STIS 2015

5. Junho: REA e Gamificação

5.1. registro junho

Registro da Conferência em chat escrito, de 26 de junho de 2015:

 

 Recursos Educacionais Abertos: Identificando “tensões” e redimensionando expectativas
conferencista: Prof. Dr . Tel Amiel (UNICAMP) e Prof. Tiago Soares (Doutorando USP)


 O jogador do participa.br: em que web navegamos?
conferencista: Profª Drª Ana Cristina Fricke Matte (POSLIN/UFMG)

 

moderador: Equipe STIS

 

 

[14:01] <adelmaa> Prezados conferencistas convidados e participantes, boa tarde a todos! Hoje temos a honra de iniciar os trabalhos do STIS do mês de junho de 2015. Contamos com a presença de grandes pesquisadores e profissionais em nossa sala
[14:01] <AnaMatte> boa tarde!
[14:01] <adelmaa> virtual, obrigada pela participação. Para iniciar nossos trabalhos é com prazer que anuncio os conferencistas convidados deste mês de março, O prof. Dr. Tel Amiel da Universidade Estadula de Campinas (UNICAMP)  e a profa Dra Ana Crsitina Fricke Matte (UFMG) .
[14:01] <adelmaa> Inicialmente apresentarei o prof Tel Ameil. O prof Tel Amiel  graduou-se Comunicação (2000), concluiu a Especialização e defendeu seu  mestrado pela Universidade Estadual (2002) no Instituto Politécnico e
[14:02] <adelmaa> Universidade Estadual da Virgínia, Estados Unidos. Em 2006 concluiu o doutorado em Tecnologia Instrucional pela Universidade Tecnológica da Georgia, UGA, Estados Unidos.
[14:02] <adelmaa> No google acadêmico consta 40 artigos seus publicados e disponibilizados para leitura. O professor tem desde 2010,  295 citações de suas publicações. para leitura de suas publicações favor acessar:
[14:02] <adelmaa> https://scholar.google.com.br/citations?user=JIoLhlcAAAAJ
[14:02] <adelmaa> Para conhecer o professor Tel Amiel basta acessar o you tube e assistir o vídeo cujo título é:  O que é REA - Tel Amiel  https://www.youtube.com/watch?v=AyQsFZBHWpI
[14:02] <adelmaa> Também dou aqui as boas -vindas ao Tiago é doutorando em história na USP e pesquisador LABJOR e da cátedra UNESCO em Educação Aberta na UNICAMP
[14:02] <adelmaa> Prezado professor seja bem vindo a nossa sala de conferência.!
[14:03] <adelmaa> Nossa segunda conferencista é a profa Dra Ana Cristina Fricke Matte. Um das mais inovadoras pesquisadoras da atualidade. Sua vasta produção pode ser encontrada ao se googlar pelo seu nome.
[14:03] <adelmaa> Hoje, entretanto, não quero reverenciá-la apenas como conferencista, mas parabenizá-la em nome de todo grupo Texto Livre pelos projeto que ela brilhantemente
[14:03] <Tel> obrigado ;)
[14:03] <adelmaa> vem desenvolvendo junto a todos que acreditam em sua forma ética de fazer educação neste pais.
[14:03] <adelmaa> De seu cérebro nasceram ideias geniais de projeto que vem se solidificando tais como a Revista Texto Livre, a projeto Português L, Español Libre, o Gramática, online, o UEADSL, o EVIDOSOL/CILTEC, o nosso STIS, dentre outros.
[14:03] <adelmaa> O que é mais extraordinário na profa Ana Cristina e que todos os que  convivem com ela aprendem para sua vida acadêmica e pessoal é que ela sabe gerir e fazer com que
[14:03] <adelmaa> seus orientandos assumam responsabilidades e acreditem no que estão fazendo e se entreguem a cada projeto de corpo e alma e se motivem a continuar fazendo o melhor em prol da educação deste nosso país.
[14:03] <adelmaa> Perdão professor,mas esta é a primeira vez que a idealizadora deste projeto STIS tão grandioso  está nos visitando como conferencista convidada após eu assumir como
[14:04] <AnaMatte> obrigada :)
[14:04] <adelmaa> coordenadora este vento. Nãopdoeria deixar passar sem fazer uma homenagem de todos que compõem este grupo extraordinário o Grupo STIS.
[14:04] <AnaMatte> obrigada mesmo, Adelma, muita gentileza
[14:04] <adelmaa> Gostaria de agradecer a disponibilidade,a generosidade,  delicadeza e amabilidade do Prof Dr. tel Amiel em todas as ocasiões que nosso contato fez-se necessário e urgente. Tê-lo me nosso evento é uma honra.
[14:04] <adelmaa> Ao Tiagopor acreditar em nossa proposta e ser parte deste evento!
[14:05] <Tel> obrigado pelo convite - é sempre bom participar.
[14:05] <adelmaa> Agradeço também a profa Dra Ana Cristina nos dar a honra de sua presença. Passo agora a palavra à Prof Thalita Felício que moderará a sala.
[14:05] <thalita> Boa tarde a todos! Sejam bem-vindos!
[14:05] <Tiago_> Muito obrigado, agradeço sinceramente o convite
[14:05] <thalita> Para quem participa pela primeira vez, teremos 30 minutos de apresentação dos conferencistas (só por escrito, aqui no chat)
[14:05] <thalita> não temos vídeo nem áudio
[14:05] <thalita> durante esse tempo, a sala estará moderada
[14:06] <thalita> após as apresentações, abriremos a sala para perguntas, sugestões e discussão geral das ideias expostas
[14:06] <thalita> o código para os slides será indicado no início de cada apresentação
[14:06] <thalita> basta inserir o código à direita, depois de escolher o tipo de atendimento: “apresentação de slides”
[14:06] <thalita> vocês podem regular o tamanho do chat e slides ajustando a coluna vertical entre as partes
[14:07] <thalita> código para os slides da professora Ana Cristina: matte2015
[14:07] <thalita> desejamos um ótimo seminário a todos!
[14:07] <AnaMatte> Obrigada, thalita e adelmaa, é sempre um prazer participar do STIS e uma hora compartilhar a mesa com os colegas Tel e Tiago_
[14:07] <thalita> Professora Ana Cristina , pode começar quando quiser.
[14:07] <AnaMatte> ok
[14:07] <AnaMatte> [§ CÓDIGO DOS SLIDES: matte2015 (eu aviso quando for mudar de slide)]
[14:07] <AnaMatte> Boa tarde! Antes de mais nada, gostaria de explicar o contexto deste trabalho.
[14:08] <AnaMatte> Quando fui convidada a auxiliar o processo de gamificação do participabr, eu acabara de conhecer o portal e nem estava pensando em Gamificação. Eu só tinha a semiótica pra levar comigo? Não.
[14:08] <AnaMatte> Fui convidada porque:
[14:08] <AnaMatte> a) sou pesquisadora e professora no limiar da linguagem e da tecnologia desde 2006, presencial e a distância.
[14:08] <AnaMatte> b) sou membro de comunidades online de software livre desde 2005
[14:08] <AnaMatte> c) Fundei o o TL a partir dessa relação entre o ensino institucionalizado e a dinâmica das comunidades livres online
[14:09] <AnaMatte> O ponto central desta análise: quem é o sujeito que pretendo trazer, pela gamificação, para o participabr? rede de computadores? rede de usuários? de quem? Para quem?
[14:09] <AnaMatte> Quem é esse jogador?
[14:09] <AnaMatte> [§ SLIDE 2]
[14:09] <AnaMatte> A Web pode ser reduzida a dois conceitos essenciais: conhecimento e compartilhamento. Isso, em essência, existe desde os primórdios da Web, por isso eu particularmente desconfio da ideia de Web2.0
[14:09] <AnaMatte> Quando pensamos em conhecimento, na Web e fora dela, pensamos em repositórios.
[14:09] <AnaMatte> Assim, o conhecimento é um estado, não um processo, é um objeto estável.
[14:09] <AnaMatte> Já o compartilhamento, esse sim concebe-se como processo, não é objeto, é ação, narrativa.
[14:10] <AnaMatte> O compartilhamento fica, nessa concepção, na base das relações entre internautas. E é por isso que o Facebook conseguiu mudar o significado dessa palavra, mas essa é uma conversa pra outra hora.
[14:10] <AnaMatte> Compartilhar é a atividade interativa por excelência na Web e só é possível porque o conhecimento é um objeto compartilhável
[14:10] <AnaMatte> (embora muitas leis de restrição e de copyright estejam lutando freneticamente para impedir isso).
[14:10] <AnaMatte> É assim que entra em cena o Sujeito
[14:10] <AnaMatte> [§ SLIDE 3]
[14:10] <AnaMatte> Essa é a Web que se vende - o ator central é o indivíduo
[14:11] <AnaMatte> - o compartilhamento promove a divulgação do conhecimento pelo mesmo ator que colabora no sentido de aumentar os objetos – conhecimento no repositório online
[14:11] <AnaMatte> Mas, vamos refletir: não se pode dizer, no entanto, que esse indivíduo traveste uma identidade coletiva? A Web pode ser vista como um palco no qual a individualidade é simulada em prol de padrões aceitos, ou seja, de uma padronização.
[14:11] <AnaMatte> Além disso: eu não falei ainda há pouco de repositório de conhecimento? Objeto estático, fechado, partilhável?
[14:11] <AnaMatte> Sim,  mas não livre, porque subsume o conhecimento como conjunto de verdades absolutas.
[14:11] <AnaMatte> [§ SLIDE 4]
[14:11] <AnaMatte> Se pensarmos bem, o conhecimento, assim entendido, exclui o sujeito do processo. Como assim? Não sou eu quem posta material na Web? Como assim, sou excluída?
[14:12] <AnaMatte> O que se nota em geral é uma espécie de osmose, processo na qual o compartilhamento limita-se a corroborar a genialidade ou sabedoria de outrém
[14:12] <AnaMatte> Por exemplo, chega uma frase de efeito no seu facebook. Você compartilha.
[14:12] <AnaMatte>  Como são esses compartilhamentos que constituem sua identidade no Facebook, é natural que a frase de efeito passe a fazer parte da sua constituição, como se fosse sua!
[14:12] <AnaMatte> Tanto que, geralmente, vamos comentar ou “dar um like” para quem compartilhou, não para o autor.
[14:12] <AnaMatte> Conclusão: como o conhecimento não pode ser gerado por qualquer um, mesmo que o usemos para constituir nossa identidade, não somos autores, somos excluídos do processo.
[14:12] <AnaMatte> E essa é a Web que se compra, bem diferente daquela que se vende.
[14:12] <AnaMatte> Mas verdades absolutas? De onde vem isso?
[14:13] <AnaMatte> [§ SLIDE 5]
[14:13] <AnaMatte> De muitos lugares, por exemplo da academia.
[14:13] <AnaMatte> Um bom exemplo de instituição que aceita essa definição de conhecimento é a academia
[14:13] <AnaMatte> - vide ementas
[14:13] <AnaMatte> - vide programas de cursos
[14:13] <AnaMatte> - vide referencial teórico aceito
[14:13] <AnaMatte> (porque se suspeita tanto da Wikipedia, por exemplo???)
[14:13] <AnaMatte> O conhecimento é um estado da ciência. A mudança para outro estado só ocorre por acréscimo ou troca de informação, geralmente sem desdizer o que disse antes.
[14:13] <AnaMatte> Conhecimento como objeto está em todos os lugares, especialmente nas instituições (bibliotecas, hospitais, escolas, governos etc).
[14:14] <AnaMatte> [§ SLIDE 6]
[14:14] <AnaMatte> Agora vamos pensar semioticamente.
[14:14] <AnaMatte> Aprendizagem para a semiótica pode ser definida pela relação entre foco (atenção) e apreensão (escopo do objeto da atenção
[14:14] <AnaMatte> No sistema institucionalizado atualmente, a aprendizagem é um sistema no qual o foco aumenta à medida que a apreensão diminui.
[14:14] <AnaMatte> Dito de outra forma, a abrangência/amplitude/variedade aumenta somente se diminuir a atenção.
[14:14] <AnaMatte> [§ SLIDE 7]
[14:14] <AnaMatte> No mundo institucionalizado valoriza-se a especificidade.
[14:14] <AnaMatte> Quanto mais específico, mais valorizado; quanto mais específico, maior o foco e menor a apreensão.
[14:15] <AnaMatte> Assim, coloca-se o conhecimento num altar:
[14:15] <AnaMatte> - ele é objeto de adoração e aceitação pela maiori
[14:15] <AnaMatte> a
[14:15] <AnaMatte> - é apenas visível em partes, de vez em quando, para manter a credibilidade em sua existência, mas não é completamente acessível a todos (isso está subentendido nessa acepção de conhecimento)
[14:15] <AnaMatte> - somente aqueles dotados de muito conhecimento são autorizados a mexer nos objetos de conhecimento, alterando seu estado.
[14:15] <AnaMatte> - e é notável que a própria existência do conhecimento como totem mantém o poder desses sacerdotes, que passam a ser reverenciados pelos outros. Um círculo vicioso que sustenta, pelo menos até hoje, o status dos possuidores do saber.
[14:15] <AnaMatte> [§ SLIDE 8]
[14:15] <AnaMatte> É esse conhecimento que destrói a via dupla entre conhecimento e compartilhamento, excluindo o sujeito dos processos de enriquecimento dos repositórios de conhecimento.
[14:15] <AnaMatte> - O sujeito, o ator, nesse sistema, só é sujeito, só é ator para outros sujeitos e atores, sem que isso implique nele como criador ou recriador de verdades.
[14:16] <AnaMatte> [§ SLIDE 9]
[14:16] <AnaMatte> Na web que se vende, esse ator mantém-se simuladamente como indivíduo atuante. Nesse enfoque, é ele quem escolhe a verdade que quer partilhar.
[14:16] <AnaMatte> É o ator quem “descobre” a verdade na web. O autor da verdade é considerado um gênio ou um sábio geralmente apenas por conseguir dizer o que o ator já pensava, mas não tinha consciência
[14:16] <AnaMatte> Divulgar o gênio passa a ser uma forma de identificar-se com sua genialidade perante os outros.
[14:16] <AnaMatte> [§ SLIDE 10]
[14:16] <AnaMatte> E como se faz isso?
[14:16] <AnaMatte> Voltando à rede física: a internet hoje traz muitas alternativas de interação, bem como possui um repositório de conhecimento muito mais amplo do que qualquer indivíduo humano poderia conhecer.
[14:17] <AnaMatte> A profusão de materiais, de ideias, de formas de apresentá-las com imagens estáticas e dinâmicas, com sons, com elos para outros materiais, junto com a possibilidade de realização de muitas tarefas simultâneas, produz uma grandesensação de empoderamento do indivíduo.
[14:17] <AnaMatte> Além disso, a velocidade do acesso e da interação é muito próxima da interação face a face e, no que tange ao acesso ao conhecimento, muito maior do que aquela possível em outros repositórios, como livros ou arquivos de papéis.
[14:17] <AnaMatte> [§ SLIDE 11]
[14:17] <AnaMatte> Nesse lugar, constrói-se um sistema de relação entre foco e apreensão oposto àquele do conhecimento tal como o discutimos até agora.
[14:17] <AnaMatte> Na web, o sujeito é valorizado pela abrangência de seu conhecimento, quanto mais temas puder abarcar, melhor
[14:17] <AnaMatte> Na web também o sujeito é valorizado pela velocidade com que adquire esse conhecimento
[14:17] <AnaMatte> Tudo isso leva a um tipo de conhecimento que deixa de ser profundo e passa a superficial, é o mundo da abrangência, onde o poderoso é o generalista Se o primeiro era o mundo do artigo, este é o mundo da manchete.
[14:17] <AnaMatte> [§ SLIDE 12]
[14:18] <AnaMatte> Dois sistemas – leia-se acepções do conhecimento - tão opostos que são incompatíveis entre si.
[14:18] <AnaMatte> Não é possível coadunar ambos no ser e no parecer.
[14:18] <AnaMatte> Por isso a web que se vende, aquela que democratiza o altar do conhecimento, não é a web que se compra, aquela que mantém o altar acessível apenas para um pequeno grupo de sábios
[14:18] <AnaMatte> A única forma de coexistência desses dois sistemas antagônicos é colocar o sistema do generalista na dimensão do parecer e a do especialista na dimensão do ser. poder do generalista → mentira, só existe como estratégia de marketing.
[14:18] <AnaMatte> A tecnologia multi tarefa e multimodalidade cria essa impressão de muito e dá ao generalista a impressão de apoderamento da genialidade e sabedoria alheia.
[14:18] <AnaMatte> Tudo corrobora a manutenção do generalista como participante passivo do sistema no qual o especialista é o verdadeiro astro.
[14:18] <AnaMatte> [§ SLIDE 13]
[14:19] <AnaMatte> Como romper essa diferença?
[14:19] <AnaMatte> Aceitar que o conhecimento não é um conjunto de verdades?
[14:19] <AnaMatte> Aceitar que o usuário comum da web não pertence ao mundo elitista dos escolhidos e que a web não está sendo espaço para essa democratização
[14:19] <AnaMatte> ?
[14:19] <AnaMatte> m
[14:19] <AnaMatte> Nenhuma das alternativas é boa
[14:19] <AnaMatte> Os dois sistemas são incompatíveis, somente o rompimento com eles será capaz de mudar esse panorama.
[14:19] <AnaMatte> [§ SLIDE 14]
[14:19] <AnaMatte> É preciso, em primeiro lugar, atentar às instituições, aquelas que detém o poder sobre o conhecimento, as mesmas cantadas por Pink Floid mas não somente elas
[14:20] <AnaMatte> É necessário perceber as paredes que excluem a priori todo e qualquer sujeito que a própria instituição não tenha formado e decidido sobre sua capacidade
[14:20] <AnaMatte> É necessário perceber as paredes que mantém o conhecimento a salvo da incredulidade
[14:20] <AnaMatte> É necessário correr riscos!
[14:20] <AnaMatte> [§ SLIDE 15]
[14:20] <AnaMatte> E explodir esse sistema.
[14:20] <AnaMatte> É necessário abrir mão dos pressupostos aceitos, abrir mão de aceitar: é hora de questionar.
[14:20] <AnaMatte> O conhecimento nunca foi um objeto, um estado de coisas. Isso é uma construção cultural politicamente delimitada
[14:20] <AnaMatte> O conhecimento é dinâmico, é processual.
[14:21] <AnaMatte> Um bom matemático não precisa saber toda a matemática, precisa saber pensar como um matemático. Só assim será capaz de transcender o conhecimento recebido. Assim, um bom professor de matemática é o que ensina a pensar matematicamente
[14:21] <AnaMatte> [§ SLIDE 16]
[14:21] <AnaMatte> De olho no processo, de olho na transformação e menos no estado, é assim que a fragilidade do conhecimento aparece.
[14:21] <AnaMatte> E é nessa fragilidade que o o conhecimento coloca-se sempre em construção, sempre passível de críticas e de mudanças.
[14:21] <AnaMatte> Sem uma forte mudança de paradigma, até a própria universidade, num mundo em que a velocidade de produção de conhecimento cresce exponencialmente, acabará na obsolescência.
[14:21] <AnaMatte> É no imperfeito, no instável, no incerto que reside a verdade do conhecimento.
[14:21] <AnaMatte> Foi isso que encontrei em comunidades livres online.
[14:21] <AnaMatte> Nelas, a valorização do especialista não detém a valorização do generalista, pelo contrário, eles se completam, colaboram um com o outro.
[14:21] <AnaMatte> [§ SLIDE 17]
[14:22] <AnaMatte> É, comecei falando em comunidades livre, volto a elas agora. O que elas, de fato, concretamente, tem a ver com isso tudo?
[14:22] <AnaMatte> Não é difícil observar que, num apanhado geral, as comunidades livres são organizadas de forma até hierárquica, mas não valorativamente nem de forma a congelar seus membros em posições fixas.
[14:22] <AnaMatte> Todas as posições são importantes, a ponto de que um programador ultra-especializado pode, num dado momento, ser responsável por escrever o tutorial para o usuário leigo, sem que isso mude seu valor na comunidade.
[14:22] <AnaMatte> Então temos tanto generalistas quanto especialistas nesse sistema, incluindo-se aí as posições intermediárias (nada lineares), todas igualmente valorizadas.
[14:22] <AnaMatte> [§ SLIDE 18]
[14:22] <AnaMatte> Isso significa que as comunidades de software livre nos oferecem um modelo baseado num sistema que faz sucumbir os da Web que se vende e os da Web que se compra para dar lugar a um novo sistema.
[14:22] <AnaMatte> Observem o gráfico: continuamos com uma relação inversa entre foco e apreensão, como no conhecimento institucionalizado, mas aqui:
[14:23] <AnaMatte> a) existe limite no foco, como na apreensão
[14:23] <AnaMatte> (foco: especificidade extrema leva à irrealidade, à exclusão do sujeito)
[14:23] <AnaMatte> (apreensão: mesmo a mente generalista mais competente não é capaz de saber tudo com um mínimo de profundidade)
[14:23] <AnaMatte> b) Outra diferença é que ambas são valorizadas positivamente (o programador daquela linha do kernel do linux tanto quanto o entusiasta da free software foundation)
[14:23] <AnaMatte> [§ SLIDE 19]
[14:23] <AnaMatte> Esse é o jogador que deve ser visado:
[14:23] <AnaMatte> - não um, muitos
[14:23] <AnaMatte> - não o padrão, a diversidade
[14:24] <AnaMatte> - uma coletividade que admite a individualidade
[14:24] <AnaMatte> Como trazer isso de comunidades online livres, normalmente nascidas sem ordem alguma, para o mundo institucionalizado?
[14:24] <AnaMatte> Não tenho a resposta, mas algumas pistas.
[14:24] <AnaMatte> abertos de diferentes naturezas, desenvolvimento de software livre educacional e diferentes projetos de inclusão digital, principalmente de professores e alunos.
[14:24] <AnaMatte> ops
[14:24] <AnaMatte> apaga essa última
[14:24] <AnaMatte> Na minha prática, encontrei algumas alternativas, como eventos online abertos de diferentes naturezas,
[14:25] <AnaMatte> desenvolvimento de software livre educacional e diferentes projetos de inclusão digital, principalmente de professores e alunos.
[14:25] <AnaMatte> A inclusão só é possível porque o destinatário do sistema é amplo o suficiente para permitir a identificação de diferentes indivíduos.
[14:25] <AnaMatte> [§ SLIDE 20]
[14:25] <AnaMatte> Todos os projetos do Texto Livre cultuam essa filosofia e a aplicam.
[14:25] <AnaMatte> Respondemos a pergunta inicial: Quem é o jogador?
[14:25] <AnaMatte> não é o jogador, são os jogadores.
[14:25] <AnaMatte> E, finalmente, não basta chamar o jogador para o jogo, é preciso propor-lhe uma nova dinâmica de jogo.
[14:26] <AnaMatte> [§ SLIDE 21] Obrigada a todos, obrigada, Tel, obrigada à organização do STIS.
[14:26] <thalita> muito obrigada, professora Ana Cristina
[14:26] <AnaMatte> obrigada pela oportunidade, thalita :)
[14:27] <thalita> professor Tel e Tiago_, podem começar quando quiserem
[14:27] <Tel> jóia, obrigado ana!
[14:27] <thalita> código para os slides: tel
[14:27] <Tel> acho que vai dar um gancho legal com a nossa conversa.
[14:27] <AnaMatte> :)
[14:27] <Tel> Olá a todos! O que vamos apresentar aqui é produto de uma pesquisa realizada ao longo de 2014 em torno de Recursos Educacionais Abertos na América Latina (falaremos mais sobre ele em seguida). Essas ações se dão no âmbito da Cátedra UNESCO em Educação Aberta que foi inaugurada no final de 2014 na UNICAMP.
[14:27] <Tiago_> Certamente, Tel.
[14:28] <Tel> Na última década, o movimento para Recursos Educacionais Abertos (REA) tem angariado popularidade ao redor do mundo. A chamada para uma das conferências mais importantes da área, a Open Education, propunha, em 2012, que depois de uma década de trabalhos chegava a hora da “educação aberta ir além do conteúdo”.
[14:28] <Tel> Para os proponentes, a produção e disponibilidade de REA já estava em segundo plano, superada por questões como uso, colaboração, padrões, novas práticas pedagógicas e outras prioridades relevantes. Mas persistem assimetrias – as práticas em torno de REA precisam de contexto para que possam ser avaliadas. Apesar de crescentes escritos sobre o tema no Brasil, ainda é incipiente o trabalho acadêmico e o reconhecimento g
[14:28] <Tel> ou REA
[14:28] <Tel> Já temos, no entanto, ao menos uma boa coletânea de artigos escritos por autores brasileiros sobre o tema (livrorea.net.br) e uma produção acadêmica crescente (biblio REA).
[14:28] <Tel> (SLIDE 2, 3)
[14:29] <Tel> Cremos que ainda nos falta maiores escritos para posicionar REA em conjunto com outras manifestações que impactam o trabalho da educação formal. Contextualizamos o movimento REA no universo da cultura digital e da cibercultura, para depois analisar algumas de suas contradições e tensões, na medida em que o movimento ganha espaço na promoção de uma educação aberta.
[14:29] <Tel> Falando um pouco sobre REA, a cultura digital e a cibercultura
[14:29] <Tel> No contexto da cultura digital houve um crescimento da produção e circulação de bens não-rivais – recursos que podem ser utilizados por várias pessoas sem custo adicional – ou com custo de reprodução marginal.
[14:29] <Tel> O livro impresso pode ser lido somente por uma pessoa por vez. É um bem rival e de uso individual – se eu estou lendo, você não pode ler (a não ser que fiquemos ambos desconfortáveis).
[14:29] <Tel> Compartilhar desse recurso acarreta custos monetários, de locomoção e de tempo, além de possivelmente infringir os direitos de autor. Com um livro digital há uma redução substancial dos custos variáveis (como circulação, distribuição) descontando o custo dos dispositivos e sistemas que permitem a leitura.
[14:30] <Tel> Ademais, se o livro digital estiver licenciado de maneira aberta, e com um formato aberto, é possível reduzir ou eliminar problemas associados aos direitos e barreiras técnicas para a reprodução e reuso.
[14:30] <Tel> A facilidade de reprodução, manipulação e acesso a recursos tem proporcionado um crescimento potencial (não igualitário nem garantido) das nossas redes de aprendizado para além das instituições que conferem reconhecimento formal (como escolas e universidades).
[14:30] <Tel> Ao contrário das oportunidades formais, tidas como estruturadas e rígidas, estruturas emergentes tem entre suas características a auto-organização, a não existência de um objetivo final claro e comum para todos os aprendizes, e a primazia das atividades colaborativas.
[14:30] <Tel> Essas e outras características cada vez mais evidentes em atividades educacionais, como a horizontalidade e o alto grau de interatividade, são associadas à Internet como meio de comunicação e também às práticas que emergem na cibercultura.
[14:31] <Tel> A emergência desse commons (ou rossio) baseado na estrutura da Internet, combinada à crescente abundância de recursos abertos, propicia a criação de novos ecossistemas de aprendizado, o que Barron (2004) define como: “os contextos acessados, compostos de configurações de atividades, recursos materiais e relacionamentos, encontrados em co-locados ou espaços virtuais que proporcionam oportunidades de aprendizado”.
[14:31] <Tel> Uma exemplo simples dessa “rede” pode ser visto desse trabalho que foi realizado no Curso REA (curso.rea.ufg.br).
[14:31] <Tel> (slides estão um pouco fora de ordem, mas é o "mapa mental" que se vê mais pra frente)
[14:32] <Tel> O conceito de ecologia de aprendizagem incorpora todas as oportunidades de aprendizado de uma pessoa ou grupo de pessoas. Essas novas configurações de ambientes, práticas e recursos cada vez mais redundantes são caminhos para a abertura da educação.
[14:32] <Tel> Vamos discutir REA no contexto dessa confluência: as bases materiais e imateriais da rede, das práticas sugeridas em torno da ideia de cibercultura e do potencial que isso apresenta para uma visão contemporânea da educação aberta.
[14:32] <Tel> Iniciamos com um breve histórico em torno do desenvolvimento da Internet, da computação pessoal e da World Wide Web, apontando sua relação com a emergência da noção de cultura digital. Seguimos apontando as relações de base entre essas práticas e REA, finalizando com uma breve análise de algumas tensões emergentes.
[14:32] <Tiago_> Olá pessoal.
[14:33] <Tiago_> (Slide 4 - O Memex)
[14:33] <Tiago_> A ideia de uma cultura de compartilhamento e reelaboração de recursos em rede não é nova. Em 1945, o então diretor do Gabinete de Pesquisa e Desenvolvimento Científico do governo dos EUA, Vannevar Bush, propôs o Memex, um terminal pessoal que automatizaria o acesso a catálogos multimídia (como microfilme, rádio e tubo catódico), num novo meio de comunicação que ofereceria ao amplo público ferramentas de acesso e reelaboraÃ
[14:33] <Tiago_> (O artigo em que Bush propõe o Memex pode ser lido em http://www.theatlantic.com/magazine/archive/1945/07/as-we-may-think/303881/)
[14:34] <Tiago_> Em debate análogo, as proposições de Norbert Wiener, na década de 1950 (em obras como “Cibernética ou controle e comunicação no animal e na máquina”, de 1948, e “Cibernética e sociedade: o uso humano de seres humanos”, de 1950), e, posteriormente, de Marshall McLuhan, nos anos 1960 (em livros como “A Galáxia de Gutemberg”, 1962, e “Os meios de Comunicação como extensão do homem”, de 1964), apontaram à emerg
[14:35] <Tiago_> Nos EUA, essas proposições informaram o intercâmbio entre protagonistas do movimento contracultural e pesquisadores de novas tecnologias computacionais na Califórnia da virada da década de 1960 para 1970, servindo de catalisador a transformações profundas em influentes centros de desenvolvimento de tecnologias de processamento da informação.
[14:35] <Tiago_> (Slide 5)
[14:35] <Tiago_> De grande máquina processadora de dados hospedada em folclóricos andares inteiros, o computador passava a ser entendido como ferramenta individual, um dispositivo técnico e cultural a oferecer avançadas habilidades pessoais de acesso, produção e reformulação da informação. Junto às novas tecnologias de comunicação e à implementação de sistemas homem-máquina, a tecnologia dos computadores passava, também, a ser associad
[14:36] <Tiago_> À mesma época, experimentos narrativos radicais foram postos em prática com a proposição do hipertexto, por Ted Nelson, em seu Projeto Xanadu (http://xanadu.com/). Como aponta David Wiley o trabalho em torno do Xanadeu deu origem a muitos dos conceitos utilizados nos estudos sobre Objetos de Aprendizagem (OA). Por sua vez, é de críticas e aprendizados em torno de OA (como licenciamento e formatos abertos) que emerge grande parte
[14:36] <Tiago_> (Slide 6)
[14:36] <Tiago_> Em Xanadu já vemos uma crítica contundente a direitos autorais, por exemplo.
[14:37] <thalita> Tiago_, coloque frases menores. Algumas saíram cortadas
[14:38] <Tiago_> Oi Thalita, obrigado pelo aviso. Vou usar frases menores. Você gostaria que eu repetisse alguma frase em especial?
[14:38] <AnaMatte> a tecnologia dos computadores passava, também, a ser associad
[14:38] <AnaMatte> ...
[14:39] <thalita> isso
[14:39] <Tiago_> Ah, sim. Obrigado.
[14:39] <Tiago_> Junto às novas tecnologias de comunicação e à implementação de sistemas homem-máquina, a tecnologia dos computadores passava, também, a ser associada à ideia de um novo espaço público.
[14:39] <AnaMatte> outra: Por sua vez, é de críticas e aprendizados em torno de OA (como licenciamento e formatos abertos) que emerge grande parte
[14:39] <AnaMatte> ...
[14:40] <Tiago_> Ah, certo.
[14:40] <Tiago_> Por sua vez, é de críticas e aprendizados em torno de OA (como licenciamento e formatos abertos) que emerge grande parte da discussão em torno de REA.
[14:40] <AnaMatte> obrigada!
[14:40] <Tiago_> Eu que agradeço!
[14:40] <Tiago_> Devo continuar?
[14:40] <AnaMatte> sim, por favor
[14:41] <thalita> pode continuar, por favor
[14:41] <thalita> foram só aqueles
[14:41] <Tiago_> Obrigado.
[14:42] <Tiago_> Agora, gostaria de falar um pouco sobre a Web, passando rapidamente por sua história e sua percepção pública.
[14:42] <Tiago_> Numa explicação simplificada, poderíamos explicar a Web como uma das camadas de aplicações estruturadas sobre a Internet. Popularizada entre início e meados dos anos 90, ela é, hoje, a principal interface de acesso à rede global de computadores.
[14:43] <Tiago_> Baseada nos experimentos com sistemas de informação desenvolvidos pelo britânico Tim Berners-Lee entre as décadas de 1980 e 1990, a Web articulou, à infraestrutura já existente da Internet, uma dinâmica de uso da informação baseada em hiperlinks e na criação (e reapropriação) do conhecimento.
[14:44] <Tiago_> A Web propõe um conjunto de ferramentas relativamente simples e acessíveis, num aceno à plena liberdade discursiva sugerida na noção de hipertexto.
[14:44] <Tiago_> (Slide 7 - O navegador Mosaic)
[14:44] <Tiago_> É importante lembrar que a infraestrutura da Internet antecipa a Web. Em décadas anteriores à Web, serviços como a Usenet já se estruturavam sobre a rede de circulação de dados oferecida pela Internet.
[14:45] <Tiago_> A proposição do conceito de livre fluxo e reelaboração como estruturais à camada de circulação de dados oferecida pela Web foi, compreensivelmente, prontamente abraçada por pioneiros da tecnologia e grupos libertários.
[14:45] <Tiago_> Comunidades que, nela, viriam a identificar ecos da utopia esboçada por Wiener e McLuhan, uma dimensão encharcada de potencialidades sociais e políticas.
[14:46] <Tiago_> Mais que um meio de comunicação, a Web passou a ser moldada, a partir da atuação de coletivos e organizações da sociedade civil, num novo espaço público, o ciberespaço.
[14:47] <Tiago_> O ciberespaço proporia uma nova dimensão da vida a oferecer, a partir de novas tecnologias de aumento cognitivo (como plataformas de publicação e edição colaborativa em tempo real, processadores de texto, áudio e vídeo, e dispositivos multimídia de comunicação em rede), território livre para novas práticas e arranjos à margem das estruturas burocráticas tradicionais.
[14:48] <Tiago_> Embora traços geralmente associados à Web (como a deslocalização geográfica de arranjos comunitários, o trabalho colaborativo em rede e a liberdade de reelaboração discursiva) sejam, normalmente, associados à ideia de cultura digital (...)
[14:48] <Tiago_> ((...) esta não necessariamente se resume à sua extensão prática.
[14:48] <Tiago_> A cultura digital se assentaria sobre o delicado equilíbrio entre as plenas potencialidades (técnicas, sociais, discursivas) prometidas pelo ciberespaço e as mediações impostas pelos espaços de vivência tradicionais.
[14:49] <Tiago_> A relação entre a potencial liberdade oferecida pelos dispositivos técnicos do ciberespaço e a implementação de práticas, projetos e arranjos comunitários no marco da cultura digital não ocorre sem tensões quando de sua articulação ao espaço das práticas e instituições tradicionais.
[14:49] <Tiago_> Tentativas de imposição de cláusulas rígidas sobre o ciberespaço parecem evidenciar o descompasso entre a limitada mobilidade das burocracias tradicionais e a natureza ultramaleável do espaço público da Web. Iniciativas que buscam negociar essa diferença andam lado a lado com a conformação de uma cultura digital.
[14:50] <Tiago_> Nos anos 1980, o movimento Software Livre propôs a noção de copyleft e de licenças alternativas, numa tentativa de estabelecer marcos institucionais que garantam o acesso e os direitos de uso de recursos (no caso, o código de software) no espaço social de práticas da Internet.
[14:51] <Tiago_> Do projeto tecno-administrativo oferecido pelo open source aos arranjos de direito de uso e de autor oferecidos pelo Creative Commons, grupos distintos tem elaborado alternativas buscando um terreno comum entre as legislações impostas por governos e as liberdades entendidas como nativas a uma “cidadania do ciberespaço”.
[14:51] <Tiago_> O caso do maior projeto REA articulado na Web, a Wikipedia, é um bom exemplo:
[14:53] <Tiago_>  Embora inicialmente animada por comunidades do ciberespaço interessadas no potencial de plena liberdade oferecida pelo manuseio do hipertexto em softwares wiki, as complexidades impostas pelo processo de elaboração de uma enciclopédia levou ao desenvolvimento de uma complexa burocracia assentada sobre arranjos institucionais/jurídicos formais e uma estrita governança baseada em culturas de uso no ciberespaço.
[14:53] <Tiago_> É interessante que levemos em conta, porém, as circunstâncias presentes na emergência da Wikipedia.
[14:54] <Tiago_>  As primeiras comunidades a se articularem em torno da Wikipedia foram, em sua quase totalidade, grupos de usuários avançados da Web já organizados em espaços de vivência online.
[14:54] <Tiago_> Do mesmo modo, a equipe responsável pela coordenação inicial da Wikipedia já contava com mecanismos de gestão sofisticados, maturados no desenvolvimento de outro projeto de enciclopédia online, a Nupedia.
[14:55] <Tiago_>  As assimetrias presentes no acesso à Internet e às ferramentas digitais de produção cultural, bem como as ainda profundas diferenças globais em questões como o letramento digital, apontam a um universo de comunidades para os quais a implementação de iniciativas ciberculturais, e de REA em especial, trazem desafios não apenas à articulação entre a liberdade do ciberespaço e as burocracias e legislações do “mundo real”
[14:55] <Tiago_> As diferentes circunstâncias a moldar comunidades e projetos do ciberespaço podem apontar a dificuldades na apropriação e uso de ferramentas e recursos.
[14:55] <Tiago_> E, bem, gostaria agora de passar a palavra novamente ao tel, para a conclusão.
[14:56] <Tel> Nos círculos da cibercultura e da cultura digital, tendemos a assumir que a descentralização da produção e a consequente produção por pares é necessariamente melhor, ou funciona a esmo das instituições e burocracias existentes. Como apontam Kreiss et. al (2011):
[14:56] <Tel> "Muitos de nós que estudamos as novas mídias ainda seguimos demasiadamente a premissa que a produção por pares é radicalmente participativa, igualitária, eficiente e psicologicamente gratificante...
[14:56] <Tel> ...Como resultado, muito facilmente ecoamos a fala de que a produção por pares está revolucionando como produzimos e consumimos a informação, democratizando a cultura e fomentando um domínio público robusto.
[14:56] <Tel> ...E dessa maneira, nos reunimos a uma longa linha de engenheiros e marqueteiros de novas tecnologias. O computador, o início da Internet, e claro, o avião, a ferrovia e o telégrafo antes deles, todos foram saudados como tendo o mesmo potencial igualitário”
[14:57] <Tel> É notável que as empresas que dominam o mercado de MOOCs (cursos massivos, tão emblemáticos da “abertura”) dependem sensivelmente das instituições universitárias e seus docentes.
[14:57] <Tel> Tendemos a esquecer que a valorização da abertura é uma qualidade essencial no lento processo de transformação do campo da educação (incluindo o acesso a leitura, bem como os cursos por correspondência, o MEB no Brasil...)
[14:57] <Tel> O movimento REA foi o maior responsável (se não o mais exitoso) por um renovado interesse na abertura em educação. MOOCs são somente as mais recentes iniciativas a receber o selo de abertura, impulsionados principalmente por REA e pela melhoria do acesso à Internet.
[14:57] <Tel> E como entra REA nisso? Se somente certos recursos e/ou configurações estão disponíveis e são incompatíveis, por qualquer razão, com o contexto de aprendizagem (nível errado, limitada acessibilidade, entre outros) a configuração é de pouca valia.
[14:57] <Tel> A redundância de recursos e a possibilidade de moldá-los faz com que as possibilidades de configurações sejam multiplicadas.
[14:57] <Tel> Como no desenvolvimento tecnológico, as possibilidades abertas pela cultura digital são múltiplas e ambíguas.
[14:58] <Tel> Alternativas a “massividade”, ao uso de recursos fechados, e ao pagamento de taxas para participação ou certificação demonstram ramificações e possibilidades emergentes (SLIDE → DOCC versus MOOC). DOCCs por exemplo, são uma crítica feminista ao modelo “massivos” em  (1) grande escala e (2) baseada em recursos fechados.
[14:58] <Tel> Apesar do domínio que exercem na discussão em torno do futuro do ensino superior é necessário apontar que o modelo comercial de MOCCs não é a única aposta para a oferta de cursos online.
[14:58] <Tel> Algumas dessas configurações se baseiam em REA, e tem desdobramentos diferentes de outros que não o fazem. A multiplicação de configurações e o questionamento em torno das mesmas, apresenta ramificações e resistências que demonstram fissuras em um pseudo determinismo.
[14:58] <Tel> Na medida em que as possibilidades de aprendizado se multiplicam, cabe às instituições e atores (incluindo aqui os alunos) uma melhor compreensão de como construir e compreender sua ecologia de aprendizado.
[14:58] <Tel> Com a proliferação de configurações, caberá cada vez mais ao aprendiz (individual ou coletivo) entender suas implicações e participar ativamente da construção de seu ecossistema de aprendizado.
[14:58] <Tel> Em outras palavras, o potencial libertário da cibercultura não pode ser realizado sem aventar as condições concretas de realização da educação, incluindo suas instituições.
[14:59] <Tel> E por isso analizamos o "potencial" das licenças livres.
[14:59] <Tel> As potencialidades oferecidas pelas novas licenças associadas às práticas digitais se mostram assimetricamente efetivas – seja no espaço público digital, seja na articulação de projetos REA em espaços desenhados por burocracias tradicionais.
[14:59] <Tel> Em alguns casos, a limitada apropriação efetiva de tecnologias digitais faz com que projetos sejam informados e estruturados numa estreita relação com os espaços tradicionais de elaboração pedagógica.
[14:59] <Tel> As licenças livres (como Creative Commons) são estruturas essenciais para o movimento REA. No entanto a ênfase na adoção de licenças livres tende a simplificar os processos associados à transformação de práticas.
[14:59] <Tel> E isso é curioso: A facilidade na adoção das licenças através de um simples código ou gráfico cria, paradoxicalmente, uma hiper-simplificação da adesão ao universo do “aberto”.
[15:00] <Tel> Em recente trabalho, encontramos variados exemplos dessa tensão. Investigamos repositórios exemplares de abertura na América Latina – projeto MIRA (www.mira.org.br)).
[15:00] <Tel> Em sua grande maioria, tratam-se de repositórios mantidos pela esfera pública e suas instituições. Encontramos, por exemplo, sítios que utilizavam diferentes licenças e termos de uso em diferentes níveis de navegação, criando um conflito entre licenças para o usuário.
[15:00] <Tel> Uma das nossas conclusões: colocar a imagem ou texto de uma licença livre em um site é simples. Implementar uma política de informação bem estruturada é de outra ordem de complexidade.
[15:00] <Tel> Licenças livres contribuem para preencher esse vácuo porém não o fazem de maneira rápida e rasteira.
[15:00] <Tel> Para além dos termos de uso o que evidenciamos é a existência de duas esferas em tensão. Primeiro, o universo do que é “legal” que para a grande maioria dos cidadãos é obscuro e excessivamente restritivo. Segundo, o universo “social” que desconhece ou ignora as leis que regem direitos autorais, e que norteia o o usufruto de bens educacionais e culturais de grande parte da população.
[15:01] <Tel> E por isso é que concretizar um arcabouço técnico e legal com as práticas do cotidiano ainda se apresenta como um desafio.
[15:01] <Tel> E agora pra fechar ;)
[15:01] <Tiago_> Opa, valeu Tel.
[15:02] <Tiago_> Buscamos demonstrar, com base nas origens e caminhos dos movimentos articulados à noção de cibercultura e de educação aberta, como o potencial libertário sugerido pelos dispositivos sociotécnicos a moldar a noção de ciberespaço está em constante tensão com os limites de adoção e práticas que emergem de diferentes contextos.
[15:02] <Tiago_> O acesso às modernas ferramentas e territórios oferecido pela Web e pelas novas mídias digitais, embora tenham aberto importantes oportunidades de empoderamento, parecem insuficientes para garantir, por si sós, condições à plena implementação e integração de novos projetos, atores e comunidades às redes de REA.
[15:02] <Tiago_> A cultura de práticas viabilizada na arena do ciberespaço não consegue fugir totalmente às circunstâncias da vida de seus atores.
[15:02] <Tiago_> A depender das desigualdades em aspectos como letramento digital, domínio técnico e conceitual de softwares e licenças, infraestrutura de acesso, e imposições institucionais, as potencialidades de elaboração, implementação e apropriação de iniciativas REA propostas pela cultura digital serão efetivadas de forma mais ou menos assimétrica.
[15:03] <Tiago_> REA proporcionou a crescimento de inúmeras configurações e ramificações que, ao multiplicarem ofertas, multiplicou também a responsabilidade de cada qual para que direcione o desenvolvimento da educação aberta.
[15:03] <Tiago_> A prática da cibercultura é uma dinâmica a ecoar as questões de base presentes em seus territórios de implementação.
[15:03] <Tiago_> Clareza sobre essa dimensão, seus desafios e impactos é um importante passo para o debate e a viabilização de projetos REA que possam, de fato, contribuir para o protagonismo em  suas comunidades e redes.
[15:03] <Tiago_> E, bom, é isso. Muito obrigado :)
[15:03] <Tel> (ufa!)
[15:03] <AnaMatte> great!
[15:04] <thalita> muito obrigada, professor Tel e professor Tiago_
[15:04] <manuelalvaro> foi maravilhoso
[15:04] <thalita> convidamos então os participantes para discutir os temas abordados pelos conferencistas
[15:04] <AnaMatte> à vontade
[15:05] <josicani> Os leigos podem perguntar? kkkk
[15:05] <thalita> todos, josicani rsrsrs
[15:05] <AnaMatte> josicani: :)
[15:06] <BrunoForgiarini> Boa tarde!
[15:06] <AnaMatte> boa, BrunoForgiarini :)
[15:06] <josicani> Bom, sou professora e minha inserção nesse mundo tem sido recente.... talvez seja uma pergunta boba, mas estou fazendo umas pesquisas e gostaria da opinião de vocês.
[15:06] <josicani> Busco informações a respeito dos livros didáticos digitais.
[15:07] <BrunoForgiarini> Eu tenho uma dúvida, mas na verdade queria dicutir uma coisa que havia dialogado com o Paulo Slomp sobre REA e Software Livre
[15:07] <josicani> Hoje, o Guia de Livros Didáticos do goverbo federal tem abordado sobre objetos educaionais digitais
[15:07] <josicani> muitos livros adotados apresentam esses objetos, mas de acesso restrito a quem fez a adoção dos livros.
[15:08] <BrunoForgiarini> Qual é a principal característica de um REA?
[15:08] <josicani> Penso que, a partir das escolhas, as compras já foram efetivadas... não seria mais importante disponibilizar esses recursos a todas as escolas do país?
[15:08] <josicani> Esses materias não deveriam ser livres?
[15:08] <Tel> ola josicani
[15:09] <BrunoForgiarini> Qual é a principal característica de um REA, na sua opinião +Tiago?
[15:09] <Tel> o edital do PNLD tem inúmeros problemas.
[15:09] <AnaMatte> oi, josicani (pode responder, Tel )
[15:09] <Tel> eu fiz uma análise do de 2014, o primeiro a abordar isso aqui (http://educacaoaberta.org/pnld-2014-e-recursos-educacionais-digitais/)
[15:09] <Tel> o problema é que ele é coerente, no pior sentido
[15:10] <Tel> e segue o que é adotado para os livros didáticos
[15:10] <Tel> tudo fechado. compra-se somente o papel.
[15:10] <Tel> ou nesse caso, o "objeto"
[15:10] <Tel> ainda mais, restringe acesso e coloca um "prazo de validade" para os objetos, que nunca ficam na mão do governo, efetivamente.
[15:10] <josicani> Sua análise está publicada?
[15:10] <AnaMatte> péssimo
[15:11] <Tel> análise rápida, tá no link acima.
[15:11] <josicani> Entendi... o problema está no edital...
[15:11] <josicani> ok!
[15:11] <Tel> para além do edital, o próprio mercado não está pronto para responder a essa demanda... as editoras sub-contratam. e claro, respondem da maneira mais rápida e fácil possível ao edital.
[15:12] <AnaMatte> (editais que, por si só já não são abertos, já que usam uma linguagem inascessível para a maioria das pessoas)
[15:12] <Tel> era uma oportunidade (ainda pode ser no futuro) de "abrir" mas, por hora, não vemos isso no horizonte.
[15:12] <Tiago_> Olá Bruno. Numa explicação mais essencial, poderíamos apontar como aspectos centrais dos REA licenças de uso abertas e padrões técnicos de uso que permitam seu uso e reúso.
[15:12] <Tel> sem dúvida, ana.
[15:12] <josicani> E como não há uma análise mais profunda, o que se apresenta a cada ano são apenas manipulações de construções antigas.
[15:12] <Tel> no final, muita gente poderia produzir recursos, mas os mesmo "players" produzem.
[15:13] <Tel> uma definição de REA (http://educacaoaberta.org/wiki/index.php?title=O_que_%C3%A9_REA)
[15:13] <AnaMatte> pelo que sei, até existem iniciativas, governamentais algumas, para aprofundar a discussão, mas o sistema atrapalha, não chegam onde deveriam
[15:14] <AnaMatte> sem mudança de paradigmas, não há mudança efetiva
[15:14] <BrunoForgiarini> Obrigado, Tiago! Na verdae a minha dúvida é com relação a um projeto que faço parte (www.elo.pro.br). Nós o consideramos REA, mas não é um software livre (seguindo as 4 liberdades). Mas o recurso permite o professor criar e compartilhar suas atividades e estamos implementando as licenças da CC.
[15:16] <AnaMatte> não são todos os produtores de REA que estão preocupados com licenças
[15:16] <AnaMatte> não é um pensamento comum na área
[15:17] <Tiago_> Bruno, que bom que você levantou essa conversa.
[15:17] <Tel> concordo, e nesse sentido bem um pouco da nossa crítica. até que ponto estamos enfatizando o que é, em princípio prático, o mais "fácil"?
[15:17] <Tel> ao invés de ter a conversa difícil sobre as práticas de compartilhamento.
[15:18] <Tiago_> De fato, há uma multiplicidade de possíveis arranjos e estruturas em torno de projetos REA. Em uma pesquisa recente, investigamos o cenário dos projetos REA na América Latina, e encontramos diversos modelos de iniciativas.
[15:19] <AnaMatte> Tel: acho que é discussão que falta. acredito muito na boa vontade do professor brasileiro em geral. Quando tem oportunidade de refletir, mostram-se poderosos, proativos e entusiasmados
[15:20] <Tel> sim. e quando apresentamos creative commons, por exemplo, a adesão a ideia é grande. não vemos grandes barreiras para a adoção.
[15:20] <AnaMatte> e, claro, Tel , como você disse, escolher o que discutir é essencial. A dificuldade não deve ser a métrica da importância
[15:21] <Tiago_> A noção de REA é certamente remissiva a diversos aspectos das ideias propostas no software livre, mas ao mesmo tempo abre território para diversos arranjos.
[15:21] <Tel> mas ao mesmo tempo, quando analizamos respositórios na américa latina, a maioria dos respositórios "abertos" apresentava "todos os direitos reservados"... como fica em países onde não há um regime de excessão (permissões) para a educação?
[15:21] <Tel> a prática social não se preocupa com as licenças.
[15:22] <AnaMatte> até mesmo os software livre, largado à deriva nas escolas, muda de cara pro professor quando ele entende não só o software, mas sua filosofia. Já acompanhei várias experiências assim, sempre emocionantes
[15:22] <Tel> no entanto, é o que mais toma tempo de discussão no universo dos REA.
[15:22] <AnaMatte> verdade
[15:22] <AnaMatte> (os == o)
[15:22] <Tiago_> Há, claro, os aspectos centrais das licenças e padrões técnicos serem abertos, oferecerem possibilidades de amplo uso e reelaboração. O desafio que encontramos, e que buscamos trazer pro debate, é justamente esse.
[15:22] <BrunoForgiarini> Uma questão que tenho é que nem todas as licenças da Creative Commons caracterizarias Recursos educacionais como "Abertos".
[15:23] <BrunoForgiarini> *caracterizariam
[15:23] <thalita> eu só tive contato com o software livre e suas ideologias porque a Ana foi/é minha professora
[15:23] <Tel> sem dúvida bruno... não é todo mundo que concorda com CC.
[15:23] <AnaMatte> thalita: :)
[15:23] <Tel> as cláusulas ND/NC são muito debatidas.
[15:24] <adelmaa> Gostaria da atenção dos nossos conferencistas e dos nossos participantes  para a agenda de conferências STIS do segundo semestre de 2015.
[15:24] <Tiago_> Como incentivar e garantir a proposta de abertura oferecida pelos REA levando em consideração a enormidade de circunstâncias e arranjos desenhados por comunidades diversas?
[15:24] <adelmaa> No dia 21 DE AGOSTO discutiremos o tópico: SEMIÓTICA EM REVISTA com os Prof  Dr.  Francisco Merçon (Semiótica) e  Prof  Dr. Arnaldo Cortina (UNESP /Araraquara);
[15:24] <BrunoForgiarini> Mas já é um caminho parcial, pelo menos.
[15:24] <adelmaa> Em 18  DE SETEMBRO o evento STIS tem a honra de receber como conferencistas convidadas as profª Drª Vanderlice Sol (IFMG)  e a Profª Drª Hilda Helena (UFV) para discutir O ENSINOS DE INGLÊS E AS TICS.
[15:24] <adelmaa> Em outubro dia 23 para discorrer sobre a  FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE LÍNGUA PORTUGUESA COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA estarão em
[15:24] <AnaMatte> sim, entra-se em questões como: um professor de universidade p´ublica recebe seu salário para produzir o artigo, como pode usar uma licença que proíbe o uso comercial?
[15:25] <adelmaa> Para encerrar este ano excepcional do STIS no dia 20  DE NOVEMBRO nosso conferencista convidado será o Prof Dr Jose Manuel Moran Costas que nos
[15:25] <adelmaa> nossa sala de conferência virtual as Profª Drª Janelle Coleman (Lee University) e a  Profª Drª Célia Bianconi (Boston University). É nosso evento com alcance internacional.
[15:25] <adelmaa> presenteará suas excepcionais reflexões sobre o SABER E FORMAÇÃO DOCENTE.
[15:25] <adelmaa> Divulguem, compartilhem nossas chamadas dos eventos nas suas redes sociais!
[15:25] <adelmaa> A agenda STIS do segundo semestre está imperdível!
[15:25] <adelmaa> Thalita!
[15:25] <AnaMatte> acabou?
[15:26] <Tiago_> Sim, de fato. A implementação de Creative Commons é um bom exemplo. Dadas as várias possibilidades de abertura e fechamento oferecidas pela CC, sua implementação pode ser bem complexa.
[15:26] <thalita> podemos continuar
[15:26] <adelmaa> E proque parou aqui Ana e eu pensei que tivesse terminado a discussão..
[15:26] <adelmaa> Desculpe-me..
[15:26] <AnaMatte> pecisamos conhecer melhor as licenças
[15:26] <adelmaa> podem continuar...
[15:26] <adelmaa> será um prazer!!!!
[15:27] <AnaMatte> foi um intervalo pra divulgação, adelmaa  ;-)
[15:27] <adelmaa> ;) Isso!!!!
[15:27] <AnaMatte> a creative commons tem uma forma de gerar a licença que aparentemente é transṕarente, mas não é
[15:28] <BrunoForgiarini> Oi, adelmaa. Queria te pedir uma gentileza sua. Tem como verificar uns pedidos de certificado para mim?
[15:28] <AnaMatte> questões inerente a cada passo não são esclarecidas
[15:29] <AnaMatte> essa parte do uso comercial: quem quer uma licença aberta, a primeira coisa que pensa é proibir, porque acha que uma empresa vai pegar o negócio e fechar
[15:29] <AnaMatte> mas é o contrário
[15:29] <AnaMatte> proibir o uso comercial, no limite, é proibir todos nós de usar
[15:29] <BrunoForgiarini> Eu encaminhei os pedidos por e-mails, mas não tive retorno. desde já agradeço
[15:29] <AnaMatte> não acham, Tel  e Tiago_ ?
[15:30] <Tel> o NC é extremamento ambiguo... não fica claro qual a definição de "comercial" (não diferencia, por exemplo, a PUCC da IBM)
[15:30] <AnaMatte> e nem a UFMG
[15:30] <Tel> :)
[15:30] <Tiago_> Eu acho essa questão das licenças bem complicada, e sinceramente percebo o CC como insuficiente.
[15:30] <AnaMatte> pode ser
[15:31] <thalita> insuficiente em que sentido?
[15:31] <Tel> mas é isso, discutir os pormenores da licença pode ser útil, mas no fina das contas, quem vc (ou o ator) vai processar quando alguém usar o seu conteúdo NC?
[15:31] <Tel> qual vai ser a consequência desse uso?
[15:31] <Tel> acho que essa é a primeira pergunta para quem se preocupa com isso.. .
[15:32] <Tiago_> Porque de fato exigir abertura fecha terrenos tradicionais de circulação da produção científica. Ao mesmo tempo, fechar pode trazer problemas a dinâmicas tradicionais da produção científica. É um dilema, parece.
[15:32] <AnaMatte> é mesmo, Tel
[15:33] <AnaMatte> acho que é paradoxal só se quisermos manter as mesmas bases da dinâmica da circulação do conhecimento, Tiago_
[15:33] <Tiago_> Uma ideia que tenho é que o Creative Commons parece muito elaborado em articulação com um espaço de produção cultural meio distinto do da produção científica. A ideia essencial do CC, me parece, é em interface com produção cultural e com a ideia de todo público como também autor.
[15:34] <AnaMatte> é por isso que acho importante conhecer os sujeitos da rede de compartilhamento (e não compartilhamento)
[15:34] <AnaMatte> acho que sim, Tiago_
[15:34] <AnaMatte> talvez precisássemos de uma licença científica e não tão criativa rsrsrs
[15:35] <Tiago_> Sim, Ana, concordo. Digo isso mais levando em consideração a aplicação de CC nos espaços e práticas atuais - acho meio inevitável que nisso surjam essas questões.
[15:35] <Tiago_> Eu prefiro uma licença mais criativa e mais científica hahah
[15:35] <AnaMatte> só que, sem uma discussão, a licença científica acabaria sendo copyright estrito senso....
[15:36] <AnaMatte> isso, me to!
[15:36] <Tiago_> Não que eu não goste do CC - acho um enorme passo para a abertura da produção e para colocar isso no centro do debate.
[15:36] <AnaMatte> também acho, e, na falta de melhor, o negócio ´e saber usar o melhor possível
[15:36] <AnaMatte> por exemplo
[15:37] <Tiago_> Sim, isso!
[15:37] <AnaMatte> a revista Texto Livre é CC by-sa-nc desde o inicio
[15:37] <AnaMatte> e continuou mesmo depois que eu ja sabia que seria melhor só by sa
[15:37] <AnaMatte> by = mantém a autoria
[15:37] <AnaMatte> sa = mantém a licença
[15:37] <AnaMatte> o resto é livre
[15:37] <AnaMatte> nc = não comercial
[15:38] <AnaMatte> e nd, que voc citou antes, é não derivadas
[15:38] <AnaMatte> mas porque continuou?
[15:38] <AnaMatte> porque nem a gente, que discute, pensa, reflete, levanta a bandeira das licenças livres
[15:39] <AnaMatte> nem nós damos tanta importancia pra esses detalhes
[15:39] <Tel> sim. mas veja que provavelmente, na prártica a ideia do "livre" permaneceu.
[15:39] <Tel> se fosse só SA, provavelmente nada teria mudado nessa tragetória ;)
[15:39] <AnaMatte> na prática com certeza
[15:39] <AnaMatte> explica?
[15:40] <Tel> é um argumento que ainda estamos construindo ;) mas fica a pergunta - você deveria ter perdido mais tempo em oficinas sobre creative commons para decidir sobre a sua licença no texto livre?
[15:40] <Tel> eu diria que não.
[15:40] <AnaMatte> não sei se ainda temos tempo, thalita, temos?
[15:40] <Tel> o espirito de abertura é o memso e as ações em torno do texto livre tmbm. NC ou não NC... nada mudaria.
[15:41] <thalita> uai, por mim sim.
[15:41] <AnaMatte> sei lá, Tel , eu diria que não teria esse tempo... mas ainda acho que a discussão vale a pena
[15:41] <Tel> claro que no universo das instituições e principalmente as que tem interesse/dependem de direitos autorais a coisa é diferente.
[15:42] <Tel> ah sim, vale a pena. mas a crítica é quanto a enfase que damos para isso.
[15:42] <AnaMatte> é, eu realmente não sei avaliar isso
[15:42] <Tel> a primeira coisa que olhamos num repositório ou recurso é -> tem CC? se não tem é fechado.
[15:42] <AnaMatte> eu já fraudei contrato com editora
[15:42] <AnaMatte> por me sentir lesada
[15:42] <BrunoForgiarini> bah, essa refelxão eu e o meu orientador tivemos por horas, pois quando se coloca que um recurso só pode ser copiado, mas não pode ser modificado não é livre!
[15:42] <Tel> mas é mesmo? quais são as práticas em torno desse repositório?  quem usa? o que importa mais, dar uma oficina de 4 horas sobre creative commons ou ensinar a pessoa a compartlihar?
[15:42] <AnaMatte> mudei os termos e não avisei, eles assinaram sem ler porque ninguem muda os termos
[15:43] <Tel> eheheh
[15:43] <Tel> remix ;)
[15:43] <AnaMatte> ah, ganhou, Tel , tem toda razão
[15:43] <AnaMatte> pois é... hoje é mais difícil, mandam em pdf
[15:43] <Tiago_> Uma questão interessante que encontramos ao avaliar repositórios REA foi essa relação entre as licenças de uso e as práticas propostas pela plataforma
[15:44] <Tiago_> às vezes, as licenças serviam pra cobrir aspectos institucionais, mas se mostravam em descompasso com a prática efetivamente proposta pela arquitetura do repositório
[15:44] <Tel> eu ainda não sei se o argumento é bom, mas acho qeu é uma boa pergunta pra se fazer pra quem lida com REA ou se preocupa com material aberto.
[15:45] <Tiago_> é mais ou menos essa a tensão - como conseguiríamos cobrir tanto os aspectos institucionais como os de prática? é algo ainda em movimento e em reelaboração mesmo.
[15:45] <AnaMatte> Tiago_: voce me fez lembrar das práticas de xerocar tudo...
[15:45] <Tel> pois é!
[15:45] <Tiago_> isso!
[15:45] <AnaMatte> eu não teria conseguido estudar sem elas
[15:45] <Tel> quando disseram que não podia xerocar o "livro todo" , o que aconteceu?
[15:46] <Tel> nego leu lá na lei de direitos autorais - "pode xerocar pequenos trechos"
[15:46] <Tel> e ai dividiu o livro em pastas individuais com capítulos.
[15:46] <AnaMatte> a gente foi no xerox e pediu 30% depois +40 depois mais 30...
[15:46] <thalita> criaram o setor clandestino no xerox
[15:46] <BrunoForgiarini> kkkk
[15:46] <AnaMatte> exatamente :)
[15:46] <Tel> vinha a "vigilância" mas nõa tinha livro, só pequenos trechos ;)
[15:46] <AnaMatte> isso rsrsrsrs
[15:47] <AnaMatte> e hoje a gente nem faz xerox, a gente escaneia
[15:47] <AnaMatte> e coloca na rede
[15:47] <AnaMatte> mas o que me apavora
[15:47] <AnaMatte> é que pirateamos nossos próprios textos para poder passar para os alunos
[15:47] <thalita> hoje já tem aplicativo que transforma imagem em texto, eu acho
[15:48] <lailton> Houve na verdade uma nova forma de xerocar os textos e livros.
[15:48] <AnaMatte> pra poder publicar, aceitamos a abrir mão dos direitos autorais. para usar, precisamos roubá-los de volta
[15:48] <Tel> né?
[15:48] <Tiago_> é uma bela definição
[15:49] <lailton> Mas uma questão intrigante é sabermos qual a função da produção intelectual?
[15:49] <AnaMatte> e qual é, lailton ?
[15:49] <Tel> eu voto no Lattes.
[15:49] <Tel> (que aliás, não é público ehehhe)
[15:49] <lailton> Divulgar a ciência.
[15:49] <AnaMatte> rsrsrsrsrsrs
[15:51] <AnaMatte> bem, acho que podemos encerrar, thalita
[15:51] <thalita> sim sim
[15:51] <AnaMatte> se começarmos mais uma discussão a gente não acaba mais
[15:51] <AnaMatte> porque é uma delícia :D
[15:51] <Tiago_> hahahah verdade
[15:51] <Tel> :)
[15:52] <thalita> Gostaríamos de agradecer nossos conferencistas convidados profª Ana Cristina, prof Tel e prof Tiago  pelas brilhantes participações
[15:52] <thalita> foi um aprendizado
[15:52] <thalita> precisamos oportunizar a todos conferẽncias dessa magnitude
[15:52] <Tel> brilhante não mas esforçado sim ;) obrigado pessoal.
[15:52] <Tiago_> Eu que agradeço o convite, foi muito bacana :)
[15:52] <AnaMatte> parabéns a todos! clap clap clap clap clap
[15:53] <thalita> clap clap clap
[15:53] <AnaMatte> clap clap clap clap clap clap clap clap
[15:53] <thalita> Para receber o certificado deste evento basta encaminhar uma mensagem para o STIS neste endereço:   stis@textolivre.org com os seguintes dados: nome completo e apelido usado durante o evento.
[15:53] <BrunoForgiarini> \0/ clap, clap, clap
[15:53] <Tel> legal thalita, obrigado! ana, sempre bom ;)
[15:53] <AnaMatte> Tel: até o fisl! precisamos tomar um café lá
[15:54] <Tel> vamos sim!
[15:54] <BrunoForgiarini> Aproveitando, @thalita, tens como conferir para mim uns pedidos anteriores de certificados?
[15:54] <thalita> os conferencistas receberam o certificado via e-mail
[15:54] <thalita> BrunoForgiarini, vamos verificar
[15:54] <Tiago_> Muito obrigado mesmo pessoal, foi um enorme aprendizado :)
[15:54] <lailton> Penso que quando escaneamos os textos e divulgamos na net e piratemos os nossos próprios texto estamos executando a ideia principal que subjaz o REA  que é que qualquer coisa que você publique pode ser utilizada e recombinada por outras pessoas, aumentando o conhecimento de todos.
[15:55] <BrunoForgiarini> Muito obrigado, é que nesta segunda-feira (29/06) vou participar de uma seleção e seria muito bem-vindos os certificados rsrsrsrs
[15:55] <AnaMatte> verdade, lailton
[15:55] <thalita> ah sim
[15:55] <AnaMatte> um ótimo fim de semana a todos! bjs
[15:56] <adelmaa> Bruno, como nosso trabalho é feito pro voluntários e professores queestão atarefadissimos com final deperido fica dificl exigir deles um tempo para colocar isso em dia,viu!,
[15:57] <BrunoForgiarini> Claro, sei como é, adelmaa! Desde já agradeço a atenção.
[15:57] <adelmaa> Mas compreendam que todos são voluntários. Então tem meses que dtudo sai certinho e tem outros que as obrigações de escolas e isntituições de ensino e trabalho extras nos forçam a atrasar, não que queiramos, mas são as circunstancias.
[15:57] <lailton> Parece estamos neste século vivendo em um paradigma intenso entre as marcasa de autoia.
[15:57] <Tel> sem duvida lailton
[15:58] <BrunoForgiarini> Eu nem posso falar muito porque estou em dívida com a +AnaMatte rsrsrsrs
[15:58] <lailton> o que de fato é meu e o que é do outro. qual o limite de cada um, já que podemos recombinar textos de outro e ampliarmos o conhecimento de outros colegas.
[15:58] <adelmaa> Agora nas férias, se Deus quiser, quando todos vocês estrão descansando a gente se reunirá para afzer toda a logistica do segundo semestre que você viu terá só conferências extraodinárias. também.
[16:00] <BrunoForgiarini> É verdade adelmaa. As conferências serão imperdíveis.
[16:00] <adelmaa> Obrigada pela presneça de todos e sejm educadores conscientes façam chegaa nosso evento a todo os que se interessam por fazer deste país uma pátria verdadeiramente educadora.
[16:01] <Tel> obrigado adelma ;) abraços!
[16:02] <adelmaa> Prezsdos Tel e Thiago vocês terão 60 dias para transformar esta conferência em artigo,ok!
[16:02] <adelmaa> Escreverei a vocês com todas as coordeandas de forma minuciosa.
[16:04] <adelmaa> Obrigada a todos soq ue fizerma deste stis um evento singular e relvante. Obrigadaprof Tel pela sua disponibilidade e, nos ajudar , ao Tiago pela sua particpação brilhante a profa Ana Matte. Aos nosos queridos cparticpantes obrigadíssima pela presneça. Bruno, farei o possivel para te encaminhar estes certificados,ok!
[16:04] <adelmaa> Boa tarde a todos. Que tenham uma final de semana de descanso!.
[16:07] <lailton> Obrigado Adelma por esta oportunidade.
[16:17] <Gilvan> Obrigado!

 

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