e da ficção científica, pelo menos por enquanto.
[20:55] <tioguerra> Por enquanto ainda temos máquinas à sombra dos humanos.
[20:55] <Wilmar-Freitas> Tento uma metáfora para a sociedade humana como um organismo único, um ser vivo evolui, cujos pequenos componentes são trocados, nascem e morrem, mas o organismo segue sobrevivendo. Parece que esse organismo está incorporando os componentes não humanos, como proteses para seu melhor funcionamento
[20:55] <wilkens> falando em contexto, queria pensar no uso de robôs para auxiliar atividades humanas, dentro de casa ou em ambientes de aprendizagem ou no trabalho..
[20:56] <tioguerra> Wilmar, bacana, gostei do cenário que tu pintou.
[20:56] <tioguerra> Acho que é uma forma interessante de pensar sim.
[20:57] <tioguerra> Eu não penso muito diferente. Acredito que o humano é um ser que existe nas ideias, e na comunicação. Como rios, onde a água passa. Damos nomes, colocamos em mapas até, mas o rio é uma água passando, não é algo estático.
[20:57] <tioguerra> Se seguir essa ideia, então talvez poderia especular que podemos existir em outras "mídias"
[20:58] <tioguerra> Ou seja, não seriam robôs contra humanos
[20:58] <tioguerra> Mas humanos aos poucos se "fundindo" com a máquina.
[20:58] <tioguerra> Como já fazemos hoje com tecnologias como a do celular
[20:58] <wilkens> existir em outras mídias ou evoluirmos para uma síntese com elas/eles..
[20:59] <tioguerra> Mas meu ponto principal nessa seção é ser "pé-no-chão"
[20:59] <tioguerra> Wilkens, sobre robôs auxiliarem nas atividades humanas:
[20:59] <tioguerra> Ainda estamos razoavelmente longe disso
[20:59] <tioguerra> Teremos em breve robôs que auxiliarão em tarefas específicas de cuidado aos idosos, por exemplo.
[21:00] <tioguerra> Mas eles estarão longe de serem máquinas de propósito geral. Estarão limitados em escopo.
[21:00] <tioguerra> Antes disso, muito antes disso, devemos ser capazes de conversar naturalmente como nossos "assistentes pessoais". E se tentar conversar aprofundadamente com a Siri vais notar o quão longe ainda estamos
[21:01] <tioguerra> Mas o computador e a inteligência artificial estar à sombra dos humanos não significa que não possam surgir aplicações impressionantes.
[21:02] <tioguerra> Pois os computadores são mais rápidos e mais baratos e não cansam e conseguem fazer as tarefas de forma repetitiva e com maior precisão.
[21:03] <tioguerra> Ainda assim, estão limitados àquilo que eles observaram nos dados que foram curados e preparados por humanos (potencialmente milhares de humanos)
[21:03] <tioguerra> Pelo menos por enquanto.
[21:04] <ortenio> Vejo que a evolução caminha para a criação de máquinas perfeitas, daí a maior limitação para elas: não ter a habilidade de cometer erros, algo bem peculiar ao ser humano
[21:06] <cleiton> uma duvida que ficou e em relação ao avanço da eletronica e software que se desenparelham do avanço da robotica ! assim ate que ponto essas 3 tecnologias podem ir nesse desnivel?
[21:07] <cleiton> sendo q o sucesso de muitas tecnologias de hoje dependem das 3
[21:07] <tioguerra> Ortenio, não entendo o motivo de tu dizer que não cometer erros seria "a maior limitação" das máquinas. Mas posso assegurar que máquinas são capazes de cometer erros sim, e é relativamente fácil fazer isso acontecer que quisermos. Acontece que na maioria das aplicações não nos interessa que isso ocorra.
[21:08] <tioguerra> Cleiton, a coisa física avança mais lentamente pois exige prototipagem, fabricação, é um processo de iteração mais lenta.
[21:08] <tioguerra> Mas já há sim tecnologias que podem transformar o problema da robótica num problema de software, aí a coisa muda bastante.
[21:09] <tioguerra> Ainda assim é muito recente. Robôs ainda são feitos seguindo um paradigma antigo, de se fazer juntas pesadas, com grande redução para ter inércia e desacoplar o controle do robô da carga que ele carrega.
[21:10] <tioguerra> Robôs "inteligentes" precisariam ir em outra direção, apresentar juntas macias, e ser leves, em contrapartida usar sensores modernos, serem ágeis e ter grande poder computacional para reagir de forma rápida e inteligente, num ambiente dinâmico.
[21:11] <tioguerra> Enquanto ficarmos em robôs pesados com juntas rígidas, eles não serão seguros para dividir espaços com pessoas, e seus custos continuarão proibitivos por causa dos materiais, dos pesos, dos torque necessários nos motores...
[21:11] <tioguerra> Por isso vemos tão pouco evoluir em robótica ainda...
[21:12] <cleiton> adorei a explicação...
[21:12] <tioguerra> Como no caso do automóvel, algumas poucas empresas, principalmente alemãs e japonesas, e algumas outras, dominam o mercado da robótica industrial e não têm incentivos para fazer diferente.
[21:12] <tioguerra> Ainda não existe a "Tesla" da robótica.
[21:13] <tioguerra> Então o que vemos são basicamente drones, e alguns robôs móveis sem braços (apenas rodas e uma câmera e interface de conversação por áudio).
[21:13] <wilkens> desculpa a ignorancia, o que é "tesla"?
[21:14] <tioguerra> Tesla é a empresa do Elon Musk que fabrica o carro elétrico...
[21:14] <wilkens> :) obrigado.
[21:15] <cleiton> e uma possivel e promissora do futuro...]
[21:15] <tioguerra> A analogia é que carros a combustão funcionam e vendem e há uma rede enorme que envolve fornecedores, oficinas de manutenção, postos de gasolina, refinarias, etc. Então não há grande incentivo para mudar. Precisa vir alguém com tremendo aporte financeiro para desafiar o "status quo". Isso que a Tesla faz hoje nesse espaço, com o carro elétrico deles.
[21:16] <tioguerra> Na robótica não é diferente.
[21:16] <tioguerra> Até que surja uma aplicação que justifique mudar, não veremos avanço significante.
[21:16] <wilkens> por falar nisso, os robôs precisam de energia sustentável para "viver". Existe pesquisa nesaa linha?
[21:16] <tioguerra> Aguardamos surgir o "Uber" da robótica.
[21:17] <danilorcesar> Podemos ir para a última seção?
[21:17] <ortenio> PS. Quando disse cometer erros é no sentido de errar, se arrepender e voltar atrás intuitivamente. Não no sentido proposital.
[21:17] <tioguerra> A questão da energia é desvinculada da aplicação específica. Seja para robótica, seja para outras aplicações, é um problema à parte. Há muito avanço nessa área, mas foge ao escopo de nossa conversa de hoje.
[21:18] <wilkens> blz. Por mim, podemos prosseguir
[21:18] <tioguerra> Ortenio, ok, entendi. Tu queres dizer com respeito a arrependimento, que implica na máquina entender intenções e ter uma espécie de julgamento de valor. Isso ainda está realmente longe de acontecer na prática.
[21:18] <tioguerra> Ok, vamos encerrar então, última seção.
[21:19] <cleiton> ok
[21:20] <tioguerra> 4. EMPREGO E IMPACTO ECONÔMICO
[21:20] <tioguerra> Quando falamos em robótica e automação, e sua relação com o mercado de trabalho, muitos imaginam um robô tomando o lugar de um humano. Pensando dessa forma, olham para as atividades que humanos realizam e precipitadamente descartam essa ideia como utópica ou exagerada.
[21:20] <tioguerra> Essa ideia de que um robô substitui um humano é pertinente quando falamos de carros autônomos, por exemplo. Ali, um motorista sai e dá lugar a um algoritmo que tomará o controle do automóvel. Falando das limitações discutidas anteriormente, esse algoritmo pode ser treinado através da coleta de informações de centenas de milhares de motoristas humanos dirigindo carros equipados com sensores.
[21:21] <tioguerra> Mas esse é um caso muito específico. De uma forma geral, empregos não são automatizados, mas tarefas sim.
[21:21] <tioguerra> Um empregado desempenha diversas tarefas, e à medida que mais e mais dessas tarefas vão sendo automatizadas, menos e menos empregados são necessários para suprir a mesma demanda.
[21:21] <tioguerra> Então mesmo que ainda não tenhamos uma inteligência artificial capaz de substituir um advogado, hoje precisamos menos advogados para estudar a jurisprudência de um caso difícil. Onde talvez no passado precisava-se de 30 advogados para analisar mil documentos, hoje quem sabe um ou dois advogados e um sistema inteligente conseguem fazer a mesma tarefa.
[21:21] <tioguerra> O mesmo serve para médicos, analistas financeiros, contadores e outras muitas profissões.
[21:22] <tioguerra> É claro que todo esse avanço gera também novas funções antes inexistentes, e essas geram novas oportunidades nunca antes imaginadas.
[21:22] <tioguerra> Não temos como prever o efeito em longo prazo, mas pelo menos no curto prazo essas novas funções não geram vagas de trabalho no mesmo ritmo da extinção de vagas por conta da automação.
[21:22] <tioguerra> É fato que cada vez fazemos mais com menos pessoas. Economistas mostram que no mundo a produção de bens continua a acelerar desde a revolução industrial, mas o valor econômico do trabalho manual estagnou por volta dos anos 80 e não segue mais a mesma tendência. Andrew McAfee e outros economistas do MIT chamam esse fenômeno de “great decoupling”.
[21:23] <tioguerra> É claro que, pelo menos até o momento, robôs não possuem contas bancárias próprias, e não possuem “desejos de consumo”. Em outras palavras, a tendência é que, à medida que a automação avança, o custo de bens e serviços tende a baixar.
[21:23] <tioguerra> Hoje vemos microchips implantados em cartões de visitas e até mesmo em revistas. Materiais que são utilizados em embalagens descartáveis de hoje são de tamanha qualidade de acabamento, perfeição de corte, com gravuras foto-realistas que certamente surpreenderiam os reis e duques da idade média.
[21:23] <tioguerra> Por outro lado, o valor gerado pela automação tende a ficar nas mãos das grandes empresas, dos detentores das patentes, dos donos do “big data”. Com isso, a tendência é os ricos ficarem ainda mais ricos e os pobres ainda mais pobres.
[21:23] <tioguerra> Para países como o Brasil, isso é extremamente preocupante, pois não investimos muito em ciência, não fazemos patentes, não produzimos essas tecnologias. Mesmo em nossas linhas de montagem mais automatizadas, utilizamos máquinas importadas.
[21:24] <tioguerra> E para agravar isso tudo, no mundo inteiro a tendência é a população envelhecer.
[21:24] <tioguerra> Então temos que ter um certo cuidado. Não podemos simplesmente assumir que a evolução tecnológica resultará automaticamente em prosperidade.
[21:24] <tioguerra> Algumas propostas para reduzir esse impacto já existem. Bill Gates famosamente defendeu a criação de imposto para robôs. Na união européia já se debateu a necessidade de que robôs paguem “seguro social” para ajudar a manter as aposentadorias dos trabalhadores.
[21:25] <tioguerra> Entre as soluções apontadas, talvez a mais famosa seja a “renda básica universal”. Todo cidadão teria direito a uma renda mínima, incondicional, e estaria livre para gastar e viver como quisesse com essa renda.
[21:25] <tioguerra> Aí vem a reflexão que gostaria de trazer para o encerramento desse seminário.
[21:25] <tioguerra> A reflexão é essa: mesmo supondo que tenhamos como resolver os problemas de distribuição de riquezas e ter a fartura de uma sociedade perfeitamente sustentável por máquinas: Estaríamos preparados para isso?
[21:25] <tioguerra> Hoje, na vasta maioria das sociedades, o trabalho e o emprego estão intimamente ligados ao valor e à dignidade das pessoas.
[21:25] <tioguerra> Trabalhar é considerado algo nobre, o trabalhador merece respeito e apreciação. Aquele que não doa de seu precioso tempo e dedicação para o benefício da sociedade é visto como um inútil, como um vagabundo.
[21:26] <tioguerra> Em países desenvolvidos como no Japão, vemos taxas de suicídio alarmantes. As pessoas precisam metas, precisam dar sentido às suas existências.
[21:26] <tioguerra> Então provavelmente precisaremos rever profundamente nossos valores.
[21:26] <tioguerra> Ok pessoal, encerrei a última seção.
[21:27] <tioguerra> Obrigado acompanhar até aqui, podemos agora conversar um pouco mais e encerrar.
[21:27] <tioguerra> Acho que avancei um pouco no horário, rsrs
[21:27] <wilkens> myiro
[21:28] <wilkens> ops!
[21:28] <cleiton> que isso ...gostei muito
[21:30] <Wilmar-Freitas> Também gostei. Palestra Instigante... fiquei aqui rabiscando uma série de questões...
[21:30] <tioguerra> Obrigado Wilmar.
[21:30] <ortenio> Muito bom!
[21:30] <tioguerra> É muito assunto para abordar em pouco tempo.
[21:30] <wilkens> essa questão da dependência tecnológico do Brasil e mesmo preocupante. Temos alternativas? É uma provocação.
[21:31] <wilkens> Acho que li algo sobre Software Livre, código aberto no início da conferencia..
[21:31] <tioguerra> Então Wilkens, as alternativas para o Brasil são muitas.
[21:32] <tioguerra> Mas não seria nada fácil, precisaria de um certo esforço.
[21:32] <tioguerra> No curto prazo, a educação é muito importante.
[21:33] <tioguerra> Quando falamos desse cenário tão incerto, dessa evolução tecnológica acelerada, e do desemprego massivo, no curto prazo precisamos formas modernas de preparar a população.
[21:33] <tioguerra> Precisamos reciclar, treinar, educar
[21:33] <wilkens> treinar = capacitar
[21:34] <tioguerra> Essa ideia de que basta cursar um curso técnico ou superior e trabalhar num "ofício" o resto da vida já era. As pessoas precisam estar preparadas para aprender continuamente, e para aprender a aprender por conta também.
[21:34] <tioguerra> isso, a palavra treinar não é muito boa, obrigado :-)
[21:35] <wilkens> aprende a aprender, perfeito-
[21:36] <tioguerra> As principais capacidades são meta-capacidades. Não interessa que o Fulano sabe tal software e tal ferramenta. Ele precisa saber se comunicar, ter senso crítico, capacidade de se expressar e de ouvir e de traçar um plano ou de decidir seguir o plano que outro traçou. Precisa ter espírito de liderança, criatividade, proatividade.
[21:36] <wilkens> tioguerra, não esqueça de indicar livros, sites e tutors, por favor :)
[21:37] <tioguerra> Ok, Wilkens. Sobre qual assunto querem indicações?
[21:38] <danilorcesar> Obrigado professor Rodrigo Guerra!
[21:38] <wilkens> eu: robótica e IA
[21:38] <wilkens> seu e-mail professor, por gentileza
[21:39] <tioguerra> Ok, sobre robótica e IA. Mas em que nível?
[21:39] <wilkens> iniciante
[21:39] <tioguerra> Meu e-mail é rodrigo.guerra@ufsm.br
[21:39] <danilorcesar> Vocês podem continuar as discussões!
[21:39] <wilkens> escreverei. Obricado
[21:40] <wilkens> Conferência inspirativa. Aplausos!!! Obrigado.
[21:41] <tioguerra> Para aprender sobre robótica e IA sugiro começar explorando cursos online
[21:41] <wilkens> ok.
[21:41] <tioguerra> Tenta achar um curso que consiga acompanhar no teu nível
[21:41] <tioguerra> Coursera tem vários
[21:41] <wilkens> blz$
[21:41] <wilkens> !
[21:41] <tioguerra> Mas de uma forma geral, se queres "aprender a fazer", precisa aprofundar antes em Python.
[21:42] <tioguerra> Aprender Python é super importante nesse contexto.
[21:42] <tioguerra> Alguma noção de álgebra linear, usando numpy, matplotlib e scipy ajuda
[21:42] <tioguerra> há cursos de python para "data scientists".
[21:42] <tioguerra> Isso dá uma boa base.
[21:43] <tioguerra> Hoje deep learning se resume principalmente na coleta e na cura dos dados. Como falei, o valor está no "big data".
[21:43] <tioguerra> A parte do "learning" é meio pronta, tu só configura alguns parâmetros e roda. Não que seja super simples, mas não há muito a se inventar.
[21:44] <tioguerra> O importante é saber colher os dados, usando "spider" para pegar de sites, ou sensores para capturar em campo, e tratar esses dados em Python.
[21:45] <wilkens> muito obrigado.
[21:46] <tioguerra> Se sabes inglês tenta assistir uns vídeos como do Siraj Raval
[21:46] <tioguerra> Pessoal, vamos encerrar?
[21:47] <tioguerra> Penso em ir jantar! :-)
[21:47] <ortenio> Blz. Obrigado. Boa noite.
[21:47] <danilorcesar> Qualquer dúvida entrem em contato no email do professor
[21:48] <tioguerra> Obrigado a vocês! Essa foi uma experiência singular! ;-D
[21:48] <danilorcesar> Agradeço a todos os participantes!
[21:48] <wilkens_> like /join
[21:48] <danilorcesar> Obrigado mais uma vez, Rodrigo!
[21:48] <wilkens_> 0
[21:49] <danilorcesar> A log estará disponível no sítio do evento!
[21:49] <wilkens_> boa noite a todos/as!
[21:51] <Eliane> oBoa noite!

 

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