STIS 2012

8. Novembro: Corpo e Linguagem não-verbal

8.1. registro novembro

Registro da Conferência de 02.o de Novembro de 2012: O corpo tecnológico e a linguagem não verbal

 

conferencista: Olga Valeska Soares Coelho/CEFET-MG

 

moderador: Equipe STIS

 

[14:19] <acris> Woodsonfc: olga___! vamos começar??
[14:19] <olga___> sim...
[14:19] <Woodsonfc> ok
[14:19] <Woodsonfc> Vou apresentar a olga___
[14:20] <acris> bom, a partir de agora, sala moderada, somente Woodsonfc e olga___ falam
[14:20] <acris> deposi abrimos para perguntas
[14:20] <Woodsonfc> Agradeço a presença de todos ainda mais que aqui é dia de finados
[14:21] <Woodsonfc> Olga Valeska Soares Coelho
[14:21] <Woodsonfc> irá apresentará agora a palestra
[14:22] <Woodsonfc> intitulada "O corpo tecnológico e a linguagem não verbal"
[14:22] <Woodsonfc> Ela possui Possui Graduação em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (1994), Mestrado em Estudos Literários pela Universidade Federal de Minas Gerais (1998), Estágio de Doutorado em Estudos Literários-Doutorado Sanduíche -UFMG/COLMEX - Colegio de México-COLMEX (2002) e Doutorado em Estudos Literários pela Universidade Federal de Minas Gerais (2003).
[14:23] <Woodsonfc> Atualmente é professora credenciada no Programa de Pós-graduação em Estudos de Linguagens do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, na qualidade de Membro Fundador e exerceu a função de coordenadora do Curso de Mestrado em Estudos de Linguagens ao longo dos três anos de sua implementação.
[14:23] <Woodsonfc> Atua como pesquisadora, sendo membro dos seguintes grupos de pesquisa certificados institucionalmente: Concepções Contemporâneas em Dança-CCODA, na Universidade Federal de Minas Gerais; "Discurso, Cultura e Poesia" e "Infortec", no CEFET-MG. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Processos Discursivos e Tecnologia, interessando-se principalmente por pesquisas envolvendo Semiótica, Literatura e Artes Cênicas e Poéti
[14:24] <Woodsonfc> Pode começar olga___
[14:24] <olga___> Obrigada pela presença de todos, finados não é um dia muito propício para falar sobre corpo tecnológico....
[14:25] <olga___> Agradeço ao grupo Texto Livre de Semiótica e Tecnologia, principalmente ao professor e pesquisador woodson, pelo convite e pelo trabalho que teve para conseguir um dia possível, entre tantos outros impossíveis, para o nosso encontro. Agradeço ao woodson também para o apoio técnico....e pela paciência.
[14:25] <olga___> Como já foi anunciado, a conferência tem como título
[14:25] <olga___> Corpo tecnológico e a linguagem verbal e não-verbal
[14:26] <olga___> O tema proposto para esse encontro envolve conceitos muito complexos e que apresentam várias possibilidades de definição: primeiramente temos os conceitos correlatos de “técnica” e “tecnologia”.
[14:26] <olga___> Ora, tomando o Dicionário de Filosofia de Abbaghano  encontramos uma definição bastante abrangente para técnica: “procedimento qualquer regido por normas e provido de certa eficácia”.
[14:27] <olga___> Essa definição abarca procedimentos bastante diversificados, podendo ser divididos em dois grandes grupos:
[14:28] <olga___> O primeiro agruparia procedimentos racionais que seriam dinâmicos e independentes de sistemas de crenças e o segundo,  mais estável, estaria vinculado a crenças e religiões.
[14:28] <olga___> Este último pode ser associado a uma ação sistematizada de natureza mística como métodos de ascese espiritual e ritos de uma maneira geral.
[14:28] <olga___> Já o segundo grupo, as técnicas chamadas racionais, podem ser divididas em três subgrupos:
[14:29] <olga___> a) técnicas cognitivas e artísticas, envolvendo o uso de signos e linguagens variadas;
[14:30] <olga___> ; b) técnicas de comportamento social e político, como as técnicas jurídicas, eróticas, educacionais, e organizacional
[14:30] <olga___> c) técnicas de comportamento do homem diante da natureza, como as que visam a produção de bens e a transformação do espaço habitado.
[14:31] <olga___> Neste último encontram-se as técnicas utilitárias mais antigas, como o domínio do fogo e da água, a agricultura, a pecuária e as chamadas técnicas do mundo moderno, envolvendo a indústria e a máquina.
[14:32] <olga___> Essas definições deixam claro que o uso da técnica pode ser pensado como uma característica que define a condição do homem no mundo e associa-se a toda atividade humana sistematizada e guiada por qualquer tipo de método ou reflexão sobre este.
[14:33] <olga___> Chegamos, assim, ao segundo termo, tecnologia, que pode ser definido como o estudo ou reflexão sobre a técnica.
[14:34] <olga___> O conceito de tecnologia que, em muitos aspectos, acaba identificando-se com o conceito de técnica, traria à cena das relações humanas a possibilidade de o conhecimento sistematizado ao longo da história humana tornar-se um legado cultural, social e político.
[14:34] <olga___> . É o seu aspecto metodológico e sistêmico que faz da tecnologia talvez a instituição mais antiga e abrangente da humanidade, envolvendo todas as disciplinas humanas, como as corporais, artísticas, sociais, política, econômicas.
[14:35] <olga___> Nesse aspecto, paradoxalmente, a tecnologia abrange também outras instituições tão antigas quanto ela própria, como a linguagem e a religião.
[14:36] <olga___> Assim, falar de tecnologia e linguagem é tratar da própria condição humana diante das relações sociais e do mundo.
[14:37] <olga___> A linguagem, incluída na primeira categoria da técnica, a racional ou racionalizante, está no eixo dos processos cognitivos e do trabalho com signos verbais e não verbais.
[14:38] <olga___> Mas em outro aspecto,  é através da linguagem que o homem se apropria de seus afetos e dá sentido ao espaço que ele habita, gerando o seu próprio mundo, seu cosmos.
[14:39] <olga___> Em outras palavras, é através da linguagem que o homem torna o seu espaço habitável, compreensível, instrumentalizável e passível de ser transformado pela técnica.
[14:40] <olga___> Nesse aspecto, a linguagem não apenas se refere à condição humana, mas faz parte dela: é através da linguagem que o homem constrói imagens de mundo, de si mesmo e do outro. E é também a linguagem que limita tal conhecimento.
[14:40] <olga___> De qualquer forma, qualquer reflexão sobre o mundo e a condição do homem no mundo enfrenta questões como o limite do conhecimento humano frente à realidade objetiva; a relação entre discurso, entendimento e experiência sensível; etc.
[14:41] <olga___> Todos os campos do conhecimento estão profundamente comprometidos com a problemática da linguagem, porque nenhum deles pode negar a dependência entre o conhecimento possível para o homem e a linguagem que se utiliza para expressar ou construir tal conhecimento.
[14:42] <olga___> Assim, não é por acaso que a filosofia contemporânea tenha pensado tanto a linguagem e que cientistas de diversas áreas tenham discutido o problema da linguagem como limite e recurso em seus próprios campos do saber.
[14:42] <olga___> E, também, não é um mero acaso que tantos artistas e poetas tenham se ocupado da configuração (metalinguística) de propostas poéticas e de uma crítica que se aproximam sensivelmente das atuais reflexões filosóficas sobre a linguagem.
[14:43] <olga___> Os discursos, sejam eles científicos, filosóficos ou poéticos, configuram, assim, imagens cuja matéria comum, paradoxalmente, é a linguagem, pensada aqui como cruzamento de heterogeneidades .
[14:44] <olga___> “Pesar linguagem” é, assim, o limite e o meio para a compreensão humana do mundo, que pode ser pensada como uma tradução, em que vão estar em jogo mecanismos extremamente complexos como a relação palavra/coisa;
[14:44] <olga___> sujeito/objeto; e as relações interculturais sempre presentes no confronto entre os discursos.
[14:45] <Woodsonfc> Perdão Olga mas esqueci de dizer no início da conferência sobre um problema técnico: é que ela tem duração de uma  hora e tem previsão de terminar as 15h30 horário local de verão (GMT-2) GMT-3+1h de horário de verão. São 14h45 agora!
[14:45] <olga___> De qualquer maneira, falar do universo humano é, na atualidade, cada vez mais falar da questão de tecnologia e linguagem, campos que definem e constituem elementos visíveis e invisíveis no campo da cultura.
[14:46] <olga___> vou tentar resumir,  um pouco, essa questão
[14:47] <olga___> Nesse aspecto a linguagem abarca o âmbito institucional da técnica da mesma maneira que é abarcada por ela. Além disso, o homem transforma o mundo através da linguagem e é transformado continuamente por ela, configurando um sistema interativo e móvel.
[14:47] <olga___> E o corpo inclui-se nessa mesma dinâmica, não podendo ser pensado apenas em sua dimensão fisiológica e bruta.
[14:48] <olga___> O corpo faz parte do jogo enunciativo e tecnológico tabulado pelo homem desde sua origem. Nesse aspecto, não existe um sentido para o corpo, além da linguagem que o define, porque não existe, no mundo configurado pela linguagem, a inocência para além do conhecimento, para além de sua dimensão cultural, estética, econômica, política, etc.
[14:49] <olga___> Ora, o conceito de corpo também constitui uma categoria filosofia bastante complexa que também exige um cuidado conceitual em nosso trabalho
[14:49] <olga___> Essa definição, bastante extensa, inclui não somente o corpo humano, mas também qualquer objeto presente na natureza, ou  “mundo das coisas”.
[14:50] <olga___> Não cabe aqui uma discussão muito detalhada sobre as questões envolvendo esse conceito.
[14:51] <olga___> Basta frisar que pode assumir um sentido mais materialista: homem possui e utiliza um corpo e atua no mundo entre outros corpos (humanos ou não).
[14:52] <olga___> Outra importante concepção de corpo, na atualidade é a vinculada a uma percepção idealista de mundo. Nessa vertente filosófica, o corpo identifica-se com os processos de representação, percepção ou ideias.
[14:52] <olga___> Essa concepção de corpo privilegia o imaginário e a subjetividade da corporeidade do mundo dos objetos e do corpo humano.
[14:54] <olga___> .  Outra possibilidade de se pensar o corpo, além de sua própria materialidade, é aquela que vincula a realidade à experiência sensível do sujeito no mundo. Como afirma Merleau-Ponty, “Quer se trate do Corpo de outrem, quer se trate do meu, não tenho outro modo de conhecer o Corpo humano senão vivendo-o, isto é, assumindo por minha conta o drama que me atravessa e confundindo-me com ele”. (L’être et le néant, 1945, p39
[14:54] <olga___> Pensando no corpo, na atualidade, que se desenha a partir de artefatos tecnológicos e se multiplica a partir de mídias eletrônicas, vemos o corpo potencialmente desdobrado e modelado para além de sua materialidade orgânica.
[14:55] <olga___> Ora, corpo sempre sofreu interferência do conhecimento técnico disponível em cada época. A cosmetologia e a indústria da moda constituem uma tecnologia bastante antiga, que ditou padrões de beleza e de comportamento ao longo da história da humanidade.
[14:55] <olga___> Porém, com a fotografia e o cinema a imagem do corpo não se condiciona a sua materialidade, mas a projeções artificiais independentes destes. Como já acontecia com a pintura e o desenho, o corpo projeta suas formas para além dos limites físicos, porém com um dinamismo potencializado pelas possibilidades da reprodutividade técnica.
[14:56] <olga___> Atualmente ocorre um incomparável fenômeno de acesso à tecnologia digital, o que potencializa ainda mais tal reprodutividade, com milhares celulares e câmeras filmando e fotografando desde cenas mais cotidianas, como também produzindo imagens de dimensão artística e estética.
[14:57] <olga___> Isso associado aos meios de divulgação em rede, o que multiplica o potencial de reprodução das imagens captadas. Dentro desse contexto, ocorre também uma mudança importante: com o domínio de programas de edição de imagem a reprodutividade das imagens do corpo vai além da captura da forma, mas permite a sua transformação e divulgação em escala antes impensável.
[14:58] <olga___> Esse fenômeno interfere na criação, em todos os campos da produção artística e mais específamentente, nas chamadas poéticas do corpo. Analisaremos, a seguir, alguns vídeos que exemplificam a interação arte e tecnologia em sua relação com as representações do corpo.
[14:59] <olga___> Corpo, dança e a tecnologia
[14:59] <olga___> No mundo contemporâneo, a dança é desenvolvida de maneiras e estilos variados, apresentando textos, métodos próprios, trabalhos/estudos diferenciados e influenciados tanto por inúmeras ações socioculturais como também por diversos braços da escola de arte moderna e pós-moderna.
[15:00] <olga___> Neste contexto, por mais complexas que sejam as definições e conceituações de dança, a idéia básica é que a dança é composta por movimentos e gestos corporais humanos. Mas isto não basta para identificar a dança. A humanidade vem se expressando e se comunicando gestualmente sem necessariamente estar dançando. Fica a questão: como diferenciar a dança dos demais comportamentos motores humanos?
[15:01] <olga___> Como arte, o movimento em dança não existe para cumprir outro fim que não seja o de ser a matéria prima que permite formular impressões, de representar experiências, de projetar valores, sentidos e significados; de revelar culturas, sentimentos, sensações e pensamentos trazendo à luz a materialidade da dança. Quem dança transforma seu próprio corpo, se molda, se re-modela, se reconfigura e quando a dança se manifesta no co
[15:01] <olga___> Segundo a linguista Lúcia Santaella (2001), a dança se constitui como linguagem a partir do momento em que representa a junção das matrizes da própria linguagem e pensamento, tais como a sonora, a visual e a verbal. Para a autora, a dança e sua sucessão de movimentos expressa uma narrativa que integra duas ou mais submatrizes ou as próprias matrizes no instante do pronunciamento do seu discurso, ou seja, na dança.
[15:01] <olga___> Assim, a dança só pode ser tratada tendo em vista uma pluralidade de linguagens radicalmete heterogêneas, pois é uma produção artítica que, no final das contas, é sempre o resultado da conspiração entre vários textos, linguagens e  signos. É uma forma de arte, em si mesma, heterogênea e coletiva, além  de ser a tradução de algo sempre anterior a ela mesma: a encarnação dialógica de um encontro com a diversidade.
[15:02] <Woodsonfc> olga___  vc tem cerca de 30 minutos restantes
[15:03] <olga___> Paço assim à análise dos videos que servirão como base desse estudo
[15:03] <olga___> Peço aos presentes que vejam os dois vídeos que estão anexados
[15:05] <olga___> A seguir será indicado um vídeo em queNo vídeo 1 aparece uma perfómance de Nijinsky em 1912
[15:05] <olga___> O outro vídeo é a interpretação de  Rudolph Nureyev, da mesma coregorafia
[15:05] <olga___> Escolhi como objeto de minha análise, duas versões do ballet “L'Après-midi d'un Faune”, coreografado por Vaslav Nijinsky a partir da “sinfonia poética” de Claude Debussy, "Prelude à l'après-midi d'un faune". Essa peça estreou em Paris em 29 de maio de 1912, com Nijinsky dançando o papel do Fauno.
[15:06] <olga___> Tanto acoreografia quanto a sinfonia foram inspirados no poema de Stephane Malarmé, de mesmo título. Pode-se dizer, assim, que essa coreografia traduz para a linguagem da dança, o poema de Mallarmé, dialogando também com a tradução semiótica de Debussy do mesmo poema. Como recorte específico de análise, selecionei o trecho do filme, “Nijinski: uma história real”, baseado no diário publicado pela esposa desse bailarino e
[15:06] <Woodsonfc> Os videos podem ser vistos tb nos links http://youtu.be/Vxs8MrPZUIg e http://youtu.be/m7b1FkZYarU
[15:07] <Woodsonfc> Selecionem ao lado "OLGA - video1 e 2"
[15:07] <olga___> A tradução do poema é a seguinte:
[15:08] <olga___> A TARDE DE UM FAUNO
[15:08] <olga___> Essas ninfas eu as quero perpetuar.
[15:08] <olga___> É tão claro,
[15:08] <olga___> Seu copo leve que volteia no ar
[15:09] <olga___> Entorpecido em sono denso.
[15:09] <olga___>                                             Eu amo um sonho?
[15:09] <olga___> Minha dúvida, fardo da noite antiga, tem seu arremate
[15:10] <olga___> Em múltiplos ramos sutis, que, delongando o próprio
[15:10] <olga___> Bosque mesmo, prova, ai de mim! que sozinho eu me ofereço
[15:10] <olga___> Para o triunfo da falta ideal de rosas
[15:10] <olga___> Reflitamos...
[15:10] <olga___> ou reflete as mulheres que tu glosas
[15:13] <olga___> Ora, sabemos que a  dança é um espetáculo que, como o teatro e a perfórmance,  acontece no palco, diante do olhar do espectador. Diferente disso, quando analisada em um filme, a dança traz a marca de duas temporalidades: o presente da produção e o presente da exibição.
[15:13] <olga___> Ora, sabemos que a  dança é um espetáculo que, como o teatro e a perfórmance,  acontece no palco, diante do olhar do espectador. Diferente disso, quando analisada em um filme, a dança traz a marca de duas temporalidades: o presente da produção e o presente da exibição.
[15:13] <olga___> Após receber um tratamento audivisual, a dança, dessa forma, deve ser pensada como um outro gênero textual: a dança filmada, gênero que envolve, por definição, um processo tradutório entre os códigos linguísticos da dança e a linguagem fílmica.
[15:13] <olga___> Ora, se o filme que tomei como base para o meu trabalho já é a tradução semiótica de um texto escrito, ou seja, uma tradução de um diário atribuido a Nijinski, o trecho exibido no segundo vídeo pode ser pensado também como uma tradução da coreografia original produzida pelo próprio Nijinski.
[15:14] <olga___> Observa-se assim, um labirinto complexo de traduções sucessivas, parciais ou não, que impossibilitariam uma análise detalhada dentro do formato de um único ensaio. De qualquer forma, todo processo de semiose pode ser pensado como um processo infinito: sempre haverá uma dimensão que escapa à possibilidade de análise, sempre haverá uma possibilidade aberta de se ler um processo semiótico. Como afirma PLAZA (1987) :
[15:14] <olga___> O signo não é uma entidade monolítica, mas um complexo de realões triádicas, relaçoes estas que, tendo um poder de autogeraçõea, caracterizam o processo sígncom como continuidade e devir. A definição de signo peirciana é , nessa medida, um meio lógico de explicaçõea do processo de semiose (ação do sígno) como tranformação de signos em signos. A semiose é uma relação de momentos num processo sequencial-sucessivo i
[15:15] <olga___> Como já foi dito, a dança só pode ser tratada tendo em vista uma pluralidade de linguagens radicalmete heterogêneas, pois é uma produção artítica que, no final das contas, é sempre o resultado da conspiração entre vários textos, linguagens e  signos. É uma forma de arte, em si mesma, heterogênea e coletiva, além de ser a tradução de algo sempre anterior a ela mesma: a encarnação dialógica de um encontro com a divers
[15:16] <olga___> Consciente desses limites, tento a seguir, analisar as imagens presentes no trecho do filme, buscando observar as interfaces possíveis entre a dança e o poema de Mallarmé. Com essa escolha, considero o trecho como um o registro de um objeto artístico com um sentido passível de ser analisado como um todo.
[15:16] <olga___> Um dado importante a ser ressaltado é que as imagens que analiso não focalizam o palco da maneira como o espectador o veria. A câmara acompanha os movimentos dos bailarinos e os focaliza em ângulos privilegiados, fechando as imagens no rosto dos protagonistas e evidenciando a expressividade destes.
[15:17] <olga___> Nesse caso, a dimensão sensível dos traços dos rostos dos bailarinos, a maquiagem e o figurino são bastante valorizadas, intensificando o efeito desses elementos signicos no espectador do filme.
[15:17] <olga___> Nessa perspectiva é importante ter em mente que a versão fílmica de “L’aprés-midi de un faune” recebeu um enquadramento audivisual.
[15:19] <olga___> Derivadas disso, várias consequencias podem ser apontadas: a primeira seria a perda dos efeitos da profundidade espacial do palco;  a segunda seria a perda do impacto visual da presença física dos bailarinos; e a última seria a fixação ou o enrigecimento da temporalidade fluida do chamado “espetáculo em tempo real”.
[15:19] <olga___> A coreografia de Nijinski conta a história do encontro entre um fauno e uma ninfa: o fauno se encanta com a ninfa, mas ela se aterroriza e foge deixando um véu nas mãos do fauno. Sozinho, o fauno dança com o véu, em uma sequência gestual intensamente erótica. Um dado bastante singular é que, o fauno não parece tocar a ninfa de maneira amorosa, mas se relaciona com bastante intensidade com o véu. A ninfa acaba esquecida no jog
[15:20] <olga___> Importa ressaltar que a coreografia é marcada por uma linguagem gestual carregada de erotismo e sua visão pode surtir um efeito sinestésico capaz de levar o espectador a uma empatia com o desejo que teria supostamente desencadeado os movimentos do fauno. Esse tipo de efeito é bastante explorado nas linguagens visuais que afetam os outros sentidos humanos, principalmente o tato.
[15:20] <olga___> E essa cadeia sinestésica é acentuado pela música que se desdobra lentamente gerando uma impressão de suspenção temporal. O “agora”, nesse caso, ganha densidade reforçando a dimensão sensível do espectador.
[15:21] <olga___> Ora,  o “Prelúdio a l'après-midi d'un faune", composto por Debussy em 1894, causou estranhamento no publico de sua época exatamente pelo que se qualificou como “ausência de melodia”. Esse compositor, na verdade, gerou apenas a sugestão de um tema melódico, sem desenvolvê-lo.
[15:21] <olga___> O efeito disso foi uma sonoride estranhamente estática, capaz de contaminar o espaço cênico, relentizando a sensação temporal e obrigando os gestos a se alongarem.
[15:21] <olga___> A narrativa do ballet é curta e, como o Prelúdio de Debussy, também não se desenvolve. As imagens se repetem e o desenho coreográfico se mantém em suspenso. Essa suspensão temporal tem ressonância com o desfecho do texto: como já foi dito a história trata de um encontro amoroso que não se completa: a ninfa foge do fauno deixando apenas um véu em suas mãos.
[15:22] <olga___> Ora, como toda música, o “Prelúdio” de Debussy gera aquilo que se pode chamar de “espacialidade sonora” que se comporta como um muro devidindo qualitativamente o espaço em dois: um campo onde é possível ouví-la e um outro, onde a música se torna inaudível.
[15:22] <olga___> No trecho que analiso, a dimensão sonora do filme reproduz a realidade de um teatro lotado, na estréia do ballet. Nesse contexto, a homogeneidade do espaço sonoro criado pela música é quebrada pela intervenção ruidosa da audiência.
[15:23] <olga___> Lembramos, aqui, que a interpretação original foi recebida com escândalo pela platéia daquela época. Essa divisão espacial, no filme, evidencia um forte contraste entre a intensidade da entrega afetiva do bailarino a seu papel de fauno e o repúdio, também intenso, da platéia
[15:23] <olga___> Além disso, nessa cena, o espectador do filme observa o espectador da dança com um distanciamento temporal e cultural  que gera uma cumplicidade com o ponto de vista do bailarino, ao mesmo tempo em que também é impactado pela afetividade delirante do fauno enquanto personagem mítica.
[15:24] <olga___> Em síntese, pode-se dizer que a espacialidade sonora do filme delimita fronteiras que separam, qualitativamente, três intensidades: o desejo erótico do fauno; a entrega do personagem (Nijinski) a seu papel; a ira encenada pelos atores que interpretam a plateia original.
[15:24] <olga___> . Por outro lado, os espectadores do filme também estariam expostos ao conjunto de linguagens próprias ao universo da dança e à intensidade da atuação do bailarino, Nureiev, que interpreta o papel de Nijinski.
[15:24] <olga___> As imagens que analiso diferem, assim, de uma exibição ao vivo que pudesse acontecer na atualidade. A atuação de Nureiev está fatalmente contaminadas pela narrativa fílmica que se centra na configuração da personagem excêntrica de Nijinsk, em contraste com o controle dos afetos exercido pela moral da época.
[15:25] <olga___> Essa mesma coreografia, se exibida em um palco contemporâneo, talvez recebesse a atenção do público por sua própria construção cênica. O público estaria exposto diretamente à interpretação do bailarino, sem a interferência de um suposto olhar do início do seculo XX.
[15:25] <olga___> Nesse caso, o desejo amoroso do fauno, com todas as suas marcas sígnicas dos códigos da linguagem da dança, ocupariam o centro da cena, juntamente com todas as linguagens que compõem o gênero analisado (música, cenário, figurino, etc).
[15:26] <olga___> Outra diferença significativa seria o impacto concreto da presença física do corpo dos bailarinos em cena e a temporalidade da execução da coreografia, que se desenvolveria no “agora” do espetáculo, trazendo a emoção proporcionada pelo risco do erro e a possibilidade do improviso.
[15:26] <olga___> Ressalte-se que a coreografia também provocou um choque no nível estético, pois sua linguagem difere dos padrões artísticos da época. O público atual aceitaria com naturalidade o padrão estético da coreografia de Nijinski e a moral, na atualidade, não é tão rígida.
[15:27] <olga___> Como já foi dito, a coreografia de Nijinki foi inspirada no poema de Mallarmé de mesmo nome, e faz uma leitura, ou uma tradução semiótica desse texto. No poema, nota-se uma nítida separação temática entre a primeira e a segunda estrofe. A primeira apontando para o desenho do corpo da ninfa, acentuando, nele, a suavidade e a leveza:
[15:27] <olga___> como podemos ler no texto original:
[15:27] <olga___> Ces nymphes, jê lês veux perpètuer
[15:27] <olga___> Si clair,
[15:28] <olga___> Leur incarnat léger, qu’il voltige dans l’air
[15:28] <olga___> Assoupi de semmeils touffus.
[15:28] <olga___> Aimai-je un rêve?
[15:28] <olga___>  Na segunda estrofe, surge o questionamento sobre a possibilidade de um encontro concreto com o “outro”, sem a mediação do plano reflexivo, imaginário:
[15:29] <olga___> Mon doute, amas de nuit ancienne, s’schève
[15:29] <olga___> En maint rameau subtil, qui demeuré les vrais
[15:29] <olga___> Bois même, proube, hélas! Que bien seul je m’offrais
[15:29] <olga___> Pour triomphe la faute idéale de roses.
[15:29] <Woodsonfc> Olga vc tem 5 minutos
[15:29] <olga___> Réfléchissons...
[15:30] <olga___> ou si les femmes dont tu gloses
[15:30] <olga___> Acentuando elementos visuais presentes no poema, a coreografia de Nijinski traz à cena o véu, que reproduz, no nível icônico, a dimensão etérica e insubstancial do corpo da ninfa, configurado na primeira estrofe do poema. Porém, na dança, o véu acaba assumindo um duplo sentido: ele aponta para a qualidade do corpo da ninfa e para o espaço imaginário do fauno. O véu é o corpo e o sonho a um só tempo.
[15:30] <olga___> Esse tipo de tradução icônica aproxima dois objetos, corpo e véu sinalizando a solidão inerente às relações amorosas. E o corpo da ninfa assume, definitivamente, sua forma insubstancial, revelando sua natureza inatingível.  Pode-se dizer, assim, que o véu é o elemento sígnico predominante na coreografia de Nijinski e sinteza as imagens configuradas no poema. Ele cria uma “qualidade” que contamina toda a atmosfera da cen
[15:31] <olga___> Nota-se que os bailarinos, na coreografia de Nijinski, se mantêm de perfil e executam movimentos estilizados. Nenhum dos bailarinos encara a platéia de frente, mesmo quando se deslocam no palco em direções distintas. A linguagem gestual da coreografia remete, assim, ao desenho geometrizado presente nos antigos vasos gregos. Porém, mesmo se a platéia não pode encarar o rosto dos bailarinos, a linguagem gestual supre o papel expre
[15:32] <olga___> Leur incarnat léger, qu’il voltige dans l’air assoupi de semmeils touffus.Aimai-je un rêve?
[15:32] <olga___> No poema, o corpo da ninfa é apresentado como uma imagem imersa em sono, ou como uma imagem de sonho, gerada na mente do sujeito poético. Observe-se, assim, uma duplicação do mundo onírico: o corpo da ninfa parece dormir e, ao mesmo tempo, integra  o sonho do sujeito que o contempla dançando.Essa dupla negação do real reforça a idéia do paradoxo entre distância e proximidade, experiência e imaginação.
[15:32] <olga___> De um lado, vemos a figura mítica do fauno assinalando um espaço de estranhamento radical. Como o deus Pã, ele remete à totalidade espantosa da natureza bruta que parece impor sua presença, obrigando o leitor a encarar seus próprios instintos desconhecidos e  habitar um espaço além das configurações cotidianas. Diante do Fauno, o humano se vê desprotegido de suas máscaras culturais e é obrigado a olhar de frente seus próp
[15:32] <olga___> De outro lado, vemos a ninfa, com seus véus ligeiros e rodopios que negam e afirmam sua própria materialidade. Ela também ocupa um espaço não-humano. Ela também é natureza nas margens da compreensão humana do “si-mesmo” e do mundo. A dança é assim um encontro de distâncias. O fauno parece desejar a ninfa como somente é possível desejar aquilo que não se conhece nem se compreende. Ocorre, assim, uma dupla negação: du
[15:33] <olga___> se encontram sem se tocar de fato.
[15:33] <olga___> Como já foi analisado, o véu parece funcionar como índice do corpo da ninfa, além de evocar sua qualidade, a leveza.
[15:34] <olga___> Esse véu funciona, assim, como elemento tradutório, na dança, dessa qualidade diáfana, também presente no poema de Mallarmé. O poema e a dança podem, dessa forma,  ser pensados como representações irônicas da distância entre dois seres humanos concretos.
[15:34] <olga___> “Eu amo um sonho?” pergunta o poema de Mallarmé. E essa pergunta não pode ser respondida sob pena de provocar, inadvertidamente, o despertar. E o que resta além do sonho? além das sombras e dos reflexos  que projetamos.
[15:34] <olga___> O amor se constitui, assim, como um gesto sempre solitário e intransitivo. Cada um ama a criatura que ele próprio perpetuou. Em outras palavras, o dom que eu recebo não é aquele que é ofertado. A entrega é sempre solitária.
[15:34] <olga___> Em síntese música sem progressão melódica, a presença inquietante do fauno e a imagem diáfana da ninfa, juntamente que a recusa do olhar,  compõem um conjunto que aprofunda, no espectador, a experiência do abandono e da solidão.
[15:35] <olga___> O sujeto amoroso nunca poderá alcançar a verdade do ser amado: o “outro” será sempre um “si-mesmo”. E poema de Mallarmé tem seu desfecho na forma de uma interrogação apenas esboçada
[15:35] <olga___> Réfléchissons...ou si les femmes dont tu gloses
[15:35] <olga___> O poema e a coreografia, nesse aspecto, convergem propondo também o problema que qualquer representação/relação nos impõe: como lidar com as fronteiras entre o imaginário e a experiência concreta dos sentidos? Na coreografia de Nijinski, o fauno se entrega intensamente a um jogo amoroso com o véu.
[15:36] <olga___> E esse gesto também pode ser pensado como uma tradução, para a linguagem da dança,  da entrega absoluta do poeta às palavras e ao jogo de sentidos que a cena poética gera.
[15:36] <olga___> O gesto de refletir (pensar) confunde-se sempre com o gesto de gerar reflexos (representar). A representação surge, assim, também como um véu, com todas as conseqüências paradoxais de sua presença/ausência: encobre e revela a estranheza radical do “outro”; permite e impede as relações de sentido.
[15:36] <olga___> obrigada, W
[15:36] <Woodsonfc> Olga, favor concluir para que possamos passar para o debate, ok!?
[15:37] <olga___> obrigada pela atenção e pela paciência de todos....
[15:37] <Woodsonfc> Ah ja concluiu
[15:37] <Woodsonfc> hehehe
[15:37] <acris> palmas! clap clap clap clap clap
[15:37] <olga___> passou muito?....
[15:37] <adelmaa> clap clap clap clap clap
[15:37] <acris> belo trabalho, olga___
[15:37] <Woodsonfc> nada, foi justo hehehe
[15:38] <AnaMatte> clap clap clap clap clap
[15:38] <olga___> obrigada e desculpe a demora, foi a primeira vez que participo desse tipo de apresentação e acho que escurreguei um pouco. Bjs, olga
[15:38] <carolkonzen> Parabéns, OLga! Adorei o trabalho!!
[15:38] <acris> está aberto para perguntas, temos quanto tempo?
[15:38] <Woodsonfc> Parabéns e eu quem agradeço a sua paciência e dedicação em estar aqui em pleno feriado
[15:39] <Woodsonfc> senti-me honrado e estasiado pois gosto demais de Debussy
[15:39] <olga___> Obrigada carolzinha e Woodson, eu que sempre agradeço a oportunidade......
[15:39] <adelmaa> Olga, parabéns pelo seu trabalho tão elaborado e pela análise tão profunda...
[15:40] <Woodsonfc> Olga, vamos às perguntas
[15:40] <olga___> sim.
[15:40] <Guest31899> qual o código para ver os slides da apresentação?
[15:40] <Woodsonfc> Não tem código, basta selecionar
[15:40] <adelmaa> Amei os caminhos que você nos fez percorrer, a ajuda para perceber nuaces das apresntações e
[15:40] <Woodsonfc> Guest31899`
[15:41] <Woodsonfc> Não tem código, basta selecionar
[15:41] <olga___> eu não fiz slide, desculpe
[15:41] <adelmaa> este olhar concomitante daas leituras paraleasque te embasaram.
[15:41] <Woodsonfc> nem precisou de slade que só os vídeos já dão o que pensar
[15:41] <AnaMatte> olga___: na sua definição de tecnologia, ela está muito intimamente ligada não só à cultura, mas à própria consciência do corpo, ou consciência do corpo próprio. Voce diria que a linguagem e a tecnologia definem ou intermediam nosso olhar sobre o mundo ontológico, concreto?
[15:42] <Guest31899> que pena.
[15:42] <Guest31899> a apresentação estava belissima.
[15:42] <adelmaa> se você entrame nos dois links que eo Woodson disponibilixou vocês pederão fazer uma leitura após esta parestação com a ajuda da ana´lise da Olga associadoao às apresentações em vídeo.
[15:42] <acris> Guest31899: os videos estao no menu ao lado
[15:42] <Guest31899> gostaria que a Olga falasse mais um pouco sobre o funcionamento do véu como elemento tradutório da leveza na dança.
[15:44] <Woodsonfc> Guest31899 vc pode ver os vídeos ao lado ou nos links http://youtu.be/Vxs8MrPZUIg e http://youtu.be/m7b1FkZYarU
[15:45] <Woodsonfc> Já tem duas perguntas Olga
[15:45] <olga___> respondendo a adelma: Na verdade, acredito que haja uma interação.a tecnologia abarca o campo da linguagem e a linguagem abarca o campo da tecnologia. O corpo sofre transformação em seu aspecto epstemológico e ontolo´gico na medide que sofre o interferência da linguagem, porque sua imagem sofre também mutaç~joes  de sentido.
[15:46] <olga___> Acredito na interação entre linguagens: o corpo no mundo e do mundo....
[15:47] <AnaMatte> olga___: então você acredita que não seja uma via de mão única, confere?
[15:48] <olga___> E a tecnologia é atravessada pela linguagem que constitui esse mundo. Só pode haver mundo humano se há possibilidade de se pensar esse mundo, isso já é tranformação (ou mutação)
[15:48] <olga___> sim, seria de mão dupla...
[15:48] <AnaMatte> amei, obrigada :)
[15:49] <olga___> Sobre o véu, eu tentei observar o sentido de leveza presente no poema
[15:50] <olga___> Seu copo leve que volteia no ar/Entorpecido em sono denso/ Eu amo um sonho?
[15:51] <olga___> e trabalhei a imagem do enamoramento como interferência do imaginário.
[15:52] <olga___> O fauno não interage, no final, com a ninfa, mas prefere o veu....não é isso que fazemos? nos enamoramos por imagens
[15:53] <olga___> idealizadas que unem e separam o nosso olhar e o nosso corpo?
[15:57] <Guest31899> o elemento etéreo, como o imaginário, como a ninfa são intangiveis, impossíveis para o fauno, o que vc acha Olga?
[15:57] <olga___> isso mesmo...o intangível!
[15:57] <Woodsonfc> Olga, o que vc diria das dimensões no vídeo e da linguagem desses textos enquanto marcadas pela bidimensionalidade (vasos egípicios) e da recepção ao vivo no teatro que possue uma certa visão tridimesional, rica em profundidade. Há possibilidade de leituras diferentes marcadas por esse par dicotômico?
[15:57] <olga___> Com certeza
[15:57] <olga___> Podemos ainda acrescentar a bidimensionalidade do vídeo...
[15:57] <olga___> que, de alguma maneira, achata a imagem
[15:57] <acris> mhm
[15:57] <olga___> o filme é um elemento importante de transposição não apenas daquilo que aconteceu, mas tb do olhar que registrou a obra
[15:57] <Woodsonfc> Essas dimensões não estariam tb consideradas no drama e conteúdo do poema ?
[15:57] <olga___> Sim.
[15:58] <olga___> Os vasos gregos passam a compor um imaginário que seria estranho ao contexto grego: é uma leitura, tradução de uma linguagem
[15:59] <olga___> o filme também se apropria da linguagem (verbal) do poema, da linguagem cênica da dança, e um outro registro....
[16:00] <olga___> É importante também lembrar as diferenças da experiência dos 5 sentidos
[16:02] <olga___> no teatro ao vivo, sentimos cheiro, e ouvimos a interferência de ruídos não filtrados, como a respiração dos bailarinos e o barulho das sapatilhas: isso muda muito a experiência...cheiro, som, ruidos: experiência do corpo compartilhando a cena com os bailarinonos e com os outros espectadores...
[16:05] <acris> acho que acabaram as perguntas, podemos encerrar?
[16:06] <Woodsonfc> Bom, acho que podemos encerrar por aqui e quem tiver outras perguntas podem enviar depois para a professora Olga. Se puder deixar um contato com esse fim!
[16:06] <Woodsonfc> Nós que fazemos o STIS gostaríamos de agradecer à professora Olga Waleska pela  brilhante conferência.
[16:06] <AnaMatte> parabéns, Olga, muito obrigada!
[16:06] <olga___> meu e-mail é ovaleska@yahoo.com.br
[16:07] <olga___> deixo tb um poema que fiz "sobre os véus das ninfas"
[16:07] <olga___> Passo por sua noite
[16:07] <adelmaa> Nossa foi uma palestra extraordinária
[16:07] <carolkonzen> muito grata, Olga! =)
[16:08] <olga___> Passo por sua noite como sombra/que nem se esconde/nem se dá a ver
[16:08] <adelmaa> Palmas para OLhga. clap clpa clpa clap !!!!
[16:08] <Oliria> Parabéns!
[16:09] <olga___> seu olho negro- ébril busca roubar a luz de um desejo sem nome ou data
[16:09] <olga___> transbordo-lhe esse amor que é meu...de tão meu que não lhe dou:
[16:09] <Woodsonfc> Além disso tb é poeta, reproduzo para que fique bem registrado:
[16:10] <olga___> nem minha serenidade crestada ao sol de cada grito,nem meu frio verniz de donzelaenganam o seu faro -fauno de l’après-minuit.
[16:10] <olga___> adorável noite/dobrada ao meio./sem lua/sem sonho ou sombras
[16:10] <olga___> obrigada Woodson....um grande beijo e um abraço para todos....
[16:10] <adelmaa> Lembramos a todos vocês que no dia 30 de novembro teremos neste evento o prof. Dr Luzi Tatit em sua conferência sobre "DOSAGENS E AJUSTES TENSIVOS NA TEORIA SEMIÓTICA". Todos esao convidados.
[16:11] <Woodsonfc> Para  registro: Passo por sua noite como sombra/que nem se esconde/nem se dá a ver/seu olho negro- ébril busca roubar a luz de um desejo sem nome ou data transbordo-lhe esse amor que é meu...de tão meu que não lhe dou:  nem minha serenidade crestada ao sol de cada grito,nem meu frio verniz de donzelaenganam o seu faro -fauno de l’après-minuit.
[16:11] <adelmaa> Desculpem-me:  Luiz Tatit/USP.
[16:12] <carolkonzen> Beijos, pessoal!
[16:12] <Woodsonfc> ops: repetindo: Passo por sua noite como sombra/que nem se esconde/nem se dá a ver/seu olho negro- ébril busca roubar a luz de um desejo sem nome ou data transbordo-lhe esse amor que é meu...de tão meu que não lhe dou:  nem minha serenidade crestada ao sol de cada grito,nem meu frio verniz de donzelaenganam o seu faro -fauno de l’après-minuit.adorável noite/dobrada ao meio./sem lua/sem sonho ou sombras
[16:14] <olga___> Minha irmão recitou o meu poema...vja o link:  http://youtu.be/PaF6ogZZH1s
[16:15] <Woodsonfc> Obrigada Olga! Espero que tenha gostado dessa semiose e participe e divulgue ela conosco nas próximas!
[16:17] <adelmaa> Obrigada Olga por ter aceitado nosso convite e pela brilhante apresentação.
[16:17] <olga___> Com certeza...vou estar presente no próximo seminário..
[16:18] <olga___> Foi uma hora receber o convite, só não sei se consegui (no dia de finados) prender a atenção...
[16:19] <adelmaa> Sua palestra ficará disponibilizada em nosso site para leituras e reler posteriores de sua conferência.
[16:21] <Woodsonfc> olga___ a atenção que deu já é mais que suficiente, quem não conseguiu acessar sua palestra hoje poderá fazê-lo depois no site http://stis.textolivre.org/site/
[16:22] <Woodsonfc> E hoje foi mais que um dia de finados, diria de refinados
[16:22] <adelmaa> Obrigada ao STIS por integrar tantas vertentes teóricas diferentes e nos fazer olhar o mundo de forma tão significativa e plural.
[16:24] <acris> legal, gente! we did it again! congratulations
[16:25] <adelmaa> Um obrigada especial à coordenação do STIS que faz este evento acontecer. Parabéns Ana Crsitina Fricke Matte e Woodson!
[16:27] <acris> não se exclua, adelmaa

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